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segunda-feira, 11 de abril de 2011

ANTÓNIO NEYROT

Dominicano, Mártir, Beato
+ 1460

10 de Abril

António Neyrot nasceu em Rívoli, no Piemonte. Moço, deixou a terra natal e foi apresentar-se ao convento de São Marcos de Florença, então cedido aos irmãos pregadores de Fiesole, a pedido de Santo Antonino. Neyrot foi o derradeiro a receber o hábito e a professar no priorato de Antonino.

Inconstante, António, muitas vezes, abandonava-se aos voos da imaginação. Assim, sentiu desejos de passar à Sicília.

Embora Antonino lhe pedisse que não o fizesse, tendo-o mesmo ameaçado, António conseguiu autorização superior, e partiu. Tempos depois, de volta a Nápoles, foi feito prisioneiro por piratas, a meio caminho. Levado a Túnis com outros passageiros, prisioneiro, lembrou-se das predições de Antonino.

De ânimo mais ou menos exaltado, levou o cativeiro com grande impaciência. E a fé, a pouco e pouco, foi-se abatendo, abatendo, até que chegou ao ponto de renegar o Senhor Jesus Cristo, publicamente, e contratar um casamento sacrílego.

A Túnis, constantemente, chegavam mercadores vindos da Itália. E, um dia, um deles. António ficou sabendo que Antonino falecera. Foi um choque. E, sabedor dos grandes milagres que ocorriam à tumba do bispo amigo, profundamente abalado, conjurou o bem-aventurado a socorrê-lo.
Antonino apareceu-lhe, restituiu-lhe a perdida confiança, e António arrependeu-se das extravagâncias de há pouco. Para melhor reparar o mal, decidiu fazer a abjuração na presença das testemunhas mesmas da sua apostasia.

Mudado, todo dado, e com fervor, aos exercícios da piedade, penitente, o bem-aventurado, na presença do rei, com grande coragem, disse-lhe que cria em Jesus Cristo, e que detestava imensamente o crime que cometera. Convidando-o, brandamente, a voltar a Maomé, o rei viu, com surpresa, que a determinação do antigo cativo era inabalável. Preso, António, edificando os demais prisioneiros, tomava para si um único pedaço de pão e distribuía o resto entre os companheiros.

Dias mais tarde, levado à presença do juiz, este, inutilmente, tentou fazê-lo apostatar. Condenou-o então, à morte: teria os membros partidos e o corpo amassado.

Levado, sem tardança, ao lugar do suplício, António, ali, pediu aos carrascos, tirando o hábito, que tornara a envergar desde o aparecimento de Antonino:

— Guardai este hábito. Se vós o preservardes de toda a mancha, os cristãos vos recompensarão.

Em seguida, pedindo uns momentos para a última oração, ajoelhou-se e dirigiu-se a Deus, ardentemente. Como demorasse, a populaça, enraivecida e impaciente, lapidou-o. E, acendendo imensa fogueira, procuraram queimar-lhe o corpo, mas as chamas sobre ele não tiveram qualquer efeito.

Atirado, então, a uma fossa cheia de imundices, ali o deixaram. Os mercadores genoveses que com António se davam, recolheram-no, lavaram respeitosamente e o enviaram para Génova, para, naquela cidade, ser enterrado, o que se deu a 10 de Abril de 1460.

Inúmeros milagres foram, naquela oportunidade, operador pelo Senhor, que assim manifestava a glória do bem-aventurado servidor.

Amadeu IX, duque da Sabóia, transferiu-lhe o corpo para Rívoli. Clemente XIII aprovou-lhe o culto em 1766.
(Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume VI, p. 235 à 237)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

PEDRO DE VERONA

Dominicano, Mártir e Santo
1205-1252

6 de Abril

Pedro nasceu em Verona no ano de 1205. Seus pais eram hereges maniqueus, adeptos da doutrina religiosa herética do persa Mani, Manes ou Maniqueu, caracterizada pela concepção dualista do mundo, em que espírito e matéria representam, respectivamente, o bem e o mal.

Entretanto, o único colégio que havia no local era católico e lá o menino não só aprendeu as ciências da vida como os caminhos da alma. Pedro se converteu e se separou da família, indo para Bolonha para terminar os estudos. Ali acabava de ser fundada a Ordem dos Dominicanos, onde ele logo foi aceito, recebendo a missão de evangelizar. Foi o que fez, viajando por toda a Itália, espalhando suas palavras fortes e um discurso de fé que convertiam as massas. Todas as suas pregações eram acompanhadas de graças, que impressionavam toda comunidade por onde passava. E isso logo despertou a ira dos hereges.

Primeiro inventaram uma calúnia contra ele. Achando que aquilo era uma prova de Deus, Pedro não tentou provar inocência. Aguardou que Jesus achasse a hora certa de revelar a verdade. Foi afastado da pregação por um bom tempo, até que a mentira se desfez sozinha, e ele foi chamado de volta e aclamado pela comunidade.

Voltando às viagens evangelizadoras, seus inimigos o afrontaram de novo tentando provar que suas graças não passavam de um embuste. Um homem fingiu estar doente, e outro foi buscar Pedro. Este, percebendo logo o que se passava, rezou e pediu a Deus que, se o homem estivesse mesmo doente, ficasse curado. Mas, se a doença fosse falsa, então que ficasse doente de verdade. O maniqueu foi tomado por uma febre violentíssima, que só passou quando a armadilha foi confessada publicamente. Perdoado por Pedro, o homem se converteu na mesma hora. Pedro anunciou, ainda, não só o dia de sua morte, como as circunstâncias em que ela ocorreria. E, mesmo tendo esse conhecimento, não deixou de fazer a viagem que seria fatal.

No dia 29 de abril de 1252, indo da cidade de Como para Milão, foi morto com uma machadada por um maniqueu que o emboscou. O nome do assassino era Carin, que, mais tarde, confessou o crime e, cheio de remorso, se internou como penitente no convento dominicano de Forli.

Imediatamente, o seu culto se difundiu em meio a comoção e espanto dos fiéis, que passaram a visitar o seu túmulo, onde as graças aconteciam em profusão. Apenas onze meses depois, o papa Inocente IV canonizou-o, fixando a festa de são Pedro de Verona para o dia de sua morte.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

HENRIQUE SUSO

Religioso dominicano, Beato
1295-1366
25 de Janeiro
Henrique Suso nasceu na ilha de Constança, na Alemanha, no dia 21 de março de 1295, foi um dos principais representantes do movimento religioso, que floresceu na região do Reno, no início do século XIV. Religioso dominicano, escritor e místico, tornou-se um dos teólogos alemães mais conhecidos, pela característica da singular doçura de sua espiritualidade e pela clareza do conceito transmitido de que a vida interior é acessível a todas as almas seguidoras da Paixão de Jesus Cristo.
Seu pai era um rico comerciante, não muito religioso, da nobre dinastia dos Berg, e sua mãe, uma senhora muito pia, era da tradicional família cristã dos Suese ou Suso, forma latina do nome. Henrique preferiu manter o sobrenome da mãe. Desde a infância foi educado pelos dominicanos, demonstrando sua vocação religiosa já nesta época. Aos treze anos, ingressou como noviço no convento de São Nicolau, desta Ordem, em Constança, período em que desenvolveu muito, sua espiritualidade.
Aos dezasseis anos, viveu um período de fé incerta, o qual superou através da somatória das penitências rigorosas com as orações contemplativas. Dois anos depois, coroou sua completa conversão, marcando com ferro em brasa o nome de Jesus, no lado esquerdo do peito. Isto ocorreu, após uma experiência mística, na qual, viu um anjo unindo o seu coração ao do Cristo. A partir de então, seu zelo se traduziu numa entrega espiritual mais prudente; Deus o fez compreender que a melhor mortificação consistia em aceitar com resignação as provas enviadas por Ele.
No convento dominicano em Constança, fez os estudos preparatórios, filosóficos e teológicos. Depois foi enviado para o Colégio Geral de Estrasburgo e finalmente para a universidade de Colónia, completar seus estudos sob a orientação de Mestre Eckhart. Ao invés de uma carreira brilhante eclesiástica, preferiu retornar para Constança, em 1329, como professor de Teologia no colégio dos dominicanos. Ali, durante os sete anos seguintes, escreveu suas obras mais importantes: o Livro da Sabedoria Eterna e o Livro da Verdade. Narrou com simplicidade e clareza os mistérios da alma, que desvendava através dos seus colóquios íntimos com Cristo, veiculados pelas orações silenciosas e experiências contemplativas. Nos seus escritos refere-se a Deus numa linguagem próxima a do amor dos namorados, plena de sensualidade.
Em 1336, Henrique sentiu que era hora de partir para o apostolado peregrino. Viajou por toda Alemanha, passando pela Suíça e Países Baixos, tornando-se um incansável pregador itinerante do nome de Cristo. Durante quatro anos, até 1943 foi o director geral do convento alemão de Turgovia. Depois foi transferido para o de Ulm, no qual permaneceu até morrer, em 25 de fevereiro de 1366.
Ele não foi sepultado no cemitério comum aos padres dominicanos, mas na cripta da igreja daquele convento. Até o final de 1531, sobre a sua lápide ardia uma chama atestando o seu culto. Depois seus restos mortais foram destruídos pelos protestantes, mas a sua lembrança se manteve e foram muitos os Santos que se inspiraram no seu exemplo para a busca da espiritualidade. O Papa Gregório XVI, beatificou Henrique Suso em 1831.
Suas principais obras incluem sua autobiografia A Vida do Servo, O Livro da Eterna Sabedoria, e O Livro da Verdade. Ficou conhecido como o trovador entre os místicos germânicos por suas visões e descrições metafóricas.