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terça-feira, 27 de abril de 2021

PEDRO ARMENGOL

Mercedário, Confessor, Santo
(1238-1304)

Nascido em 1238, em Terragona, Pedro, da família dos condes de Urgel, recebeu esmerada educação. Moço, deixou os seus e se deu a uma vida de excessos e de correrias...

Nascido em 1238, em Tarragona, Pedro, da família dos condes de Urgel, recebeu esmerada educação. Moço, deixou os seus e se deu a uma vida de excessos e de correrias: feito chefe de um bando de ladrões, percorria as montanhas e assaltava viajantes quando não os matava.


Um dia, refletindo na vida que levava, amedrontou-se, e, arrependido, foi procurar um religioso de Nossa Senhora das Mercês. Atirou-se-lhe aos pés, confessou os crimes todos que perpetrara e discorreu sobre os terrores que lhe assaltavam o coração.

O religioso, que o ouviu, comovido, era o sucessor de São Pedro Nolasco, Guilherme de Bas. Reconhecendo a sinceridade daquele arrependimento, encaminhou-o ao noviciado de Barcelona. Pedro Armengol contava, então, dezenove anos.

Em 1258, depois uniram-no aos religiosos que iam trabalhar na redenção dos cativos. Pedro principiou pelos reinos de Granada e de Múrcia, onde o zelo, a doçura, a prudência e a caridade levaram o superior da ordem a enviá-lo a Alger. Ali, naquele áspero norte africano, Armengol trabalhou diligente e duramente, tanto que, no espaço de dois meses, resgatou trezentos e quarenta e seis escravos, aos quais encaminhou para a Espanha. Pouco mais tarde, restituía a liberdade a um dos irmãos preso como refém e abria as portas das senzalas para cento e dezenove cristãos que gemiam na servidão mais deprimente.

Estava, então, em Bugia, e preparava-se para partir, de volta à pátria, quando soube que dezoito jovenzinhos cristãos, nas casas dos senhores, jaziam expostos à depravação, prestes a perder a fé.

Imediatamente desfez os planos que tinha e foi procurá-los exortando-os a permanecer firmes na crença. Vendo grandes possibilidades de resgatá-los, buscou os senhores, que acordaram em lhes dar a liberdade mediante trinta mil ducados.

Pedro suspirou. Onde, o dinheiro? Suspirou, mas não desanimou.

Com um brilho nos olhos, propôs aos senhores que o tomassem como refém, até que o religioso que com ele ia conduzir os outros resgatados lhe enviasse a soma combinada. A proposta foi aceita e tudo se acomodou.

Durante aquele voluntário aprisionamento, Armengol encontrou, para gáudio da alma, variadas oportunidades para exercer a caridade, a rainha das virtudes: exortava os escravos cristãos a permanecerem fiéis a Deus, consolava-os nas aflições e os encorajava com a esperança de próximos e melhores dias.

O que mais lhe encheu de gozo a grande alma foi a conversão de inúmeros mouros, aos quais, emocionado, porque os encaminhava a Jesus Cristo, batizou.

Ora, os sectários de Maomé, diante daquele apostolado, conseguiram apossar-se dele e o atiraram à negra prisão, para que ali, sem ninguém, sem qualquer socorro, morresse de fome: é que os trinta mil ducados tardavam e os turcos que haviam aceito a proposição de Armengol se impacientaram, e, da impaciência, num átimo, passaram à desconfiança: não seria o religioso um espião enviado por reis cristãos, com o fim de estudar em que estado se encontrava o país?

Pedro Armengol, não demorou muito, foi conduzido à forca, e, uma vez morto, no patíbulo teve de permanecer, a servir de pasto às aves de presa.

Seis dias depois da injusta execução, Guilherme Florentino, o religioso que fora incumbido de levar os resgatados à Espanha e de conseguir o dinheiro que traria liberdade ao refém, chegou. Em quando soube o sucedido, pôs-se a chorar, desesperadamente. Correu ao lugar do suplício, com o coração aos saltos, e, quando viu o companheiro pendendo da forca, mais soluçante se tornou.

A Guilherme Florentino estava, porém reservada incrível surpresa: ouviu uma voz que lhe disse:

— Irmão, não chores, eu vivo sustentado pela Santíssima Virgem, que me assistiu durante os dias passados!

Guilherme pasmou. E uma alegria como jamais sentira igual, fê-lo correr, tremulamente, para o cadafalso, donde desceu o corpo do amigo que a Virgem Santíssima salvara da morte. O sucesso correu pela cidade e pelas vizinhanças com uma rapidez incrível. E o divã, admiradíssimo, quis pormenores do prodígio.

Ao par de toda trama, proibiu que se desse aos maus senhores o dinheiro vinda da Espanha, e ordenou que o usassem para resgatar outros escravos. Pedro Armengol, Guilherme Florentino e vinte e seis novos escravos, partiam, dias depois, para a Espanha.

Desde que o companheiro o descera da forca, em Pedro se conservou, para sempre, os sinais do suplício: trazia o pescoço torto e no rosto uma palidez mortal — porque Deus quis, assim, atestar a realidade do milagre. Cheio de reconhecimento para com a Virgem, o confessor retirou-se a um solitário convento dedicado a Nossa Senhora dos Prados, onde viveu em contínua oração, em ininterrupta penitência — não se alimentando senão de pão e água. A reputação de santo atraia-lhe visitas sobre visitas, que Pedro recebia bondosamente. E aos que eram doentes, exortava-os a ter confiança em Deus, e os curava.

Quando os irmãos lhe lembravam o suplício por que passara, Armengol dizia:

— Crede-me, os únicos dias felizes que penso ter tido, foram aqueles que passei suspenso da forca, porque então estava bem morto para o mundo.

Muitos dias antes de expirar, predisse a morte. Doente de grave moléstia, entregou a Deus a alma enquanto exclamava:

— Agradecerei o Senhor na terra dos vivos!

Era no dia 27 de Abril do ano de 1304, e muitos milagres, operador por sua intercessão, contribuíram para que se lhe rendesse um culto público, culto que foi aprovado em 1686 pelo Papa Inocêncio XI. Bento XIV inseriu-lhe o nome no martirológio romano.

(Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume VII, p. 291 à 294)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

ÂNGELO DE JERUSALEM

Carmelita, Mártir, Santo
1185-1220

5 de Maio

Uma tradição muito antiga nos trás a luz sobre a vida de Ângelo. Os registros indicam que ele nasceu em 1185, na cidade de Jerusalém, de pais judeus pela religião, chamados José e Maria, nomes muito comuns na região. E que eles se converteram após Nossa Senhora ter avisado Ângelo, durante as orações, que ele teria um irmão, o que lhes parecia impossível, porque seus pais eram idosos. Mas isso aconteceu. Emocionados, receberam o batismo junto com a criança, à qual deram o nome de João. Mais tarde, ele também vestiu o hábito carmelita.

Ângelo viveu em muitos conventos da Palestina e da Ásia Menor. Recebeu muitas graças do Senhor, sobretudo o dom da profecia e dos milagres, depois de viver cinco anos no monte Carmelo, mesmo lugar onde viveu o profeta Elias. Entrou para a Ordem do Carmo quando tinha apenas dezoito anos e, em 1213, foi ordenado sacerdote.

Ainda segundo a tradição, Ângelo saiu do monte Carmelo com os primeiros carmelitas que foram para Roma a fim de obter do papa Honório III a aprovação da Regra do Carmelo, e depois imigraram para a Sicília.

Lá, ao visitar a basílica de São João, se encontrou com os sacerdotes, que se tornaram santos, Domingos de Gusmão e Francisco de Assis, instante em que previu e anunciou a sua morte como mártir de Jesus Cristo.

Dentre seus grandes feitos, o que mais se destaca é o trabalho de evangelização que manteve entre os hereges cátaros daquela cidade. A história narra que ele conseguiu converter até uma mulher que, antes disso, mantinha uma vida de pecados, até mesmo uma relação incestuosa com um rico senhor do lugar.

No dia 5 de maio de 1220, Ângelo fez sua última pregação na igreja de São Tiago de Licata, na Sicília. Nesse dia foi morto, vítima daquele rico homem, que não se conformou com o abandono e a conversão de sua amante, encomendando o assassinato.

Venerado pela população, logo uma igreja foi erguida no lugar de seu martírio, onde foi sepultado o seu corpo. A Igreja canonizou o mártir santo Ângelo em 1498. Porém somente em 1662 as suas relíquias foram transladadas para a igreja dos carmelitas. O seu culto se difundiu amplamente no meio dos fiéis e na Ordem do Carmo.

Santo Ângelo foi nomeado padroeiro de muitas localidades, inicialmente na Itália, depois em outras regiões da Europa. Sua veneração se mantém até os nossos dias, sendo invocado pelo povo e devotos nas situações de suas dificuldades. Os primeiros padres carmelitas da América difundiram a sua devoção, construindo igrejas, nomeando as aldeias que se formavam, e expandiram o seu culto.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ESTANISLAU KUBISTA

Sacerdote, Mártir, Beato
1898-1940

26 Avril

Estanislau Kubista nasceu no seio de uma família devota de nove crianças, em Kostrechna. A família recitava todos os dias o terço, antes do jantar, diante do altar de Nossa Senhora. Era quase uma evidência que ele viria a ser sacerdote. Uma das suas irmãs, Ana entrou num convento perto de Viena. Quanto a ele, estudou numa escola alemã e, portanto, não só falava a língua materna mas também correntemente o alemão.
Criança ainda, ficou impressionado com as prédicas e sermões dos missionários da Santa Cruz de Steyl — missionários do Verbo Divino. Estudou na escola de Neisse. Foi mobilizado no exército em 1917 na frente ocidental, onde era telefonista. Desmobilizado em Maio de 1919, em Stettiner, continuou os seus estudos em Neisse no noviciado dos Padres missionários verbistas, desejoso de se tornar missionário na China.
Os Padres publicavam numerosas publicações e brochuras em polaco. Ele foi enviado para o noviciado de São Gabriel de Mödling perto de Viena. Ali foi ordenado sacerdote em 1927 com 29 anos de idade.
Ecónomo da escola e do convento de Gorna Grupa, era responsável de 300 pessoas (alunos e professores). Posteriormente, foi nomeado procurador.
Publicava livros e brochuras, especialmente para a juventude e cada vez mais se apaixonava pelas missões. Ele tinha uma grande devoção a são José. Os seus escritos foram famosos na Polónia.
Quando o alemães invadiram a Polónia, ele foi preso com outros missionários e sacerdotes da sua Congregação aos vieram juntar-se muitos sacerdotes diocesanos. Na Congregação do Verbo Divino foram detidos 14 sacerdotes, 14 religiosas, 4 irmãos e 12 noviços. A província da Polónia criada em 1919 compreendia, vinte anos após a sua fundação, 29 sacerdotes e 61 irmãos.
Em fevereiro de 1940, ele foi deportado para Nowy Port, perto de Dantzig e, em seguida, para Stutthof e em abril de 1940, para o campo de concentração de Sachsenhausen. Enfraquecido e doente, ele foi destinado à morte após três dias de agonia. Foi em 26 de abril de 1940.
Ele foi beatificado por João Paulo II em 1999, com três outros membros da sua Congregação, os padres Frackowiak, Liguda e Mzyk.
A Congregação foi restaurada na Polónia em 1946 e irradia-se hoje em torno dos seus catorze estabelecimentos.

domingo, 3 de abril de 2011

FRANCISCO MARTO

Vidente de Fátima, Beato
1908-1919

4 de Abril

Francisco, nascido numa povoação chamada Aljustrel, pertencente à paróquia de Fátima, em Portugal, no dia 11 de Junho de 1908, era filho de Manuel Pedro Marto e de Olímpia de Jesus Marto, modestosagricultores e bons cristãos; no dia 20 do mesmo mês, recebido o baptismo, tornou-se membro do povo da nova aliança.

De carácter dócil e condescendente, recebeu com fruto a boa educação que os pais lhe deram. Em casa, começou a conhecer e a amar a Deus, a rezar, a participar nas sagradas funções paroquiais, a ajudar o próximo necessitado, a ser sincero, justo, obediente e diligente. Viveu em paz com todos, quer adultos quer da mesma idade. Não se irritava quando o contrariavam e nos jogos não encontrava dificuldades em se adequar à vontade dos outros. Era sensível à beleza da natureza, que contemplava com sensibilidade e admiração; deleitava-se com a solidão dos montes e ficava extasiado perante o nascer e pôr do sol. Chamava ao sol «candeia de Nosso Senhor» e enchia-se de alegria ao aparecerem as estrelas que designava «candeias dos Anjos». Era de tal inocência que dizia que ao chegar ao céu havia de colocar azeite na candeia da Virgem Maria.

Logo que pôde, quando atingiu a idade de cerca de seis anos, foi-lhe confiada a guarda do rebanho, que diariamente pastoreava; segundo o costume, saía de manhã cedo com a sacola levando o alimento e a flauta, com a qual se divertia, e tornava a casa ao pôr do sol. Muitas vezes era acompanhado pela irmãzinha Jacinta e ambos se reuniam com a prima Lúcia de Jesus dos Santos, que guardava também as suas ovelhas. Estas crianças declararam ter visto três vezes um anjo no ano de 1916. Este acontecimento inesperado e imprevisto constitui para Francisco o início duma experiência espiritual mais generosa, mais eficaz e mais intensa de dia para dia. De repente começou a tornar-se mais piedoso e taciturno; recitava frequentemente a oração ensinada pelo anjo; estava disposto a oferecer sacrifícios pela salvação dos que não acreditam, não esperam e não amam.

Do dia 13 de Maio até ao dia 13 de Outubro de 1917, algumas vezes, juntamente com a Jacinta e a Lúcia, foi-lhe concedido o privilégio de ver a Virgem Maria na Cova da Iria. A partir daí, inflamado cada vez mais no amor a Deus e às almas, tinha uma só aspiração: rezar e sofrer de acordo com o pedido da Virgem Maria. Se extraordinária foi a medida da benignidade divina para com ele, extraordinária foi também a maneira como ele quis corresponder à graça divina na alegria, no fervor, e na constância. Não se limitou apenas a ser como que um mensageiro do anúncio, da penitência e da oração, mas, mais do que isso, com todas as suas forças, conformou a sua vida com a mensagem que ele anunciou mais com a bondade das obras do que com palavras.

Costumava dizer: «Que belo é Deus, que belo! mas está triste por causa dos pecados dos homens. Eu quero consolá-lo, quero sofrer por seu amor».

Manteve este propósito até ao fim. Durante as aparições suportou com espírito inalterável e com admirável fortaleza as más interpretações, as injúrias, as perseguições e mesmo alguns dias de prisão. Resistiu respeitosa e fortemente à autoridade local que tudo tentou para conhecer o «segredo» revelado pela Virgem Santíssima às três crianças, infundindo coragem simultaneamente à irmã e à prima. Todas as vezes que o ameaçavam com a morte respondia: «se nos matarem não importa: vamos para o céu».
Já antes das aparições rezava, porém depois, movido por um espírito de fé mais vivo e amadurecido, tomou consciência de ser chamado e de se entregar zelosa e constantemente ao dever de rezar segundo as intenções da Virgem Maria. Procurava o silêncio e a solidão para mergulhar totalmente na contemplação e no diálogo com Deus.

Participava na missa dos dias festivos e quando podia também nos feriais. Nutriu uma especial devoção à Eucaristia e passava muito tempo na igreja, adorando o Sacramento do altar a que chama «Jesus escondido». Recitava diariamente os quinze mistérios do Rosário e muitas vezes mais, a fim de satisfazer o desejo da Virgem; para isso gostava de juntar orações e jaculatórias, que tinha aprendido no catecismo e que o Anjo, a Virgem Santíssima e piedosos sacerdotes lhe tinham ensinado. Rezava para consolar a Deus, para honrar a Mãe do Senhor, que muito amava, para ser útil às almas que expiam as penas no fogo do purgatório, para auxiliar o Sumo Pontífice no seu importante múnus de pastor universal; rezava pelas necessidades do mundo transtornado pelo pecado; rezava pela Igreja e pela salvação eterna das almas. Rezava sozinho, com os familiares, com os peregrinos, manifestando um profundo recolhimento interior e uma confiança segura na bondade divina.

Como tivesse sabido da Virgem Maria que a sua vida iria ser breve, passava os dias na ardente expectativa de entrar no céu. E de facto tal expectativa não foi longa. Com efeito, apesar de ser robusto e de gozar de boa saúde, em Outubro do ano de 1918 foi atingido pela grave epidemia bronco-pulmonar chamada «espanhola». Do leito em que caiu não chegou a levantar-se; pelo contrário, no ano de 1919, o seu estado de saúde agravou-se. Sofreu, com íntima alegria, a sua enfermidade e as suas enormes dores, em oblação a Deus. À Lúcia que lhe perguntava se sofria, respondeu: «Bastante, mas não me importa. Sofro para consolar Nosso Senhor e em breve irei para o céu». No dia 2 de Abril, recebeu santamente o sacramento da Penitência e no dia seguinte foi finalmente alimentado com o Corpo de Cristo, como Santo Viático. Ao despedir-se dos presentes prometeu rezar por eles no céu.

Entrou piedosamente na vida eterna, que veementemente desejara, no dia 4 de Abril de 1919. Foi sepultado no cemitério de Fátima, mas depois as suas relíquias foram transladadas para o Santuário, que entretanto fora construído onde a Virgem aparecera.