Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Luísa Trichet. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Luísa Trichet. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 6 de maio de 2011

LUIS MARIA GRIGNION DE MONTFORT

Doutor da Devoção Mariana, Fundador, Santo
1673-1716

28 de Abril

Um dos missionários da devoção mariana mais conhecidos, incansável pregador da sagrada escravidão de amor a Maria Santíssima, apóstolo da Contra-Revolução
*****
Segundo dos 18 filhos do advogado João Batista e de Joana Roberto de la Vizeule, Luís Grignion nasceu em 3 de janeiro de 1673, em Montfort-la-Cane (hoje Montfort-sur-Meu), na Bretanha. Por devoção a Nossa Senhora, no crisma acrescentou ao seu nome o de Maria.
Luís herdou do pai um temperamento colérico e arrebatado, e dirá depois que "custava-lhe mais vencer sua veemência e a paixão da cólera que todas as demais juntas". Mas conseguiu-o tão bem, que um sacerdote seu companheiro, nos últimos anos de sua vida, atesta que: "Realizou esforços incríveis para vencer sua natural veemência; e o conseguiu, e adquiriu a encantadora virtude da doçura" [1], que atraía tanto as multidões.
O pequeno Luís Grignion de Montfort sentia também muito pendor pela solidão, sendo comum retirar-se a um canto da casa para entregar-se à oração diante de uma imagem da Virgem, rezando principalmente o Rosário.
Em 1684 os pais o enviaram a estudar humanidades como externo no Colégio Tomás Becket, dos jesuítas de Rennes. Ali passará ele oito anos, com muito bom aproveitamento.
Todos os dias, antes de ir para o colégio, ele passava em alguma igreja para fazer uma visita ao Santíssimo Sacramento e a alguma imagem de Nossa Senhora. Muitas vezes, antes de voltar para casa, fazia o mesmo.

Amor pelos pobres e vocação sacerdotal

Cresceu nele um desejo inato de ajudar o próximo. Como diz um seu biógrafo, "seu bom coração, cheio de misericórdia e de compaixão para com o próximo, o levava a ocupar-se em amparar os escolares pobres que estudavam com ele no colégio. Não os podendo socorrer com seus próprios recursos, ia solicitar para eles esmolas junto às pessoas caridosas" [2].
Foi isso que o levou a frequentar um grupo de jovens reunidos por um sacerdote, o Padre Bellier, aos quais este fazia palestras sobre temas piedosos, e os enviava depois aos hospitais para consolar e instruir os pobres. Era junto destes que o adolescente Luís passava parte de seus dias de folga.
Concluídos os estudos, decidiu tornar-se sacerdote, dirigindo-se então a Paris. Fez a longa viagem a pé, pedindo de esmola alojamento e comida.
Uma benfeitora obteve para ele que entrasse no célebre seminário de Saint Sulpice. Depois de muitas vicissitudes, foi ordenado sacerdote em 1700.

Intensa luta contra os jansenistas

Durante cinco anos não contínuos, o Padre de Montfort ― como era conhecido ― trabalhou na diocese de Poitiers, seja como capelão do Hospital Geral, seja pregando missões nos arrabaldes da cidade, combatendo as blasfémias, canções obscenas e embriaguezes. No Hospital Geral veio-lhe a ideia de formar uma associação de donzelas, que "dedicou à Sabedoria do Verbo Encarnado, para confundir a falsa sabedoria das pessoas do mundo e estabelecer entre elas a loucura do Evangelho" [3]. Seleccionou para isso 12 das jovens pobres mais fervorosas, elegendo como sua superiora uma cega. Mais tarde associou a esse grupo duas jovens da boa burguesia, a futura beata Maria Luísa Trichet e Catarina Brunet. "A sabedoria que preconiza Montfort se inspira, de um lado, na segunda carta de São Paulo aos Coríntios: a cruz, escândalo e loucura para tantos sábios, mas sabedoria de Deus, misteriosa e escondida" [4].
Entretanto os infeccionados pela heresia jansenista ― essa espécie de protestantismo disfarçado ―, junto com os livres pensadores, começaram uma campanha de calúnia contra esse missionário "extravagante", que pregava uma "devoção exagerada" à Mãe de Deus. Ele precisou dissolver sua associação da Sabedoria e retirar-se do Hospital, apesar dos protestos veementes dos pobres e dos enfermos.
O Padre de Montfort aproveitou essa ocasião para fazer uma peregrinação a Roma. Na Cidade Eterna, pô-se à disposição do Sumo Pontífice para trabalhar pela salvação das almas em qualquer parte onde este o quisesse enviar. Clemente XI julgou que o missionário seria mais útil em sua própria pátria, ensinando a doutrina cristã às crianças e ao povo e fazendo reflorescer o espírito do cristianismo pela renovação das promessas do baptismo. O Papa nomeou-o Missionário Apostólico. Mas estava ele sob a dependência dos bispos, muitos dos quais de tendência jansenista.

Missionário Apostólico em Nantes

Voltando à França, passou a trabalhar com o Padre Leuduger, que tinha um grupo de missionários dedicados totalmente à evangelização do campo. Foi uma nova experiência para o Padre Montfort, pois constatou a importância do canto e das grandes procissões nos esforços missionários. Ele escreverá várias dezenas de cantos populares, cujas letras se adaptavam a melodias profanas, muito em voga então.
Seis meses depois, vemo-lo em sua cidade natal, evangelizando a região, tendo associado a si dois leigos, um dos quais será o Irmão Maturin Rangeard, que continuará por 55 anos evangelizando como missionário leigo.
Mas esta actividade foi também proibida a Luís Grignion pelo bispo de Saint Malo, por influência dos jansenistas.
Em Nantes ele obteve o cargo de director das missões de toda a diocese, tendo ali trabalhado durante dois anos. Dessa época temos o seguinte depoimento de um seu contemporâneo: "O que mais se destacava nele era um dom e uma graça singular para ganhar os corações. Tendo-o ouvido, punha-se nele toda confiança. [...] A confiança pronta e fácil que as pessoas tinham nele era tão grande, que conseguiu estabelecer em várias paróquias as orações da noite, o rosário e a sepultura nos cemitérios [contra o costume de se enterrar nas igrejas]; o que não se tinha podido conseguir, [...] ele o conseguiu na primeira proposta que fez" [5].

A construção do Calvário de Pontchâteau

Numa missão em Pontchâteau, o Padre de Montfort entusiasmou-se com a ideia de erigir um grande calvário em uma colina próxima, e seu entusiasmo contagiou o povo. Durante 15 meses, de 400 a 500 pessoas de todas as idades e condições sociais trabalharam diariamente para aplainar o terreno e montar o calvário. O Padre de Montfort estava exultante. Tinha já conseguido do bispo de Nantes a autorização para benzê-lo, e estava tudo preparado para o dia 14 de setembro, festa da Exaltação da Santa Cruz. Mas, à véspera desse dia, chegou uma proibição formal do bispo de se proceder à cerimónia. O assunto levantou polémica e chegou até Versalhes, onde, mal informado, o rei Luís XIV ordenou que demolissem aquilo que lhe apresentavam como uma fortaleza facilmente conquistável pelo inimigo vindo do mar...
Em seguida veio a proibição de pregar naquela diocese.
Por sua devoção ao Rosário, o Padre de Montfort entrou para a Ordem Terceira de São Domingos, querendo pertencer a uma Ordem que honrava de maneira tão especial a Santíssima Virgem.
Recusado e até expulso de várias dioceses ― uma vez lhe foi interditado até celebrar, tendo ele que partir imediatamente para chegar em tempo à diocese vizinha, a fim de rezar a Missa na festa da Assunção ―, soube o missionário que seria bem recebido nas dioceses de Luçon e de La Rochelle, cujos bispos eram meritoriamente anti-jansenistas.
Essas duas dioceses compreendiam uma parte da região da Vandeia, que mais tarde, em 1793, levantar-se-ia contra a sangrenta e atéia Revolução Francesa. Foi na Vandeia que o Padre de Montfort trabalhou durante os últimos cinco anos de sua vida, implantando naquelas populações uma sólida formação católica. Esta foi, décadas mais tarde, um decisivo fator para a gloriosa e épica Guerra da Vandeia, contra os ímpios revolucionários de 1789.

Carta Circular aos Amigos da Cruz

Nessa região, após as missões, fundava ele associações sob o nome de Irmãos e Irmãs da Cruz, para quem escreveu sua belíssima Carta Circular aos Amigos da Cruz.
Na cidade de La Rochelle, onde ainda pairavam os erros dos calvinistas, ele pregou sucessivamente para pobres, soldados, mulheres e homens. Operou várias conversões, principalmente pelo ministério da confissão, inclusive a de uma dama de qualidade que fez sua retractação pública, para edificação dos católicos e horror dos protestantes.
Em 1714 ergueu os alicerces da futura congregação de missionários, a Companhia de Maria.
O Padre Grignion de Montfort pregava uma missão em Saint Laurent-sur-Sèvre, quando foi acometido por uma pleurisia que o levou ao túmulo, no dia 28 de abril de 1716.

São Luís Grignion e a Contra-Revolução

São Luís Maria Grignion de Montfort pode ser considerado um apóstolo da Contra-Revolução. Seus livros e escritos inspiraram grandes vultos católicos no século XX, sobressaindo entre eles o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, grande devoto do admirável doutor mariano e especial difusor de sua doutrina.
O livro Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem orientou e conduziu no caminho da perfeição muitas almas em todo o mundo. "A originalidade maior de Montfort consiste, provavelmente, em ter descoberto Maria como garantia de fidelidade, no sentido de levar o cristão a libertar-se do apego imperceptível que se esconde em suas melhores acções. Desapego que consiste, provavelmente, na essência mesma da consagração em forma de escravidão" [6].
Plínio Maria Solimeo


[1] Padre Louis Perouas, San Luis María Grignion de Montfort, Obras, Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid, 1984, Introdução, pp. 5 e 22.
[2] Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d'après le Père Giry, Paris, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, 1882, tomo XV, p. 320.
[3] Padre Louis Perouas, op. cit., p. 11.
[4] Id. ib. p. 12.
[5] Padre Coupperie des Jonchères, in Louis Perouas, op. cit., p. 16.
[6] Louis Perouas, op. cit., p. 35.
Obras também consultadas: Francesco Pappalardo, San Luigi Maria Grignion da Montfort (1673-1716), http://www.alleanzacattolica.org.; Austin Poulain, St. Louis-Marie Grignion de Montfort, The Catholic Encyclopedia, Volume IX, 1910, by Robert Appleton Company, Online Edition, Copyright © 2003 by Kevin Knight.

MARIA LUISA TRICHET

Religiosa, Co-fundadora de Congregação, Beata

(1684-1759)

28 de Abril

Maria Luísa Trichet (ou Maria Luísa de Jesus), com São Luís Maria Grignion de Montfort, é a co-fundadora da Congregação das religiosas chamadas “Filhas da Sabedoria”.
Nasceu em Poitiers (França), no dia 07 de maio de 1684, tendo sido batizada no mesmo dia.  Filha de uma família de oito filhos, recebeu sólida educação cristã, tanto no seio da família, quanto na escola. Aos 17 anos, encontrou-se pela primeira vez com São Luís Maria Grignion de Montfort, que acabara de ser nomeado como capelão do hospital de Poitiers. Sua fama de pregador e de confessor já era notável entre a juventude daquela região.
Espontaneamente, Maria Luísa ofereceu seus serviços ao hospital. Ela consagra uma boa parte de seu tempo aos pobres e aos enfermos. Diante da sua dedicação, São Luís prontamente pediu-lhe para que ali permanecesse. A este convite, Maria Luísa respondeu com sua entrega total. Mesmo não havendo vaga para o cargo de governanta, aceitou ser admitida somente como simples colaboradora.
“Você voltará louca como este sacerdote”, lhe havia dito a sua mãe. “Que ideia, quando se é bela, jovem e de boa família, vestir um hábito cinza (2 de fevereiro de 1703) e passar seu tempo a cuidar de vagabundos, enfermos e empestados! Que loucura seguir este sacerdote louco!”
Durante dez anos, Maria Luísa desempenhou com a maior perfeição possível seu humilde serviço de cuidar dos inválidos. Nesta época, São Luís havia deixado Poitiers e Maria Luísa permaneceu à frente dos serviços.
A célebre cruz que Montfort havia deixado está colocada no centro do hospital. Maria Luísa leva uma cruz sobre sua túnica cinza, porém, de todo o coração. Com efeito, continua a realizar seu árduo trabalho de cada dia, enfrentando grandes dificuldades devido à diminuição do número de companheiras, além de sofrer duras perdas: a morte de suas irmãs e de seu irmão, jovem sacerdote morto por causa da peste, vitimado pela sua extrema abnegação.
Nesta fase deu-se o início da Congregação das irmãs “Filhas da Sabedoria”, em 1714 com a chegada da primeira companheira, Catarina Brunet e consolidada em 1715, com a fundação em La Rochele, com duas novas recrutas: Maria Regnier e Maria Velleau.
No ano seguinte (1716), São Luís Maria de Montfort morre prematuramente, com a idade de 43 anos. Este facto, a princípio, desestabilizou a jovem congregação, abalada duramente por esta notícia dolorosa e inesperada. Foi neste momento que Maria Luísa encontrou forças para reerguer o ânimo de todos, lembrando-se da frase escrita por São Luís: “Se não se arrisca algo por Deus, nada de grande se fará por Ele”.
Durante 43 anos Maria Luísa de Jesus cuida sozinha da formação de suas companheiras, conduz e desenvolve as fundações que se multiplicam: Escolas de caridade, visitas e cuidados aos enfermos, sopa popular para os mendigos, gestão de grandes hospitais marítimos na França.
Os pobres do hospital de Nior (Deux-Sèvres) a chamavam “A boa Madre Jesus”. Nisto expressava-se tudo! Seu lema de vida era muito simples: “É necessário que eu ame a Deus ocultamente, em meu próximo” (Coro de um cântico composto por Luís Maria de Montfort, destinado às Filhas da Sabedoria).
Quando ela morreu em Sant Laurent-sur-Sévre, em 28 de abril de 1759, a congregação contava com 174 religiosas, presentes em 36 comunidades, mais a Casa Mãe. São Luís Maria Grignion de Montfort e a Beata Maria Luísa de Jesus estão enterrados na Igreja Paroquial de São Lourenço.
Desde este momento, as Filhas da Sabedoria atravessaram os séculos arrebanhando milhares e milhares de vocações, pelo chamado à entrega total, pela loucura do Amor a Deus e aos pobres. Hoje, elas estão presentes nos cinco continentes.
Em 16 de maio de 1993, Maria Luísa de Jesus (Trichet) foi beatificada pelo Papa João Paulo II, em Roma. O Santo Padre esteve, em 19 de setembro de 1996 em Saint Laurent-sur-Sévre, quando rezou junto às tumbas de São Luís e da Beata Maria Luísa.

Fontes: