sexta-feira, 26 de agosto de 2011

MICAELA DO SANTISSIMO SACRAMENTO

Religiosa, Fundadora, Santa
1809-1865


Micaela do Santíssimo Sacramento, fundadora das Adoradoras, é uma das glórias mais puras da Espanha no século XIX. Nasceu em Madrid, em 1809, quando seu pai combatia, como valente militar, contra os soldados de Napoleão.
Começou a ser educada pela mãe, que se mostrava austera. Teve de aprender a cozinhar e a brunir «por causa do que viesse a acontecer»; a pintar, a bordar e a tocar vários instrumentos. Tudo lhe serviu para executar mais tarde os planos de Deus no posto que lhe fixara na Igreja. Foi aluna também das Ursulinas de Pau, França, que, a respeito de romances, manifestavam o mesmo rigor que sua mãe. Dizia ela depois: «Se alguma coisa, por ser boa, me davam, nunca terminava de a ler, porque dizia comigo: se isto é mentira, não sucedeu».
Aos 30 anos perdeu a mãe e ficou herdeira do título de Viscondessa de Jorbalán. Onde quer que esteve, sobressaiu sempre pelo coração grande e caritativo. Em Guadalajara, primeiro criou e sustentou uma escola para 12 crianças, a quem alimentava e vestia. Em 1834 fundou, em Madrid, os grupos de socorro domiciliar e mais tarde o asilo de arrependidas. Para ajudar o irmão, embaixador em Paris, teve de transferir-se para lá, onde se distinguiu pelo desprendimento. Nos terríveis dias de 1847, a sua caridade raiou no heroísmo porque, mesmo tendo de atravessar fossos e barricadas, visitava os pobres e doentes. Na Bélgica, aonde passou em seguida, vestiu, contra a oposição da família, o hábito de Irmã da Caridade.
Em 1848 vemo-la em Madrid, tratando sobretudo do asilo de arrependidas, que será a sua obra máxima. Vivia ainda neste tempo duma maneira muito original: «De manhã, em obras de caridade; o resto do dia, em visitas, passeios a cavalo ou de carro; e à noite, no teatro, em reuniões e baile. Acrescente-se a isto o luxo excessivo e o primor na mesa». Mas ela mesma nos diz que no teatro usava, debaixo da seda, de ásperos cilícios ou não fazia caso de nada, olhando para a cena com óculos sem vidros. Tinha um cavalo que lhe era muito querido pela fidelidade e elegância. Mas notou que a assaltava a vaidade quando montava nele: «Envergonhei-me de amar tanto o meu cavalo e, para suprimir este apego a uma coisa terrena, mandei-o vender na feira».
Quando voltou a Espanha, em 1848, já tinha voto de repartir os bens com os pobres e fazer tudo o que reconhecesse como vontade de Deus. Mas vestia com luxo. Um dia aproximou-se do confessionário e o padre, que ouviu o ciciar das sedas, disse-lhe inspirado: «Vem a senhora demasiado oca para pedir perdão a Deus». «São as saias», disse ela. «Pois arranje outras», replicou o sacerdote. E obedeceu. «No dia seguinte apresentei-me feita uma saloia; a gente olhava para mim admirada. Passei uma vergonhaça, mas a obediência foi sempre natural em mim». «Como vem tão ridícula?», disse o padre. «Tire as sedas e vista-se como essas senhoras virtuosas que vê na igreja». Naquele mesmo dia ordenou Micaela que lhe fizessem um vestido de lã, preto e simples.
À medida que se desprende do mundo, vai-se unindo mais à sua obra das recolhidas. Em 1850 passa a viver com elas. O mundo ri-se e toma-a por doida. Nos círculos da nobreza, no palácio real, fala-se dela e sempre para a ridicularizar, para a caluniar e desprezar. Um primo seu, mordomo no palácio, diz um dia diante da Rainha que a sua parenta, a Viscondessa de Jorbalán, endoideceu. Isabel II acreditou à letra e, falando com a duquesa de Gor, disse, compadecendo-se de Micaela: «Como endoideceu?» ― «Senhora, não está doida» ― «Mas, todos o dizem». ― «É que se meteu a salvar raparigas de má vida e por isso chamam-lhe doida, mas não está doida, está muito assisada e é uma santa».
«Diga-lhe que apareça, que a desejo ver». E desde então houve estreita comunicação entre a Viscondessa e a Rainha.
Enquanto os homens a desprestigiavam e criticavam, Deus estava com ela. Tinha graça especial para tratar com aquelas jovens desgraçadas, que o mundo lançava na rua, como quem lança a ponta dum charuto. Umas vezes era um acto de energia, outras acto de humildade, mas sempre triunfava e se impunha. A uma jovem que se vai embora, pergunta-lhe para onde segue. Respondendo-lhe ela que para uma casa de mau viver, a Santa deu-lhe um bofetão. «Só minha mãe me castigou assim», disse a fugitiva, lançan­do-se-lhe aos pés. «Eu vou obedecer à senhora como a ela. Se minha mãe não tivesse morrido, não me teria perdido».
Outro dia, lança-se a Viscondessa aos pés duma rapariga arisca, rebelde, beija-lhos e desarma-a. «Se tu não me faltares, eu não te abandonarei», tinha-lhe dito. E Deus este­ve sempre com ela. Uma luz superior dizia-lhe a cada momento o que tinha de fazer e avisava-a dos perigos. Um dia, encontra-se com uma jovem, dá-lhe umas pancadinhas no ombro e leva-a ao seu quarto: «Que leva nesses bolsos?» ― «Nada» ― «Mesmo nada? Você traz veneno». Assim era, de facto; a rapariga projectava envenenar a Superiora, na hora de lhe preparar o café.
A obra de Santa Micaela foi-se impondo em toda a parte. Ao morrer, deixou uma grande família religiosa com o nome de Senhoras Adoradoras e Escravas do Santíssimo Sacramento, e sete colégios de desamparadas nas principais cidades de Espanha. Passou dez anos de luta e cinco de actividade construtiva.
No Verão de 1865 chegou a Madrid a notícia de várias religiosas da casa de Valência terem sido atacadas pela cólera. A Fundadora decidiu imediatamente ir lá, para consolar e alegrar as suas filhas. Todas se opõem, temendo pela sorte da Madre. Ela insiste todavia e vai. «Os que fazemos as coisas de Deus não temos medo da morte». Dez dias depois de chegar, sentiu-se atacada pela cólera e morreu a 24 de Agosto de 1865. A sua morte foi o holocausto da caridade.

DOMINGOS DA MÃE DE DEUS

Sacerdote, Beato
1792-1849


Nasceu em 1792, duma família modesta de aldeões dos arredores de Viterbo, Itália. Foi o último de onze filhos. Toda a sua infância foi consagrada aos trabalhos dos campos e foi sozinho que ele aprendeu a ler e a escrever, depois de brevíssima iniciação.
Para escapar ao recrutamento militar, obrigou-se por voto a entrar nos Passionistas. Mas, tendo os institutos religiosos sofrido a supressão, contratou casamento; a seguir, porém, a lutas dolorosas, acabou com o noivado, quando as Ordens estavam já restauradas. Entrou aos 22 anos entre os Passionistas, primeiro como irmão leigo, mas depois como noviço de coro. Foi ordenado sacerdote em Roma, em 1818. Começou por exercer o apostolado na Itália, como pregador, professor de filosofia e de teologia, e depois como superior provincial.
Em 1840, partiu para a Inglaterra, destinado a fundar lá uma província do seu Instituto. Revelou-se pioneiro do ecumenismo e foi ele quem recebeu a primeira confissão de Newmann e a abjuração que ele fez do Anglicanismo, a 8 de Outubro de 1845. Trata-se daquele sábio que veio a morrer muito velho, depois de ter subido ao cardinalato.
Pensava o Padre Domingos que o melhor meio para atrair os irmãos separados até à plenitude da verdade estava cm tornar os católicos mais autenticamente cristãos e a Igreja mais conforme com o pensamento do seu Fundador.
Morreu a 27 de Agosto de 1949, em Reading, Inglaterra.
Foi beatificado por Paulo VI, a 24 de Outubro de 1970.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

MARIA DE JESUS CRUCIFICADO

Carmelita, Beata
1846-1878



Maria Banardy nasceu a 5 de Outubro de 1846, em Abellin, localidade da Galileia, Terra Santa, situada entre Nazaré e Haifa. Ficou órfã aos três anos, sendo levada por seu tio para Alexandria, no Egipto. Aos 12 anos foi prometida em casamento a um jovem do qual muito teve que sofrer para renunciar ao casamento. Um muçulmano quis obrigá-la a abandonar o cristianismo para aderir à religião de Maomé; porque ofereceu resistência, atravessou-lhe o pescoço com um punhal. Julgando-a morta envolveu-a num lençol e abandonou-a fora da cidade. Esvaída e sem sentidos, Maria, durante a noite teve um sonho: sonhou que Nossa Senhora lhe apareceu e que a curou miraculosamente. Assim aconteceu. De manhãzinha acordou completamente curada.
Passou para a Europa, depois de ter trabalhado em Alexandria, Jerusalém e Beirute, acabando por parar em Marselha. Fez-se religiosa numa congregação das Irmãs de S. José, que logo a despediram pois viram que a sua vocação era claramente para a vida contemplativa. Na verdade, os factos extraordinários que encheriam a sua vida tinham já começado. No dia 29 de Março de 1867, pela primeira vez, teve os estigmas da Paixão.
Entrou no Carmelo de Pau, juntamente com Verónica da Paixão, que tinha sido sua mestra na congregação de S. José e da qual saíra para se fazer carmelita também. Tomou hábito no dia 27 de Julho de 1867. Em 1870 partiu para uma fundação na Índia, regressando a Pau, em 1872. Três anos mais tarde, partiu para a Terra Santa, sua pátria, onde fundou um Carmelo em Belém. Preparou a fundação do Carmelo de Nazaré, que só viria a ser inaugurado depois da sua morte, em 1910.
A sua vida foi como a de Santa Maria Madalena de Pazzi: rica em factos extraordinários e inexplicáveis. Contudo, a sua vida diária brilha pela singeleza e pela sua singular simplicidade. Era muito humilde, e apesar de não saber ler, dava bons conselhos e explicações teológicas de uma cristalina transparência e de grande profundidade doutoral. Juntamente com os seus êxtases, que eram contínuos, exercitou sempre as virtudes da humildade e da obediência. Participou durante muito tempo nos sofrimentos da Paixão de Cristo: sobretudo na Quaresma, quando apareciam no seu corpo os estigmas. Só em 1876 lhe desapareceram estes sinais visíveis, pois Maria resolveu pedir insistentemente ao Senhor que lhe tirasse esses sinais miraculosos.
Morreu em 1878, no dia 26 de Agosto. Deixou-nos como herança as suas manifestações místicas, uma abrasadora devoção ao Espírito Santo e um amor incalculável à Igreja e a Cristo Crucificado.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

LADISLAU DA HUNGRIA

Rei, Santo
1041-1095

Príncipe de vida exemplar, rigoroso contra toda injustiça, caritativo, paciente e fervoroso, modelo de como se pode praticar a virtude heróica no trono
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A Idade Média, tempo em que a filosofia do Evangelho governava os povos, deu frutos de santidade maiores do que em qualquer outra época. Para só falar no campo civil, vemos grandes santos desde o cimo da escala social até o mais baixo dela: imperadores, reis, duques e até pastores e empregadas domésticas.
São Ladislau, rei da Hungria, pertence ao número dos que praticaram no trono a virtude em grau heróico, sendo modelo para seus súbditos e para os fiéis em geral. Era filho do rei Bela e neto de um primo-irmão do rei Santo Estêvão, da Hungria. Nasceu em 1041 na Polónia, onde se havia refugiado seu pai para fugir das violências de Pedro, o Germânico, sucessor de Santo Estêvão. Sua mãe, filha do duque Mesco, deu profunda formação religiosa a ele e a seu irmão Geisa.
Morto Pedro, o Germânico, subiu ao trono da Hungria André, irmão mais velho de Bela e tio de Ladislau. Chamou-os novamente à corte, deu a Bela o título de duque e quis que seus dois sobrinhos fossem criados em seu palácio, à sua vista, pois não tinha herdeiros. Como já ocorrera na Polónia, logo a corte admirou as virtudes de Ladislau, jovem casto, sóbrio, humilde, afável com todos e de extrema caridade para com os pobres.
Ocorreu então que ao rei André nasceu um filho, Salomão, revogando ele o ato pelo qual havia designado Bela como seu sucessor. Bela não aceitou a medida e levantou-se em armas contra o irmão. André, ferido no combate, faleceu pouco depois, e Bela proclamou-se rei. Isso chocou muito a Ladislau, não só por ter sido seu pai responsável directo pela morte do tio, mas também porque julgava que o direito à sucessão pertencia a Salomão. Quando seu pai faleceu, trabalhou para que Salomão o sucedesse, o que ocorreu.
No trono, Salomão mostrou-se cruel e sanguinário, sendo deposto por Geisa, irmão de Ladislau, que foi proclamado rei. Mas Geisa faleceu apenas três anos depois, sem sucessor directo. Os prelados, a nobreza e os magistrados das principais cidades da Hungria, por unanimidade, escolheram-no para sucedê-lo, mas ele não queria aceitar a coroa em detrimento de Salomão, ainda vivo, por considerá-lo legítimo herdeiro do trono. Entretanto os húngaros mostraram-lhe que a sucessão no país não era hereditária, mas electiva, pelo que tinham direito de escolher aquele que julgassem mais apto para governar. Diante disso ele concordou, mas não quis ser coroado nem usar diadema enquanto Salomão vivesse.

Reinando por Nosso Senhor Jesus Cristo

Esse príncipe verdadeiramente cristão quis fazer Jesus Cristo reinar em seus estados. Sua primeira providência foi restituir à Religião seu primitivo esplendor, trabalhando também para extinguir os últimos restos de paganismo no país e fazer nele reinar a paz de Cristo. Para progresso e esplendor da verdadeira Religião, dedicou-se a reformar as igrejas deterioradas e a construir novas. Entre elas edificou a célebre basílica de Nossa Senhora de Waradin, que se tornou magnífico monumento de piedade mariana e de louvor à Virgem Mãe de Deus, de quem era fiel devoto.
Notável por sua bondade, justiça e caridade, Ladislau constituiu-se o sustentáculo dos órfãos, dos infelizes e de todos os aflitos. Mostrava em seus julgamentos tanta suavidade e desejo de ajudar, que era olhado mais como um pai que acomodava as diferenças dos filhos do que como juiz.
Em seu palácio não se ouviam imprecações, blasfémias nem palavras desonestas. Os jejuns eclesiásticos eram observados rigorosamente. Cada um procurava ser tão exímio em seu comportamento, que se diria terem alcançado a perfeição de um palácio real.
Ladislau convocou e presidiu uma assembleia entre os prelados e a nobreza, submetendo à sua deliberação uma série de ordenações de acordo com as peculiaridades de seu povo e a Lei Divina. Tais ordenações foram muito eficazes, mas o exemplo do rei era ainda mais cogente do que qualquer lei para manter os súbditos em seus deveres e na exemplaridade de vida. Ele somente ordenava aquilo que era o primeiro a cumprir, e sendo o mais fiel cumpridor dos mandamentos de Deus e da Igreja, tornou-se uma lei viva, que indicava a cada um o próprio dever.

Propõe-se a abdicar em favor do primo

Ladislau fez de tudo para conquistar para Deus seu primo Salomão. Concedeu-lhe uma pensão principesca para que vivesse de acordo com seu nascimento, e enviou várias vezes altos prelados e homens de Estado para tentar aplacá-lo. Ofereceu mesmo deixar-lhe o trono, se ele mudasse de vida. Salomão respondeu a isso com traições e ameaças à vida do santo, chegando a conjurar-se com os hunos para atacar o país. Derrotado, foi preso numa praça-forte.
Mas não por muito tempo. Quando Ladislau quis trasladar os restos de Santo Estêvão para um lugar mais digno e mandou exumá-los, os operários não conseguiam abrir o túmulo, por mais que tentassem. Uma santa religiosa declarou então ao rei que, segundo manifestação divina, a causa daquela dificuldade era a sua excessiva severidade contra Salomão, que desgostara grandemente ao Senhor. Ele acatou com humilde simplicidade a determinação divina e mandou libertar o prisioneiro, devolvendo-lhe todos os seus bens.
Salomão empenhou-se depois em várias guerras contra príncipes vizinhos, foi derrotado e forçado a fugir para uma espessa floresta, da qual não reapareceu. Historiadores dizem que, no isolamento, ele finalmente se arrependeu de seus desmandos. E, para fazer penitência, passou vários anos como solitário na floresta, onde morreu santamente, sendo enterrado em Póla, cidade da Ístria. Esse feliz resultado seria devido em grande parte às orações de São Ladislau, que não deixava de rezar por ele.

Valente na batalha, magnânimo na vitória

Embora fosse de índole pacífica, e talvez por causa disso, Ladislau teve que fazer face a vários inimigos que tentavam despojá-lo de seu trono. Procurava resolver os litígios por meios pacíficos, mas quando estes não surtiam efeito, saía destemidamente à frente de suas tropas. Assim, venceu os polacos, tomando-lhes de passagem Cracóvia, sua capital; expulsou os bárbaros da Dalmácia e os hunos, que assolavam a Hungria, obrigando-os a pedir paz. Conquistou também parte da Bulgária e da Rússia.
De estatura elevada e majestosa, nas guerras ele era o primeiro a cavalo. À testa do exército, cumpria as funções do mais intrépido capitão e bravo soldado. Naqueles tempos cavalheirescos, para poupar vidas humanas, ele desafiava os generais dos exércitos inimigos para combates singulares, nos quais saía sempre vencedor.
Antes de empreender qualquer expedição, ordenava orações públicas e três dias de jejum para o bom êxito da empresa. De sua parte, preparava-se também com o jejum e a recepção dos sacramentos, para que o Senhor dos Exércitos lhe fosse propício. Era tão valente no campo de batalha quanto magnânimo na vitória.

Libertar a Terra Santa do islamismo

O que sobretudo almejava esse destemido rei era conduzir um exército contra os infiéis, para retomar a Terra Santa. Assim, quando o bem-aventurado papa Urbano II pregou a Cruzada, quis ser dos primeiros soldados da cruz. E quando os reis da França, Espanha e Inglaterra — que também fariam parte da expedição — pediram a Ladislau que chefiasse a armada, aceitou muito contente e se preparou para a tarefa. Mas os planos de Deus eram outros. Houve uma insurreição entre os boémios, e ele foi forçado a pacificá-los. Caiu gravemente enfermo, e soube que seus dias estavam contados.
Tendo recebido com fé e alegria todos os socorros que a Santa Mãe Igreja tem para seus filhos em transe de morte, entregou sua bela alma a Deus no dia 30 de Julho de 1095.
Não houve na Hungria monarca mais pranteado que ele. Todos consideravam os 18 anos de seu reinado como uma bênção do Céu. Durante três dias a nação inteira levou luto pelo seu rei, privando-se de qualquer entretenimento. Os restos mortais foram levados em cortejo para a igreja de Nossa Senhora. Segundo os cronistas, foi mais um triunfo do que uma pompa fúnebre.
Foram tantos os milagres realizados por sua intercessão, que o Papa Celestino III o elevou à honra dos altares no ano de 1192. O culto a São Ladislau é muito popular na Hungria, onde é chamado São Lalo. É o patrono de grande número de igrejas, e seu nome é dado aos recém-nascidos com muita frequência, tanto lá quanto na Polónia. Costuma ser representado a cavalo, com um sabre numa das mãos e o terço na outra, pois era este o modo como comandava as batalhas.

Plínio Maria Solimeo

Obras consultadas:

Pe. Juan Croisset, S.J.,San Ladislao, Rey de Hungria, in Año Cristiano, Saturnino Calleja, Madri, 1901, tomo II, pp. 963 e ss.
Les Petits Bollandistes,Saint Ladislas, roi de Hongrie, in Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo VII, pp. 395 e ss.
Edelvives, San Ladislao I, in El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, Saragoça, 1947, tomo III, pp. 583 e ss.
Michael Bihl, St. Ladislaus, in The Catholic Encyclopedia, Online Edition Copyright © 2003 by Kevin Knight, www.NewAdvent.org.
Pe. Pedro de Ribadeneira, San Ladislao I, Rey de Hungria, in Flos Sanctorum, apud Dr. Eduardo Maria Vilarrasa, La Leyenda de Oro, L. Gonzalez y Cia., Barcelona, 1896, tomo II, p. 519.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

CIRILO DE ALEXANDRIA

Bispo, Padre e Doutor da Igreja, Santo
370-444

Cirilo nasceu no ano de 370, no Egipto. Era sobrinho de Teófilo, bispo de Alexandria, e substituiu o tio na importante diocese do Oriente de 412 até 444, quando faleceu aos setenta e quatro anos de idade.

Foram trinta e dois anos de episcopado, durante os quais exerceu forte liderança na Igreja, devido à rara associação de um acurado e profundo conhecimento teológico e de uma humildade e simplicidade próprias do pastor de almas. Deixou muitos escritos e firmou a posição da Igreja no Oriente. Primeiro, resolveu o problema com os judeus que habitavam a cidade: ou deixavam de atacar a religião católica ou deviam mudar-se da cidade. Depois, foi fechando as igrejas onde não se professava o verdadeiro cristianismo.

Mas sua grande obra foi mesmo a defesa do dogma de Maria, como a Mãe de Deus. Ele se opôs e combateu Nestório, patriarca de Constantinopla, que professava ser Maria apenas a mãe do homem Jesus e não de Um que é Deus, da Santíssima Trindade, como está no Evangelho. Por esse erro de pregação, Cirilo escreveu ao papa Celestino, o qual organizou vários sínodos e concílios, onde o tema foi exaustivamente discutido. Em todos, esse papa se fez representar por Cirilo.

O mais importante deles talvez tenha sido o Concilio de Éfeso, em 431, no qual se concluiu o assunto com a condenação dos erros de Nestório e a proclamação da maternidade divina de Nossa Senhora. Além, é claro, de considerar hereges os bispos que não aceitavam a santidade de Maria.

Logo em seguida, todos eles, ainda liderados por Nestório, que continuaram pregando a tal heresia, foram excomungados. Contudo as ideias “nestorianas” ainda tiveram seguidores, até pouco tempo atrás, no Oriente. Somente nos tempos modernos elas deixaram de existir e todos acabaram voltando para o seio da Igreja Católica e para os braços de sua eterna rainha: Maria, a Santíssima Mãe de Deus.

Cultuado na mesma data por toda a Igreja Católica, do Oriente e do Ocidente, são Cirilo de Alexandria, célebre Padre da Igreja, bispo e confessor, recebeu o título de doutor da Igreja treze séculos após sua morte, durante o pontificado do papa Leão XIII.

NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO

Histórico

Pouco se sabe a respeito da autoria artística do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, apesar de conhecidíssimo pelos católicos do mundo inteiro.  Segundo especialistas, há forte indício que o artista seja grego, pois as inscrições estão neste idioma. Esta pintura deve ter sido executada no período compreendido entre os séculos XIII e XIV.  A tradução das quatro letras gregas na parte superior da tela significam “Mãe de Deus”.  No quadro, o Menino Jesus, ao colo de Nossa Senhora contempla um dos anjos, que respectivamente seguram na mão instrumentos prefigurativos dos sofrimentos futuros, da paixão e morte do Salvador: lança, vara com a esponja, o cálice com fel, cruz e cravos. O quadro é composto de significativos detalhes. O Menino Jesus, amedrontado com a visão dos arcanjos Miguel e Gabriel segurando os referidos instrumentos, busca socorro no colo seguro da Mãe, já que uma das sandálias lhe resta ao pé esquerdo, dependurada só pelo cadarço.  Maria o acolhe maternalmente e nos fita com olhar terno, ao mesmo tempo triste, como sinal de apelo à humanidade pelos pecados, causa do sofrimento do seu Filho. A tradução das letras gregas acima do ombro Menino, significam “Jesus Cristo”. Segundo tradições orientais, o quadro, uma pintura em estilo bizantino, é uma reprodução de uma pintura feita por São Lucas, que além de escritor, era também pintor.

Conta-se que este quadro ficava exposto em um templo na Ilha de Creta, e que fora roubado por um negociante que pretendia levá-lo a Roma a fim de vendê-lo. Quando o navio saiu, uma tremenda tempestade formou-se, causando desespero na tripulação. Todos pediram socorro à Deus à Virgem, ocasião em que a tempestade dissipou-se. A embarcação acabou aportando na Itália, mais ou menos na mesma época em que Colombo trazia da América para a Europa a nau “Santa Maria”. O quadro milagroso de  Nossa Senhora foi transportado para a cidade de Roma.

Posteriormente, após a morte do ladrão, Maria manifestou-se a diversas pessoas, expressando  o desejo de que esse quadro fosse venerado na Igreja de São Mateus (hoje Igreja de Santo Afonso), em Roma, a qual está situada entre as Igrejas de Santa Maria Maior e São João de Latrão. Seu desejo não foi atendido e algum tempo depois, o quadro ficou em poder de uma mulher que tinha uma filha de 6 anos.

Certo dia, Maria apareceu à menina e lhe indicou um lugar, dizendo: "quero que o quadro seja colocado entre a minha querida Igreja de Santa Maria Maior e a do meu filho São João de Latrão". A própria Virgem Maria, nessa aparição,  foi quem deu à menina o título “Perpétuo Socorro" e lhe manifestou o desejo de ser invocada com este nome.  A menina contou o fato à sua mãe e esta resolveu seguir o indicado pela Virgem, entregando a imagem aos padres agostinianos, que  residiam na Igreja de São Mateus, onde foi exposta à veneração pública no dia 07 de março de 1499, numa solene procissão. Lá permaneceu por três séculos tornando-se centro de peregrinação católica.

No ano de 1778, por ocasião da guerra civil,  o venerável templo foi destruído, mas o quadro foi preservado e graças aos religiosos agostinianos, foi levado a salvo para o seu novo mosteiro, junto à Igreja  de Santa Maria in Posterula,  lado oposto da cidade.

O último membro da Congregação a fazer profissão religiosa no templo de São Mateus foi o frade Agostinho Orsetti.  Com idade avançada e sentindo a proximidade da morte, recebia as visitas de  um jovem amigo, Miguel Marchi, a quem lembrou por diversas vezes da Virgem do Perpétuo Socorro: “Não te esqueças, Miguel ― disse ele ―, que a imagem que está na capela é a mesma que foi por muito tempo venerada em São Mateus.  Quantos milagres sucederam!”. Mais tarde, quando o jovem já pertencia à Ordem dos Redentoristas, ouvindo que um confrade seu encontrara documentos preciosos,  relatou tudo o que ouvira do Frei Orsetti a respeito do quadro.
Passado algum tempo, o Papa Pio IX chamou para Roma os redentoristas, e nessa ocasião veio à tona a questão sobre a santa imagem. Os padres redentoristas solicitaram ao Papa que o quadro fosse colocado na Igreja de Santo Afonso, construída no mesmo lugar em que estivera a Igreja de São Mateus, ora destruída pela guerra.  Atendendo ao pedido, o Papa disse: “É a nossa vontade que a imagem da Santíssima Virgem volte para a Igreja localizada entre Santa Maria Maior e São João de Latrão”.  Ao mesmo tempo, deu ordem aos redentoristas que divulgassem a devoção ao mundo inteiro. No dia 26 de abril de 1866, a imagem foi solenemente levada em procissão para o local de sua escolha, a Igreja de Santo Afonso, grande apóstolo e defensor de Maria. A devoção hoje encontra-se presente no mundo inteiro e milhões de cópias foram reproduzidas em todo o globo.

JOSEMARIA ESCRIVA DE BALAGUER

Sacerdote, Fundador, Santo
1902-1975


Josemaría Escrivá de Balaguer nasceu em Barbastro, Huesca, na Espanha, no dia 9 de janeiro de 1902. Os pais, José e Dolores, tiveram seis filhos, sendo que as três meninas mais novas morreram ainda criança. Ocasal deu aos filhos uma profunda educação cristã.

Em 1915, a indústria de tecido do pai faliu e a família mudou-se para Logronho, onde havia mais trabalho. Nessa cidade, Josemaría reconheceu sua vocação religiosa. Intuiu que Deus desejava algo dele, depois de observar na neve algumas pegadas dos pés descalços de um frade. Em vez de ficar tentando descobrir o que ele lhe pedia, decidiu primeiro tornar-se sacerdote. Ingressou no seminário de Saragoça, onde também cursou direito como aluno voluntário. Seu pai morreu em 1924, e ele se viu como chefe de família. No ano seguinte, recebeu a ordenação sacerdotal e foi exercer o seu ministério numa paróquia rural e, depois, em Saragoça também.

Com autorização do seu bispo, em 1927 foi para Madri, com o objetivo de formar-se em direito. Um ano depois, durante um retiro espiritual, pediu a Deus para mostrar-lhe com clareza o que precisava ser feito e, assim, funda a Opus Dei, um caminho moderno de evangelização para a Igreja. Desde então, trabalhava na instituição, ao mesmo tempo que continuava exercendo o seu ministério, especialmente entre os pobres e doentes. Além disso, estudava na Universidade de Madrid e dava aulas para manter a família.

A missão da Opus Dei é a de promover entre os fiéis cristãos de qualquer condição social uma vida plenamente coerente com a fé no meio do mundo e contribuir, assim, para a evangelização de todos os ambientes da sociedade. Ou seja, difundir a mensagem de que todos os batizados estão chamados a procurar a santidade e a dar a conhecer o Evangelho, tal como recordou o Concílio Vaticano II.

Quando rebentou a Guerra Civil espanhola, e com ela a perseguição religiosa, ele exercitou o ministério na clandestinidade, até conseguir sair de Madri e fixar residência em Burgos. Acabada a guerra, em 1939, regressou a Madri e obteve o doutorado em direito. Nos anos que se seguiram, dirigiu numerosos retiros para leigos, sacerdotes e religiosos.

Em 1946, fixou residência em Roma, fazendo o doutorado em teologia pela Universidade Lateranense. É nomeado consultor de duas congregações da Cúria Romana, membro honorário da Academia Pontifícia de Teologia e prelado honorário do papa. De Roma desloca-se, em numerosas ocasiões, a diversos países da Europa, América Central e do Sul, a fim de impulsionar o estabelecimento e a consolidação da Opus Dei nessas regiões.

Josemaría morreu em consequência de uma parada cardíaca, no dia 26 de junho de 1975, em seu quarto de trabalho e aos pés de um quadro de Nossa Senhora, a quem lançou o seu último olhar. Todavia a Opus Dei já estava presente nos cinco continentes, contando com mais de sessenta mil membros de oitenta nacionalidades.

Foi Beatificado no dia 17 de maio de 1992 e foi canonizado em 6 de outubro de 2002 pelo papa João Paulo II na praça de São Pedro em Roma. A festa litúrgica de São Josemaría Escrivá de Balaguer é celebrada no dia 26 de junho. O seu corpo repousa na igreja prelatícia de Santa Maria da Paz, em Roma.