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sábado, 24 de abril de 2021

PEDRO DE SÃO JOSÉ BETANCOUR

Leigo, Fundador, Beato
(1626-1667)

Pedro de São José Betancur nasceu em Villaflor de Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha, no dia 19 de Março de 1626, tendo sido baptizado logo no dia 21. Seus pais, Amador González Betancur de la Rosa e Ana Garcia educaram-no cristãmente e Pedro descobriu os valores da fé e da caridade, de modo especial. E ele nunca esqueceu os ensinamentos recebidos; ouvindo falar dos trabalhos missionários que muitos homens e mulheres estavam a empreender nas terras da América, deixou-se entusiasmar pela ideia de ir anunciar o Evangelho, emigrando para a Guatemala em 1651 com esse propósito.


Ali começou a viver como se fosse essa a sua pátria, depressa captou a simpatia das famílias do lugar, que desejavam a presença de Pedro em suas casas, pela sua afabilidade e interesse pela situação de cada um; pagava a hospedagem com os trabalhos humildes que podia fazer.

Dele disse o seu biógrafo: “Todo o tempo em que conhecemos Pedro de Betancur, conhecemo-lo como um homem virtuoso. Nele, a virtude parecia natural. Era tão amável como virtuoso e todos os que o conheciam, o estimavam e quem o estimava, gostava de comunicar com ele. Todos desejavam tê-lo em sua casa e muitos o procuravam”. Fez da pobreza sua companheira de vida, para não ter outro tesouro a não ser Jesus Cristo e não ter outra preocupação senão o amor dos pobres. Viveu em Santiago de los Caballeros, entrava livremente na casa de todos os que ali habitavam, saindo como tinha entrado:  livre de apegos materiais, alma limpa e coração desprendido, mas com a convicção firme de que tinha deixado a semente do Evangelho no seio daquelas famílias. O seu biógrafo diz, mesmo, estas palavras bem elucidativas da sua presença: “o Irmão Pedro deixava as casas onde entrava banhadas de luz e saía delas sem detrimento da sua pureza”. Por isso, ele pode ser chamado um “mensageiro do amor de Deus na América”.

Possuía a sabedoria própria de um homem simples. Por esta razão, a sua vida se lê melhor nas suas acções do que nos seus discursos. Por dificuldades nos estudos, não conseguiu ser sacerdote, não foi membro de uma Ordem religiosa, o que o convenceu de que Deus o chamava à santidade por outro caminho; seguiu o da caridade, tornando-se um verdadeiro apaixonado pelo pobres por amor a Cristo. Sincero e humilde, mas de um singular intuição e prática na vida, soube reconhecer Deus e encontrar Cristo nas ruas da cidade. Os seus compatriotas chegavam em busca de poder e de riquezas; ele procurou as suas honras na catequese, na oração e no alívio dos sofrimentos humanos dos pobres. Essa era a sua ambição, que realizava “sempre ocupado em obras de misericórdia”, aliviando o sofrimento do seu Salvador nas cruzes dos mais pobres.

Era homem de oração; reconhecendo-se como humilde servo da Santíssima Trindade, distinguiu-se por uma vida de comunhão contínua com Deus Pai através da oração e da perseverança em fazer o bem, às vezes à custa das maiores dificuldades, incompreensões e contrariedades, mas espalhando sempre a caridade a mãos cheias, dele se podendo dizer como de Cristo:  "passou pela terra fazendo o bem" (cf. Act 10, 38). Deixando-se guiar pelo Espírito Santo, permaneceu sempre aberto à sua inspiração, para orientar os seus passos, palavras e acções.

Peregrino e contemplativo, traçou um itinerário de lugares de oração, de recolhimento e de contemplação, para que aqueles povos pudessem gozar de momentos de contacto com o Senhor.

Ainda hoje, a tradição fala desses lugares:  o Calvário, o Outeiro da Cruz, os pátios da Pousada de Belém, o Templo de S. Francisco, bem como as ruas de pedra abençoadas pela sua passagem continuam a ser sinais da sua presença permanente naqueles lugares. Soube cimentar a piedade popular na devoção aos mistérios de Cristo e da Virgem Maria, na frequência dos sacramentos e na meditação, acompanhadas pela preocupação constante da salvação da alma.

Por isso, não nos admiremos de que ele fosse um “leigo fundador de uma Ordem religiosa”. Assim se expressam os Bispos da Guatemala em Carta Pastoral, escrita a propósito da sua canonização.

Tendo vestido o hábito da terceira Ordem de penitência franciscana, continuou a sua vida na prática das obras de caridade, consolidando a sua devoção a Maria; rezava o terço na Capela da casa com os escravos, os mais simples, sem deixar de se retirar para o "seu" Calvário (tinha-o construído com as suas próprias mãos), pelos pátios da Pousada de Belém, onde, no dizer do seu biógrafo, "os pobres podiam encontrar pão material para o sustento do seu corpo e o pão da doutrina para alimento da sua alma". Alguns deixaram-se seduzir pelo seu exemplo e congregou à sua volta os que julgou idóneos para dar cumprimento aos seus desejos. Com eles acerta uma vida regular de oração e austeridade que, ao trabalho com os pobres, uniam uma espiritualidade muito rica de fidelidade a Deus e vida comunitária. Assim nasceu a Ordem Betlemita, fundada na Guatemala e ainda hoje viva naqueles meios, ao serviço das pessoas mais humildes e sem lar.

Destacam os Bispos da Guatemala três caminhos na herança espiritual legada por Pedro de São José: 

a) Caminho espiritual, baseado na adoração do Verbo Encarnado, na meditação constante da paixão de Cristo, no amor e adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia, amor à Mãe de Deus e a devoção do santo Rosário, a que se juntava a prática da mortificação, da penitência e do jejum.

b) Caminho misericrdioso, caracterizado pelo amor aos pobres e a solidariedade para com todos. Para isto, não hesitou em escrever uma carta ao Rei de Espanha, pedindo autorização para construir um hospital para convalescentes, o primeiro do mundo para este género de doentes.

c) Um caminho profético, onde se descobrem os valores perenes de uma autêntica evangelização. Assim o evangelizador verdadeiro não deve condenar ninguém definitivamente, pois o plano de Deus quer a salvação de todos e que todos cheguem ao conhecimento da verdade (cf. 1 Tim 2, 4), o evangelizador propõe o plano de Deus a um mundo dominado pelo afã das riquezas, a ambição do poder e a indiferença orientada pelo prazer.

Beatificado por João Paulo II em Roma, no dia 22 de Junho de 1980, vai ser canonizado ainda pelo mesmo Sumo Pontífice, na Guatemala, em 30 deste mês de Julho.

Fizemos algumas referências à Carta Pastoral com que os Bispos da Guatemala quiseram preparar as suas comunidades para esta celebração. A Igreja presente neste país da América Central rejubila com esta jornada, que ficará na memória do seu povo cristão; com ele, alegrar-se-á também a Igreja no México, onde uma canonização e duas beatificações marcarão positivamente a sua vida. Sabemos bem que a santidade não tem fronteiras, para ela não há limites de tempo ou espaço. Graças a Deus!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

RAIMUNDO NONATO

Bispo, Santo
1204-1240

Nasceu em 1204, em Portel, na diocese de Urgel, Catalunha. Deram-lhe o cognome de Nonato, que não nasceu, porque sua mãe tendo morrido antes de seu nascimento, tiraram-no do corpo pela operação cesariana. Os parentes eram de família nobre, mas pouco favorecidos de bens de fortuna. Na infância, mostrava gosto pelos exercícios de piedade e pelo cumprimento dos deveres. A penetração de seu espírito fê-lo percorrer, com tanta rapidez como êxito, a carreira das belas letras, Seu pai, que notava nele a inclinação para a vida monástica, ou pelo menos para o estado eclesiástico, mandou-o ao campo, para o fazer trabalhar numa fazenda. Sua intenção era afastá-lo da vocação e do estudo, O santo obedeceu sem replicar e por amor à solidão, encarregou-se do cuidado de pastorear o rebanho, Imitava, nas montanhas e nas florestas, a vida dos antigos anacoretas.
Ora, no campo onde o jovem Raimundo pastoreava suas ovelhas, havia uma pequena igreja ou ermida dedicada a São Nicolau de Mira e nessa igreja uma belíssima imagem da Mãe de Deus. O jovem Raimundo, que tinha perdido a mãe antes de vir ao mundo, ia muitas vezes rezar com fervor diante daquela santa.
Um dia, quando lhe tinha aberto de todo o coração, a santa Virgem apareceu-lhe e disse-lhe com inefável doçura: "Não temas, Raimundo, desde agora eu te recebo por meu filho; poderás, então, com toda verdade, chamar-me de tua mãe e ter certeza de minha protecção para o futuro". Desde aquele momento, embora se considerasse o mais humilde servo da rainha dos céus, não podia deixar de a chamar bem alto com o nome de mãe e de protestar que jamais tinha dito outra,  nem que jamais a teria. Todos os dias rezava o rosário aos pés dessa imagem.
Invejoso de uma juventude tão pura, o espírito das trevas apareceu-lhes sob a forma de um pastor, esforçando-se por persuadi-lo de que a um moço da nobreza não era conveniente levar vida tão rústica e solitária, que devia frequentar lugares mais célebres. O moço respondeu que só seguiria os conselhos de sua mui doce mãe, a Virgem Maria. A esse nome o demónio fugiu com um horrível estrondo, Raimundo foi ao seu asilo costumeiro, agradeceu à sua divina libertadora e, em sua honra, consagrou a Deus a virgindade. Maria testemunhou-lhe a materna satisfação, e o aconselhou a entrar na Ordem da Redenção dos cativos, cuja fundação tinha inspirado havia pouco a São Pedro Nolasco. Raimundo não pedia coisa melhor, mas temia a oposição do pai. O conde de Cardone, inspirado pela Santa Virgem, obteve-lhe o consentimento. Era um senhor de seus parentes que vinha frequentemente em peregrinação à ermida de São Nicolau. Raimundo foi então a Barcelona e fez seus votos nas mãos de São Pedro Nolasco, fundador da Ordem das Mercês.
O novo religioso tornou-se modelo de seus irmãos por seu fervor, sua mortificação e outras virtudes. Seu progresso na perfeição foi tão surpreendente que, após dois ou três meses de profissão, o julgaram digno de exercer o ofício de redentor e substituir a esse respeito, São Pedro Nolasco. Tendo sido enviado à Barbária, obteve dos argelianos a liberdade de um grande número de escravos, Quando seus fundos se esgotaram, deu-se a si mesmo como refém, para o resgate dos cristãos cuja situação era mais rude e cuja fé corria mais risco. O sacrifício generoso que fazia de sua liberdade só serviu para irritar os maometanos. Trataram-no com tanta desumanidade que teria morrido em suas mãos, se o temor de perder a soma estipulada não tivesse levado o cádi, ou magistrado da cidade, a dar ordens para que o poupassem. Deixaram-no então respirar e permitiram-lhe ir aonde quisesse.
Aproveitou a permissão que se lhe concedia, para visitar os cristãos e os consolar. Abriu também os olhos a vários muçulmanos que receberam o baptismo. O governador, tendo sido informado, condenou-o a ser enforcado. Mas os que estavam interessados no pagamento do resgate dos cativos, pelos quais estava como refém, obtiveram-lhe a comutação da pena e ele sofreu cruéis porretadas. Tal suplício não lhe diminuiu a coragem; julgava nada ter feito, enquanto via os irmãos em perigo de se perderem eternamente: também não deixava escapar nenhuma ocasião de ir em seu auxílio. Quando um homem, dizia ele com São Crisóstomo, desse aos pobres tesouros imensos, aquela boa obra em nada se aproxima da de um homem que contribui para a salvação de uma alma. Essa esmola é preferível à distribuição de dez mil talentos; vale mais que o mundo inteiro, por maior que pareça aos nossos olhos, pois um homem é mais precioso que todo o universo.
O santo não tinha mais dinheiro para resgatar os escravos; por outro lado, era um crime capital entre os muçulmanos falar de religião aos de sua seita. Se se deixasse levar pela esperança de algum êxito, via-se exposto à morte, vítima da caridade. Retomou, entretanto, seu primeiro método, de exortar os cristãos e instruir os infiéis. O governador, informado de seu proceder, ficou muito irritado; fê-lo chicotear nas esquinas de todas as ruas, depois do que, lhe furaram os lábios com um ferro em brasa, numa praça pública e lhe fecharam a boca com um cadeado, que se abria somente quanto tinha que comer. Carregaram-no de correntes e fecharam-no numa masmorra. Lá ficou oito meses e só saiu quando os padres das Mercês trouxeram o resgate que São Pedro Nolasco mandava. Vendo que não o queriam deixar na prisão, pediu que, ao menos, lhe fosse permitido viver no meio dos escravos, que tinham urgente necessidade de socorro, Mas as ordens de seu geral, que o chamava, obrigaram-no a partir.
Chegado à Espanha, foi nomeado Cardeal pelo Papa São Gregório IX. Sua nomeação a essa dignidade em nada lhe mudou os sentimentos; conservou sempre o hábito e a primitiva maneira de viver. Preferiu a cela a um palácio que lhe ofereciam; não quis ter ricas mobílias e contentou-se com o que era suficiente para as necessidades da natureza. O Papa chamou-o a Roma, na esperança de que lhe seria muito útil para o governo da Igreja.
Ele se pôs a caminho e viajou com a simplicidade de um pobre religioso; mas logo que chegou a Cardona, que está a seis milhas de Barcelona, foi atacado de uma febre violenta. Viam-se logo nele os sintomas que anunciavam o próximo fim. Morreu a 31 de agosto de 1240, na idade de trinta e sete anos. Enterraram-no na mesma capela de São Nicolau onde tinha começado o noviciado de santidade na juventude. São Pedro Nolasco mandou construir um convento de sua ordem em 1255 e ainda aí se conservam as relíquias de Raimundo. A história de seus milagres foi inserida na coleção dos bolandistas. O Papa Alexandre II colocou-o no martirológio romano, no ano de 1657.
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(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XV, p. 350 à 354)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

JOSÉ SEBASTIÃO PELCZAR

Bispo de Przemysl, Fundador, Santo(1842-1924)

19 de Janeiro

Nasceu em 17 de Janeiro de 1842 em Korczyna, uma pequena aldeia no sopé dos montes Carpazi, junto de Krosno. Passou a infância na aldeia natal, crescendo numa atmosfera impregnada da antiga religiosidade polaca que reinava em casa de seus pais, Adalberto e Mariana Miesowicz. Estes, avisados da inteligência excepcional de seu filho, depois de dois anos na escola de Horczyna, convidaram-no a prosseguir os estudos na de Rzeszów e, em seguida, no Liceu.
Quando era estudante liceal, José Sebastião tomou a resolução de se dedicar ao serviço de Deus, porque, como podemos ler no seu diário, "os ideais terrenos vão-se desvanecendo, vejo o ideal de vida no sacrifício e o ideal do sacrifício vejo-o no sacerdócio". Entrou no Seminário Menor e, em 1860, iniciou os estudos teológicos no Seminário Maior de Przemysl.
Foi ordenado sacerdote em 17 de Julho de 1864, tendo sido vigário da paróquia de Sambor durante um ano e meio. De 1866 a 1868 estudou em Roma no Colégio Romanum, (hoje Universidade Gregoriana) e no Instituto de Santo Apolinário (hoje Universidade Lateranense), desenvolvendo a sua cultura e o seu amor à Igreja e ao Papa. Depois de voltar à sua pátria, ensinou no Seminário de Przemysl e, depois, durante vinte e dois anos, na Universidadede Jagelónica de Cracóvia. Teve fama de homem culto, óptimo professor, organizador e amigo dos Jovens, tendo sido director da Faculdade de Teologia. Como sinal de reconhecimento foi nomeado Reitor da Universida de Almae Matris de Cracóvia (1882-1883).
Desejando realizar o ideal de "sacerdote polaco que põe generosamente a sua vida ao serviço do próximo", não se limitou a desenvolver um trabalho científico, mas dedicou-se apaixonadamente a uma actividade social e caritativa. Tornou-se membro activo da Sociedade de São Vicente de Paulo e da Sociedade de Educação Popular, de que foi presidente. Nesse período, a Sociedade de Educação Popular fundou centenas de bibliotecas, organizou cursos gratuitos e distribuiu pelas pessoas mais de cem mil livros. Por sua iniciativa, em 1891, foi fundada a Confraria da Santíssima Virgem Rainha da Polónia, com fins religiosos, sociais e ajuda aos artesãos, pobres, órfãos e doentes, de modo especial os desempregados.
Perante os graves problemas sociais do tempo e seguro de interpretar a vontade de Deus, fundou em 1894 a Congregação das Servas do Sagrado Coração de Jesus, em Cracóvia; o seu carisma era a difusão do Reino de amor do Coração de Jesus. Desejava que as Irmãs da nova Congregação fossem sinal e instrumento desse amor para com as jovens necessitadas, os doentes e quantos estivessem em necessidade.
Em 1899 foi nomeado Bispo Auxiliar de Przemysl e, um ano depois, com a morte de D. Lucas Solecki, titular da Diocese, onde trabalhou durante vinte e cinco anos, com grande zelo pela almas que lhe estavam confiadas.
Apesar da sua pouca saúde, dedicou-se empenhadamente em actividades religiosas e sociais. Visitava frequentemente as paróquias, promovia o nível moral e intelectual dos sacerdotes, dando-lhes o exemplo de uma piedade profunda, que se exprimia no culto do Sacratíssimo Coração de Jesus e de Nossa Senhora. Convidava os fiéis a participar assiduamente nas funções eucarísticas e, graças aos seus esforços, durante o seu episcopado, cresceu o número de novas igrejas e capelas, enquanto outras eram restauradas. Mau grado a situação política desfavorável, presidiu a três sínodos diocesanos, pondo as bases para novas iniciativas, tornando-as ainda mais estáveis e duradouras.
Identificou-se com as necessidades dos seus fiéis, cuidando dos mais pobres; criou jardins de infância, refeições para pobres, casas para os sem tecto, escolas profissionais para jovens moças, ensino gratuito no Seminário para os rapazes pobres, além de outras iniciativas. Olhou com atenção para os problemas dos operários, emigrantes e alcoólicos. Em cartas pastorais, artigos e numerosas intervenções, indicava sempre a necessidade de atender ao ensinamento social de Leão XIII.
Dotado por Deus de diversos dons, não os escondia, antes os multiplicava e fazia frutificar. Deixou uma riquíssima herança literária, entre obras teológicas, históricas e de direito canónico, também em manuais, livros de oração, cartas pastorais, discursos e homilias.
Morreu na noite de 27 para 28 de Março de 1924, deixando a recordação de um homem de Deus que, apesar das dificuldades do tempo, sempre fazia a vontade do seu Senhor. No dia do seu funeral, dele disse D. António Bystrzionowsky, seu aluno e sucessor na cátedra universitária:  "O falecido Bispo de Przemysl uniu na sua pessoa os atributos e talentos mais belos, assim como um zelo pastoral indestrutível, o espírito de iniciativa, o dinamismo da acção, o fulgor de uma grande ciência e uma santidade de virtudes ainda maior. Foi exemplo  luminoso  de  excepcional  laboriosidade  e  de  entusiasmo sempre jovem".
O Santo Padre beatificou-o em 2 de Junho de 1991, na quarta peregrinação à sua Pátria. É muito venerado naquela que foi a sua Catedral e, muito particularmente, na igreja da Congregação das Servas do Sagrado Coração de Jesus, em Cracóvia. Tem a sua memória litúrgica em 19 de Janeiro.
Canonizada no dia 18 de Maio de 2003, Praça S. Pedro, pelo Papa João Paulo II.