segunda-feira, 26 de abril de 2021

ESTANISLAU KUBISTA

Sacerdote, Mártir, Beato
(1898-1940)

Estanislau Kubista nasceu no seio de uma família devota de nove crianças, em Kostrechna. A família recitava todos os dias o terço, antes do jantar, diante do altar de Nossa Senhora. Era quase uma evidência que ele viria a ser sacerdote. Uma das suas irmãs, Ana entrou num convento perto de Viena. Quanto a ele, estudou numa escola alemã e, portanto, não só falava a língua materna mas também correntemente o alemão.


Criança ainda, ficou impressionado com as prédicas e sermões dos missionários da Santa Cruz de Steyl — missionários do Verbo Divino. Estudou na escola de Neisse. Foi mobilizado no exército em 1917 na frente ocidental, onde era telefonista. Desmobilizado em Maio de 1919, em Stettiner, continuou os seus estudos em Neisse no noviciado dos Padres missionários verbistas, desejoso de se tornar missionário na China.

Os Padres publicavam numerosas publicações e brochuras em polaco. Ele foi enviado para o noviciado de São Gabriel de Mödling perto de Viena. Ali foi ordenado sacerdote em 1927 com 29 anos de idade.

Ecónomo da escola e do convento de Gorna Grupa, era responsável de 300 pessoas (alunos e professores). Posteriormente, foi nomeado procurador.

Publicava livros e brochuras, especialmente para a juventude e cada vez mais se apaixonava pelas missões. Ele tinha uma grande devoção a são José. Os seus escritos foram famosos na Polónia.

Quando o alemães invadiram a Polónia, ele foi preso com outros missionários e sacerdotes da sua Congregação aos quais vieram juntar-se muitos sacerdotes diocesanos. Na Congregação do Verbo Divino foram detidos 14 sacerdotes, 14 religiosas, 4 irmãos e 12 noviços. A província da Polónia criada em 1919 compreendia, vinte anos após a sua fundação, 29 sacerdotes e 61 irmãos.

Em Fevereiro de 1940, ele foi deportado para Nowy Port, perto de Dantzig e, em seguida, para Stutthof e em Abril de 1940, para o campo de concentração de Sachsenhausen. Enfraquecido e doente, ele foi destinado à morte após três dias de agonia. Foi em 26 de abril de 1940.

Ele foi beatificado por João Paulo II em 1999, com três outros membros da sua Congregação, os padres Frackowiak, Liguda e Mzyk.

A Congregação foi restaurada na Polónia em 1946 e irradia-se hoje em torno dos seus catorze estabelecimentos.


JÚLIO JUNYER PADERN

Sacerdote salesiano, Mártir, Beato
(1892-1938)

Durante a guerra civil espanhola, os salesianos pagaram um pesado tributo, com o sangue derramado por mais de uma centena deles…

Todos estes religiosos e religiosas vieram aumentar na “santidade salesiana” o número já consequente de Servos e Servas de Deus, de Beatos e Beatas e de Santos e Santas, à frente dos quais brilha de mil luzes o santo fundador, S. João Bosco.


Entre eles, destacamos aqui um: o padre Júlio Junyer Padern.

Ele nasceu em Vilamaniscle (Girona) em 31 de Outubro de 1892. Foi baptizado em 13 de Novembro.

Entrou para os Salesianos em 24 de Novembro de 1906; sendo admitido ao noviciado em 27 de Julho de 1911. Emitiu os votos trienais em 31 de Julho de 1912 e os votos perpétuos em 3 de Setembro de 1915. Foi ordenado sacerdote em 21 de Maio de 1921. Destinado à formação com o cargo de director espiritual, fez-se amado e estimado pela sua bondade e justiça. Ele era um homem piedoso e muito dedicado apostolicamente.

Ele ficou preso entre o final de Janeiro e Abril de 1938. Foi acusado de alta traição — a única acusação que o poderia levar à morte! – por ter ajudado diversos jovens salesianos a passar a fronteira com a França.

Foi assassinado em 26 de Abril de 1938. O corpo foi recolhido por seus parentes e enterrado em um nicho no cemitério oriental de Barcelona.

Foi beatificado em 11 de Março de 2001, ao esmo tempo que 31 outros mártires, entre os quais o padre José Calasanz Marques.


domingo, 25 de abril de 2021

MARCELINO DE ROMA, PAPA

Papa, Mártir, Santo
250-304

Marcelino (Marcellinus) nasceu em Roma, provavelmente em 250.

Pouco ou nada se sabe da sua vida antes do começo do seu pontificado que começou a 30 de junho de 296 e durou até 25 de outubro de 304, ano em que foi martirizado durante a grande perseguição organizada pelo imperador Diocleciano, “homem grande, magro, de nobre estatura e de olhar penetrante”, mas “impassível e que cultivava e mesmo dissimulava um temperamento violento, sujeito a contradições frequentes”, “um dos três imperadores que a história permite então de admirar”, escreve o historiador da Igreja, Daniel Rops.


Os motivos exactos desta perseguição que começou em 295 — um ano após a chegada do Papa Marcelino ao Sumo Pontificado —, continuam obscuros, e nada parecia anunciar que o grande reformador do império romano, zeloso pela unidade deste, enveredasse por este trágico caminho: perseguir e martirizar os cristãos, como se estes fossem culpados dos problemas políticos que agora começavam a aparecer.

Deus assim o permitiu, para que “o sangue das vítimas fosse semente de cristãos”.

Sabe-se igualmente que foi durante o seu pontificado do Papa Marcelino que “nasceu” o primeiro país cristão: a Arménia.

O corpo do santo Pontífice, segundo o Liber Pontificalis, foi sepultado a 26 de abril no cemitério de Priscilla, sobre a Via Salaria, 25 cinco dias após o seu martírio; todavia o Catálogo liberiano diz que foi em 25 de outubro, mas isso pouco importa, visto que o principal é saber onde se encontram os seus restos mortais de maneira que os cristãos os possam venerar.

Após um certo lapso de tempo, durante o qual não houve Papa, São Marcelo sucedeu a São Marcelino.

Passado quase um século após a sua morte, os inimigos do bispo de Roma, particularmente os donatistas, acusaram o Papa Marcelino de ter queimado incenso diante dos deuses romanos. Esta acusação foi combatida e refutada por santo Agostinho, o qual afirmava que nenhuma prova existia que corroborasse uma tal acusação.

Efectivamente, se o facto fosse verdadeiro, se Marcelino tivesse renegado a sua fé e incensado os deuses romanos, não faltariam provas, não só verbais mas também escritas, provas que jamais existiram.

O que é certo é que o túmulo do Papa Marcelino se tornou, para os cristãos de então, um lugar de peregrinação e de recolhimento.


ANACLETO, PAPA

Papa, Mártir, Santo
(+88)

Eis uma curiosidade com relação ao santo venerado nesta data: seus dados biográficos se embaralharam ao serem transcritos século após século.

Papa Anacleto teve sua vida contada como se ele "fosse dois": papa Anacleto e papa Cleto, comemorados em datas diferentes, 26 de abril e 13 de julho.


O engano, que passou também pelo cuidadoso Barónio, parece ter sido de um copista, que teria visto abreviado em alguma lista dos papas o nome de Anacleto por Cleto e julgou que deveria colocar novamente o nome apagado de Anacleto sem excluir a abreviação. Após a revisão dos anos 1960, como consequência dos estudos de Duchesne, verificou-se que se tratavam da mesma pessoa e a data de Julho foi eliminada.

Ele foi o segundo sucessor de são Pedro e foi o terceiro papa da Igreja de Roma, governou entre os anos 76 e 88. Anacleto nasceu em Roma e, durante o seu pontificado, o imperador Domiciano desencadeou a segunda perseguição contra os cristãos.

Ele mandou construir uma memória, isto é, um pequeno templo na tumba de São Pedro. Morreu mártir no ano 88 e foi sepultado ao lado de são Pedro.

JOÃO BAPTISTA PIAMARTA

Sacerdote, Fundador, Beato
(1841-1913)

João Baptista Piamarta nasceu em Bréscia (Itália), numa modesta família, no dia 26 de Novembro de 1841. Frequentou o Seminário episcopal e foi ordenado Sacerdote em 1865.


Desde o início do seu ministério sacerdotal, distinguiu-se por um grande amor à juventude que vivia nos Oratórios, formando-a através da catequese em várias paróquias, nas quais também os doentes recebiam os seus cuidados espirituais. O seu contacto com os jovens, sobretudo das categorias mais simples e pobres, convenceu-o de que era necessário interessar-se por todos eles. Por isto, deu início a um Instituto artesanal onde, com grandes sacrifícios e muitíssimas dificuldades, preparou centenas de jovens para a vida profissional e cristã. Pensou depois nos problemas da zona rural, e organizou a Colónia Agrícola de Remedello que, em seguida, se tornou um ponto de referência e de orientação para muitas famílias camponesas de toda a Itália.

Em 1902 foi aprovada a Congregação dos Padres da Sagrada Família de Nazaré, por ele fundada com o objectivo de formar cristãmente as famílias e se dedicar à educação da juventude. Mais tarde, juntamente com a Madre Elisa Baldo, criou o Instituto das Humildes Servas do Senhor. Dedicou-se também à imprensa católica e fundou a Editora Queriniana, contribuindo assim para a difusão do pensamento cristão junto dos jovens e das pessoas cultas.

O segredo de tanto fervor e actividade apostólica eficaz do Padre Piamarta consistiu na firme fidelidade a um programa de intensa oração e numa inabalável confiança na Providência. Na sua profunda humildade considerava-se um obstáculo para as obras de Deus, mas acreditava que a bênção divina jamais lhe faltaria.

Viveu pobre e morreu pobre, depois de ter ajudado milhares de jovens do mundo do trabalho a tornarem-se protagonistas da própria promoção humana e cristã.

Morreu a 25 de Abril de 1913 na Colónia Agrícola de Remedello.

Actualmente, os filhos espirituais do novo Beato continuam a sua obra na Itália, em Angola, no Brasil e no Chile.

Fonte: www.vaticano.va

sábado, 24 de abril de 2021

PEDRO DE SÃO JOSÉ BETANCOUR

Leigo, Fundador, Beato
(1626-1667)

Pedro de São José Betancur nasceu em Villaflor de Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha, no dia 19 de Março de 1626, tendo sido baptizado logo no dia 21. Seus pais, Amador González Betancur de la Rosa e Ana Garcia educaram-no cristãmente e Pedro descobriu os valores da fé e da caridade, de modo especial. E ele nunca esqueceu os ensinamentos recebidos; ouvindo falar dos trabalhos missionários que muitos homens e mulheres estavam a empreender nas terras da América, deixou-se entusiasmar pela ideia de ir anunciar o Evangelho, emigrando para a Guatemala em 1651 com esse propósito.


Ali começou a viver como se fosse essa a sua pátria, depressa captou a simpatia das famílias do lugar, que desejavam a presença de Pedro em suas casas, pela sua afabilidade e interesse pela situação de cada um; pagava a hospedagem com os trabalhos humildes que podia fazer.

Dele disse o seu biógrafo: “Todo o tempo em que conhecemos Pedro de Betancur, conhecemo-lo como um homem virtuoso. Nele, a virtude parecia natural. Era tão amável como virtuoso e todos os que o conheciam, o estimavam e quem o estimava, gostava de comunicar com ele. Todos desejavam tê-lo em sua casa e muitos o procuravam”. Fez da pobreza sua companheira de vida, para não ter outro tesouro a não ser Jesus Cristo e não ter outra preocupação senão o amor dos pobres. Viveu em Santiago de los Caballeros, entrava livremente na casa de todos os que ali habitavam, saindo como tinha entrado:  livre de apegos materiais, alma limpa e coração desprendido, mas com a convicção firme de que tinha deixado a semente do Evangelho no seio daquelas famílias. O seu biógrafo diz, mesmo, estas palavras bem elucidativas da sua presença: “o Irmão Pedro deixava as casas onde entrava banhadas de luz e saía delas sem detrimento da sua pureza”. Por isso, ele pode ser chamado um “mensageiro do amor de Deus na América”.

Possuía a sabedoria própria de um homem simples. Por esta razão, a sua vida se lê melhor nas suas acções do que nos seus discursos. Por dificuldades nos estudos, não conseguiu ser sacerdote, não foi membro de uma Ordem religiosa, o que o convenceu de que Deus o chamava à santidade por outro caminho; seguiu o da caridade, tornando-se um verdadeiro apaixonado pelo pobres por amor a Cristo. Sincero e humilde, mas de um singular intuição e prática na vida, soube reconhecer Deus e encontrar Cristo nas ruas da cidade. Os seus compatriotas chegavam em busca de poder e de riquezas; ele procurou as suas honras na catequese, na oração e no alívio dos sofrimentos humanos dos pobres. Essa era a sua ambição, que realizava “sempre ocupado em obras de misericórdia”, aliviando o sofrimento do seu Salvador nas cruzes dos mais pobres.

Era homem de oração; reconhecendo-se como humilde servo da Santíssima Trindade, distinguiu-se por uma vida de comunhão contínua com Deus Pai através da oração e da perseverança em fazer o bem, às vezes à custa das maiores dificuldades, incompreensões e contrariedades, mas espalhando sempre a caridade a mãos cheias, dele se podendo dizer como de Cristo:  "passou pela terra fazendo o bem" (cf. Act 10, 38). Deixando-se guiar pelo Espírito Santo, permaneceu sempre aberto à sua inspiração, para orientar os seus passos, palavras e acções.

Peregrino e contemplativo, traçou um itinerário de lugares de oração, de recolhimento e de contemplação, para que aqueles povos pudessem gozar de momentos de contacto com o Senhor.

Ainda hoje, a tradição fala desses lugares:  o Calvário, o Outeiro da Cruz, os pátios da Pousada de Belém, o Templo de S. Francisco, bem como as ruas de pedra abençoadas pela sua passagem continuam a ser sinais da sua presença permanente naqueles lugares. Soube cimentar a piedade popular na devoção aos mistérios de Cristo e da Virgem Maria, na frequência dos sacramentos e na meditação, acompanhadas pela preocupação constante da salvação da alma.

Por isso, não nos admiremos de que ele fosse um “leigo fundador de uma Ordem religiosa”. Assim se expressam os Bispos da Guatemala em Carta Pastoral, escrita a propósito da sua canonização.

Tendo vestido o hábito da terceira Ordem de penitência franciscana, continuou a sua vida na prática das obras de caridade, consolidando a sua devoção a Maria; rezava o terço na Capela da casa com os escravos, os mais simples, sem deixar de se retirar para o "seu" Calvário (tinha-o construído com as suas próprias mãos), pelos pátios da Pousada de Belém, onde, no dizer do seu biógrafo, "os pobres podiam encontrar pão material para o sustento do seu corpo e o pão da doutrina para alimento da sua alma". Alguns deixaram-se seduzir pelo seu exemplo e congregou à sua volta os que julgou idóneos para dar cumprimento aos seus desejos. Com eles acerta uma vida regular de oração e austeridade que, ao trabalho com os pobres, uniam uma espiritualidade muito rica de fidelidade a Deus e vida comunitária. Assim nasceu a Ordem Betlemita, fundada na Guatemala e ainda hoje viva naqueles meios, ao serviço das pessoas mais humildes e sem lar.

Destacam os Bispos da Guatemala três caminhos na herança espiritual legada por Pedro de São José: 

a) Caminho espiritual, baseado na adoração do Verbo Encarnado, na meditação constante da paixão de Cristo, no amor e adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia, amor à Mãe de Deus e a devoção do santo Rosário, a que se juntava a prática da mortificação, da penitência e do jejum.

b) Caminho misericrdioso, caracterizado pelo amor aos pobres e a solidariedade para com todos. Para isto, não hesitou em escrever uma carta ao Rei de Espanha, pedindo autorização para construir um hospital para convalescentes, o primeiro do mundo para este género de doentes.

c) Um caminho profético, onde se descobrem os valores perenes de uma autêntica evangelização. Assim o evangelizador verdadeiro não deve condenar ninguém definitivamente, pois o plano de Deus quer a salvação de todos e que todos cheguem ao conhecimento da verdade (cf. 1 Tim 2, 4), o evangelizador propõe o plano de Deus a um mundo dominado pelo afã das riquezas, a ambição do poder e a indiferença orientada pelo prazer.

Beatificado por João Paulo II em Roma, no dia 22 de Junho de 1980, vai ser canonizado ainda pelo mesmo Sumo Pontífice, na Guatemala, em 30 deste mês de Julho.

Fizemos algumas referências à Carta Pastoral com que os Bispos da Guatemala quiseram preparar as suas comunidades para esta celebração. A Igreja presente neste país da América Central rejubila com esta jornada, que ficará na memória do seu povo cristão; com ele, alegrar-se-á também a Igreja no México, onde uma canonização e duas beatificações marcarão positivamente a sua vida. Sabemos bem que a santidade não tem fronteiras, para ela não há limites de tempo ou espaço. Graças a Deus!

MARCOS EVANGELISTA

Discípulo de S. Padro, Evangelista, Mártir, Santo
(século I)

São Marcos, ou João Marcos hebreu de origem, da tribo de Levi, foi um dos primeiros discípulos de São Pedro, que na festa de Pentecostes receberam o santo Baptismo das mãos do Apóstolo, razão talvez, de Pedro em sua primeira epístola o chamar “seu filho”. (I Pedro 5,13).


Os actos dos Apóstolos (12,12) mencionam a mãe de Marcos, Maria, proprietária de uma casa em Jerusalém, onde os cristãos realizavam suas reuniões. Alguns autores reconhecem Marcos como o parente de Barnabé, e quem, bem moço ainda, se associou com São Paulo na primeira viagem apostólica e, terminada esta, por divergências entre eles, voltou para Jerusalém. Na segunda viagem paulina não o vemos ao lado do apóstolo. (At. 15, 3).

Mais tarde, porém, foi companheiro de São Paulo na primeira prisão em Roma (Filem. 4); pelo mesmo apóstolo foi mandado aos Colossenses (Col. 4, 10).

Pela segunda vez preso em Roma, Paulo o chamou para junto de si. (2. Tim. 4, 11.) Seu apostolado é intimamente ligado também ao de São Paulo, em Roma, onde desenvolveu com tanto zelo as actividade apostólicos, que seu Chefe desejou tê-lo sempre em sua companhia.

Em Roma teve Marcos o prazer de ver os belos frutos, que a pregação do príncipe dos Apóstolos produzira, crescendo dia por dia o número dos que pediam o santo Baptismo.

Durante sua ausência, São Pedro confiou a Marcos a vigilância sobre a jovem Igreja.

Atendendo ao insistente pedido dos primeiros cristãos de Roma, de deixar-lhes um documento escrito, que contivesse tudo que da boca de Pedro ouviram da vida, da doutrina, dos milagres e da morte de Jesus Cristo, Marcos escreveu o Evangelho que lhe traz o seu nome.

Dos quatro Evangelhos o mais curto e por assim dizer, o mais incompleto; não contém a história da Infância de Cristo, nem o sermão da montanha. São Pedro leu-o aprovou-o e recomendou aos cristãos que dele fizessem a leitura.

Depois de ter passado alguns anos em Roma, Marcos pregou o Evangelho na ilha de Chipre, no Egipto e nos países vizinhos. As conversões produzidas por esta pregação contavam-se aos milhares.

Milhares de ídolos ruíram por terra, e nos lugares dos templos se ergueram igrejas cristãs. O Egipto, antes um país entregue à idolatria, tornou-se teatro da mais alta perfeição cristã e refúgio de muitos eremitas.

Marcos trabalhou 19 anos em Alexandria, onde a Igreja chegou a um estado de extraordinário esplendor.

Não satisfeitos com a observância de tudo aquilo que o Evangelho apresentava como indispensável, muitos cristãos observavam do modo mais perfeito os conselhos evangélicos, abstendo-se, a exemplo do mestre, do uso da carne e do vinho e distribuindo os bens entre os pobres. Inúmeros eram aqueles que viviam em perfeita castidade. O número dos cristãos cresceu de tal maneira, que para todos terem ocasião de assistir ao santo sacrifício da Missa e à pregação, foi necessária destacar um número de casas bem grande onde se pudessem reunir.

Tão grande prosperidade da causa do Senhor não podia deixar de inquietar e irritar os sacerdotes pagãos contra o grande Apóstolo. Marcos, sabendo que os inimigos seus e de Cristo estavam conspirando contra sua vida, e, prevendo uma generalização da perseguição, na qual muitos cristãos poderiam não ter a força de perseverar na fé, deu à Igreja de Alexandria um novo bispo, na pessoa de Aniano, e ausentou-se da cidade.

Dois anos durou essa ausência. Ao voltar, havia uma grande festa, que os pagãos celebravam em honra do deus Serapis. A maior homenagem que podiam render à divindade havia de ser — assim opinavam os idólatras — a oferta da vida do Galileu: por este nome era conhecido o grande evangelista.

Imediatamente se puseram a caminho em busca de Marcos. A eles se uniram muitas pessoas. Descobrir-lhe paradeiro e penetrar na casa que hospedava, foi obra de minutos.

Marcos estava celebrando os santos mistérios, quando a horda sequiosa do seu sangue, entrou. Prenderam-no e, com muita brutalidade, conduziram-no pelas ruas da cidade. O trajecto todo ficou marcado do sangue do Mártir.

Marcos não opôs resistência; ao contrário, deu louvor a Deus por ter sido achado digno de sofrer pelo nome de Cristo.

Na noite seguinte apareceu-lhe um anjo e disse-lhe: “Marcos, Servo de Deus, teu nome está escrito no livro da vida, e tua memória jamais se apagará. Os Arcanjos receberão em paz teu espírito”.

Além desta teve a aparição de Deus Nosso Senhor, da maneira por que muitas vezes o tinha visto durante a vida mortal e disse-lhe:

“Marcos, a paz seja contigo”. Estas, como as palavras do Anjo, encheram a alma do Mártir de grande consolo e ânimo.

O dia seguinte,  25 de Abril, foi o dia do martírio. Os pagãos maltrataram-no de um modo tal que morreu no meio das crueldades. As últimas palavras que proferiu foram: “Em vossas mãos encomendo o meu espírito”.

Os pagãos quiseram queimar seu corpo. Uma fortíssima tempestade, que sobreveio, frustrou-lhes os planos e forneceu aos cristãos, ocasião de tirar o corpo e dar lhe honesta sepultura, numa rocha em Bucoles.

Em 815 foram as relíquias de São Marcos transportadas para Veneza, onde ainda se acham.

O leão é o símbolo deste evangelista, que inicia seu Evangelho com estas palavras: “Voz daquele que clama no deserto: Preparai os caminhos do Senhor”.