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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

SULPICIO SEVERO

Bispo, Escritor, Santo
+ 591

29 de Janeiro

Na diocese de Bourges, há dois bispos considerados santos, com o mesmo nome: Sulpício Severo e Sulpício, o piedoso, em ordem cronológica. Sulpício Severo pertencia à nobreza da Aquitânia e ocupava uma alta posição na corte do rei Gontrano, quando morreu Remígio, bispo de Bourges. Naquele momento a cidade estava numa situação calamitosa por causa de um incêndio que a tinha devastado. Gontrano impôs aos habitantes a escolha ou eleição de Sulpício Severo para bispo, pois confiava nele e nas suas qualidades de administrador para o restabelecimento da ordem. Foi logo ordenado padre e abandonou os seus altos encargos civis. É provável que não fosse casado, ao contrário de muitos de seus contemporâneos, que tinham de deixar a família quando sagrados bispos. Feito bispo, dedicou-se totalmente à Igreja, e seu episcopado teve início por volta de 584, durando até a data de sua morte, em 591.
Os bispos galos romanos eram a única força que podia se opor aos reis e eram prestigiados por todos. Por isso, a actividade de Sulpício Severo foi muitas vezes política também, porque só assim se explica o título que lhe é atribuído de "defensor da cidade". Era muito firme, prudente e vigoroso também nos negócios temporais. Várias vezes teve de resistir aos reis, principalmente por questões de elevações de impostos, e parece que sempre foi atendido por eles que voltaram atrás nas suas intenções. Certamente o seu prestígio pessoal era muito grande.
Historicamente está comprovada a sua presença, pela sua assinatura, em vários sínodos realizados na região. Era também bom orador e tinha veia poética, mas não temos registros de suas obras.
Não deve ser confundido com um escritor homónimo, que não é santo. Seu maior apologista foi S. Gregório de Tours, seu contemporâneo no episcopado e interlocutor epistolar.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

SULPICIO DE BOURGES

Bispo, Santo
† 647

18 de Janeiro

Sulpício faz parte de um grupo selecto de santos que alcançaram importância teológica, cultural e política na história da Igreja, pois actuaram na formação política e religiosa de toda uma nação, no seu caso, a França. Além de serem venerados e chamados à interceder nas aflições diárias ou nas curas dos males físicos da população, à ele recorrem os que sofrem de males nos pulmões.
Para entender o alcance da actuação pastoral e política deste santo, é preciso primeiro visualizar o contexto em que ela aconteceu. Era o século VII e a França se consolidava como nação. Mas, ainda co-existiam vários grupos étnicos que geravam muitos conflitos naqueles domínios e Sulpício, bispo de Bourges, impedia e controlava os choques, mediando e negociando entre eles as convivências difíceis, sempre dentro dos preceitos da Igreja.
Pouco se sabe de sua vida antes de se tornar bispo, mas pode-se calcular que tenha sido exemplar e trabalhosa, pois Bourges era uma importante cidade, situada bem no centro da França. Foi conquistada, pelo Império Romano, meio século antes de Cristo, sendo anexada ao Império dos Francos no ano 507. O cristianismo só chegou no século II. Como bispo, Sulpício, além de colocar a Igreja como base da consolidação política do país, estruturou uma sólida formação religiosa e humana do clero, através da vida monástica que implantou, para garantir a maneira mais segura de evangelização do povo.
A diocese de Bourges teve a felicidade de acrescentar seis santos ao corpo da Igreja, todos bispos. Um deles foi Sulpício que morreu em 647. Em Paris, foi erguida a igreja de São Sulpício de belíssima arquitectura, à esquerda do rio Sena, onde foram depositadas as suas relíquias. Ao lado dela se estabeleceu um seminário beneditino, que adoptou o nome do santo, e se tornou, depois, no maior centro de formação do clero francês. Esta comunidade deu origem à uma nova família de religiosos, chamada de Ordem dos Padres Religiosos de São Sulpício.
Entretanto, São Sulpício se fixou no coração do povo antes mesmo do seu transito, e é ainda o grande auxiliador e intercessor na cura das doenças pulmonares. Segundo uma antiga tradição, o rei Clotário II, soberano da primeira dinastia francesa, foi curado milagrosamente de uma severa pleurite, pelo bispo Sulpício, cuja fama de santidade era muito grande. O rei ficou tão contente que até diminuiu os impostos que cobrava da população de Bourges.