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terça-feira, 27 de abril de 2021

JOSÉ MARIA RUBIO

Jesuíta, Santo
(1864-1929)

Veio ao mundo em Dalías (Almeria) no dia 22 de Julho de 1864. Dele disse o seu avô materno: “Eu morrerei, mas quem viver verá que este menino será um homem importante e que valerá muito para Deus”.


Frequentou a escola da freguesia natal e manifestava o gosto de ler as vidas dos santos. Um seu tio, Cónego, mandou-o estudar num Instituto de Bacharelato, mas descobrindo nele sinais de vocação sacerdotal, enviou-o para o Seminário diocesano de Almeria. No Seminário de São Cecílio de Granada havia de terminar os estudos de filosofia, teologia e direito canónico. Foi ordenado no Seminário diocesano da Imaculada Conceição e de São Dâmaso, de Madrid, no dia 24 de Setembro de 1887, tendo sido incardinado nesta diocese. Na Capela da Virgem do Bom Conselho, na Catedral de Santo Isidro, celebrou a sua primeira Missa em 8 de Outubro seguinte. Em Toledo, obteve a Licenciatura em Teologia, em 1888, e Direito Canónico, em 1897. Pela manhã, entrava na igreja para rezar, dedicava-se à catequese das crianças e a todos impressionava pela sua austeridade, pobreza e caridade para com os pobres.

Enquanto desenvolvia várias actividades de carácter diocesano, não deixava de atender as pessoas no confessionário, catequese, "escolas dominicais", ao mesmo tempo que se dedicava a acompanhar diversos grupos em necessidade espiritual.

Peregrinou a Roma e à Terra Santa, deixando-se impressionar de modo especial pelos túmulos de Pedro e Paulo e Santo Sepulcro e Calvário.

Admirando de modo particular a Companhia de Jesus e chamando-se a si mesmo “Jesuíta por afeição”, entrou no noviciado da Companhia em Granada e fez os primeiros votos em 12 de Outubro de 1908; trabalhou depois em Sevilha, onde desenvolveu grande actividade apostólica; depois de três anos em Manresa (Barcelona), voltou a Madrid onde, em 2 de Fevereiro de 1917, emitiu os votos perpétuos.

Madrid foi o seu novo campo de apostolado, sendo procurado por muita gente, que atraía pelas suas pregações, porque vivia o que pregava. O seu lema era: Fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz”. Organizou e orientou diversas missões populares em Madrid. Quis fundar um instituto, “Os Discípulos de São João”, mas foi impedido de o fazer, aceitando a proibição com estas palavras: não procuro outra coisa além do cumprimento da santíssima vontade de Deus”.

Gozava de dotes místicos e de graças espirituais sobrenaturais, da profecia e da visão. Armavam-lhe ciladas para o apanharem em situações difíceis, mas acabava por impressionar a todos, mesmo os que o queriam ver envolvidos em escândalos e inquietações. Foi formador de muitos cristãos que sofreram o martírio no tempo da perseguição religiosa.

Pressentiu a sua morte e despediu-se dos seus amigos. Debilitado na sua saúde pelo imenso trabalho realizado, foi transferido para Aranjuez, para aí repousar. Mas tudo estava para terminar e José Maria exclamou: “Senhor, se queres levar-me agora, estou preparado”. Faleceu em 2 de Maio de 1929. Em Madrid, todos diziam: “morreu um santo”. Por isso, milhares de pessoas acorreram ao seu funeral; os seus restos mortais foram trasladados para a casa Professa de Madrid, em 1953.

João Paulo II beatificou-o em 6 de Outubro de 1985, em cerimónia celebrada em Roma.

Canonizado em Madrid, onde desenvolveu grande parte do seu ministério e acção sacerdotais e pastorais, no dia 4 de Maio de 2003, pelo mesmo Pontífice, João Paulo II.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

NOSSA SENHORA MEDIANEIRA

8 de Maio

1. Entre os títulos atribuídos a Maria no culto da Igreja, o capítulo VIII da Lumen Gentium recorda o de “Medianeira”. Embora alguns Padres conciliares não compartilhassem plenamente essa escolha (cf. Acta Synodalia III, 8, 163’164), este apelativo foi inserido de igual modo na Constituição Dogmática sobre a Igreja, como confirmação do valor da verdade que ele exprime. Teve-se, porém, o cuidado de não o ligar a nenhuma particular teologia da mediação, mas de o elencar apenas entre os outros títulos reconhecidos a Maria. O texto conciliar, além disso, refere-se já ao conteúdo do título de “Medianeira” quando afirma que Maria, “com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna” (LG, 62). Como recordo na Encíclica Redemptoris mater, “a mediação de Maria está intimamente ligada à sua maternidade e possui um carácter especificamente maternal, que a distingue da mediação das outras criaturas” (n. 38). Deste ponto de vista, Ela é única no seu género e singularmente eficaz.

2. Às dificuldades manifestadas por alguns Padres conciliares acerca do termo “Medianeira”, o mesmo Concílio cuidou de responder, afirmando que Maria é “para nós a Mãe na ordem da graça” (LG, 61). Recordamos que a mediação de Maria se qualifica fundamentalmente pela sua maternidade divina. O reconhecimento do papel de Medianeira está, além disso, implícito na expressão “nossa Mãe”, que propõe a doutrina da mediação Mariana, pondo em evidência a maternidade. Por fim, o título “Mãe na ordem da graça” esclarece que a Virgem coopera com Cristo no renascimento espiritual da humanidade.

3. A mediação materna de Maria não ofusca a única e perfeita mediação de Cristo. O Concílio, com efeito, depois de ter mencionado Maria “Medianeira”, desvela-se em esclarecer: “Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único Mediador, que é Cristo” (LG, 62). E a respeito disto, cita o conhecido texto da Primeira Carta a Timóteo: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo Homem, que Se entregou em resgate por todos” (2, 5-6). O Concílio afirma, além disso, que “a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia” (LG, 60). Longe, portanto, de ser um obstáculo ao exercício da única mediação de Cristo, Maria põe antes em evidência a sua fecundidade e a sua eficácia. “Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, aurindo aí toda a sua eficácia” (LG, 60).

4. De Cristo deriva o valor da mediação de Maria e, portanto, o influxo salvador da Bem-Aventurada Virgem “de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece” (ibid.). A intrínseca orientação da obra da “Medianeira” a Cristo impele o Concílio a recomendar aos fiéis recorrer a Maria, “para mais intimamente aderirem com esta ajuda materna, ao seu Mediador e Salvador” (LG 62). Ao proclamar Cristo como único Mediador (cf. 1 Tm 2, 5-6), o texto da Carta de São Paulo a Timóteo exclui qualquer outra mediação paralela, mas não uma mediação subordinada. Com efeito, antes de ressaltar a única e exclusiva mediação de Cristo, o autor recomenda “que se façam súplicas, orações, petições e acções de graças por todos os homens...” (2, 1). Não são porventura as orações uma forma de mediação? Antes, segundo São Paulo, a única mediação de Cristo é destinada a promover outras mediações dependentes e ministeriais. Proclamando a unicidade da mediação de Cristo, o Apóstolo só tende a excluir toda a mediação autónoma ou concorrente, mas não outras formas compatíveis com o valor infinito da obra do Salvador.

5. É possível participar na mediação de Cristo em diversos âmbitos da obra da salvação. A Lumen Gentium, depois de ter afirmado que “nenhuma criatura se pode equiparar ao Verbo encarnado e Redentor”, ilustra como é possível às criaturas exercer algumas formas de mediação, em dependência de Cristo. Com efeito, Afirma: “Assim como o sacerdócio de Cristo é participado de diversos modos pelos ministros e pelo povo fiel, e assim como a bondade de Deus, sendo uma só, se difunde variadamente pelos seres criados, assim também a mediação única do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas cooperações diversas, que participam dessa única fonte” (LG, 62). Nesta vontade de suscitar participações na única mediação de Cristo, manifesta-se o amor gratuito de Deus que quer compartilhar aquilo que possui.

6. Na verdade, o que é a mediação materna de Maria senão um dom do Pai à humanidade? Eis por que o Concílio conclui: “Esta função subordinada de Maria, não hesita a Igreja em proclamá-la; sente-a constantemente e inculca-a nos fiéis...” (ibid.). Maria desempenha a sua acção materna em contínua dependência da mediação de Cristo e d’Ele recebe tudo o que o seu coração desejar transmitir aos homens. Na sua peregrinação terrena, a Igreja experimenta “continuamente” a eficácia da acção da “Mãe na ordem da graça”.
Do Livro: A VIRGEM MARIA - 58 Catequeses do Papa João Paulo II.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

JOSÉ MOSCATI

Médico e Santo de Nápoles
1880-1927

12 de Abril

Quem é São José Moscati?

Paulo VI, o Papa que o beatificou:

"Quem é este que se nos propõe para que todos o imitemos e veneremos?" 
É um leigo que fez de sua vida uma missão vivida em plena autenticidade evangélica...

É um professor universitário que deixou entre seus alunos uma marca de profunda admiração...
É um homem de ciência célebre pela sua contribuição científica a nível internacional... Sua existência é simplesmente tudo isto...

João Paulo II, o Papa que o canonizou:

"O homem que a partir de hoje nós invocaremos como um Santo da Igreja universal representa para nós a realização concreta do leigo cristão.
José Moscati, Médico director de clínica, pesquisador famoso no domínio científico, professor universitário de fisiologia humana e de química fisiológica, tomou suas múltiplas actividades com todo o engajamento que necessita a delicada profissão de leigo.
Sob este ponto de vista Moscati é um exemplo não somente a ser admirado mas a ser seguido, sobretudo pelos representantes sanitários. Ele representa um exemplo até para os que não partilham de sua fé."

Os Pais

A família Moscati provém de Santa Lucia de Serino, pequena região na província de Avellino.
Em S. Lucia de Serino, em 1836, nasceu Francisco, o pai do futuro Santo, que se diplomou em jurisprudência e percorreu brilhantemente a carreira da magistratura.
Foi juiz do Tribunal de Cassino, Presidente do Tribunal de Benevento, Conselheiro da Corte de Apelo, primeiro em Ancona e depois em Nápoles, onde faleceu em 21 de Dezembro de 1897.
Em Cassino Francisco Moscati conheceu e esposou Rosa de Luca. Do matrimónio nasceram nove filhos: José foi o sétimo.
Assim viveu o pai do Santo, todo ano conduzia a esposa e os filhos a terra natal, para um período de repouso e para estar em contacto com a natureza. Se dirigiam juntos à igreja das Clarissas, para participar da Missa, que frequentemente o próprio Francisco servia.
Em duas cartas S. José Moscati faz referência a terra natal. A primeira é de 20 de Julho de 1923, escrita durante sua viagem à França e Inglaterra:
"Às 14.20 horas partimos para Modane, para a França. [...] Atravessamos os vales fechados de montes recobertos de castanheiras (Borgonha). Aqui e lá o nastro prateado dos rios: como é simples esta paisagem como aquela inesquecível de Serino, o único lugar ao mundo, a Irpinia, onde com prazer passarei os meus dias, porque encerra as mais importantes, as mais doces memórias da minha infância, e os restos mortais dos meus queridos!"
A segunda carta foi escrita em 19 de Janeiro de 1924, depois de ter presenciado a morte de um tio seu:
"O fim de tio Carmelo é o abalo de tantas recordações queridas ligadas à sua pessoa. Oh, as doces memórias da infância, dos montes de Serino! Assim como as pessoas da terra de meu pai me estão plantadas no coração indelével; e a desilusão de mais: Precipita a parte romântica da minha personalidade. E mais me sinto só, só e próximo a Deus!"

Benevento, cidade natal do Santo

José Moscati nasceu em Benevento em 25 de Julho de 1880, festa litúrgica de S. Tiago Maior Apóstolo. A família mudou-se para lá de Cassino em 1877, quando Francisco Moscati foi promovido Presidente do Tribunal, tomando moradia na Rua S. Diodato, nos arredores do hospital dos irmãos de caridade.
Poucos meses depois foram morar em um apartamento da Rua Porta Áurea, próximo ao Arco de Trajano, construído em honra do Imperador em 114 d.C. No palácio Andreotti, comprado depois da família Leo, nasceu José, no último quarto à esquerda. Se tem acesso ao apartamento através de um amplo portal que vai a um pátio ao qual parte uma grande escada de pedra. Uma lápide ao lado do portão de entrada recorda o acontecimento.
Na Catedral de Benevento, na capela do SS. Sacramento, se pode admirar a estátua de mármore de S. José Moscati, obra de P. Mazzei de Pietrasanta.

Benevento ao nascimento de Moscati

Em 3 de Setembro de 1860, após cerca de oito séculos de governo pontifício, Benevento era anexada ao Reino da Itália.
O último Delegado Apostólico, Mons. Eduardo Agnelli, ao deixar a cidade havia recebido honra das armas dos soldados do novo regime. A cidade mudava de vida e entrava na ordem territorial da nação italiana.
"Segundo o esquema político piemontês foram desapropriados os conventos, expulsos os religiosos, violados os arquivos, deturpadas ou destruídas as linhas arquitectónicas dos antigos edifícios. Alguns esperavam coisas novas e interessantes. Outros temiam... O clan maçónico, importado da zona limítrofe, então também teve seu tempo favorável.
Á chegada da família Moscati, [...] em Benevento os ardores eram em boa parte ás escondidas". (Lauro Maio, S. Giuseppe Moscati e Benevento sua città natale, Benevento 1987, p.13).

Formação humana e cristã

José Moscati nasceu em Benevento no dia 25 de Julho de 1880. Filho de Francisco, Presidente do Tribunal de Benevento e de Rosa de Luca, dos Marqueses de Roseto. José era o sétimo de nove filhos.
Ele foi baptizado em casa seis dias após o nascimento, no dia 31 de Julho de 1880, festa de santo Inácio de Loiola, por Dom Inocente Maio.
Em 1881, seu pai foi promovido conselheiro na Corte de Apelação e se transfere para Ancona com sua família. Em 1884, ele se muda para Nápoles como Presidente da Corte de Apelação.
O pequeno José fêz seu primeiro encontro com Jesus Eucarístico, no dia 8 de Dezembro de 1888, na igreja das Servas do Sagrado Coração (Ancelle del Sacro Cuore) de Nápoles, durante uma cerimónia celebrada por Monsenhor Henrique Marano. Não possuímos outras informações sobre este acontecimento, mas podemos dizer que foi neste dia que foram lançadas as bases de sua vida eucarística, que será um dos segredos da santidade do professor Moscati.
Após os estudos primários, José Moscati entra no Liceu Clássico, instituto Vittorio-Emanuele, no qual ele prestará o vestibular em 1897.
Dois meses após ter iniciado seus estudos de Medicina, o jovem Moscati é atingido por um grande luto, que o marcará profundamente: seu pai Francisco, em seguida a uma hemorragia cerebral, morrerá dois dias mais tarde, no dia 21 de Dezembro de 1897, após ter recebido os últimos sacramentos.
No ambiente universitário, Moscati se distinguirá pelo seu cuidado e empenho e no dia 4 de Agosto de 1903, obterá seu Doutorado de Medicina, com uma tese sobre a urogenese hepática, e obterá louvores.

Universidade e Hospital

Após a obtenção do Doutorado em Medicina, a universidade e o hospital se tornarão o campo de actividade do jovem médico. Logo ele passará um concurso de Colaborador Extraordinário no Hospital dos Incuráveis (1903) e um outro de Assistente no Instituto de Química Psicológica (1908), onde ele logo ganhará muitas marcas de admiração e de prestígio no domínio científico.
Um novo luto, no dia 13 de Junho de 1904, atinge Moscati, seu irmão Alberto morre, o qual sofria de epilepsia após uma queda de cavalo durante uma parada militar em 1892.
José tinha o hábito de passar várias horas junto a ele para tratá-lo. É à cabeceira de seu irmão que ele decidirá seguir os estudos de medicina, caso único em sua família e objecto de discussões.
Em 1906, erupção do Vesúvio, Moscati se distinguirá pelos seus trabalhos de socorro. Na Torre del Greco (perto de Nápoles), ele providenciará a evacuação do hospital de onde ele próprio ajudará os doentes a sair antes do desabamento do teto.
Dois dias mais tarde ele mandará uma carta ao director geral dos Hospitais Reunidos de Nápoles, propondo gratificar as pessoas que o ajudaram, mas insistirá muito para que não citem o seu nome.
Em 1911, com 31 anos, o doutor Moscati é aprovado no concurso de Colaborador ordinário dos Hospitais Reunidos. Era um concurso muito importante que não era realizado desde 1880 e do qual participam médicos vindos de todas as partes.
No mesmo ano, pela iniciativa de António Cardarelli, a Academia Real de Medicina Cirúrgica o nomeará Membro participante e o Ministério de Educação Pública lhe atribuirá o Doutorado em Química Fisiológica.
No final do ano de 1914, Rosa, a mãe do professor Moscati, atingida pela diabete, vê a sua doença, ainda incurável por então, se agravar. Moscati foi um dos primeiros médicos em Nápoles, a experimentar a insulina. Sua mãe morre no dia 25 de Novembro de 1914.
Antes de expirar, após ter recebido com muita devoção os últimos sacramentos, ela dirá aos seus filhos que se ajuntam em torno a ela: "Meus filhos, morro contente. Fujam do pecado que é o maior mal da vida".

No dia 24 de Maio de 1915, a Itália entra no conflito mundial; o professor Moscati apresenta o pedido de alistamento voluntário, entretanto ele não será aceito. As autoridades militares confiarão os feridos aos seus cuidados. Ele visitará e cuidará de aproximadamente 3.000 militares, pelos quais ele redigirá um diário e suas histórias clínicas. Moscati foi para eles não somente o médico, mas também o consolador atencioso e afectuoso.
Nos anos que se seguirão, o professor Moscati renunciará à cadeira de Química Fisiológica da Universidade Frederico II de Nápoles. Será seu amigo e compadre, o professor Quagliarello, designado pelo próprio Moscati como alternativa, a se beneficiar disto.
Mais tarde, o professor Quagliarello se tornará Reitor desta universidade. É ele que, com grande humildade, nos fornecerá estas informações e declarará muito justamente: "Quantos gestos de generosidade deste género ele não fez? Só o Bom Deus o sabe, pois muito frequentemente, os próprios beneficiários não estavam ao par".

Escolha definitiva pelo trabalho hospitalar

Após esta decisão, tomada conscientemente, o professor Moscati se orienta definitivamente em direção do trabalho hospitalar, onde ele empregará todo seu tempo, sua experiência e seus recursos. As doenças e misérias físicas e espirituais estarão sempre no primeiro lugar de suas preocupações, pois os doentes - ele dirá - «são a imagem de Jesus Cristo, almas imortais, divinas, que temos o dever urgente de amar como a nós mesmos, segundo o Evangelho».
São estas as convicções que Moscati manifesta nos seus escritos, principalmente quando ele se dirige aos seus colegas, lembrando-lhes que «a dor não deve ser tratada como uma vacilação ou uma contracção muscular, mas como o grito de uma alma ao qual um outro irmão, o médico, acorre com ardor e caridade»
O renome de Moscati como professor e médico aumentava com a sua fama. Todos falavam de suas aulas, de suas qualidades de discernimento, de seu trabalho com os doentes. O conselho de administração o nomeará Director da Sala III dos Homens. Era em 1919.

Médico Director do Instituto de Anatomia Patológica

Além de seu intenso trabalho entre a Universidade e o Hospital o professor Moscati assegurava também a direção do Instituto de Anatomia Patológica, anteriormente dirigido por Luciano Armanni, mas em seguida descuidado por falta de atenção.
De acordo com o professor Quagliarello ele se tornará logo "um mestre em autópsias". O professor Rafael Rossiello, que estudou a fundo e com competência a anatomia patológica de São josé Moscati, afirma que após sua morte, nem as revista sanitárias, nem os que se lembravam dele em seus discursos, nem as numerosas biografias revelaram "sua actividade de mestre do sector e diretor do Instituto de Anatomia e Histologia Patológica "Luciano Armanni".
Por outro lado a descoberta - pelo doutor Renato Guerrieri - médico diretor do hospital dos incuráveis, de um registro de autópsias efectuadas por Moscati no período - indo de 25 de Dezembro de 1925 a 9 de Fevereiro de 1927 - nos mostra de novo o aspecto quase desconhecido da personalidade complexa de José Moscati no domínio médico e científico.
Luciano Armanni fizera gravar esta frase na entrada da sala de anatomia: "Hic est locus ubi mors gaudet succurrere vitae" ("Aqui a morte está contente de ajudar a vida"). "Mas na sala - escreve o professor Nicola Donadio - não havia nenhum traço de religião. O aposento era austero mas vazio, exatamente como em todos os lugares dominados pelo materialismo.
O professor Moscati teve uma ideia e a realizou, a de colocar muito alto na parede da sala, de modo que pudesse dominar o aposento, um crucifixo com uma inscrição que não poderia ser melhor: «Ero mors tua, o mors» (citação do profeta Oséia, 13. 14: Oh morte, eu serei a tua morte").
As autópsias realizadas por Moscati eram uma lição de vida.

Relato de um aluno de Moscati: o doutor André Piro

Um dia, enquanto estávamos visitando os doentes, fomos convidados a ir à sala das autópsias; ficamos surpresos, não podendo entender este convite, pois neste dia não havia nenhuma autópsia a ser feita.
O professor Moscati, que nos tinha convidado, já tinha se dirigido à sala e nos apressamos em segui-lo.
Sobre a mesa anatómica não havia nada e os que nos tinham precedido estavam olhando a parede, no alto da qual podia-se admirar um Crucifixo com uma inscrição "Ero mors tua, o mors" que o Professor fizera dependurar. Tínhamos sidos convidados a prestar homenagem ao Cristo, à Vida que voltava a este lugar de morte após uma ausência bem longa.

Médico Director da Ala III Masculina, no Hospital dos Incuráveis

A reputação de Moscati como mestre e médico era indiscutível. Todo mundo exaltava suas aulas, seus diagnósticos e seu trabalho entre os doentes.
Em 1919 ele foi nomeado oficialmente Médico Diretor da Ala Masculina, pela Administração do Hospital. De acordo com as avaliações sobre o trabalho de Moscati e as alusões à sua nova posição constatamos que esta última promoção foi uma grande alegria para todos: seus amigos, seus assistentes e alunos.
Ningém mais do que ele podia aspirar a este posto e ninguém era mais qualificado do que ele para recebê-la. Também ele estava contente, mas como sempre para ele, a satisfação humana não estava separada da satisfação espiritual que apenas passava pelos fatos contingentes e tomava raízes por motivações muito mais elevadas e nobres.
No hospital os sucessos não lhe diziam respeito mas concerniam exclusivamente os doentes pelos quais ele se empenhava e trabalhava com afinco. É o que se apreende de uma carta escrita no dia 26 de Julho de 1919 dirigida ao Senador G.D'Andrea - Presidente dos Hospitais Reunidos de Nápoles.
«Agradeço vivamente Vossa Senhoria e o Conselho de Administração pela promoção de Médico director de Sala, que acaba de me ser concedida.
Desde minha infância, via com interesse o hospital dos Incuráveis, que meu pai me mostrava com o dedo e este lugar me inspirava sentimentos de compaixão por causa da dor sem nome, aliviada no interior destas paredes.
Levado por profunda emoção eu começava a reflectir sobre a renovação periódica do mundo e as ilusões se iam como se fossem as flores das laranjeiras que caíam em volta de mim.
Nesta época, eu me consagrava aos estudos de Letras e não imaginava e nem sonhava que um dia neste edifício branco - onde mal se viam atrás dos vitrais os doentes hospitalizados como se fossem fantasmas brancos - eu subiria ao escalão mais elevado da medicina.
Vou tentar, graças a Deus, e com minhas módicas forças, de responder à confiança que me foi concedida e de colaborar na reconstrução econômica dos velhos hospitais de Nápoles nestes tempos tão miseráveis».

Morte Repentina

No dia 12 de Abril de 1927, Terça-Feira Santa, o professor Moscati, depois de ter participado à missa, como todos os dias, e de ter recebido a comunhão, passou a manhã no hospital, depois voltou para casa e após uma refeição, como de hábito, ele se ocupou dos pacientes que vinham consultá-lo em casa.
Por volta das 15 horas, ele teve um mal-estar e se sentou no seu sofá, pouco depois ele cruzou os braços e expirou serenamente. Ele tinha 46 anos e 8 meses.
A notícia de sua morte se espalhou imediatamente e a dor foi unânime. Os pobres principalmente o prantearam sinceramente pois eles tinham perdido o seu benfeitor.
O corpo foi enterrado no cemitério de Poggioreale. Mas três anos mais tarde, no dia 16 de Novembro de 1930, por insistência de várias personalidades do clero e de leigos, o arcebispo de Nápoles, cardeal Alessio Ascalesi, permitiu o traslado do corpo do cemitério para a igreja do Gesù Nuovo, entre uma dupla fileira de pessoas.
É Nina Moscati, a irmã do professor, que nesta ocasião será a mais feliz de todos, poi ela sempre esteve perto de seu irmão para encorajá-lo e apoiá-lo na prática de caridade e será ela quem, após a morte, doará à igreja todos os pertences pessoais de Moscati assim como os móveis e objectos.
O corpo foi deposto numa sala atrás do altar de São Francisco Xavier, e hoje uma pedra de mármore, colocada à direita deste altar, lembra-o ainda.

A Beatificação (Paulo VI)

A grande estima e a consideração que já em vida cercavam o professor Moscati cresceram após a sua morte, e logo a dor e as lágrimas dos que o conheceram e amaram se tornaram em alegria, entusiasmo e reza. Rogava-se por ele para tudo.
Enquanto isto, instruiu-se o processo para o exame de dois milagres: duas curas atribuídas ao Servidor de Deus.
No dia 16 de Novembro de 1975, o papa Paulo VI proclama José Moscati Bem-Aventurado, durante uma celebração solene na basílica de São Pedro em Roma.
Neste dia, na praça de São Pedro, apesar de uma chuva que cairá várias vezes, uma grande multidão de fiéis seguirá com viva emoção até o fim o rito sagrado.

A Canonização (João Paulo II)

Em 1977, dois anos após a Beatificação, houve o reconhecimento canónico do corpo: recompôs-se o esqueleto de Moscati e depuseram-no num relicário de bronze feito pelo professor Amadeu Garufi e em seguida colocado sob o altar da Visitação.
A devoção a Moscati vai aumentando cada dia mais. As graças obtidas por sua intercessão são cada dia mais numerosas. Com vistas à canonização, será examinada a cura da leucemia, ou mielóideaguda mielobástica, do jovem José Montefusco, que aconteceu em 1979.
Finalmente, após longos exames, durante o consistório de 28 de Abril de 1987, o Papa João Paulo II fixa a data da canonização para o dia 25 de Outubro do mesmo ano 1987.
De 1 a 30 de Outubro, em Roma, se desenrolava a VII assembleia do Sínodo dos Bispos, cujo tema era: "Vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo, 20 anos após o Concílio Vaticano II".
Não poderia haver melhor coincidência: José Moscati era um leigo que tinha cumprido sua missão na Igreja e no mundo. Sua canonização era muito desejada e esperada por todos: estudantes, universitários e médicos, que tinham conhecido o médico Moscati como um homem de grande fé e de grande caridade, que assistia e aliviava os sofrimentos de seus doentes, mas que principalmente, levava-os a Deus.
No dia 25 de Outubro de 1987, às 10 horas da manhã, na praça de São Pedro, em Roma, o Papa João Paulo II, em presença de 100.000 pessoas, proclama e admite oficialmente José Moscati no número dos Santos (60 anos após sua morte).
[Tradução por Alberto Penna Rodrigues - Fabio Boldo]

sábado, 2 de abril de 2011

LUÍS SCROSOPPI

Presbítero, Fundador, Santo
1804-1884

3 de Abril

Luís Scrosoppi nasce aos 4 de agosto de 1804, em Údine, cidade do Friuli, no Norte da Itália. Cresce num ambiente familiar rico de fé e caridade cristã. Aos doze anos inicia o caminho do sacerdócio, freqüentando o seminário diocesano de Údine e em 1827 é ordenado sacerdote; ao seu lado estão os irmãos Carlos e João Batista, ambos sacerdotes.

O ambiente paupérrimo do Friuli de 1800, debilitado pela carestia, guerras e epidemias, são para Luís como um apelo para assumir os cuidados dos fracos: dedica-se com outros sacerdotes e um grupo de jovens professoras, à acolhida e à educação das "derelitas", as jovens mais sozinhas e abandonadas de Údine e dos arredores. Para elas coloca à disposição os seus bens, as suas energias, o seu afeto; não economiza nada de si e quando as necessidades são mais constrangedoras vai pedir esmolas: ele tem confiança na ajuda das pessoas e sobre tudo confia no Senhor. A sua vida, de fato, é uma expressão palpável da grande confiança na Providência divina. Assim escreve, a respeito da obra de caridade na qual está envolvido: "A Providência de Deus, que dispõe os ânimos e rende os corações para favorecer as suas obras, foi a única fonte da existência deste Instituto... aquela amorosa Providência, que não deixa confundir quem nela confia". Não perde ocasião para infundir esta confiança e serenidade nas meninas acolhidas e nas jovens senhoras que se dedicam à sua educação. Estas são chamadas "mestras" porque são hábeis no trabalho de costura e de bordado, mas são também aptas para ensinar a "escrever, ler e fazer contas", como se costumava dizer. São senhoras de idade e de origem diversas, e em cada uma delas vai amadurecendo a decisão de colocar a própria vida nas mãos do Senhor e de consagrar-se a Ele, servindo-O na família das "derelitas". Na tarde do dia 1 de fevereiro de 1837, as nove senhoras, como sinal da decisão definitiva, depõem o seu "ouro" e escolhem viver na pobreza e na doação total de si. É nesta simplicidade que nasce a Congregação das Irmãs da Providência, a família religiosa fundada pelo padre Luís. Às primeiras mestras unem-se outras. Existem as ricas e as pobres, as cultas e as analfabetas, as nobres e aquelas de origem humilde: na Casa da Providência há lugar para todas e todas se tornam irmãs. 

O fundador as encoraja ao sacrifício e as exorta aos cuidados afetuosos das meninas, que devem considerar a "pupila dos seus olhos". Disse-lhes: "Mais que qualquer outra coisa, estas filhas dos pobres têm necessidade de educar o coração e de aprender tudo o que é necessário para conduzirem honestamente a sua vida". E ainda: "O cansaço, a aplicação, a ocupação contínua e as preocupações fastidiosas para ajudá-las, socorrê-las e instruí-las, não vos desencorajem, sabendo que fazeis tudo isto a Jesus".

Entretanto, Luís vai amadurecendo a necessidade de uma consagração mais total ao Senhor. Está fascinado pelo ideal de pobreza e de fraternidade universal de Francisco de Assis, mas os acontecimentos da vida e da história o conduzirão sobre os passos de São Felipe Neri, o cantor da alegria e da liberdade, o santo da oração, da humildade e da caridade. A vocação "oratoriana" de Luís se realiza em 1846 e na maturidade dos seus 42 anos, torna-se filho de São Felipe: dele aprende a mansidão e a doçura que o ajudarão a ser mais idôneo na função de fundador e pai da Congregação das Irmãs da Providência. 

Profundamente respeitoso e atento ao crescimento humano das irmãs e ao seu caminho de santidade, não poupa nem ajudas, nem conselhos, nem exortações. Ele considera atentamente a sua vocação, coloca-lhes a fé à prova, a fim de que se tornem fortes. Não é terno diante da vaidade, do desejo de aparecer, e é severo quando colhe atitudes de hipocrisia e de superficialidade. Porém, que ternura paterna sabe ter frente às fragilidades e à necessidade de compreensão, de apoio e de conforto!

Lentamente se delineia no Padre Luís as características fundamentais de uma vida espiritual centralizada em Jesus Cristo, amado e imitado na humildade e pobreza da sua encarnação em Belém, na simplicidade da vida laboriosa de Nazaré, na completa imolação da cruz sobre o Calvário, no silêncio da Eucaristia. Ainda pelo fato que Jesus disse: "Qualquer coisa que fizestes a um dos meus irmãos menores, o fizestes a mim" é a eles que Pe. Luís dedica a vida de cada dia, com o empenho concreto de "buscar antes de tudo o Reino de Deus e a sua justiça" seguro de que todo o restante será dado a mais, segundo a promessa evangélica. 

Todas as obras por ele empreendidas durante a sua vida, refletem esta escolha preferencial para os mais pobres, para os últimos, os abandonados. "Doze casas - havia profetizado - abrirei antes da minha morte" e isto aconteceu. Doze casas nas quais as Irmãs da Providência se dedicam num serviço humilde, empenhativo e alegre às jovens à mercê de si mesmas, aos doentes pobres e transcurados, aos anciãos abandonados.

Todavia, profundamente interessado no cumprimento do bem, Padre Luís não se ocupa somente de suas obras, nas quais as irmãs colaboram com pessoas generosas e disponíveis para dar-lhes uma ajuda. Oferece com entusiasmo o seu apoio espiritual e econômico, também às iniciativas projetadas em Údine por outras pessoas de boa vontade; sustenta toda atividade da Igreja e tem um olhar de particular predileção para os jovens do seminário de Údine, especialmente os mais pobres. 

Na segunda metade de 1800, a Itália, região após região vai se unificando. Os acontecimentos políticos e militares desta unificação representam um período particularmente difícil para Údine e todo o Friuli, terra de confim e lugar de fácil passagem entre o norte e o sul da Europa, entre leste e oeste. Uma das conseqüências desta unificação, que aconteceu infelizmente num clima anticlerical, é o decreto de supressão da "Casa das Derelitas" e da Congregação dos Padres do Oratório, de Údine. 

Tem início para o Padre Luís uma dura luta para salvar as obras a favor das "derelitas" e consegue, mas não pode fazer nada para impedir a supressão da Congregação do Oratório. A triste situação política consegue assim destruir as estruturas materiais da Congregação do Oratório de Údine, contudo não pode impedir a Padre Luís de permanecer para sempre discípulo fiel de São Felipe.
Já ancião, com a sua habitual abertura de espírito, compreende que é chegado o momento de ceder o timão e o transfere às irmãs com serenidade e esperança. Mantém, todavia, com todas um relacionamento epistolar que contribui para consolidar os laços de afeto e de caridade e, na sua solicitude paterna, jamais se cansa de recomendar a fraternidade e a confiança. 

Através da sua comunhão profunda com Deus e os longos anos de experiência, Padre Luís adquiriu sabedoria e intuito espiritual não comuns que lhe permitem ler nos corações; às vezes demonstra também conhecer situações interiores secretas e fatos conhecidos somente da pessoa interessada. 

No fim de 1883 é constrangido a suspender toda atividade, as forças começam a diminuir e é atormentado por uma febre constantemente alta. A doença progride de modo inexorável. Recomenda às Irmãs de nada temer" porque foi Deus que fez nascer e crescer a Família religiosa e será ainda Ele que a fará progredir".

Quando sente chegar o fim, deseja saudar a todos. Portanto dirige as últimas palavras às Irmãs: "Depois da minha morte, a vossa Congregação terá muitas tribulações, mas depois renascerá a vida nova. Caridade! Caridade! Eis o espírito da vossa família religiosa: salvar as almas e salvá-las com a Caridade".

Na noite de quinta-feira, 3 de abril de 1884, acontece o seu encontro definitivo com Jesus. Toda Údine e a gente das cidades vizinhas acorrem para vê-lo pela última vez e pedir-lhe a proteçãodo céu.

Com a sua intercessão a favor dos pequenos, dos pobres, da juventude em dificuldade, das pessoas que sofrem, de quantos vivem situações penosas, padre Luís continua também hoje, a indicar a todos a estrada da união com Deus, da compaixão e do amor e está pronto para acompanhar ainda os passos daqueles que se entregam à Providência de Deus.

Canonizado à 10 de Junho de 2001, Praça de S. Pedro, pela Papa João Paulo II.

sábado, 26 de março de 2011

MADALENA CATARINA MORANO

Religiosa, Beata
1847-1908

26 de Março

Madalena Catarina Morano nasceu em Chieri (Turim), a 15 de novembro de 1847. Ainda muito jovem começou, entre as crianças de sua aldeia, um noviciado de pedagoga que durará toda a sua vida, especialmente depois de ter recebido o seu diploma de professora. Rica de uma experiência didáctica e na catequese, ela pode concretizar, por volta dos trinta anos o seu desejo de consagração, que já lhe vinha da época da sua primeira comunhão. Tornou-se Filha de Maria Auxiliadora em 1879 e pediu ao Senhor a graça “de se manter viva até que tivesse completado a medida da santidade”.
Enviada em 1881 para a Sicília, ela ali começou uma obra fecunda de educação destuinada às meninas e aos jovens dos meios populares. Tornando constantemente “um olhar para o mundo e dez para o Céu” ela abrio na ilha várias escolas e patronatos, pensionatos e ateliers.
Nomeada provincial, ela encarregou-se taùmbém da formação das novas e numerosas vocações, provocados pelo zêlo e pelo clima comunitário que se criava à volta dela. O seu apostolado múltiplo era apreciado e encorajado pelos Bispos, que confiaram ao seu espírito de verdadeira apóstola toda a obra de catequese.
Minada por um temor, a Irmã Morano terminou em Catânia, a 26 de Março de 1908, uma vida cheia de coerência, vivida sempre com a intenção de “nunca pôr obstáculos à acção da graça, por motivos pessoais”. João Paulo II proclamou-a bem-aventurada a 5 de Novemnbro de 1994 nesta mesma cidade da Sicíliua.
Os seus restos mortais são venerados em Alí Marina, perto de Catânia.
Afonso Rocha

sábado, 19 de março de 2011

FRANCISCO PALAU

Carmelita, Fundador, Beato
1811-1872

20 de Março

Nasceu em Espanha, Catalunha no dia 29 de Dezembro de 1811, dia em que também foi baptizado. Sua família era  pobre, porém, muito cristã  e  piedosa.
Foi Crismado em 11 de Abril de 1817 e aos 17 anos, ocasião em que ingressou no Seminário diocesano de Lérida, onde cursou por quatro anos os estudos de filosofia e teologia. Ali permaneceu até o ano de 1832, quando optou em ingressar para o Convento dos Padres Carmelitas de  Barcelona. Assume o postulantado no dia 23 de Outubro e, no dia 15 de Novembro do ano seguinte (1833), faz a sua profissão religiosa como Carmelita Descalço.  Foi ordenado Diácono em 1834 e, dois anos depois, ordenado sacerdote na catedral de  Barbastro, por D. Diego Fort Puig, bispo da  Diocese.
A espiritualidade e personalidade do padre Palau se caracteriza por intensas lutas, largas e penosas buscas de pacificação durante quase toda a sua vida.  Empenha-se pela paz entre os homens, que na época se debatiam em lutas fraticidas; pregou a verdade, para desterrar a ignorância, causa de tantos desmandos; a liberdade, numa Espanha que, dizendo-se "liberal", perseguia implacavelmente a Igreja. Foi como carmelita e sacerdote que não só trabalhou, mas comprometeu-se radicalmente na busca de solução dos problemas de seu tempo, o que lhe resultou sérias perseguições. Em consequência de suas opiniões religiosas e políticas, foi perseguido e exilado.
Durante uma pregação, na novena das almas em Cidadela, recebe uma especial inspiração sobre o Mistério da Igreja. À raiz de diversas experiências espirituais de que foi agraciado, surgem os primeiros planos fundacionais que logram estabilidade e continuidade, apoiados pela autoridade eclesiástica da Diocese de Menorca.
Foi em 1860, em Balaers, que fundou duas congregações religiosas: As Irmãs Carmelitas Missionárias e Irmãs Carmelitas Missionárias Teresianas, que encarnam seu espírito e fazem com que São Francisco Palau traga vivo hoje, para nós, seus ideais em suas filhas carmelitanas.
Era um homem totalmente entregue ao apostolado e à oração. Era dotado por Deus com dons da profecia e dos milagres e, por isto, teve de suportar várias denúncias e processos pelas numerosas curas que fazia sem ser médico.
Seu combate resoluto pela causa de Deus e da Igreja, faz lembrar a do profeta Elias, patrono da família carmelitana. Possuía um particular discernimento do papel desempenhado pelo demónio no mundo, e empenhou-se para que a Igreja ampliasse o uso do exorcismo como arma espiritual adequada às necessidades dos fiéis. Em diversas ocasiões praticou exorcismos, todas as vezes com pleno êxito. Inclusive, no ano de 1866, viajou para Roma e para lá retornou novamente ano de 1870, quando apresentou pessoalmente ao Papa e aos Padres do Concílio Vaticano I, suas questões relativas aos temas que tratavam de questões sobre a prática do exorcismo.
Buscou intensamente a solidão, mas também se lançou à muitas acções, através de diferentes meios para servir aos irmãos, com os meios que o Céu lhe sugeriu: A pregação, a catequese organizada, os exorcismos e a difusão do Evangelho e da divulgação da sã doutrina como escritor e periodista. Os apostolados mais variados, encontraram sua unidade nos ideais que mais lhe moveram: Amar e servir à Igreja, aos pobres, enfermos, crianças, jovens, às famílias, aos espiritualmente dominados pelo poder das trevas.
Sua espiritualidade, reflectida plenamente nas  Congregações que fundou, assim sintetizou:
Que estejamos sempre dispostos a seguir Cristo, ainda que nos custe.
Que nos entreguemos com valentia e generosidade ao serviço dos irmãos.
Que a solidão, a oração e o sacrifício, sejam a fonte do nosso apostolado.
Que o amor a Cristo, a Maria e à Igreja, polarizem nossa vida.
Francisco Palau morreu em 20 de Março de 1872, aos 62 anos de idade. Foi beatificado no dia 24 de Abril de 1988 pelo Papa João Paulo II.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

JOSÉ FREINADEMETZ

Sacerdote, Missionário, Santo
1852-1908

28 de Janeiro

José Freinademetz nasceu no dia 15 de abril de 1852, na cidade de Oites, no Tirol do Sul, que na ocasião era território austríaco, mas a cidade hoje se chama Alta Badia e pertence a Itália. Seus pais eram camponeses muito pobres, tiveram treze filhos e formaram uma família muito cristã.
O pequeno José, desde a infância queria ser um missionário. Estudou no seminário diocesano de Bressanone, onde foi ordenado sacerdote em 1875. Depois de três anos de ministério em São Martino, na Alta Badia, com autorização de seu Bispo, ingressou na Sociedade do Verbo Divino, em Steyl, na Holanda, para ser um missionário.
Em 1879, recebendo a cruz dos verbitas, foi enviado para a missão da China. Ficou dois anos em Hong Kong, para adaptação dos costumes, e depois foi enviado para a primeira missão católica em Shandong do Sul, junto com um companheiro da Ordem, o holandês João Batista Anzer.
Os dois missionários encontraram uma comunidade minúscula de cristãos, com menos de duzentos fiéis. Começaram a evangelização com visitas pastorais em todas as vilas, contatando as pessoas e as famílias, pois o total de habitantes era de nove milhões.
Aos poucos o povo se afeiçoou ao caridoso, ativo e incansável Padre José, a quem deram o nome chinês de Padre Fu Shen Fu, que significa Padre Feliz. Com muita oração, fé na Divina Providência e extremo zelo missionário, conseguiram construir a Igreja, o seminário, o orfanato, a tipografia e a escola.
Até que em 1898, Padre José adoeceu e teve de se distanciar de sua querida Shandong, aliás ele só o fez esta única vez. Viajou para Nagasaki, no Japão, para tratar de uma tuberculose que iniciara. Mas retornou logo, mesmo sem estar totalmente curado.
Em 1900, quando a China viveu a rebelião dos Boxer, e os cristãos eram perseguidos por seus integrantes, Padre José permaneceu firme ao lado do seu rebanho, rezando e sofrendo com eles. Recusou viajar para a Holanda e participar das celebrações do jubileu de prata da Congregação do Verbo Divino, que, por sinal, coincidiam com o de sua ordenação.
Sete anos depois o governo chinês declarou uma epidemia de tifo. Padre José, à frente no atendimento e socorro às vitimas, contraiu a moléstia e morreu no dia 28 de janeiro de 1908, em Taikia.
Nesta ocasião, a diocese já contava com quarenta mil adultos convertidos e cento e cinqüenta mil crianças batizadas. A sua entrega à vida missionária no segmento de Cristo e seu amor ao povo chinês ele expressou nesta declaração à um irmão verbita: “Se pudesse reaver a juventude, escolheria outra vez a minha vocação, escolheria ser missionário no sul de Shandong”.
Canonizado no ano 2003, pelo Papa João Paulo II, São José Freinademetz é festejado no dia de sua morte, sendo reconhecido o "Padre fundador da Igreja do Sul da província de Shandon".

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

TERESA GRILLO MICHEL

Viúva, Religiosa, Fundadora, Beata
1855-1944

25 de Janeiro
Teresa Grillo nasceu em Spinetta Marengo, na província de Alessandria, Itália, aos 25 de Setembro de 1855. Quinta e última filha de José, primário do Hospital Civil de Alessandria, e de Maria Antonietta Parvopassu, descendente de uma antiga e ilustre família alessandrina. Foi baptizada no dia seguinte, na igreja paroquial de Spinetta, recebendo também o nome de Madalena.
Dotada de um temperamento inclinado à caridade, alimentado também por um clima familiar rico de espírito cristão, no dia 1º de Outubro de 1867 recebeu a crisma, na catedral de Alessandria e, cinco anos depois, enquanto estava no colégio, a primeira comunhão.
Depois do primeiro ciclo escolar, frequentado em Turim, onde a mãe se transferira para acompanhar os estudos universitários do filho Francisco, em 1867, depois da morte do pai, foi colocada como aluna interna no colégio das Damas Inglesas, em Lodi, onde diplomou-se na idade de 18 anos.
Tendo deixado o colégio, voltou para Alessandria, onde sempre sob a guia materna, iniciou a frequentar as famílias aristocráticas da cidade.
Foi precisamente neste ambiente que conheceu o futuro marido, o culto e brilhante capitão dos " Bersaglieri ", João Michel.
Celebradas as núpcias aos 02 de Agosto de 1877, transferiu-se com o marido, primeiramente para Caserta, depois para Acireale, para Catânia, para Pórtici e, enfim para Nápoles.
Com a morte do marido, que falecera por causa de uma insolação durante uma parada em Nápoles, aos 13 de Junho de 1891, Teresa precipitou numa profunda angústia que chegou muito perto do desespero.
A recuperação quase improvisa, devida também à leitura da vida do Venerável Cotttolengo e a ajuda do primo sacerdote, Mons. Prelli, desembocou na escolha de abraçar a causa dos pobres e dos necessitados.
Teresa começou assim a escancarar as portas do próprio palácio às crianças pobres e às pessoas abandonadas e necessitadas.
A Beata Teresa Grillo morreu em Alessandria, aos 25 de Janeiro de 1944, na idade de 89 anos. O seu instituto tinha então, 25 casas na Itália, 19 no Brasil e 7 na Argentina.
Com o Processo Informativo, em 1953, foi iniciada a Causa de Canonização. Aos 6 de Julho de 1985, o Santo Padre João Paulo II, declarando-a Venerável, decretou heroicidade de suas virtudes.
O espírito da Beata Teresa Grillo para com os indigentes permanece particularmente na obra das co-irmãs, às quais costumava repetir: "Continuarei a invocar-vos a abundância do Espírito que deve distinguir a Pequena Irmã da Divina Providência: espírito de confidência verdadeiramente heróica nesta admirável emanação de Divina Bondade, já que nós devemos estar totalmente e sempre à mercê de sua divina ajuda".
Sua Santidade João Paulo II, por ocasião da exposição do Santo Sudário, a beatificou em Turim, aos 24 de Maio de 1998.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

JOSÉ NASCIMBENI

Sacerdote, Fundador, Bem-aventurado
1851-1922

22 de Janeiro

José Nascimbeni era o único filho do carpinteiro António Sartori e da dona de casa Amadea, que foi baptizado no dia 22 de março de 1851. Cresceu e fez o curso primário na sua cidade natal, Torri Del Benaco, Itália. A família modesta, mas rica em fervor a Deus, o enviou para o Colégio dos Jesuítas de Verona e depois para o Seminário diocesano.
Em 1874, recebeu o diploma de professor e foi ordenado sacerdote. Logo foi designado para a cidade de São Pedro de Lavanho, na diocese de Verona, como auxiliar do pároco e professor. Três anos depois foi transferido para a paróquia da pequena cidade de Casteletto de Brenzone, também em Verona. Quando o velho pároco morreu, as famílias influentes pediram para que o padre Nascimbeni fosse nomeado o seu sucessor, em 1885.
Padre Nascimbeni empenhou todo seu vigor na vida religiosa e civil daqueles mil habitantes. Estimulou as actividades dos paroquianos leigos, valorizando os talentos para a formação de associações e grupos religiosos. Teve igual empenho para o desenvolvimento da cidade, criando asilos, escolas para órfãos e internatos para crianças abandonadas. Para os jovens, ajudou a fundar uma fábrica de roupas, uma tipografia, uma fábrica de azeite e uma cooperativa rural. Para melhorar a vida dos habitantes conseguiu a energia eléctrica, a água potável e uma agência postal.
Não se compreendia como, estando tão ocupado, ele ainda encontrasse tempo para se dedicar as orações e as penitências que se impunha de dia ou de noite. Ele rezava em qualquer lugar, com seu rosário bem visível e sem se incomodar com as ironias. Não era raro atravessar a cidade descalço, por ter dado seus sapatos a algum mendigante.
Padre Nascimbeni precisava de religiosas com urgência para cuidar das crianças, dos velhos, dos doentes e da paróquia. Mas não as encontrava. Foi então solicitar ajuda ao bispo, que o encorajou a fundar uma congregação de religiosas para suprir esta necessidade da comunidade.
Em 1892, ele e mais quatro jovens, que depois tomaram o hábito religioso, fundou a Congregação das Pequenas Irmãs da Sagrada Família. Estas religiosas hoje estão presentes em toda a Itália, Suíça, Albânia, Angola, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil.
No dia 31 de dezembro de 1916, padre Nascimbeni sofreu uma isquemia cerebral que o deixou inválido. Foram cinco anos de sofrimentos físicos, orações e penitências, até sua morte em 22 de janeiro de 1922. Foi sepultado na Casa Mãe das Pequenas Irmãs da Sagrada Família, na cidade de Casteletto de Brenzone, Verona, Itália.
O papa João Paulo II beatificou José Nascimbeni em 1988, em Verona, e dedicou o dia 22 de janeiro para sua homenagem.