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terça-feira, 27 de abril de 2021

HILÁRIO DE ARLES

Bispo, Santo
401-449

Hilário, nascido em 401, foi um jovem de família nobre, bem educado e com uma carreira tendendo ao sucesso. Era aparentado com Santo Honorato, que estava determinado em convertê-lo para Cristo e fazê-lo também monge. Já velho, Santo Honorato empreendeu uma viagem até Arles para convencer Hilário a acompanhá-lo, mas este fez ouvidos de surdo, restando ao santo entregar o caso nas mãos de Deus. Hilário conta o que aconteceu:

Embora eu lembre os grandes serviços de Honorato para com todos, devo falar do infinito cuidado para comigo, pois certamente me trouxeram a salvação em Cristo. Mesmo naqueles anos quando eu era muito amigo do mundo e obstinado contra Deus, como um honesto sedutor, com sua gentil mão, ele conduziu-me ao amor de Cristo.


Quando suas palavras piedosas causaram pouca impressão em mim, buscou o melhor refúgio que conhecia: a oração. Seus apelos amorosos entraram nos mais sagrados ouvidos de Deus apelando por misericórdia.

Mas naquele tempo eu obtive uma vitória desastrosa. Então a mão direita de Deus passou a atormentar-me, pois Honorato havia pedido para Ele colocá-la sobre mim. Que tempestades de desejos conflituantes atormentavam meu coração! Quantas vezes concordância e discordância alternavam-se em minha mente! Assim, enquanto Honorato estava longe de mim, Cristo trabalhava em mim. Pelas suas orações, minha obstinação foi conquistada.

Enquanto o Senhor me chamava, todos os prazeres do mundo se apresentavam, minha mente ponderava qual caminho seguir, qual abandonar. Graças a Deus, meu Bom Jesus entranhou-se no seu servo, quebrou os laços com o mundo e forjou laços de amor. Se eu continuar a me sustentar nestes, os laços dos pecados jamais ganharão novamente suas forças.

Hilário foi então ao encontro de Santo Honorato e tornou-se monge. Quando Honorato foi eleito bispo de Arles, pediu que Hilário o acompanhasse; e, após a sua morte, assumiu o bispado em 429. Enquanto serviu como bispo, manteve os hábitos monásticos, fazia trabalhos braçais para arrecadar dinheiro para os pobres e também vendeu ornamentos e riquezas para pagar pela libertação de escravos. Fundou vários mosteiros e revitalizou outros que já existiam.

No entanto, possuía um espírito um tanto autocrático e impaciente nas questões administrativas. Além disso, seu exemplo de austeridade causava problemas com outros bispos que tinham preocupações mais terrenas. Certa feita, ao saber que um bispo estava por morrer, aproveitou a ocasião para indicar um sucessor mais ao seu estilo. Mas o bispo recuperou a saúde, criando uma situação de conflito. Outra feita, num Concílio da Igreja Francesa, depôs um Bispo que não seguia suas orientações. Ambos casos foram parar em Roma. Depois de muitas negociações, o Papa Leão Magno decidiu por afirmar sua autoridade sobre Hilário e os demais metropolitas quanto a nomeação de novos bispos e ainda dividiu a diocese de Arles em outras menores. 

Santo Hilário entrou em obediência, publicamente submetendo-se ao Papa e passou a dedicar-se a pregações e catequeses. Percebendo que a morte se aproximava, pois as pesadas penitências que se submetia lhe enfraqueciam o corpo, escreveu ao Papa sugerindo um nome para seu sucessor, deixando claro que reconhecia a autoridade do Bispo de Roma. Segundo a maioria das fontes, morreu em 5 de Maio de 449, mas São Roberto Belarmino cita 445 e Alberto de Mire, 446. Sabe-se com certeza que a carta do Papa elegendo Ravenio como seu sucessor é datada em Agosto de 449, quando certamente Santo Hilário já estava morto.



quinta-feira, 23 de junho de 2011

JOÃO E PAULO

Mártires, Santos
(século IV)

João e Paulo eram nobres, de família enraizada no poder do Império Romano e viveram no século IV. Possuíam uma casa no Monte Célio, dentro da cidade de Roma, tudo indicando que essa seria a cidade de suas origens.

Ambos ocupavam cargos importantes no governo de Constâncio, filho do imperador Constantino. Como bons cristãos, usavam a fortuna e a influência que possuíam para beneficiar os pobres da cidade. Por esse motivo tornaram-se conhecidos dos marginalizados, abandonados e desvalidos.

Tal fama, no entanto, acabou por prejudicá-los, pois, quando assumiu o imperador Juliano, apóstata convicto e ferrenho, os dois tiveram de abandonar a vida pública por pressão do monarca. Mas o que o imperador queria mesmo é que João e Paulo, abandonassem a fé cristã e adorassem os deuses romanos. Afinal, dois cristãos tão populares como eles certamente eram exemplos a serem seguidos pelos habitantes em geral.

Juliano fez tudo o que pôde para conseguir seu intento, só não esperava encontrar tanta coragem e perseverança. O imperador tentou atraí-los novamente para altos postos da corte, mas os irmãos recusaram. Diante das investidas de Juliano, venderam todas as propriedades que tinham e repartiram o dinheiro com os pobres. O facto causou a ira de Juliano e eles acabaram sendo presos e processados.

Todavia o imperador deu-lhes mais uma semana para que renunciassem à fé. Quando o prazo venceu, deu mais dez dias e de nada adiantou. Tentou obrigá-los a adorar uma estátua de Júpiter, o que somente possibilitou que fizessem um eloqüente discurso a favor do seguimento de Jesus. Como não se dobraram de maneira alguma, foram, finalmente, decapitados.

Segundo consta nos registros da Igreja, João e Paulo foram secretamente sepultados na casa do Monte Célio, na noite do dia 26 de junho de 362. Eles foram os primeiros mártires da perseguição decretada por Juliano, o Apóstata. Esses dados tão precisos estavam pintados nas paredes das ruínas da residência quando, anos mais tarde, as relíquias dos dois mártires foram localizadas, durante o governo do papa Dâmaso.

Esse pontífice mandou erguer uma igreja no local, dedicada a são João e a são Paulo, que foram mais do que irmãos de sangue. Foram também irmãos de alma e de fé no testemunho de Cristo. Mais tarde, o papa Leão Magno levantou em honra dos dois uma basílica e, no Vaticano, um mosteiro.