sábado, 24 de abril de 2021

PEDRO DE SÃO JOSÉ BETANCOUR

Leigo, Fundador, Beato
(1626-1667)

Pedro de São José Betancur nasceu em Villaflor de Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha, no dia 19 de Março de 1626, tendo sido baptizado logo no dia 21. Seus pais, Amador González Betancur de la Rosa e Ana Garcia educaram-no cristãmente e Pedro descobriu os valores da fé e da caridade, de modo especial. E ele nunca esqueceu os ensinamentos recebidos; ouvindo falar dos trabalhos missionários que muitos homens e mulheres estavam a empreender nas terras da América, deixou-se entusiasmar pela ideia de ir anunciar o Evangelho, emigrando para a Guatemala em 1651 com esse propósito.


Ali começou a viver como se fosse essa a sua pátria, depressa captou a simpatia das famílias do lugar, que desejavam a presença de Pedro em suas casas, pela sua afabilidade e interesse pela situação de cada um; pagava a hospedagem com os trabalhos humildes que podia fazer.

Dele disse o seu biógrafo: “Todo o tempo em que conhecemos Pedro de Betancur, conhecemo-lo como um homem virtuoso. Nele, a virtude parecia natural. Era tão amável como virtuoso e todos os que o conheciam, o estimavam e quem o estimava, gostava de comunicar com ele. Todos desejavam tê-lo em sua casa e muitos o procuravam”. Fez da pobreza sua companheira de vida, para não ter outro tesouro a não ser Jesus Cristo e não ter outra preocupação senão o amor dos pobres. Viveu em Santiago de los Caballeros, entrava livremente na casa de todos os que ali habitavam, saindo como tinha entrado:  livre de apegos materiais, alma limpa e coração desprendido, mas com a convicção firme de que tinha deixado a semente do Evangelho no seio daquelas famílias. O seu biógrafo diz, mesmo, estas palavras bem elucidativas da sua presença: “o Irmão Pedro deixava as casas onde entrava banhadas de luz e saía delas sem detrimento da sua pureza”. Por isso, ele pode ser chamado um “mensageiro do amor de Deus na América”.

Possuía a sabedoria própria de um homem simples. Por esta razão, a sua vida se lê melhor nas suas acções do que nos seus discursos. Por dificuldades nos estudos, não conseguiu ser sacerdote, não foi membro de uma Ordem religiosa, o que o convenceu de que Deus o chamava à santidade por outro caminho; seguiu o da caridade, tornando-se um verdadeiro apaixonado pelo pobres por amor a Cristo. Sincero e humilde, mas de um singular intuição e prática na vida, soube reconhecer Deus e encontrar Cristo nas ruas da cidade. Os seus compatriotas chegavam em busca de poder e de riquezas; ele procurou as suas honras na catequese, na oração e no alívio dos sofrimentos humanos dos pobres. Essa era a sua ambição, que realizava “sempre ocupado em obras de misericórdia”, aliviando o sofrimento do seu Salvador nas cruzes dos mais pobres.

Era homem de oração; reconhecendo-se como humilde servo da Santíssima Trindade, distinguiu-se por uma vida de comunhão contínua com Deus Pai através da oração e da perseverança em fazer o bem, às vezes à custa das maiores dificuldades, incompreensões e contrariedades, mas espalhando sempre a caridade a mãos cheias, dele se podendo dizer como de Cristo:  "passou pela terra fazendo o bem" (cf. Act 10, 38). Deixando-se guiar pelo Espírito Santo, permaneceu sempre aberto à sua inspiração, para orientar os seus passos, palavras e acções.

Peregrino e contemplativo, traçou um itinerário de lugares de oração, de recolhimento e de contemplação, para que aqueles povos pudessem gozar de momentos de contacto com o Senhor.

Ainda hoje, a tradição fala desses lugares:  o Calvário, o Outeiro da Cruz, os pátios da Pousada de Belém, o Templo de S. Francisco, bem como as ruas de pedra abençoadas pela sua passagem continuam a ser sinais da sua presença permanente naqueles lugares. Soube cimentar a piedade popular na devoção aos mistérios de Cristo e da Virgem Maria, na frequência dos sacramentos e na meditação, acompanhadas pela preocupação constante da salvação da alma.

Por isso, não nos admiremos de que ele fosse um “leigo fundador de uma Ordem religiosa”. Assim se expressam os Bispos da Guatemala em Carta Pastoral, escrita a propósito da sua canonização.

Tendo vestido o hábito da terceira Ordem de penitência franciscana, continuou a sua vida na prática das obras de caridade, consolidando a sua devoção a Maria; rezava o terço na Capela da casa com os escravos, os mais simples, sem deixar de se retirar para o "seu" Calvário (tinha-o construído com as suas próprias mãos), pelos pátios da Pousada de Belém, onde, no dizer do seu biógrafo, "os pobres podiam encontrar pão material para o sustento do seu corpo e o pão da doutrina para alimento da sua alma". Alguns deixaram-se seduzir pelo seu exemplo e congregou à sua volta os que julgou idóneos para dar cumprimento aos seus desejos. Com eles acerta uma vida regular de oração e austeridade que, ao trabalho com os pobres, uniam uma espiritualidade muito rica de fidelidade a Deus e vida comunitária. Assim nasceu a Ordem Betlemita, fundada na Guatemala e ainda hoje viva naqueles meios, ao serviço das pessoas mais humildes e sem lar.

Destacam os Bispos da Guatemala três caminhos na herança espiritual legada por Pedro de São José: 

a) Caminho espiritual, baseado na adoração do Verbo Encarnado, na meditação constante da paixão de Cristo, no amor e adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia, amor à Mãe de Deus e a devoção do santo Rosário, a que se juntava a prática da mortificação, da penitência e do jejum.

b) Caminho misericrdioso, caracterizado pelo amor aos pobres e a solidariedade para com todos. Para isto, não hesitou em escrever uma carta ao Rei de Espanha, pedindo autorização para construir um hospital para convalescentes, o primeiro do mundo para este género de doentes.

c) Um caminho profético, onde se descobrem os valores perenes de uma autêntica evangelização. Assim o evangelizador verdadeiro não deve condenar ninguém definitivamente, pois o plano de Deus quer a salvação de todos e que todos cheguem ao conhecimento da verdade (cf. 1 Tim 2, 4), o evangelizador propõe o plano de Deus a um mundo dominado pelo afã das riquezas, a ambição do poder e a indiferença orientada pelo prazer.

Beatificado por João Paulo II em Roma, no dia 22 de Junho de 1980, vai ser canonizado ainda pelo mesmo Sumo Pontífice, na Guatemala, em 30 deste mês de Julho.

Fizemos algumas referências à Carta Pastoral com que os Bispos da Guatemala quiseram preparar as suas comunidades para esta celebração. A Igreja presente neste país da América Central rejubila com esta jornada, que ficará na memória do seu povo cristão; com ele, alegrar-se-á também a Igreja no México, onde uma canonização e duas beatificações marcarão positivamente a sua vida. Sabemos bem que a santidade não tem fronteiras, para ela não há limites de tempo ou espaço. Graças a Deus!

MARCOS EVANGELISTA

Discípulo de S. Padro, Evangelista, Mártir, Santo
(século I)

São Marcos, ou João Marcos hebreu de origem, da tribo de Levi, foi um dos primeiros discípulos de São Pedro, que na festa de Pentecostes receberam o santo Baptismo das mãos do Apóstolo, razão talvez, de Pedro em sua primeira epístola o chamar “seu filho”. (I Pedro 5,13).


Os actos dos Apóstolos (12,12) mencionam a mãe de Marcos, Maria, proprietária de uma casa em Jerusalém, onde os cristãos realizavam suas reuniões. Alguns autores reconhecem Marcos como o parente de Barnabé, e quem, bem moço ainda, se associou com São Paulo na primeira viagem apostólica e, terminada esta, por divergências entre eles, voltou para Jerusalém. Na segunda viagem paulina não o vemos ao lado do apóstolo. (At. 15, 3).

Mais tarde, porém, foi companheiro de São Paulo na primeira prisão em Roma (Filem. 4); pelo mesmo apóstolo foi mandado aos Colossenses (Col. 4, 10).

Pela segunda vez preso em Roma, Paulo o chamou para junto de si. (2. Tim. 4, 11.) Seu apostolado é intimamente ligado também ao de São Paulo, em Roma, onde desenvolveu com tanto zelo as actividade apostólicos, que seu Chefe desejou tê-lo sempre em sua companhia.

Em Roma teve Marcos o prazer de ver os belos frutos, que a pregação do príncipe dos Apóstolos produzira, crescendo dia por dia o número dos que pediam o santo Baptismo.

Durante sua ausência, São Pedro confiou a Marcos a vigilância sobre a jovem Igreja.

Atendendo ao insistente pedido dos primeiros cristãos de Roma, de deixar-lhes um documento escrito, que contivesse tudo que da boca de Pedro ouviram da vida, da doutrina, dos milagres e da morte de Jesus Cristo, Marcos escreveu o Evangelho que lhe traz o seu nome.

Dos quatro Evangelhos o mais curto e por assim dizer, o mais incompleto; não contém a história da Infância de Cristo, nem o sermão da montanha. São Pedro leu-o aprovou-o e recomendou aos cristãos que dele fizessem a leitura.

Depois de ter passado alguns anos em Roma, Marcos pregou o Evangelho na ilha de Chipre, no Egipto e nos países vizinhos. As conversões produzidas por esta pregação contavam-se aos milhares.

Milhares de ídolos ruíram por terra, e nos lugares dos templos se ergueram igrejas cristãs. O Egipto, antes um país entregue à idolatria, tornou-se teatro da mais alta perfeição cristã e refúgio de muitos eremitas.

Marcos trabalhou 19 anos em Alexandria, onde a Igreja chegou a um estado de extraordinário esplendor.

Não satisfeitos com a observância de tudo aquilo que o Evangelho apresentava como indispensável, muitos cristãos observavam do modo mais perfeito os conselhos evangélicos, abstendo-se, a exemplo do mestre, do uso da carne e do vinho e distribuindo os bens entre os pobres. Inúmeros eram aqueles que viviam em perfeita castidade. O número dos cristãos cresceu de tal maneira, que para todos terem ocasião de assistir ao santo sacrifício da Missa e à pregação, foi necessária destacar um número de casas bem grande onde se pudessem reunir.

Tão grande prosperidade da causa do Senhor não podia deixar de inquietar e irritar os sacerdotes pagãos contra o grande Apóstolo. Marcos, sabendo que os inimigos seus e de Cristo estavam conspirando contra sua vida, e, prevendo uma generalização da perseguição, na qual muitos cristãos poderiam não ter a força de perseverar na fé, deu à Igreja de Alexandria um novo bispo, na pessoa de Aniano, e ausentou-se da cidade.

Dois anos durou essa ausência. Ao voltar, havia uma grande festa, que os pagãos celebravam em honra do deus Serapis. A maior homenagem que podiam render à divindade havia de ser — assim opinavam os idólatras — a oferta da vida do Galileu: por este nome era conhecido o grande evangelista.

Imediatamente se puseram a caminho em busca de Marcos. A eles se uniram muitas pessoas. Descobrir-lhe paradeiro e penetrar na casa que hospedava, foi obra de minutos.

Marcos estava celebrando os santos mistérios, quando a horda sequiosa do seu sangue, entrou. Prenderam-no e, com muita brutalidade, conduziram-no pelas ruas da cidade. O trajecto todo ficou marcado do sangue do Mártir.

Marcos não opôs resistência; ao contrário, deu louvor a Deus por ter sido achado digno de sofrer pelo nome de Cristo.

Na noite seguinte apareceu-lhe um anjo e disse-lhe: “Marcos, Servo de Deus, teu nome está escrito no livro da vida, e tua memória jamais se apagará. Os Arcanjos receberão em paz teu espírito”.

Além desta teve a aparição de Deus Nosso Senhor, da maneira por que muitas vezes o tinha visto durante a vida mortal e disse-lhe:

“Marcos, a paz seja contigo”. Estas, como as palavras do Anjo, encheram a alma do Mártir de grande consolo e ânimo.

O dia seguinte,  25 de Abril, foi o dia do martírio. Os pagãos maltrataram-no de um modo tal que morreu no meio das crueldades. As últimas palavras que proferiu foram: “Em vossas mãos encomendo o meu espírito”.

Os pagãos quiseram queimar seu corpo. Uma fortíssima tempestade, que sobreveio, frustrou-lhes os planos e forneceu aos cristãos, ocasião de tirar o corpo e dar lhe honesta sepultura, numa rocha em Bucoles.

Em 815 foram as relíquias de São Marcos transportadas para Veneza, onde ainda se acham.

O leão é o símbolo deste evangelista, que inicia seu Evangelho com estas palavras: “Voz daquele que clama no deserto: Preparai os caminhos do Senhor”.

BENTO MENNI

 Sacerdote, Fundador, Santo
(1841-1914)

Ângelo Hércules, o quinto de quinze irmãos, nasceu, a 11 de Março de 1841, em Milão, Itália, numa família cristã que, juntamente, com outros factores, foi a responsável pela decisão da sua entrega ao Senhor.


A entrada na Ordem Hospitaleira de São João de Deus, aos dezanove anos, revelou-se tarefa simples, pois a dedicação dos Irmãos no tratamento dos soldados feridos, chegados à estação de Milão, sensibilizava-o, de sobremaneira, a ele, um jovem voluntário, recém-entrado naquelas andanças. Claro que a oração diária a Nossa Senhora, as conversas interessantes com um eremita da sua terra e os exercícios espirituais feitos aos dezassete anos, ajudaram bastante.

Estudou no seminário de Lodi e na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, sendo ordenado sacerdote, na Cidade Eterna, no ano de 1866. Pouco depois, e a pedido do Papa Pio IX, partiu para Espanha a fim de restaurar a Ordem, anteriormente extinta.

Esta missão fê-lo permanecer bastantes anos naquele país; o seu árduo trabalho nem sempre foi reconhecido, como por exemplo: em Barcelona, onde padeceu ultrajes, a prisão e a expulsão da cidade.

Homem multifacetado, a sua actividade passou por: desempenhar o cargo de enfermeiro da Cruz Vermelha; assistir os doentes de cólera em Andaluzia, Aragão e Madrid; fundar asilos, hospitais gerais e psiquiátricos; reformar a assistência nestes, bem carecida de métodos e meios mais humanos; e, em 31 de Maio de 1881, com mais duas senhoras de Granada – Maria Josefa Recio e Maria das Angústias Giménez – fundar, em Ciempozuelos, Madrid, a Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, com o intuito de responder à situação de abandono e exclusão social das doentes mentais. Esta Obra, rapidamente, se difundiu por vários países, entre eles o nosso, onde presta prestigiada assistência.

O Padre Bento, nome adoptado no sacerdócio, bem merece toda e qualquer homenagem que se lhe preste, pois dignificou a Ordem de São João de Deus através do apoio na saúde àqueles que mais dele precisavam: as crianças, as mulheres pobres e desamparadas e os desprotegidos da sorte.

Veio a falecer em França, em Dinan, a 24 de Abril de 1914, permanecendo os seus resos mortais na Casa-mãe, em Ciempozuelos.

O “homem de caridade inesgotável e de excepcionais dotes de governo” foi beatificado, a 23 de Junho de 1985, e canonizado, em 21 de Novembro de 1999, em Roma, em cerimónias presididas pelo Papa São João Paulo II.

Por Olívia Rodrigues

MARIA EUFRÁSIA PELLETIER

 Religiosa, Fundadora, Santa
(1796-1868)

Baptizada com o nome de Rosa Virgínia Pelletier, ela nasceu na ilha de Noirmontier, região da Vandea, França, no dia 31 de julho de 1796. Cresceu onde foi o centro da Revolução Francesa, sendo educada pelas ursulinas de Chavanhe e, depois, frequentou o Instituto da Associação Cristã de Tours.


Aos dezasseis anos, entrou no mosteiro de Tours, na Ordem de Nossa Senhora da Caridade do Refúgio, fundada, em 1641, por são João Eudes, destinada à reabilitação das jovens e das mulheres em perigo moral e para a reeducação cristã de todas que lá pediam abrigo e protecção.

Em 1817, fez os votos de profissão de fé e tomou o nome de Maria de Santa Eufrásia e, aos vinte e nove anos, foi nomeada superiora desse mosteiro. Ali fundou a Obra das "Madalenas", onde as moças que voltavam para o caminho correcto podiam aderir à vida religiosa, nos moldes das carmelitas, seguindo relativamente o Regulamento, vestindo o hábito e tendo uma ala própria no mosteiro.

Em 1829, fundou, em Angers, um novo Refúgio, nome usado pelas carmelitas para designar uma Casa da sua ordem, do qual se tornou superiora depois de dois anos. Dessa forma, deu um grande impulso para a continuação do trabalho de redenção das moças no desvio da vida. Assim, a Casa de Angers tornou-se a Casa-mãe de uma organização paralela à ordem de Nossa Senhora da Caridade, submetida a essa ordem, mas com mosteiros com autonomia separada.

Estava fundada a Ordem de Nossa Senhora do Bom Pastor, da qual se tornou a superiora geral até o fim da vida. Ela encontrou muitas resistências, porém, em 1835, o papa Gregório XVI, que concordava com ela, aprovou a nova ordem.

A sua obra foi tão vigorosa que Maria Eufrásia fundou mais Casas do que todos os fundadores de ordens da Igreja. Foram 111 entre 1829 e 1868, ano em que morreu, vitimada por um tumor que lhe causou muito sofrimento, no dia 24 de abril.

Foi beatificada em 1933 e canonizada sete anos depois. Uma estátua de santa Maria Eufrásia Pelletier foi colocada na basílica de São Pedro, no Vaticano, com muita justiça entre os grandes fundadores de ordens da Igreja. Sua festa é realizada no dia de sua morte.

FIEL DE SIGMARINGA

 Advogado, Monge capuchinho, Mártir; Santo
(1577-1622)

São Fiel, chamado no baptismo Marco Rey, nasceu em Sigmaringa, na Alemanha, em 1577. Estudou Direito em Friburgo e exerceu advocacia com tal amor à justiça que foi chamado o "advogado dos pobres". Era um cristão recto e piedoso, um advogado justo e cheio de caridade, assumindo sempre gratuitamente a defesa dos necessitados. Pode ser comparado, neste âmbito, a São Ivo da Bretanha, Santo Afonso Maria de Ligório e Santo André Avelino.


Aos 35 anos, para evitar os perigos morais que comportava a sua carreira, deixou as leis e decidiu seguir outra vocação. Disse alguém que ele teria deixado a sua profissão de advogado pelo medo que tinha de vir a cair em alguma daquelas injustiças que parecem inevitáveis nesta profissão.

Fez-se capuchinho em Friburgo onde tinha frequentado os estudos de Direito. Impôs-se a si mesmo viver em obediência, pobreza, humildade, com espírito de penitência, de austeridade e de sacrificada renúncia. Foi ordenado presbítero em 1612, tornando-se um grande pregador da Palavra de Deus.

Eleito Guardião do Convento de Weltkirchen, na Suíça, entregou-se fervorosamente ao apostolado num momento particularmente difícil da vida da Igreja.

No cantão suíço dos Grijões, verificou-se, naquela altura, a dolorosa separação que dividiu católicos e calvinistas, tendo degenerado numa sangrenta guerra política entre os Valijões e o Imperador da Áustria.

O Papa Bento XIV assim escreveu acerca do nosso Santo:

"São Fiel exprimia a plenitude da sua caridade em confortar e ajudar o próximo, abraçava, com coração de pai, todos os aflitos, sustentava imensas multidões de pobres com esmolas que recolhia em toda a parte. Aliviava a solidão dos órfãos e das viúvas, procurando para todos eles a ajuda dos poderosos e dos príncipes. Ajudava, sem descanso, os encarcerados com todos os auxílios espirituais e corporais ao seu alcance, visitava com carinho e atenção os doentes, entretinha-os, reconciliava-os com Deus e preparava-os para enfrentarem a última batalha. Este homem, fiel no nome e na realidade, foi notável na defesa incansável da fé católica".

São Fiel alimentou sempre no seu coração o desejo de derramar o seu sangue pelo Senhor e foi ouvido por Deus. Enviado para a Suíça pela Congregação da Propaganda da Fé com o fim de orientar uma missão entre os hereges, sucedeu que as numerosas conversões ali verificadas lhe atraíram a ira e o ódio das autoridades que acabaram por interrompê-lo com disparos de espingarda numa das suas pregações em Seewis. A seguir, foi agredido fora da igreja em que pregara e depois ferido de morte. O seu corpo acabou por ser barbaramente esquartejado. Era o dia 24 de Abril de 1622. Tinha 45 anos. A sua morte impressionou até os seus mais acirrados inimigos e teve como fruto imediato a pacificação entre eles. Os acontecimentos que se seguiram imediatamente mostraram bem que o sacrifício de São Fiel não tinha sido em vão.

É o protomártir da Sagrada Congregação da Propaganda da Fé.

Foi canonizado por Bento XIV em 1746.

sábado, 9 de janeiro de 2021

ADRIANO DE CANTUÁRIA

Bispo, Santo
(635-710)


Adriano nasceu no ano 635 no norte da África e foi baptizado com o nome de Hadrian. Tinha apenas cinco anos de idade quando sua família imigrou para a cidade italiana de Nápolis, pouco antes da invasão dos árabes. Lá estudou no convento dos beneditinos de Nerida, onde se consagrou sacerdote.

Adriano se tornou um estudioso da Sagrada Escritura, profundo conhecedor de grego e latim, professor de ciências humanas e teologia. A fama de sua capacidade e conhecimento chegou ao imperador Constantino II que em 663 o fez seu embaixador junto ao papa Vitalino, função que exerceu duas vezes. Depois, este papa o nomeou como um dos seus conselheiros.

Quando morreu o bispo da Cantuária, Inglaterra, o papa Vitalino convidou Adriano para assumir aquele cargo, mas ele recusou a indicação duas vezes, alegando não ter suficiente competência para ocupar esse posto. O papa lhe pediu para que indicasse alguém mais competente, pois ele mesmo não conhecia.

Nesta ocasião Adriano havia se encontrado com seu grande amigo, o teólogo grego e monge beneditino Teodoro de Tarso que estava em Roma. Adriano o indicou ao papa Vitalino. Consultado, Teodoro disse que estava disposto a aceitar, mas somente se Adriano concordasse em ir para a Inglaterra ajudá-lo na missão evangelizadora. Adriano aceitou de imediato. O papa consagrou Teodoro, bispo da Cantuária e nomeou Adriano seu assistente e conselheiro, em 668.

Ele chegou na Inglaterra um ano depois, pois foi detido durante a viagem, na França sob suspeita que tinha uma missão secreta do imperador Constantino II, para os reis ingleses, mas foi solto ao atestarem a sua integridade de sacerdote.

Adriano e Teodoro foram evangelizadores altamente bem sucedidos, junto ao povo inglês cuja maioria era pagã. O bispo Teodoro, logo colocou Adriano como abade do convento beneditino de São Pedro, depois chamado de Santo Agostinho, na Cantuária. Sob sua liderança, esta escola se tornou um centro de aprendizagem e formação de clérigos para a Igreja dos povos anglicanos.

Adriano viveu neste país durante trinta e nove anos, totalmente dedicados ao serviço da Igreja. Nele os ingleses encontraram um pastor cheio de sabedoria e piedoso, um verdadeiro missionário e instrumento de Deus. Muitos se iluminaram com os seus exemplos de vida profundamente evangélica.

Morreu em 9 de janeiro de 710, foi enterrado no cemitério daquele convento, na Inglaterra. A sua sepultura se tornou um lugar de graças, prodígios e peregrinação. Em 1091, o seu corpo foi encontrado incorrupto e trasladado para a cripta da igreja do mesmo convento. Adriano foi proclamado Santo pela Igreja, que o festeja no dia em que morreu.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

PEDRO TOMÁS

 Bispo Carmelita e Patriarca Latino de Constantinopla
(século XIV)

Nasceu, segundo registros antigos, em Salimaso de Thomas, diocese de Sarlat; outros creem que talvez tenha sido em Lebreil, parte do município de Salas de Belvés (Dordonha). Seu pai era agricultor; empenhou-se a estudar em Monpazier, vivendo da caridade e ensinando aos outros mais jovens. Foi a Agen e voltou a Monpazier em 1325. Atraído pela Ordem do Carmelo, estudou um ano em Leitora e, aos 21 anos de idade, ingressou na Ordem, fazendo o noviciado em Cordom ou Bergerac.


Professou em Bergerac e estudou dois anos, passando depois a Agen e Bordeus. Ensinou lógica e filosofia em Albi. Também deu aulas em Paris. Voltou a Aquitânia em 1345, quando foi eleito procurador geral da Ordem; depois de acabar os estudos de teologia em Paris, onde obteve o grau de mestre em 1348, foi à corte do Papa Clemente VI, em Avinhão, e fez a oração fúnebre em seu funeral.

– Actividade Diplomática como Conciliador de Conflitos
e Representante do Santo Padre

Conhecido por sua habilidade diplomática e sua oratória, ajudou aos Papas seguintes como seu representante, intentando resolver conflitos entre reis cristãos, a unificação das Igrejas Católica e Ortodoxas e a união para combaterem contra os muçulmanos.

Foi delegado papal em negociações com Génova (1352, para conseguir a paz com Veneza), Milão e Veneza. Em 1354 foi nomeado bispo de Patti e Lipari e representou o papa na coroação de Carlos IV de Luxemburgo. Em Sérvia, em 1356, intentou acalmar o conflito entre Veneza e Hungria.

Entre 1357 e 1359 foi enviado a Constantinopla, onde recebeu o apoio de nobres e do próprio João V Paleólogo para a unificação das Igrejas Católica e Ortodoxa. Foi a Chipre e empreendeu uma peregrinação à Terra Santa, voltando depois à Sicília e Chipre. Em 1359 foi enviado com as tropas como Delegado Universal à Igreja do Oriente e bispo de Corinto, com a mesma missão de combater aos turcos, aliado com Veneza, Chipre e os cavaleiros da Ordem de Malta. Em Chipre, coroou Pedro I de Chipre como rei de Jerusalém.

Concebe a ideia de uma nova cruzada e marcha para pedir ajuda ao Ocidente, aproveitando para por paz em um conflito entre Milão e Roma. Em 1363 foi nomeado arcebispo de Creta e, em maio de 1364, Patriarca Latino de Constantinopla (era um título simbólico, sem jurisdição real) e legado papal de Urbano V, sucedendo ao cardeal Talleyrand. Nesse mesmo ano foi cofundador da Faculdade de Teologia da Universidade de Bolonha. Preocupou-se em consolidar a paz entre os reis cristãos e de trabalhar pela união das Igrejas, convertendo-se em um precursor do ecumenismo. Entre suas missões diplomáticas, levou uma vida austera e modelar, preocupado pela evangelização dos povos e a caridade para com os mais necessitados.

Apesar dos altos cargos que exerceu, nas suas viagens Frei Pedro Tomás procurava sempre, como residência, os conventos dos seus irmãos carmelitas, vivendo ali como irmão e com os irmãos de Nossa Senhora do Carmo a vida normal da comunidade, segundo a Regra.

Com Pedro I de Chipre, participou na cruzada contra Alexandria em outubro de 1365, que foi tomada, porém, imediatamente abandonada, por medo de um contra-ataque turco. A tradição diz que em um dos ataques das tropas cristãs o bispo foi ferido com uma flecha e morreu em Chipre três meses depois, em 6 de janeiro de 1366. Por isso era tido como “mártir”.

Na realidade, voltou a Famagusta são e salvo, porém, enquanto preparava uma viagem até Roma, enfermo “de um catarro” e muito magro (“reduzido a pele e ossos”, conforme relatos da época), morreu em um convento carmelita de sua cidade no dia 6 de Janeiro de 1366. Apesar de ser bispo pediu que o levassem para sua última morada vestido com o hábito da Ordem.

– Devoção a Nossa Senhora

Era muito devoto de Nossa Senhora. Amou tanto Nossa Senhora que parece trazia no coração o seu nome. Foi um dos mais ardorosos defensores da Imaculada Conceição de Maria Santíssima. A ele se atribui o tratado “De Immaculata Conceptionis” em quatro volumes de sermões. É dele a profecia inspirada pela Virgem Maria de que a Ordem do Carmo durará até o fim dos tempos.

– Veneração

Rapidamente começaram os relatos de milagres em seu túmulo, no convento carmelita de Famagusta. Fala-se também de uma claridade que envolvia seu cadáver exposto ao público em seu funeral.

Em maio de 1366, quatro meses após sua morte, descobriu-se que seu corpo ainda estava incorrupto e Pedro de Chipre pediu sua canonização a Urbano V. O Papa proibiu o translado do corpo do santo bispo durante dez anos, ainda que este houvesse pedido que seu corpo fosse transladado para Bergerac. Pouco depois, Philippe de Mézières escreveu sua vida, base de sua posterior hagiografia.

Os seus esforços pela promoção e consolidação da unidade da Igreja Oriental fazem deste santo do séc. XIV um precursor do ecumenismo e um verdadeiro “apóstolo da unidade da Igreja”.

A conquista turca de Chipre em 1571 e o terremoto de 1753 acabaram com o rastro do santo em Chipre. Em 1609, a Santa Sé autorizou a festividade de Pedro Tomás entre os carmelitas, que foi confirmado por Urbano VIII em 1628; formalmente não foi canonizado. Em Lebreil, se levantou uma capela sobre a casa que se crê que nasceu, porém, foi derrubada durante a Revolução Francesa. Foi restaurada em 1895 como santuário em sua memória.

Fonte : https://carmelitas.org.br/index.php/2020/01/08/hoje-e-dia-de-sao-pedro-tomas/