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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

JOANA SODERINI

Religiosa, Beata
1301-1340

Veio ela ao mundo no ano 1301, numa das primeiras famílias de Florença. Nem bem sua razão começou a desabrochar, e já o seu maior prazer consistia em ouvir a narrativa dos mistérios da fé cristã, e em conversar sobre eles. Uma terna piedade lhe abrasava o coração.
A Santa Virgem merecia-lhe particular devoção; honrou-a desde os mais ternos anos; todos os dias entoava-lhe louvores e dirigia-lhe fervorosas preces. Tendo Joana chegado ao conhecimento, de maneira sobrenatural, de que a sua governanta, chamada Felícia Tónia, morreria dentro de pouco tempo, preveniu a moça, e esta, submetendo-se resignadamente à vontade de Deus, se ocupou em procurar uma pessoa prudente capaz de substituí-la junto à aluna. Nessa intenção indicou a ilustre Santa Juliana Falconieri. Muito repugnava aos pais de Joana a ideia de fazê-la ingressar num estabelecimento religioso, pois era a única filha do casal, e já cogitavam dá-la em casamento a um jovem florentino de classe igualmente elevada. Porém, quando a menina lhes contou que já escolhera Jesus Cristo para esposo, não ousaram opor-se ao desejo por ela manifestado. Apenas com doze anos de idade, a jovem serva de Deus colocou-se sob a disciplina de Santa Juliana e prazerosamente envergou o hábito religioso.
Sob a direcção de tão hábil mestre, não tardou em realizar grandes progressos nos caminhos da perfeição. Não satisfeita por haver renunciado ao mundo e a todas as vantagens temporais que nele poderia encontrar, desejou ligar-se a Deus por laços indissolúveis e pronunciou, diante do altar de Nossa Senhora da Anunciação, seu voto de castidade perpétua. Porém, persuadida de que essa virtude evangélica só através da mortificação e da prece perdura na alma, castigou o corpo durante a vida inteira com o jejum, as vigílias, o cilício, a disciplina, e várias outras austeridades. Possuía tão grande humildade que encontrava prazer em executar as tarefas mais grosseiras da casa e em prestar às suas irmãs os serviços mais abjectos. Sua doçura, sua bondade, a alegria simples e natural que acompanhava seus actos de caridade mereceram-lhe e conquistaram-lhe a afeição de todas suas companheiras.
O demónio, invejoso de tão alta pureza e virtude, envidou os maiores esforços para triunfar da serva de Deus: esta porém, cheia de confiança no auxílio do céu, resistiu tenazmente às mais difíceis e penosas tentações, suportou com paciência as mais mortificantes provações, e afinal saiu vitoriosa da luta que sustentara contra o inimigo. Para premiar a sua virtude, sem dúvida, o Senhor favoreceu-o com o dom da profecia. Joana fez várias predições, cuja veracidade foi comprovada pelos acontecimentos.
Tendo chegado o tempo em que a sua bem-aventurada directora, Santa Juliana Falconieri deixaria a terra para reunir-se ao celeste esposo, Joana prodigalizou-lhe os mais assíduos e os caridosos cuidados; recebeu, em 1340, o seu último suspiro e foi a primeira a ver a imagem do Salvador miraculosamente impressa, como um sinete, no peito daquela ilustre virgem. Comunicou o prodígio às irmãs, que não se fartaram de admirá-lo. De tal modo a impressionou aquele favor celestial que redobrou de fervor e empenhou-se, durante os vinte e seis anos que ainda viveu, em imitar todas as virtudes de que a Santa Juliana lhe dera tão belos exemplos. Enfim, rica de merecimento e gasta pelas mais rigorosas penitências, entregou pacificamente a alma ao Criador, no dia primeiro de Setembro de 1827. Seu corpo foi transportado para a Igreja da Anunciação, de Florença, assistida pelos servitas e bem depressa se tornou objecto de veneração pública. Em virtude da insistente solicitação do conde Lourenço Soderinim, patrício romano, e que pertencia à mesma família da santa religiosa o Papa Leão XII aprovou, no dia primeiro de Setembro de 1827, o culto imemorial da bem-aventurada Joana.
*****
(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XV, p. 363 à 365)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

TERESA MARIA DA CRUZ

Religiosa, Fundadora, Beata
(1846-1910)

23 de Abril

Teresa Adelaide Cesina Manetti nasceu numa família humilde em San Martino, em Campo Bisenzio (Florença, Itália), em 2 de Março de 1846.
Chamavam-na familiarmente “Bettina”. Ficou órfã de pai muito cedo e logo conheceu a dureza da vida. Apesar disso, ajudava os pobres, privando-se até do que lhe era mais necessário.
Em 1872, juntamente com algumas amigas, retirou-se numa casinha no campo onde “oravam, trabalhavam e reuniam algumas jovens para educá-las com boas leituras e ensinar-lhes a doutrina cristã”.
Em 16 de Julho de 1876, foram admitidas na Ordem Terceira do Carmelo Teresiano, e mudou o seu nome para Teresa Maria da Cruz.
Em 1877, recebeu as primeiras órfãs, cujo número foi crescendo dia a dia. Aquelas meninas abandonadas eram o seu “maior tesouro”.
Em 12 de Julho de 1888, as 27 primeiras religiosas vestiram o hábito da Ordem das Carmelitas Descalças, às quais se haviam juntado em 12 de Junho de 1885.
Em 27 de Fevereiro de 1904, o Papa Pio X aprovou o Instituto de nome “Carmelitas Terceiras de Santa Teresa”.
Madre Teresa Maria viu, com grande alegria, o Instituto estender-se até à Síria e ao Monte Carmelo, na Palestina. A sua saúde sempre foi muito frágil, e também foi duramente provada em seu espírito; por isso, o sobrenome “da Cruz” lhe assentava muito bem. Subiu corajosamente até o seu “Calvário” e, frequentemente, dizia: “Tritura-me, Senhor, espreme-me até a última gota!”
A sua caridade não tinha limites. Entregava-se a todos e em tudo, esquecendo-se sempre de si mesma. O bispo Andrés Casullo, que a conhecia muito bem, afirmava a seu respeito: “Ela deixava de viver a própria vida para fazer o bem.”
Depois de passar por noites escuríssimas, Madre Teresa, preparada pela graça de Deus, recebeu a morte na sua terra natal, em 3 de Abril de 1910, enquanto repetia uma vez mais: “Ó meu Jesus, eu quero sofrer mais...” E murmurava em êxtase: “Está aberto!... Já vou!”
Os seus escritos, ao mesmo tempo simples e profundos, foram aprovados em 27 de Novembro de 1937. O Papa João Paulo II beatificou-a em 19 de Outubro de 1986.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

ANTÓNIO NEYROT

Dominicano, Mártir, Beato
+ 1460

10 de Abril

António Neyrot nasceu em Rívoli, no Piemonte. Moço, deixou a terra natal e foi apresentar-se ao convento de São Marcos de Florença, então cedido aos irmãos pregadores de Fiesole, a pedido de Santo Antonino. Neyrot foi o derradeiro a receber o hábito e a professar no priorato de Antonino.

Inconstante, António, muitas vezes, abandonava-se aos voos da imaginação. Assim, sentiu desejos de passar à Sicília.

Embora Antonino lhe pedisse que não o fizesse, tendo-o mesmo ameaçado, António conseguiu autorização superior, e partiu. Tempos depois, de volta a Nápoles, foi feito prisioneiro por piratas, a meio caminho. Levado a Túnis com outros passageiros, prisioneiro, lembrou-se das predições de Antonino.

De ânimo mais ou menos exaltado, levou o cativeiro com grande impaciência. E a fé, a pouco e pouco, foi-se abatendo, abatendo, até que chegou ao ponto de renegar o Senhor Jesus Cristo, publicamente, e contratar um casamento sacrílego.

A Túnis, constantemente, chegavam mercadores vindos da Itália. E, um dia, um deles. António ficou sabendo que Antonino falecera. Foi um choque. E, sabedor dos grandes milagres que ocorriam à tumba do bispo amigo, profundamente abalado, conjurou o bem-aventurado a socorrê-lo.
Antonino apareceu-lhe, restituiu-lhe a perdida confiança, e António arrependeu-se das extravagâncias de há pouco. Para melhor reparar o mal, decidiu fazer a abjuração na presença das testemunhas mesmas da sua apostasia.

Mudado, todo dado, e com fervor, aos exercícios da piedade, penitente, o bem-aventurado, na presença do rei, com grande coragem, disse-lhe que cria em Jesus Cristo, e que detestava imensamente o crime que cometera. Convidando-o, brandamente, a voltar a Maomé, o rei viu, com surpresa, que a determinação do antigo cativo era inabalável. Preso, António, edificando os demais prisioneiros, tomava para si um único pedaço de pão e distribuía o resto entre os companheiros.

Dias mais tarde, levado à presença do juiz, este, inutilmente, tentou fazê-lo apostatar. Condenou-o então, à morte: teria os membros partidos e o corpo amassado.

Levado, sem tardança, ao lugar do suplício, António, ali, pediu aos carrascos, tirando o hábito, que tornara a envergar desde o aparecimento de Antonino:

— Guardai este hábito. Se vós o preservardes de toda a mancha, os cristãos vos recompensarão.

Em seguida, pedindo uns momentos para a última oração, ajoelhou-se e dirigiu-se a Deus, ardentemente. Como demorasse, a populaça, enraivecida e impaciente, lapidou-o. E, acendendo imensa fogueira, procuraram queimar-lhe o corpo, mas as chamas sobre ele não tiveram qualquer efeito.

Atirado, então, a uma fossa cheia de imundices, ali o deixaram. Os mercadores genoveses que com António se davam, recolheram-no, lavaram respeitosamente e o enviaram para Génova, para, naquela cidade, ser enterrado, o que se deu a 10 de Abril de 1460.

Inúmeros milagres foram, naquela oportunidade, operador pelo Senhor, que assim manifestava a glória do bem-aventurado servidor.

Amadeu IX, duque da Sabóia, transferiu-lhe o corpo para Rívoli. Clemente XIII aprovou-lhe o culto em 1766.
(Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume VI, p. 235 à 237)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

FRA ANGÉLICO

João de FiesoleReligioso dominicano, Pintor, Beato
1387-1455

18 de Fevereiro

Guido de Pietro, nasceu em 1387, na cidade de Mugelo, na Toscana, Itália. Até o final da juventude foi pintor de quadros na cidade de Florença, quando se decidiu pela vocação religiosa. Em 1417, ingressou na congregação de São Nicolau, onde permaneceu por três anos. Depois, junto com seu irmão Bento, foi para o convento dominicano de Fiesole, no qual se ordenou sacerdote adoptando o nome de João.
A acção dos seus dons de santo e de artista, se desenvolveu de forma esplêndida no clima de alta perfeição espiritual e intelectual, encontrado no convento. Assim pode fazer da pintura a sua principal obra evangelizadora, ao se tornar um Frade Predicador desta Ordem. Pela singeleza e genialidade de sua figura passou a ser chamado de "Beato Angélico" ou "Fra Angélico", nome que ficou impresso inclusive no mundo das artes.
Este frade-pintor foi um dom magnífico feito por Deus para a Ordem, pois deu também um imenso auxílio financeiro aos co-irmãos, porque, obedecendo ao voto de pobreza, destinou à Ordem todos os seus ganhos como artista, que eram tão expressivos quanto a sua genialidade. A santa austeridade, os estudos profundos, a perene elevação da alma a Deus, mediante as orações contemplativas, apuraram o seu espírito e lhe abriram horizontes ocultos. Com este preparo e com seus mágicos pincéis, pode proporcionar a todos o fruto da própria contemplação, representando o mais sagrado dos poemas, a divina redenção humana pela Paixão de Jesus Cristo. As suas pinturas são uma oração que ressoa através dos séculos. Esta alma de uma simplicidade evangélica, soube viver com o coração no céu, se consagrando num incessante trabalho.
Entre 1425 e1438, viveu retirado, onde retomou o trabalho pintando os frescos de quase todos os altares da igreja do convento de Fiesole. Depois foi a vez do convento de São Marcos, em Florença, onde deixou suas obras impressas nos corredores, celas, bibliotecas, claustros, ao longo de seis anos. A partir de 1445 foi para Roma, onde trabalhou para dois papas: Eugénio IV e Nicolau V. Este último, tentou consagrá-lo bispo de Florença, mas Fra Angélico recusou com firmeza, indicando outro irmão dominicano.
Retornou para o convento de Fiesole, cinco anos depois, no qual foi eleito o director geral. Ali trabalhou com seu irmão Bento, que nomeou inicialmente como seu secretário e depois conseguiu que fosse eleito seu sucessor, em 1452. Frei João de Fiesole, voltou para Roma, onde morreu no dia 18 de fevereiro de 1455.
Fra Angélico, que nunca executou uma obra, sem antes rezar uma oração, foi beatificado pelo papa João Paulo II em 1982, que indicou sua festa litúrgica para o dia de sua morte. Até porque, muito antes, a sua sepultura no convento de Santa Maria sobre Minerva se tornara o local escolhido pelos peregrinos que desejavam prestar-lhe culto, não tanto devido à sua genialidade artística, que podia ser apreciada nos museus do mundo, como por seu carácter sincero carregado de profunda santidade. Dois anos depois, o mesmo pontífice o declarou "Padroeiro Universal dos Artistas", uma honra pela sua obra evangelizadora que promoveu a arte sacra através dos séculos.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CATARINA DE RICI

Dominicana, Mística, Santa
+ 1590

2 de Fevereiro

Santa Catarina, uma das maiores Santas da idade média, nasceu em Florença, de família ilustríssima. Deus infundira no coração da criança um grande amor a oração e outras práticas de piedade, amor este que a levou ao desprezo de tudo que é do mundo. Com sete anos de idade foi confiada às religiosas do convento de Monticelli. Uma vez em contacto íntimo com a vida religiosa, tanto se lhe afeiçoou, que, mais tarde, quando teve de voltar ao lar paterno, no meio dos trabalhos domésticos conservou os costumes do convento.
Bem a contragosto da jovem, o pai tratou de ligá-la pelos laços matrimoniais a um moço distinto de suas relações. Tantas foram as insistências da filha, que afinal desistiram do plano, consentindo que tomasse o hábito da Ordem dominicana, no convento de Prado, na Toscana. Catarina tinha apenas catorze anos.
Tendo operado a separação definitiva do mundo, Catarina não só sentiu a alma invadida da mais pura alegria, como tratou, desde o primeiro instante, de adquirir as virtudes de religiosa perfeita. A bula da canonização confirma que sua vida no noviciado foi de uma santidade angélica. Admirável era sua humildade, que a fazia não recuar diante dos trabalhos mais humildes de casa, ficando-lhe o espírito sempre unido a Deus. Tendo apenas 25 anos de idade, foi eleita superiora, cargo que ocupou até a morte, contribuindo assim para maior satisfação das Irmãs, para as quais era uma verdadeira mãe. Governava pelo bom exemplo na prática de todas as virtudes, conseguindo assim que na comunidade reinasse sempre óptimo espírito, e as religiosas se esforçavam a seguir o exemplo da superiora.
Tomara para exemplo o modelo Jesus Crucificado, a quem dedicava o mais terno amor. A Sagrada Paixão e Morte de Jesus estava-lhe sempre  diante dos olhos, e os lábios pronunciavam-lhe constantemente jaculatórias e saudações ao bem amado na Cruz, cuja meditação era, por assim dizer, o pão de cada dia da Santa. O maior desejo consistia-lhe em poder participar dos sofrimentos de Jesus Cristo e sentir no corpo o que Ele sentiu nas três horas de agonia.
Sempre  que nas quintas-feiras de tarde começava a meditação da Sagrada Paixão e Morte de Jesus, entrava em êxtase, permanecendo neste estado até o dia seguinte. Era nestas ocasiões que sua alma via a Sagrada Paixão e Morte de Jesus em todos os pormenores, tomando parte mais ou menos activa no grande sofrimento do divino Mestre. Além destes sofrimentos místicos, Deus mandou-lhes outros em forma de doenças graves e dolorosas. Em vez de lhe diminuírem a fé, aumentavam-na, e na santa Comunhão encontrava a graça e força divinas, para levar a cruz com merecimento.
As Irmãs observaram muitas vezes que Catarina, tendo recebido a santa Comunhão, parecia rodeada de luz celestial, e o corpo elevava-se acima do leito. Inimiga do próprio corpo, castigava-o com duras mortificações, quanto às Irmãs dedicava as maiores atenções, vendo-as sofrer qualquer coisa. Durante 48 anos não se alimentava senão de pão e água concedendo ao corpo um repouso nocturno de três horas apenas. Tanto mais é para admirar este espírito de penitência, sabendo-se que a santa nunca cometera um  pecado mortal.
Grandes e extraordinárias foram também as graças, de que Deus cumulou sua serva. Catarina possuía o dom da profecia, do conhecimento de coisas ocultas, da cura de doenças e da multiplicação de mantimentos em favor dos pobres.
Maria Santíssima dignou-se de aparecer à serva de Deus e reclinou-lhe nos braços o Menino Jesus Cristo, que a consolava com dulcíssimos colóquios, e lhe imprimiu os sinais das chagas nas mãos, nos pés e no lado. Célebre é a visão de Jesus Cristo Crucificado, o qual desprendeu a mão da Cruz e a abraçou ternamente.
Em outra visão lhe ofereceu um anel, em sinal de sua união mística. ( O Papa Bento XIV menciona na bula de canonização todos estes fatos extraordinários. O sábio e esclarecido Papa não o teria feito, se, após sério estudo, não tivesse certeza da autenticidade dos mesmos). Catarina, porém, permaneceu humilde, procurando ocultar perante os homens todas as provas de predilecção divina.
Tendo tido notícia de que uma das Irmãs havia tomado nota do que de extraordinário e louvável lhe ocorrera na vida, deu ordem para que tudo fosse entregue às chamas. Contudo não lhe era possível impedir que a fama de sua santidade se divulgasse dia por dia. De toda a parte vinham pessoas, entre as quais algumas de alta colocação social e política, ouvir seus conselhos e pedir-lhe intercessão junto a Deus. Sendo-lhe insuportável isto, pediu a Deus que restringisse os benefícios ou, que pelo menos não os manifestasse aos homens. Também este pedido teve acolhimento. Deus permitiu que a fama se transformasse em desprezo, e que Catarina por muitos fosse taxada de impostora e hipócrita. Esta provação Catarina a suportou com maior indiferença e uma paciência admirável. Conhecedores da vida religiosa dizem que a santidade de Catarina mais se manifestou e brilhou nos dias tristíssimos da difamação e calúnia, do que na época das profecias e grandes milagres. São Felipe Neri, contemporâneo de Catarina, tinha em grande consideração a serva de Deus, com a qual mantinha viva correspondência. Ele mesmo diz que, por uma graça excepcional de Deus, teve a visão da Santa, com a qual se deteve demoradamente.
Pelo fim da vida, Catarina foi acometida de doenças gravíssimas e dolorosas. Se a Sagrada Paixão e Morte de Jesus lhe era sempre a meditação predilecta, muito mais no momento em que a alma se lhe preparava para as núpcias eternas. Com muita devoção recebeu os últimos Sacramentos, segurando sempre nas mãos a imagem do Crucifixo. Na hora da morte abriu os braços em cruz, e nesta posição entregou o espírito a Deus. As Irmãs que se achavam presentes, ouviram distintamente uma música de harmonias celestiais e Santa Madalena de Pazi, que se achava em Florença, viu numa visão a alma de Catarina fazer a entrada triunfal no céu, acompanhada de grande multidão de Anjos.
Catarina morreu aos 11 de fevereiro de 1590, tendo sido canonizada em 1746, pontificado de Bento XIV.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

VILENA DE BOTIS

Mãe, Terceira, Beata
1332-1361

Vilena de Botis nasceu em Florença, na Itália, em 1332 no seio de uma família cujo pai era um rico comerciante; ela foi contemporânea de Santa Catarina de Sena.
Desde a sua tenra idade ela sentiu-se atraída pelo silêncio dos claustros, mas seu pai forçou-a a desposar, em 1351, quando ela tinha 29 anos de idade, Rosso Benintendi. A tímida donzela não ousou opor-se à vontade paterna e encontrou-se assim levada pelo turbilhão das festas mundanas que muito depressa seduziram o seu coração simples e inexperiente às coisas da vida. Mas Deus, que é um eterno amoroso das almas puras e simples, queria e tinha escolhido esta alma desde a sua tenra infância, interveio de maneira insólita.
Ao cair de uma certa noite, Vilana dum sumptuoso espelho, querendo admirar a sua esplêndida cabeleira, procurou em vão encontrar o seu rosto no espelho, mas nele ela só encontrou diante dela uma espécie de monstro que a intimidava. Mas não foi ilusão, como ao princípio ela pensou, porque todos os outros espelhos da casa mostravam, quando ela deles se aproximava, a mesma imagem horrorosa. Foi o suficiente para que ela compreendesse e, imediatamente tomasse a importante decisão de entrar no convento das dominicanas de Santa Maria a Nova e, aos pés do confessor, banhada em lágrimas, libertou o seu coração, encontrando assim o perfume encantador da sua alma de criança. Depois, como se quisesse colocar um selo indelével nas suas boas resoluções, ela vestiu o hábito da Terceira Ordem Dominicana e retomou uma vida toda voltada para o Senhor e cheia de um santo fervor. A partir desse momento, uma verdadeira chama de caridade a consumia literalmente e foi também a partir dessa ocasião que ela recebeu insignes favores do Senhor que então podia dizer como e Esposo do Cântico dos Cânticos: “Tu és bela, minha querida, tu és formosa! Por detrás do teu véu os teus olhos são como pombas” (Ct. 4, 1).
Como sempre, Deus lhe reservava, para a purificar, diversas e peníveis provas que ela aceitava com uma grande humildade, porque agora ela queria, do mais profundo do seu coração, assemelhar-se a Jesus Crucificado. Ela tinha compreendido muito bem o conselho de Jesus: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc. 9, 23).
Por amor a Jesus, ela socorreu os pobres, tal como só uma mãe sabe fazê-lo, sem no entanto esquecer os seus deveres familiares, dando assim um excelente exemplo de mãe cristã. Agora, também ela podia exclamar como a Esposa do Cântico: “Vou levantar-me e percorrer a cidade, as ruas e as praças, em busca daquele que meu coração ama” (Ct. 3, 2).
No dia 29 de Janeiro de 1361, no seu leito de morte, ela desejou revestir-se do hábito branco das Dominicanas e, enquanto era recitada a Paixão do Senhor, ela entregou a sua bela alma a Deus, no memento mesmo em que o leitor lia esta frase do Evangelho: “Entre a tuas mãos eu entrego o meu espírito” (Lc. 23, 45).
O seu corpo repousa na Basílica de Santa Maria a nova, num sarcófago de mármore, obre do escultor Bernardo Rossellino.
O Papa Leão XII confirmou o seu culto a 27 de Março de 1824.