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terça-feira, 27 de abril de 2021

RAFAEL ARNAIZ BARON

Noviço cisterciense, Santo
(1911-1938)

Monge espanhol canonizado domingo, 11 de Outubro de 2009 pelo Papa Bento XVI.

Nasceu em Burgos (Espanha) em 1911. Ali mesmo foi à escola com os padres jesuítas. Depois começou a estudar na Escola Superior de Arquitectura de Madrid. Seus tios, os duques de Maqueda, influenciaram no crescimento de sua fé.


Uma juventude alegre e pura

Em 1932 realizou alguns exercícios espirituais onde descobriu que Deus lhe pedia que se fizesse monge trapista. Tinha 23 anos quando foi aceito no mosteiro de São Isidro de Dueñas. Ali viveu uma vida monacal cheia de alegria no meio de sacrifícios e abnegações, onde, segundo ele, cada dia tinha um encanto diferente.

Passava horas escrevendo cartas, para sua mãe, tios e vários amigos. Compartilhava nelas suas experiências interiores: “esta vida, que pode parecer monótona, para mim tem tantos atractivos que não me canso momento algum. Cada hora é diferente pois ainda que exteriormente sigam iguais, interiormente não o são como não são iguais todas as missas”.

Com docilidade, o irmão Rafael soube aceitar os misteriosos desígnios de Deus. No momento mais feliz de sua vida sua saúde se alterou. A febre aumentava e por isso o enviaram de regresso a casa de seus pais. Com o coração partido de dor deixou o mosteiro. Saiu e entrou em três ocasiões até que se reincorporou em 1937. Foi a última vez que viu sua família.

Morreu em 26 de abril de 1938 de um coma diabético. Nos últimos dias reflectia sobre o mistério da dor como ponto de união com a Eternidade: “o meu centro é Deus e Deus crucificado. Meu centro é Jesus na cruz. Agarrado a meu crucifixo quero morrer. O fim é a eterna procissão do dia. Do céu mas isso será no céu”.

Modelo para a juventude

João Paulo II o propôs como modelo de santidade na Jornada Mundial da Juventude em Santiago de Compostela em 1989.

Comentários e escritos ricos de espiritualidade, e por sua vez simples e cheios de sentido do humor. Uma atitude dócil e abnegada frente à enfermidade são alguns elementos que refletiram a alma enamorada de Deus do beato Maria Rafael Arnais Barón, canonizado no domingo 11 de outubro, na praça de São Pedro por Bento XVI.

Dele disse Bento XVI

“À figura do jovem que apresenta a Jesus o seu desejo de ser algo mais do que um bom cumpridor dos deveres que impõe a lei, retornando ao Evangelho de hoje, faz de contraluz o Irmão Rafael, hoje canonizado, falecido aos vinte e sete anos como Oblato na Trapa de San Isidro de Dueñas. Ele também era de uma família abastada e, como ele mesmo disse, de “alma um pouco sonhadora”, cujos sonhos porém não se desvaneceram diante do apego aos bens materiais e a outras metas que a vida do mundo propõe às vezes com grande insistência. Ele disse sim à proposta de seguir Jesus, de maneira imediata e decidida, sem limites nem condições. Deste modo, iniciou um caminho que, a partir do momento em que se deu conta no Mosteiro de que “não sabia rezar”, o levou em poucos anos ao ápice da vida espiritual, que ele retrata com grande simplicidade e maturidade em numerosos escritos. O Irmão Rafael, ainda muito próximo de nós, continua a oferecer-nos com o seu exemplo e as suas obras um percurso atractivo, especialmente para os jovens que não se conformam com pouco, mas que aspiram à plena verdade, à mais indizível alegria, que se alcançam através do amor de Deus. “Vida de amor... Está aqui a única razão de viver”, diz o novo Santo. E insiste: “Do amor de Deus nasce tudo”. Que o Senhor ouça benigno uma das últimas orações de São Rafael Arnáiz, quando lhe entregava toda a sua vida, suplicando: “Toma-me a mim e doa-Te a Ti ao mundo”. Que se doe para reanimar a vida interior dos cristãos de hoje. Que se doe para que os seus Irmãos da Trapa e os centros monásticos continuem a ser esse farol que faz descobrir o íntimo anseio de Deus que Ele pôs em cada coração humano”.


sábado, 24 de abril de 2021

BENTO MENNI

 Sacerdote, Fundador, Santo
(1841-1914)

Ângelo Hércules, o quinto de quinze irmãos, nasceu, a 11 de Março de 1841, em Milão, Itália, numa família cristã que, juntamente, com outros factores, foi a responsável pela decisão da sua entrega ao Senhor.


A entrada na Ordem Hospitaleira de São João de Deus, aos dezanove anos, revelou-se tarefa simples, pois a dedicação dos Irmãos no tratamento dos soldados feridos, chegados à estação de Milão, sensibilizava-o, de sobremaneira, a ele, um jovem voluntário, recém-entrado naquelas andanças. Claro que a oração diária a Nossa Senhora, as conversas interessantes com um eremita da sua terra e os exercícios espirituais feitos aos dezassete anos, ajudaram bastante.

Estudou no seminário de Lodi e na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, sendo ordenado sacerdote, na Cidade Eterna, no ano de 1866. Pouco depois, e a pedido do Papa Pio IX, partiu para Espanha a fim de restaurar a Ordem, anteriormente extinta.

Esta missão fê-lo permanecer bastantes anos naquele país; o seu árduo trabalho nem sempre foi reconhecido, como por exemplo: em Barcelona, onde padeceu ultrajes, a prisão e a expulsão da cidade.

Homem multifacetado, a sua actividade passou por: desempenhar o cargo de enfermeiro da Cruz Vermelha; assistir os doentes de cólera em Andaluzia, Aragão e Madrid; fundar asilos, hospitais gerais e psiquiátricos; reformar a assistência nestes, bem carecida de métodos e meios mais humanos; e, em 31 de Maio de 1881, com mais duas senhoras de Granada – Maria Josefa Recio e Maria das Angústias Giménez – fundar, em Ciempozuelos, Madrid, a Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, com o intuito de responder à situação de abandono e exclusão social das doentes mentais. Esta Obra, rapidamente, se difundiu por vários países, entre eles o nosso, onde presta prestigiada assistência.

O Padre Bento, nome adoptado no sacerdócio, bem merece toda e qualquer homenagem que se lhe preste, pois dignificou a Ordem de São João de Deus através do apoio na saúde àqueles que mais dele precisavam: as crianças, as mulheres pobres e desamparadas e os desprotegidos da sorte.

Veio a falecer em França, em Dinan, a 24 de Abril de 1914, permanecendo os seus resos mortais na Casa-mãe, em Ciempozuelos.

O “homem de caridade inesgotável e de excepcionais dotes de governo” foi beatificado, a 23 de Junho de 1985, e canonizado, em 21 de Novembro de 1999, em Roma, em cerimónias presididas pelo Papa São João Paulo II.

Por Olívia Rodrigues

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

MICAELA DO SANTISSIMO SACRAMENTO

Religiosa, Fundadora, Santa
1809-1865


Micaela do Santíssimo Sacramento, fundadora das Adoradoras, é uma das glórias mais puras da Espanha no século XIX. Nasceu em Madrid, em 1809, quando seu pai combatia, como valente militar, contra os soldados de Napoleão.
Começou a ser educada pela mãe, que se mostrava austera. Teve de aprender a cozinhar e a brunir «por causa do que viesse a acontecer»; a pintar, a bordar e a tocar vários instrumentos. Tudo lhe serviu para executar mais tarde os planos de Deus no posto que lhe fixara na Igreja. Foi aluna também das Ursulinas de Pau, França, que, a respeito de romances, manifestavam o mesmo rigor que sua mãe. Dizia ela depois: «Se alguma coisa, por ser boa, me davam, nunca terminava de a ler, porque dizia comigo: se isto é mentira, não sucedeu».
Aos 30 anos perdeu a mãe e ficou herdeira do título de Viscondessa de Jorbalán. Onde quer que esteve, sobressaiu sempre pelo coração grande e caritativo. Em Guadalajara, primeiro criou e sustentou uma escola para 12 crianças, a quem alimentava e vestia. Em 1834 fundou, em Madrid, os grupos de socorro domiciliar e mais tarde o asilo de arrependidas. Para ajudar o irmão, embaixador em Paris, teve de transferir-se para lá, onde se distinguiu pelo desprendimento. Nos terríveis dias de 1847, a sua caridade raiou no heroísmo porque, mesmo tendo de atravessar fossos e barricadas, visitava os pobres e doentes. Na Bélgica, aonde passou em seguida, vestiu, contra a oposição da família, o hábito de Irmã da Caridade.
Em 1848 vemo-la em Madrid, tratando sobretudo do asilo de arrependidas, que será a sua obra máxima. Vivia ainda neste tempo duma maneira muito original: «De manhã, em obras de caridade; o resto do dia, em visitas, passeios a cavalo ou de carro; e à noite, no teatro, em reuniões e baile. Acrescente-se a isto o luxo excessivo e o primor na mesa». Mas ela mesma nos diz que no teatro usava, debaixo da seda, de ásperos cilícios ou não fazia caso de nada, olhando para a cena com óculos sem vidros. Tinha um cavalo que lhe era muito querido pela fidelidade e elegância. Mas notou que a assaltava a vaidade quando montava nele: «Envergonhei-me de amar tanto o meu cavalo e, para suprimir este apego a uma coisa terrena, mandei-o vender na feira».
Quando voltou a Espanha, em 1848, já tinha voto de repartir os bens com os pobres e fazer tudo o que reconhecesse como vontade de Deus. Mas vestia com luxo. Um dia aproximou-se do confessionário e o padre, que ouviu o ciciar das sedas, disse-lhe inspirado: «Vem a senhora demasiado oca para pedir perdão a Deus». «São as saias», disse ela. «Pois arranje outras», replicou o sacerdote. E obedeceu. «No dia seguinte apresentei-me feita uma saloia; a gente olhava para mim admirada. Passei uma vergonhaça, mas a obediência foi sempre natural em mim». «Como vem tão ridícula?», disse o padre. «Tire as sedas e vista-se como essas senhoras virtuosas que vê na igreja». Naquele mesmo dia ordenou Micaela que lhe fizessem um vestido de lã, preto e simples.
À medida que se desprende do mundo, vai-se unindo mais à sua obra das recolhidas. Em 1850 passa a viver com elas. O mundo ri-se e toma-a por doida. Nos círculos da nobreza, no palácio real, fala-se dela e sempre para a ridicularizar, para a caluniar e desprezar. Um primo seu, mordomo no palácio, diz um dia diante da Rainha que a sua parenta, a Viscondessa de Jorbalán, endoideceu. Isabel II acreditou à letra e, falando com a duquesa de Gor, disse, compadecendo-se de Micaela: «Como endoideceu?» ― «Senhora, não está doida» ― «Mas, todos o dizem». ― «É que se meteu a salvar raparigas de má vida e por isso chamam-lhe doida, mas não está doida, está muito assisada e é uma santa».
«Diga-lhe que apareça, que a desejo ver». E desde então houve estreita comunicação entre a Viscondessa e a Rainha.
Enquanto os homens a desprestigiavam e criticavam, Deus estava com ela. Tinha graça especial para tratar com aquelas jovens desgraçadas, que o mundo lançava na rua, como quem lança a ponta dum charuto. Umas vezes era um acto de energia, outras acto de humildade, mas sempre triunfava e se impunha. A uma jovem que se vai embora, pergunta-lhe para onde segue. Respondendo-lhe ela que para uma casa de mau viver, a Santa deu-lhe um bofetão. «Só minha mãe me castigou assim», disse a fugitiva, lançan­do-se-lhe aos pés. «Eu vou obedecer à senhora como a ela. Se minha mãe não tivesse morrido, não me teria perdido».
Outro dia, lança-se a Viscondessa aos pés duma rapariga arisca, rebelde, beija-lhos e desarma-a. «Se tu não me faltares, eu não te abandonarei», tinha-lhe dito. E Deus este­ve sempre com ela. Uma luz superior dizia-lhe a cada momento o que tinha de fazer e avisava-a dos perigos. Um dia, encontra-se com uma jovem, dá-lhe umas pancadinhas no ombro e leva-a ao seu quarto: «Que leva nesses bolsos?» ― «Nada» ― «Mesmo nada? Você traz veneno». Assim era, de facto; a rapariga projectava envenenar a Superiora, na hora de lhe preparar o café.
A obra de Santa Micaela foi-se impondo em toda a parte. Ao morrer, deixou uma grande família religiosa com o nome de Senhoras Adoradoras e Escravas do Santíssimo Sacramento, e sete colégios de desamparadas nas principais cidades de Espanha. Passou dez anos de luta e cinco de actividade construtiva.
No Verão de 1865 chegou a Madrid a notícia de várias religiosas da casa de Valência terem sido atacadas pela cólera. A Fundadora decidiu imediatamente ir lá, para consolar e alegrar as suas filhas. Todas se opõem, temendo pela sorte da Madre. Ela insiste todavia e vai. «Os que fazemos as coisas de Deus não temos medo da morte». Dez dias depois de chegar, sentiu-se atacada pela cólera e morreu a 24 de Agosto de 1865. A sua morte foi o holocausto da caridade.

domingo, 17 de abril de 2011

MARIANA DE JESUS GUEVARA

Religiosa, Beata
1565-1624

17 de Abril

Ana Maria Guevara Navarro Romero, conhecida como Maria Ana de Jesus (Madrid, 1565-1624) foi uma freira espanhola da Ordem das Mercês e não deve ser confundida com Santa Mariana de Jesus, do século XVII religiosa equatoriana, chamada o Lírio de Quito, ou Ana de Jesus, religiosa de Valladolid do final do século XVI e cujo processo de beatificação está a decorrer em Roma.

Maria Ana de Jesus nasceu em Madrid em 17 de Janeiro de 1565, no seio de uma família rica associada aos círculos judiciais. Seu pai era um negociante de peles ao serviço do Rei Filipe III.
Mariana cedo se sentiu atraída para a vida religiosa. Com a idade de 22 anos estava determinada a entrar para um convento, apesar da forte oposição de seu pai (que, cedo viúvo, tinha contratado um segundo casamento) e sua madrasta, que tinha arranjado o seu casamento com um rapaz de boa posição. Os pais tentaram pois, por todos os meios desviá-la da sua vocação. Diz-se que chegou mesmo a desfigurar o rosto e a cortar o cabelo para ser rejeitada pelo seu noivo.

Em 1598, ele retirou-se como penitente na ermida de Santa Bárbara da capital do reino, ajudada por Frei João do Santíssimo Sacramento, religioso mercedário, e outras pessoas piedosas. Em 1606 entrou para a Ordem das Mercês,  ali recebendo em 1613, o hábito de terceira.

A fama das suas virtudes e as aparições sobrenaturais e milagres que a acompanhavam espalhou-se rapidamente pela cidade de Madrid. Os seus superiores ordenaram que ela escrevesse sobre essas experiências. Nestes escritos, Maria Ana conta, entre outras coisas, as visões que teve de Jesus Cristo e da Virgem Maria e os êxtases místicos.

A sua morte ocorreu em 17 de Abril de 1624 no Convento de Santa Bárbara, em Madrid, resultante de uma doença pulmonar. Ela tinha 59 anos.

Se já em vida Maria Ana tinha alcançado um grande prestígio pela sua piedade e milagres de toda espécie, que lhe eram atribuídos, após a sua morte, este prestígio aumentou ainda mais.

O seu corpo foi exposto publicamente durante dois dias em meio durante os quais houve grande afluência. O artista Vicente Carducho fez várias máscaras mortuárias da defunta. No mesmo ano morte iniciou-se o processo canónico de beatificação, incentivado pelas pessoas simples, a nobreza e o próprio rei Felipe IV.

Em 31 de Agosto de 1627 o seu túmulo foi aberto, e perante o espanto geral, o corpo estava intacto, com a carne fresca e os membros flexíveis, e exalando um perfume agradável. Apenas o rosto estava um pouco desfigurado por causa das manipulações que tinham sido feitas para obter a máscara mortuária. Este facto inexplicável foi verificado todas as vezes que os restos mortais Maria Ana foram inspeccionados: em 1731, 1924 e 1965.

Em 18 Janeiro de 1783 foi declarada Beata pelo papa Pio VI. Tal era o fervor que a figura de Mariana despertava entre o povo, que o governo civil da cidade de Madrid a declarou co-padroeira da cidade, com Santo Isidro.

O corpo incorrupto da Beata é venerado na igreja do Convento de Dom João de Alarcón de Madrid, já que o antigo convento de Santa Barbara, onde ela fora monja, tinha sido destruído. O túmulo onde repousa foi doado pela II rainha Isabel II.

Sua festa litúrgica é celebrada em 17 de Abril.