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terça-feira, 27 de abril de 2021

PEDRO ARMENGOL

Mercedário, Confessor, Santo
(1238-1304)

Nascido em 1238, em Terragona, Pedro, da família dos condes de Urgel, recebeu esmerada educação. Moço, deixou os seus e se deu a uma vida de excessos e de correrias...

Nascido em 1238, em Tarragona, Pedro, da família dos condes de Urgel, recebeu esmerada educação. Moço, deixou os seus e se deu a uma vida de excessos e de correrias: feito chefe de um bando de ladrões, percorria as montanhas e assaltava viajantes quando não os matava.


Um dia, refletindo na vida que levava, amedrontou-se, e, arrependido, foi procurar um religioso de Nossa Senhora das Mercês. Atirou-se-lhe aos pés, confessou os crimes todos que perpetrara e discorreu sobre os terrores que lhe assaltavam o coração.

O religioso, que o ouviu, comovido, era o sucessor de São Pedro Nolasco, Guilherme de Bas. Reconhecendo a sinceridade daquele arrependimento, encaminhou-o ao noviciado de Barcelona. Pedro Armengol contava, então, dezenove anos.

Em 1258, depois uniram-no aos religiosos que iam trabalhar na redenção dos cativos. Pedro principiou pelos reinos de Granada e de Múrcia, onde o zelo, a doçura, a prudência e a caridade levaram o superior da ordem a enviá-lo a Alger. Ali, naquele áspero norte africano, Armengol trabalhou diligente e duramente, tanto que, no espaço de dois meses, resgatou trezentos e quarenta e seis escravos, aos quais encaminhou para a Espanha. Pouco mais tarde, restituía a liberdade a um dos irmãos preso como refém e abria as portas das senzalas para cento e dezenove cristãos que gemiam na servidão mais deprimente.

Estava, então, em Bugia, e preparava-se para partir, de volta à pátria, quando soube que dezoito jovenzinhos cristãos, nas casas dos senhores, jaziam expostos à depravação, prestes a perder a fé.

Imediatamente desfez os planos que tinha e foi procurá-los exortando-os a permanecer firmes na crença. Vendo grandes possibilidades de resgatá-los, buscou os senhores, que acordaram em lhes dar a liberdade mediante trinta mil ducados.

Pedro suspirou. Onde, o dinheiro? Suspirou, mas não desanimou.

Com um brilho nos olhos, propôs aos senhores que o tomassem como refém, até que o religioso que com ele ia conduzir os outros resgatados lhe enviasse a soma combinada. A proposta foi aceita e tudo se acomodou.

Durante aquele voluntário aprisionamento, Armengol encontrou, para gáudio da alma, variadas oportunidades para exercer a caridade, a rainha das virtudes: exortava os escravos cristãos a permanecerem fiéis a Deus, consolava-os nas aflições e os encorajava com a esperança de próximos e melhores dias.

O que mais lhe encheu de gozo a grande alma foi a conversão de inúmeros mouros, aos quais, emocionado, porque os encaminhava a Jesus Cristo, batizou.

Ora, os sectários de Maomé, diante daquele apostolado, conseguiram apossar-se dele e o atiraram à negra prisão, para que ali, sem ninguém, sem qualquer socorro, morresse de fome: é que os trinta mil ducados tardavam e os turcos que haviam aceito a proposição de Armengol se impacientaram, e, da impaciência, num átimo, passaram à desconfiança: não seria o religioso um espião enviado por reis cristãos, com o fim de estudar em que estado se encontrava o país?

Pedro Armengol, não demorou muito, foi conduzido à forca, e, uma vez morto, no patíbulo teve de permanecer, a servir de pasto às aves de presa.

Seis dias depois da injusta execução, Guilherme Florentino, o religioso que fora incumbido de levar os resgatados à Espanha e de conseguir o dinheiro que traria liberdade ao refém, chegou. Em quando soube o sucedido, pôs-se a chorar, desesperadamente. Correu ao lugar do suplício, com o coração aos saltos, e, quando viu o companheiro pendendo da forca, mais soluçante se tornou.

A Guilherme Florentino estava, porém reservada incrível surpresa: ouviu uma voz que lhe disse:

— Irmão, não chores, eu vivo sustentado pela Santíssima Virgem, que me assistiu durante os dias passados!

Guilherme pasmou. E uma alegria como jamais sentira igual, fê-lo correr, tremulamente, para o cadafalso, donde desceu o corpo do amigo que a Virgem Santíssima salvara da morte. O sucesso correu pela cidade e pelas vizinhanças com uma rapidez incrível. E o divã, admiradíssimo, quis pormenores do prodígio.

Ao par de toda trama, proibiu que se desse aos maus senhores o dinheiro vinda da Espanha, e ordenou que o usassem para resgatar outros escravos. Pedro Armengol, Guilherme Florentino e vinte e seis novos escravos, partiam, dias depois, para a Espanha.

Desde que o companheiro o descera da forca, em Pedro se conservou, para sempre, os sinais do suplício: trazia o pescoço torto e no rosto uma palidez mortal — porque Deus quis, assim, atestar a realidade do milagre. Cheio de reconhecimento para com a Virgem, o confessor retirou-se a um solitário convento dedicado a Nossa Senhora dos Prados, onde viveu em contínua oração, em ininterrupta penitência — não se alimentando senão de pão e água. A reputação de santo atraia-lhe visitas sobre visitas, que Pedro recebia bondosamente. E aos que eram doentes, exortava-os a ter confiança em Deus, e os curava.

Quando os irmãos lhe lembravam o suplício por que passara, Armengol dizia:

— Crede-me, os únicos dias felizes que penso ter tido, foram aqueles que passei suspenso da forca, porque então estava bem morto para o mundo.

Muitos dias antes de expirar, predisse a morte. Doente de grave moléstia, entregou a Deus a alma enquanto exclamava:

— Agradecerei o Senhor na terra dos vivos!

Era no dia 27 de Abril do ano de 1304, e muitos milagres, operador por sua intercessão, contribuíram para que se lhe rendesse um culto público, culto que foi aprovado em 1686 pelo Papa Inocêncio XI. Bento XIV inseriu-lhe o nome no martirológio romano.

(Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume VII, p. 291 à 294)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

PEDRO DE ALCANTARA

Religioso, Santo – 1499-1562


Chamava-se Juan de Sanabria e nasceu em Alcántara (Espanha) em 1499.
Juan estudou gramática na sua cidade natal. Depois, de 1511 a 1515, estudou artes liberais, filosofia e direito canónico em Salamanca.
Em 1515 ingressou nos franciscanos e fez o noviciado no convento de S. Francisco de los Majarretes (Cáceres). Quando professou, mudou o nome de Juan para Pedro. Recibeu o subdiaconado ee 1522, o diaconado em 1523 e o sacerdócio em 1524.
Não é fácil seguir as suas deslocações pelos conventos dos franciscanos descalços. Embora de alma contemplativa, viajou tanto como Santa Teresa de Ávila. Ocupou cargos importantes na sua província e é considerado o fundador de três conventos: Villanueva del Fresno em 1538, Tabladilla e Valverde de Leganés em 1540.
Esteve várias vezes em Portugal: em 1539 encontrava-se na serra da Arrábida para ajudar o seu parente Martín de Santa Maria Benavides († 1546) na fundação do convento; de 1542 a 1544 foi guardião e mestre de noviços em Palhais; por diversas ocasiões (1548, 1550, 1553 e 1557) voltou depois a Portugal que tanto amava.
Entre 1557 e 1561, dedicou-se à fundação de conventos: em 1557 o célebre convento de Pedroso de Acim (Concepción del Palancar); em 1558, em Jerez de los Caballeros (Badajoz), o «beatario» dos Terceiros regulares; em 1561 começavam as fundações de Aldea de Paloey de Arenas.
Morreu no dia 18 de Outubro de 1562, depois de 47 anos de vida religiosa.
Considera-se Pedro de Alcântara como o renovador do franciscanismo e um dos principais oradores do Século de Ouro em Espanha. Foi um homem cheio de zelo apostólico, tranquilo e prudente, pobre e generoso, disponível e obediente, humilde e magnânimo, penitente e acolhedor.
Foi beatificado a 5 de Março de 1622 e canonizado por Clemente X a 11 de Maio de 1670. Gregório XV chamou-lhe doutor e mestre iluminado em teologia mística.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

MARIANO DA MATA APARÍCIO

Presbítero, Beato
(1905-1983)

5 de Abril

No aconchego de uma família eminentemente cristã, na localidade de Barrio de la Puebla, Palência, Espanha, no dia 31 de dezembro de 1905, nasceu o menino Mariano. Os pais, Manuel e Martina, foram educando e formando a consciência do filho Mariano e dos outros sete irmãos (três varões e quatro mulheres), semeando com a palavra e o testemunho de uma vida autenticamente cristã, a semente da fé e do amor, que seriam depois a essência da vida daquele menino. Nesse ambiente familiar e cristão, não foi difícil surgir a vocação para a vida sacerdotal e religiosa agostiniana; vocação ainda reforçada pelo incentivo dos outros três irmãos varões, que também tinham abraçado a Ordem Agostiniana.
O menino Mariano fez os primeiros estudos de latim na pequena vizinha cidade de Barriosuso de Valdavia. Em 29 de Agosto de 1921, ingressou no seminário agostiniano de Valladolid, Espanha, completando assim o marco agostiniano mais precioso daquela família abençoada. De ânimo sereno e honesto nas suas atitudes, vive o seu primeiro período de formação em Valladolid preparando-se para compromissos posteriores. No dia 10 de Julho de 1922 realiza a sua primeira profissão (votos religiosos de pobreza, obediência e castidade). A 2 de Janeiro de 1926, por meio da profissão solene, se entrega definitivamente à Ordem Agostiniana. Em 25 de Julho de 1930 é ordenado Sacerdote. Estava pronto para iniciar a sua missão e coroar sua vocação de modo definitivo. Pe. Mariano era sacerdote e agostiniano. Estava preparado para os grandes desafios que a obediência deveria encomendar-lhe na Espanha e, a partir do dia 21 de agosto de 1931, em terras brasileiras.
No Brasil actuou na paróquia de Taquaritinga. Em 1933, foi transferido para o Colégio de Santo Agostinho, em São Paulo, onde foi professor, secretário e ecónomo. Entre 1945 e 1948, foi superior da Vice-Província Agostiniana do Brasil. Em 1949, foi para o Colégio de Engenheiro Schmidt, sendo director por três anos e professor e conselheiro da Vice-Província até 1960. A seguir, transferiu-se novamente para o Colégio de Santo Agostinho, em São Paulo, onde permaneceu até o fim da vida.
O exemplo dos tios sacerdotes e religiosos Pe. Hermenegildo, Ir. Tomás, Ir. Baltasar e Pe. Mariano penetrou no mais íntimo dos lares das quatro irmãs, de tal maneira que, anos depois, também três sobrinhos e três sobrinhas abraçariam a vida religiosa agostiniana. Como gostava o Pe. Mariano de viver intensamente essa feliz realidade agostiniana, que tanto enriquecia e unia aquelas quatro famílias!
Para os sobrinhos, o Pe. Mariano era o "tio". Assim o chamavam com muito carinho. Dois deles acompanhariam os últimos momentos da sua vida aqui na terra, vindos da Colômbia e do Peru, onde realizavam o seu trabalho pastoral e missionário, como religioso e religiosa agostinianos.
A natureza contagiava Pe. Mariano. O seu divertimento era o cultivo e o cuidado das plantas e das flores. Falava com elas, acariciava as suas folhas, emocionava-se diante delas. Cada planta, mesmo a mais raquítica e menos vistosa, para nós sem valor, era para Pe. Mariano era uma exaltação da beleza da criação. Tinha o seu jardim no terraço do Colégio. Permanecia ali nos seus momentos de relaxamento. Essa sensibilidade adquiria uma dimensão portentosa quando se tratava da família, dos amigos, dos ex-alunos, dos sofredores, dos mais necessitados. É difícil esquecer aquele momento, quando recém-operado de catarata em Belo Horizonte, em visita realizada à igreja, emocionado exclamou ao ver a imagem de Nossa Senhora da Consolação: "Estou vendo as suas cores". Acolhia com alegria, entregava-se com generosidade, acompanhava com espírito samaritano, servia com o coração aberto. Possuía um coração verdadeiramente sensível. Os seus grandes amores eram: a Eucaristia, Nossa Senhora, as crianças, os pobres, os enfermos. As suas maiores paixões: a natureza, a família, as oficinas de Santa Rita de Cássia, as vocações agostinianas.
De carácter firme, mas generoso, espontâneo, desprendido e muito sensível diante da dor; de galante samaritano e autêntico servidor, Pe. Mariano terá a sua vida marcada pelo amor aos que sofrem. Verdadeiro mensageiro do amor, levará aos doentes o conforto da sua presença e da sua palavra de esperança. Não importavam as deficiências auditivas e visuais que o acompanharam durante muitos anos da sua vida. O amor era mais forte, a caridade o impelia, "a morte não espera" dizia, a solidão aumenta a dor. Sem preocupações de horários, Pe. Mariano saía pela cidade de São Paulo, com o seu "fusca", sem pensar em riscos, enfrentando desafios, mas animado por uma alegria interior e levando um raio de esperança aos doentes e aos que precisavam do seu amor, assim como o incentivo da sua presença e da sua palavra às Associadas das Oficinas de Caridade de Santa Rita de Cássia.
Verdadeiro mensageiro do amor, alegrou muitos lares, confortou muitas vidas, foi portador de esperança para muitos desanimados. Sua maneira de falar e sua figura austera, o carinho que colocava no que realizava e o sacrifício da sua vida, transformada num contínuo ato de amor, fizeram de Pe. Mariano um autêntico apóstolo da caridade.
Os doentes eram o seu ponto forte: uma necessidade de um doente antepunha-se a tudo. Nunca tinha preguiça para deixar o que quer que fosse, de dia e de noite, para atender os doentes. Ao saber que numa família havia algum doente, lá estava ele a confortar o enfermo e os familiares. Era muito conhecido no Hospital do Câncer, por exemplo. A sua presença lá era um bálsamo, onde levava a comunhão e os demais sacramentos. Gozava já a fama de santo, assemelhando-se a Cristo, semeando coragem e entrega total a Deus.
Como Cristo, Pe. Mariano foi o cordeiro levado ao matadouro e imolado, sem se queixar, sem murmurar, crucificado no seu leito de dor. Faleceu no dia 5 de Abril de 1983.

VICENTE FERRER

Dominicano, Santo
1350-1419

5 de Abril

Vicente nasceu em Valência, na Espanha, em 1350. Passou a infância e a juventude junto aos padres dominicanos, que tinham um convento próximo de sua casa. Percebendo sua vocação, pediu ingresso na Ordem dos Pregadores (dominicanos) aos dezassete anos.
Vicente estudou em Lérida, Barcelona e Tolosa, doutorando-se em filosofia e teologia, e ordenando-se sacerdote em 1378. Pregador nato, nesse mesmo ano começou sua peregrinação por toda a Europa, durante um período negro da história, quando ocorreu a Guerra dos Cem Anos, quando forças políticas, alheias à Igreja, tinham tanta influência que actuavam até na eleição dos papas.
Assim, quando um italiano foi eleito papa, Urbano VI, as correntes políticas francesas não o aceitaram e elegeram outro, um francês, Clemente VII, que foi residir em Avinhão, na França. A Igreja dividiu-se em duas, ocorrendo o chamado cisma da Igreja ocidental, porque ela ficou sob dois comandos, o que durou trinta e nove anos.
Vicente Ferrer, pregador, já era muito conhecido. Como prior do convento de Valência, teve contacto com o cardeal Pedro de Luna, que o convenceu da legitimidade do papa de Avinhão, e Vicente aderiu à causa. Em 1384, o referido cardeal foi eleito papa Bento XIII e habilmente fez do dominicano Vicente seu confessor, sendo defendido por ele até 1416, como fazia Catarina de Sena, sua contemporânea, pelo italiano Urbano VI.
O coração desse dominicano era dotado de uma fé fervorosa, mas passando por uma divisão dessas, e juntando-se o panorama geral da Europa na época: por toda parte batalhas sangrentas, calamidades públicas, fome, miséria, misticismo, ignorância, além da peste negra, que dizimou um terço da população. Tudo isso fez que a pregação de Vicente Ferrer ganhasse a nuance do fatalismo.
Ele andou pela Espanha, França, Itália, Suíça, Bélgica, Inglaterra e Irlanda e muitas outras regiões, defendendo sempre a unidade da Igreja, o fim das guerras, o arrependimento e a penitência, como forma de esperar a iminente volta de Cristo. Tornou-se a mais alta voz da Europa. Pregava para multidões e as catedrais tornavam-se pequenas para os que queriam ouvi-lo. Por isso fazia seus sermões nas grandes praças públicas. Milhares de pessoas o seguiam em procissões de penitência. Dizem os registros da Igreja, e mesmo os que não concordavam com ele, que Deus estava do seu lado. A cada procissão os prodígios e graças sucediam-se e podiam ser comprovados às centenas entre os fiéis.
O cisma da Igreja só terminou quando os dois papas renunciaram ao mesmo tempo, para o bem da unidade do cristianismo. Vicente retirou seu apoio ao papa Bento XIII e, com sua actuação, ajudou a eleger o novo papa, Martinho V, trazendo de novo a união da Igreja ocidental. As nuvens negras dissiparam-se, mas as conversões e as graças por obra de Vicente Ferrer ficarão por toda a eternidade.
Ele morreu no dia 5 de Abril de 1419, na cidade de Vannes, Bretanha, na França. Foi canonizado pelo papa Calisto III, seu compatriota, em 1458, que o declarou padroeiro de Valência e Vannes. São Vicente Ferrer foi um dos maiores pregadores da Igreja do segundo milénio e o maior pregador do século XIV.

quarta-feira, 23 de março de 2011

DIOGO JOSÉ DE CADIZ

Presbítero, Beato
1743-1801

24 de Março

Beato Diogo José de Cádiz, cujo nome civil era José Francisco João Maria, nasceu em Cádiz, na Espanha, no dia 30 de março de 1743. Seus pais, José Lopez Carmaño e Maria de Ocaña y Garcia, eram de família nobre. Ficou órfão de mãe aos 5 anos de idade e sofreu muito com a madrasta. Ainda criança dizia: “Quando eu for grande, serei capuchinho, anunciarei o Evangelho, pegarei numa cruz e forçarei o mundo a chorar. Quero ser capuchinho, missionário e santo”. Exteriormente tinha todas as qualidades: bela aparência, belo rosto, nobreza de alma e trato afável. Apenas a sua inteligência era meio curta, o que conseguiu superar através de fervorosa oração e esforço pessoal. Os capuchinhos o receberam no noviciado. Depois, como estudante, manifestará inclinação para literatura, o que o levará ao domínio da língua materna. Mas será na teologia, num estudo apaixonante, que o seu pensamento ganhará altos vôos e a sua vida profundidade. Diogo José de Cádiz foi ordenado sacerdote a 24 de maio de 1766. Por seis anos se deu ao estudo da bíblia e dos livros devotos e lutou contra o iluminismo francês da época. Ele, sem dúvida, foi o maior, mais fecundo e o mais popular pregador dos capuchinhos da Espanha. Não temia confrontos com ninguém. Era veemente e inquieto como um São Vicente Ferrer; procurado e louvado como um novo Santo António. Enfim, era eloquentíssimo e santo.
Em 1768 pregou em Ubrique com sucesso. Em 1773 levou a paz para o povo de Estebona. Percorreu toda Andaluzia pregando, durante um decênio, missões, quaresmas, novenas, em Granada em 1779, Guadix, Baza e Jerer. E em 1780 no Porto de Santa Maria, em Taén e em outros lugares. Em 1775 se encontra com o Pe. Francisco Jadier González, religioso mínimo de São Francisco de Paula, que durante nove anos será o seu diretor espiritual, conselheiro, regulador dos seus empreendimentos apostólicos e indicador da sua missão na história espiritual do seu século. Em 1776, com 33 anos, prega uma missão em Sevilha, interrompida por uma grave doença. Curado, volta a Sevilha e prega em muitas igrejas da cidade. São famosos, nesta época, os seus sermões contra o iluminismo ateu, na Universidade de Granada, em 1779, em Madri e Alcalá de Henares, em 1783, e os sermões fúnebres em honra de seu diretor espiritual em 1784 e de um carmelita célebre em 1786. Diogo de Cádiz pensava também nos pobres quando, em 1778, falava à Comuna de Écija: “Me esbanjei na bela casa de espetáculos, quando aqui faltam um hospital para os doentes, uma casa para as órfãs e alojamentos suficientes para os soldados”. Noutra ocasião decidiu formar uma Congregação para dar assistência aos encarcerados que, por falta de ajuda, morriam de fome. Confiava todas as suas pregações à proteção da Divina Pastora: colocava o seu estandarte na Igreja, criando um ambiente de muita devoção a Nossa Senhora. Quando pregava sobre o perdão dos pecados, revestia-se dos paramentos, colocava sobre o altar o Santíssimo Sacramento e depois levava-o para o púlpito durante o sermão. Programa de vida de Diogo José de Cádiz: amar, pregar, sofrer. Cansado, dirige-se para o convento de Ronda onde, com 58 anos, morre no dia 24 de março de 1801, de manhã.
Só 1 de abril de 1894 é que o Papa Leão XIII o proclamará Beato. Diogo de Cádiz foi grande apóstolo das missões populares. Mais do que arte oratória, a sua pregação nascia da sua maneira singular de transmitir a Palavra de Deus assimilada antes no coração em oração e participada com clareza, simplicidade e fervor.

domingo, 20 de março de 2011

MARIA JOSEFINA SANCHO DE GUERRA

Religiosa, Fundadora, Santa
1842-1912

20 de Março

Maria Josefina era a primogénita de Barnabé Sancho, serralheiro, e de Petra de Guerra, doméstica. Nasceu em Vitória, Espanha, no dia 07 de Setembro de 1842, tendo recebido o baptismo no dia seguinte. Ficou órfã de pai muito cedo e foi sua mãe que a preparou para a Primeira Comunhão, recebida aos dez anos. Completou a sua formação e educação em Madrid na casa de alguns parentes, e desde muito cedo começou a demonstrar uma grande devoção à Eucaristia e a Nossa Senhora, uma forte sensibilidade em relação aos pobres e aos doentes e uma inclinação para a vida interior.
Regressou a Vitória aos dezoito anos e logo manifestou à sua mãe o desejo de entrar num mosteiro, pois se sentia atraída pela vida de clausura. Mais tarde, costumava dizer: "Nasci com a vocação religiosa". Foi assim que decidiu entrar no Instituto Servas de Maria, recentemente fundado em Madrid por madre Soledade Torres Acosta. Com a aproximação da época de fazer sua profissão de fé, foi assaltada por graves dúvidas e incertezas sobre sua efectiva chamada para aquele Instituto. Admitiu essa disposição à vários confessores, chegando até a dizer que tinha se enganado quanto à própria vocação.
Mas, os constantes contactos com o arcebispo de Saragoça, futuro Santo, António Maria Claret e as conversas serenas com madre Soledade Torres Acosta, amadureceram nela a possibilidade de fundar uma nova família religiosa, que se dedicasse aos doentes, em casa ou nos hospitais. E foi assim que aos vinte e nove anos ela fundou o Instituto das Servas de Jesus, na cidade de Bilbau, em 1871.
Depois por quarenta e um anos, foi a superiora do Instituto. Acometida por uma longa e grave enfermidade que a mantinha ou no leito ou numa poltrona, sofreu muito antes de seu transito, sem contudo deixar sua actividade de lado. Através de uma intensa e expressa correspondência, solidificou as bases dessa nova família. No momento da sua morte, em 20 de Março de 1912, havia milhares de religiosas, espalhadas por quarenta e três casas. A sua morte foi muito sentida em toda a região e o seu funeral teve uma grande manifestação de pesar. Os seus restos mortais foram trasladados para a Casa-Mãe, em Bilbau, onde ainda se encontram.
Os pontos centrais da espiritualidade de madre Maria Josefina podem definir-se como: um grande amor à Eucaristia e ao Sagrado Coração de Jesus; uma profunda adoração do mistério da Redenção e uma íntima participação nas dores de Cristo e na Sua Cruz; e a completa dedicação ao serviço dos doentes, num contexto de espírito contemplativo.
O seu carisma de serviço aos enfermos ficou bem claro nas palavras por ela escritas: "Desta maneira, as funções materiais do nosso Instituto, destinadas a salvaguardar a saúde corporal do nosso próximo, elevam-se a uma grande altura e fazem a nossa vida activa mais perfeita que a contemplativa, como ensinou o Doutor angélico, São Tomás d'Aquino que falou dos trabalhos dirigidos à saúde da alma, que vêm da contemplação" (Directório de Assistências de la Congregación Religiosa Siervas de Jesús de la Caridad, Vitória 1930, pág. 9).
É com este espírito, que as Servas de Jesus têm vivido desde a morte de Santa Maria Josefina. O serviço dos doentes tornou-se, assim, a oblação generosa das suas vidas, seguindo o exemplo da sua Fundadora. Hoje espalhadas pela Europa, América Latina e Ásia, as Servas procuram dar pão aos famintos, acolher os doentes e outros necessitados, criar centros para pessoas idosas, desenvolvendo sempre a pastoral da saúde e outras obras de caridade. Elas também estão presentes em Portugal.
A causa da canonização de madre Maria Josefina começou em 1951; foi solenemente beatificada pelo Papa João Paulo II em 1992 e depois canonizada em 01 de Outubro de 2000, pelo mesmo pontífice, em Roma.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

RAFAELA YBARRA

Religiosa, Fundadoura, Beata
1843-1900

23 de Fevereiro

Rafaela nasceu no dia 16 de janeiro de 1843, em Bilbao, Espanha, no seio da tradicional família cristã Ybarra, da alta burguesia local. De personalidade serena e afável teve a infância e adolescência felizes, recebendo uma sólida formação humana e religiosa, de acordo com os costumes da época.
Aos dezoito anos se casou com o engenheiro João Vilallonga, com quem teve sete filhos. Mas, a morte trágica da sua irmã e do cunhado, fez o casal assumir os cinco sobrinhos como seus próprios filhos. Rafaela soube conciliar sua obrigação familiar com uma vida cheia de caridade e riqueza espiritual.
Em pleno século XIX, a Espanha vivia um período conturbado, com o povo sofrendo severas privações provocadas pela Revolução Industrial, que se desencadeara no mundo. A grande população rural, principalmente a de jovens, se sentia acuada e era seduzida pelos novos pólos industriais que surgiam. Bilbao não foi uma exceção, atraindo uma legião deles, que buscavam uma melhor condição de vida. A este fato, Rafaela se manteve alerta. Sua situação social não foi um obstáculo para esta sensibilidade, ao contrário, tinha consciência dos perigos que a capital produzia, como a privação, exploração e marginalização.
Com esta preocupação e neste campo realizou seu apostolado, de modo tão amplo, que nem mesmo depois de sua morte se sabia exatamente até onde poderia ter chegado. Colocou à distribuição das obras assistenciais todo o seu dinheiro e suas energias: recolhia as jovens que buscavam trabalho e depois de arranjar-lhes as colocações, as mantinham abrigadas sob seus cuidados até que tivessem uma profissão, com emprego e moradia dignos.
Cultivando o contato com Deus, através da oração, no amor ao próximo e na caridade para com todos; despertou e alicerçou as bases para a fundação de um novo instituto religioso. Ao mesmo tempo em que não descuidou da sua vida familiar, se dedicou a uma vida intensa de apostolado, atuando em todas as obras assistenciais que eram criadas em Bilbao. Entretanto, nunca abandonou seu sonho, ao contrário, solidificou muito bem o fundamento e elaborou as Regras, sob a orientação do bispo de sua diocese.
No final de1894, junto com três jovens religiosas, assumiram o trabalho de "mães e educadoras" das meninas e jovens que necessitavam de ajuda naqueles anos tão difíceis. A missão se assemelhou a dos "Anjos da Guarda", cujo nome tomou para sua fundação e cujas atitudes foram imitadas. Em 1897, a Congregação dos Santos Anjos da Guarda estava criada e dois anos depois aprovada pelo Vaticano, sendo a Casa Mãe em Bilbao, o modelo. Nesta ocasião, tentou se tornar uma religiosa, mas graves problemas a impediram.
Depois de padecer uma longa enfermidade, morreu em 23 de fevereiro de 1900, aos cinqüenta e sete anos. A santidade de sua vida foi reconhecida pela Igreja. O Papa João Paulo II, a beatificou em 1984, nesta ocasião as Irmãs se encontravam em toda a Espanha, Itália e América Latina. A fundadora recebe as homenagens no dia de sua morte.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

VICENTE VILAR DAVID

Engenheiro industrial, Mártir, Beato
1889-1937

14 de Fevereiro

Vicente Vilar David teve como marco histórico da sua vida a última década do século XIX e a quatro primeiras do século XX, anos caracterizados por fortes contrastes e instabilidade política, assim como por fortes transformações socio-económicas que tiveram como consequência a proclamação da república (1931-1936) e a guerra civil (1936-1939). Foi neste clima e nestas circunstâncias ambientais concretas que se desenvolveu a vida de Vicente Vilar David, que como secular católico soube dar uma resposta exacta e adequada às necessidades sociais e eclesiais do seu tempo.
Nasceu em Manises (Valência - Espanha) no dia 28 de Junho de 1889. Teve como pais Justo Vilar Arenes e Cármen David Gimeno. Foi o último de oito irmãs. Recebeu o baptismo no dia mesmo do seu nascimento na igreja paroquial de S. João Baptista pelas mãos do Padre Nicolau David Campos, primo directo de sua mãe. Viveu e foi crescendo no ambiente de um lar cristão, cheio de virtudes cristãs e de um grande amor ao próximo.
No dia 1º de Abril de 1898 o Cardeal Ciríaco Sancha y Hervás, arcebispo de Valência, administrou-lhe o Sacramento de Confirmação e dois anos mais tarde, no dia 24 de Abril de 1900, recebeu a primeira Comunhão das mãos do Padre José Catalã Sanchis.
Frequentou a escola primária da sua terra natal. Do seu mestre, Buenaventura Guillem, recebeu então os primeiros rudimentos do ensino, mas também mais valores cristãos e humanos que afirmaram a sua personalidade. Realizou depois os seus estudos secundários num dos colégios dos padres Esculapios de Valência e os de engenheiro na escola superior de Barcelona. Durante estes anos deu mostras da sua dedicação à Igreja e ao apostolado secular.
Casou com Isabel Rodes Reig a 30 de Novembro de 1922 e desde então, ambos se entregaram fervorosamente ao apostolado em Manises.
Depois da morte de seu pai e tendo terminado os estudos de engenharia, tomou a direcção da empresa de cerâmica, chamada “Filhos de Justo Vilar”: foi aqui que Vicente exerceu, pela sua acção secular exemplar, o melhor do seu apostolado, sobretudo sob o ponto de vista social, procurando para todos a maior harmonia, buscando a paz nas desavenças e procurando que sempre se chegasse a um acordo que a todos satisfizesse.
Destacou-se igualmente pelo respeito, a educação e a caridade para com todos os empregados, o que teve como resultado que todos igualmente o amassem, porque nele viam mais um amigo do que um patrão, pois sempre estava disposto a ajudá-los nas suas necessidades, quaisquer que fossem as circunstâncias e a dificuldade. Deu assim um bom exemplo de patrão católico, consciente de tudo quanto o Papa Leão XIII pedira na sua famosa Encíclica “Rerum novarum”.
Tendo, desde o seu retorno de Barcelona, novas ideias sobre a cerâmica, quis pôr em prática quanto aprendera, quanto idealizara durante os seus estudos, e assim fez.
Com efeito, criou uma escola de cerâmica, na qual pôs em prática o que aprendera e idealizara e, pouco depois mostrava já uma visão de futuro e se percebia que com esta se conseguia a actualização industrial da cerâmica afim de a tornar competitiva sobre o ponto de vista internacional.
Mas o “selo” de Vicente Vilar não se limitou as estas acções “terra à terra”, mas também e, talvez, sobretudo a acções espirituais diligenciadas na sua própria paróquia; onde ele se tornou catequista, membro de associações eucarísticas e colaborador incondicional do pároco.
Quando se implantou o regime que tendia a perseguir a Igreja, com a república, em 1931, Vicente Vilar ajudou os sacerdotes a salvar a situação apostólica, por exemplo, no campo do ensino religioso e paroquial, assim como noutras organizações paroquiais. Para que isso se tornasse possível, não hesitou em fundar um Patronado de Acção Social. Em Agosto de 1936, em plena efervescência da perseguição religiosa, foi destituído como secretário e professor da escola de cerâmica, simplesmente por ser católico.
Naqueles tempos difíceis, Vicente Vilar foi o auxílio de todos, o semeador de alegria e de paciência cristãs. Mesmo os seus trabalhadores, naqueles momentos difíceis, foram os seus protectores, demonstrando assim o reconhecimento e o carinho que tinham para com este homem de Deus, cuja missão eles apreciavam ao seu justo valor, sobretudo nesta ocasião difícil para todos. Mas, se os seus empregados o amavam, todos aqueles que odiavam a religião e aqueles que para ela trabalhavam, não podiam encarar que este homem rico, mas pobre segundo o Evangelho, continuasse a sua missão que se tornara para eles um estorvo. Eis porque na noite de 14 de Fevereiro de 1937, Vicente foi preso e levado diante de um “tribunal popular”, como então se fazia e, como se não desmentisse nem quisesse optar pelas soluções que o dito tribunal lhe propunha, foi condenado, não de maneira explicita, mas condenado na mesma.
Foi imediatamente assassinado, perdoando a todos aqueles que eram então responsáveis de tão triste e temerária decisão.
Este acto que se pode chamar bárbaro, foi considerado pelos paroquianos de Manises como uma vingança pelo facto que Vicente era católico e um zeloso apóstolo das verdades cristãs e também por ser um patrão social e amigo dos seus empregados, o que constituí em si mesmo, uma aberração “judiciária” da parte de pessoas que se pretendiam a favor dos operários e que os operários de Vicente se sentiam felizes de terem um tal patrão.
Os restos mortais de Vicente encontram-se na igreja paroquial de São João Baptista de Manises, onde, de diversas partes de Espanha, e mesmo do estrangeiro, os peregrinos se inclinam e veneram o homem que preferiu dar a sua vida do que renegar a sua fé autêntica.
Afonso Rocha

sábado, 12 de fevereiro de 2011

EULALIA DE BARCELONA

Virgem, Mártir, Santa
+ 304
A padroeira de Balasar

12 de Fevereiro
Esta notícia biográfica sobre Santa Eulália é da autoria do Padre Humberto Pasquale, que a publicou no Boletim de Graças da Alexandrina.
Imagem de Santa Eulália - Igreja de Blasar
A vida e o martírio de Eulália estão narrados num livro, em língua latina, do ano 405, pelo poeta Aurélio Prudêncio.
A perseguição de Maximiano contra os cristãos alastrou-se, no fim do terceiro século, por todas as regiões do Império Romano e, portanto, à Península.
A comunidade cristã florescia e a crueldade dos pagãos recrudesceu com mais violência no centro mais importante da Espanha, na cidade Emérita Augusta, chamada hoje Mérida.
Os habitantes fugiram pelos campos e bosques. Assim fez Libério com a esposa e a única filha, uma moça de 12 anos já conhecida pela sua bondade e modéstia.
Eulália, no seu esconderijo, não tinha sossego ao saber que muitos irmãos da cidade eram vítimas das perseguições.
Resolveu um dia, embora tão nova e fraca, intervir directamente junto do legado imperial.
Numa noite, com uma amiga de nome Júlia, partiu para Mérida.
Chegada à frente do Pretor, pediu-lhe encarecida e corajosamente que acabasse com a perseguição.
O legado imperial, pasmado pela audácia da rapariga, procurou de mil maneiras fazê-la renegar a sua fé. Ao ver inúteis palavras e ameaças, ficou desnorteado e condenou Eulália a torturas terríveis, a que resistiu com a força sobrenatural que o Espírito de Deus lhe comunicava.
Queimada com tochas ardentes, ainda teve forças para dizer ao algoz : « Deita sal no meu corpo para que não me apresente insossa ao meu Esposo celestial ! »
Era o dia 10 de Dezembro do ano 304. Também Júlia foi martirizada: deceparam-lhe a cabeça.
O exemplo de Eulália deu novas forças aos cristãos; foram muitas as vítimas santas da perseguição, mas finalmente os pagãos deram-se por vencidos.
A fama da Mártir de Mérida difundiu-se rapidamente até às comunidades mais longínquas e Eulália foi venerada e amada por toda a parte.
Balasar há vários séculos tem como padroeira esta santa admirável.
Ignoro se a Alexandrina conheceu a vida e o heroísmo de Santa Eulália. Nem sei se teve devoção para com ela. O que sei é que amou a Deus e professou a fé com o mesmo heroísmo e até maior, porque o seu martírio foi de longos anos e sempre numa indizível alegria.
Invoquemos o seu auxílio e aprendamos as lições do seu exemplo admirável.
H. M. P.
Nota – Mérida fica na Espanha, uns 100 km a nascente de Elvas. É notável pelas suas antiguidades romanas, sobretudo o Teatro, e pelo óptimo museu. Chamava-se Emérita Augusta por ter sido fundada por tropas licenciadas (eméritas) que foram do norte da Península, concretamente de Braga (Bracara Augusta), no séc. I A.C.