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terça-feira, 27 de abril de 2021

JOSÉ MARIA RUBIO

Jesuíta, Santo
(1864-1929)

Veio ao mundo em Dalías (Almeria) no dia 22 de Julho de 1864. Dele disse o seu avô materno: “Eu morrerei, mas quem viver verá que este menino será um homem importante e que valerá muito para Deus”.


Frequentou a escola da freguesia natal e manifestava o gosto de ler as vidas dos santos. Um seu tio, Cónego, mandou-o estudar num Instituto de Bacharelato, mas descobrindo nele sinais de vocação sacerdotal, enviou-o para o Seminário diocesano de Almeria. No Seminário de São Cecílio de Granada havia de terminar os estudos de filosofia, teologia e direito canónico. Foi ordenado no Seminário diocesano da Imaculada Conceição e de São Dâmaso, de Madrid, no dia 24 de Setembro de 1887, tendo sido incardinado nesta diocese. Na Capela da Virgem do Bom Conselho, na Catedral de Santo Isidro, celebrou a sua primeira Missa em 8 de Outubro seguinte. Em Toledo, obteve a Licenciatura em Teologia, em 1888, e Direito Canónico, em 1897. Pela manhã, entrava na igreja para rezar, dedicava-se à catequese das crianças e a todos impressionava pela sua austeridade, pobreza e caridade para com os pobres.

Enquanto desenvolvia várias actividades de carácter diocesano, não deixava de atender as pessoas no confessionário, catequese, "escolas dominicais", ao mesmo tempo que se dedicava a acompanhar diversos grupos em necessidade espiritual.

Peregrinou a Roma e à Terra Santa, deixando-se impressionar de modo especial pelos túmulos de Pedro e Paulo e Santo Sepulcro e Calvário.

Admirando de modo particular a Companhia de Jesus e chamando-se a si mesmo “Jesuíta por afeição”, entrou no noviciado da Companhia em Granada e fez os primeiros votos em 12 de Outubro de 1908; trabalhou depois em Sevilha, onde desenvolveu grande actividade apostólica; depois de três anos em Manresa (Barcelona), voltou a Madrid onde, em 2 de Fevereiro de 1917, emitiu os votos perpétuos.

Madrid foi o seu novo campo de apostolado, sendo procurado por muita gente, que atraía pelas suas pregações, porque vivia o que pregava. O seu lema era: Fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz”. Organizou e orientou diversas missões populares em Madrid. Quis fundar um instituto, “Os Discípulos de São João”, mas foi impedido de o fazer, aceitando a proibição com estas palavras: não procuro outra coisa além do cumprimento da santíssima vontade de Deus”.

Gozava de dotes místicos e de graças espirituais sobrenaturais, da profecia e da visão. Armavam-lhe ciladas para o apanharem em situações difíceis, mas acabava por impressionar a todos, mesmo os que o queriam ver envolvidos em escândalos e inquietações. Foi formador de muitos cristãos que sofreram o martírio no tempo da perseguição religiosa.

Pressentiu a sua morte e despediu-se dos seus amigos. Debilitado na sua saúde pelo imenso trabalho realizado, foi transferido para Aranjuez, para aí repousar. Mas tudo estava para terminar e José Maria exclamou: “Senhor, se queres levar-me agora, estou preparado”. Faleceu em 2 de Maio de 1929. Em Madrid, todos diziam: “morreu um santo”. Por isso, milhares de pessoas acorreram ao seu funeral; os seus restos mortais foram trasladados para a casa Professa de Madrid, em 1953.

João Paulo II beatificou-o em 6 de Outubro de 1985, em cerimónia celebrada em Roma.

Canonizado em Madrid, onde desenvolveu grande parte do seu ministério e acção sacerdotais e pastorais, no dia 4 de Maio de 2003, pelo mesmo Pontífice, João Paulo II.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

PEDRO CANISO

Jesuíta, Doutor da Igreja, Santo
1521-1597

27 de Abril

A catequese sempre exerceu um fascínio tão grande sobre Pedro Canísio que, quando tinha menos de treze anos, ele já reunia meninos e meninas à sua volta para ensinar passagens da Bíblia, orações e detalhes da doutrina da Igreja. Mais tarde, seria autor de um catecismo que, publicado pela primeira vez em 1554, teve mais de duzentas edições e foi traduzido em quinze línguas. Mas teve também grande actuação no campo teológico, combatendo os protestantes.
Peter Kanijs para os latinos, Pedro Canísio nasceu em 8 de Maio 1521, no ducado de Geldern, actual Holanda. Ao contrário dos demais garotos, preferia os livros de oração às brincadeiras. Muito estudioso, com quinze anos seu pai o mandou estudar em Colónia e, com dezanove, recebeu o título de doutor em filosofia. Mas não aprendeu somente as ciências terrenas. Com um mestre profundamente católico, Pedro também mergulhou, primorosamente, nos estudos da doutrina de Cristo, fazendo despertar a vocação que se adivinhava desde a infância.
No ano seguinte ao da sua formatura, os pais, que planejaram um belo futuro financeiro para a família, lhe arranjaram um bom casamento. Mas Pedro Canísio recusou. Não só recusou como aproveitou e fez voto eterno de castidade. Foi para Mainz, dedicar-se apenas ao estudo da religião. Orientado pelo padre Faber, célebre discípulo do futuro santo Inácio de Loyola, em 1543 ingressou na recém-fundada Companhia de Jesus. Três anos depois, ordenado padre jesuíta, recebeu a incumbência de voltar para Colónia e fundar uma nova Casa para a Ordem. Assim começou sua luta contra um cisma que abalou e dividiu a Igreja: o protestantismo.
Quando era professor de teologia em Colónia, sendo respeitado até pelo imperador, Pedro Canísio conseguiu a deposição do arcebispo local, que era abertamente favorável aos protestantes. Depois, participou do Concílio de Trento, representando o cardeal Oto de Augsburg. Pregou e combateu o cisma, ainda, em Roma e Messina, onde leccionou teologia. Mas teve de voltar à Alemanha, pois sua presença se fazia necessária em Viena, onde o protestantismo fazia enormes estragos.
Foi nesse período que sua luta incansável trouxe mais frutos e que também escreveu a maior parte de suas obras literárias. Fundou colégios católicos em Viena, Praga, Baviera, Colónia, Innsbruck e Dillingen. Foi nomeado pelo próprio fundador, Inácio de Loyola, provincial da Ordem para a Alemanha e a Áustria. Pregou em Estrasburgo, Friburgo e até na Polónia, sempre denunciando os seguidores do sacerdote Lutero, pai do protestantismo.
Admirado pelos pontífices e governantes do seu tempo, respeitado como primeiro jesuíta de nacionalidade alemã, Pedro Canísio morreu em 21 de Dezembro de 1597, em Friburgo, actual Suíça, após cinquenta e quatro anos de dedicação à Companhia de Jesus e à Igreja. Foi canonizado por Pio XI, em 1925, para ser festejado, no dia de sua morte, como são Pedro Canísio, doutor da Igreja, título que também recebeu nessa ocasião.

segunda-feira, 21 de março de 2011

NICOLAU OWEN

Irmão leigo jesuíta, Mártir, Santo
(+ 1606)

22 de Março

Pouco se sabe sobre sua juventude, mas pensa-se que ele nasceu em Oxford, Inglaterra por volta de 1550 no seio de uma família católica devota e cresceu durante as leis anticatólicas. Ele aprendeu a profissão de carpinteiro, e durante cerca de 30 anos, construiu esconderijos para os padres nas casas de famílias católicas. Viajou com frequência de uma casa para outra, sob o nome de "Little John", aceitando apenas o necessário para viver, como forma de pagamento antes de se lançar num novo projecto.
Owen era apenas ligeiramente mais alto que um anão, e sofria de uma hérnia. No entanto, o seu trabalho muitas vezes o levava a quebrar grandes pedras, e para minimizar a probabilidade de traição, muitas vezes trabalhava à noite e sempre sozinho. O número de esconderijos que ele construiu nunca será provavelmente conhecido. Devido à engenhosidade do seu trabalho, alguns desses esconderijos podem ainda hoje ser desconhecidos.
Durante muitos anos, Owen trabalhou ao serviço do padre jesuíta Henry Garnet, e foi admitido na Companhia de Jesus como irmão leigo.
Ele foi preso pela primeira vez em 1582 ou 1583, após a execução de Edmundo Campion, por proclamar publicamente a inocência deste, mas mais tarde foi libertado. Foi novamente preso em 1594, e foi torturado, mas nada revelou. Foi uma vez mais libertado depois de uma abastada família católica ter pago uma multa em seu nome. Voltou ao seu trabalho, e acredita-se que planejou a fuga do padre jesuíta João Geraldo da Torre de Londres, em 1597.
No início de 1606, Owen foi preso pela última vez en Hindlip Hall, Worcestershire, quando voluntariamente se entregou, quando procurava distrair a atenção dos soldados para que não vissem alguns padres que estavam escondidos nas proximidades.
Depois de ter sido encarcerado na prisão de Marshalsea, uma prisão, na margem sul do Tamisa, Owen foi transferido para a Torre de Londres. Ali foi submetido a bárbaras torturas, acabando por ser dependurado pelas mãos a uma espécie de grelha. Assim amarrado, ataram-lhe aos pés grandes pesos e esperaram que as suas entranhas se derramassem e com elas a vida de Nicolau.
Foi canonizado em 1970, ao mesmo tempo que trinta e nove outros mártires ingleses e galeses.
Afonso Rocha

quinta-feira, 10 de março de 2011

JOÃO OGILVIE

Presbítero, Mártir, Santo
1579-1615

10 de Março

João Ogilvie nasceu na Escócia, em 1579, duma nobre família que aderiu à separação da Igreja da Inglaterra com a de Roma. Educado numa rígida doutrina calvinista, João, com treze anos, foi enviado para a França e Alemanha por causa dos estudos. Ao deparar-se com o testemunho de vida dos católicos, iniciou uma crise espiritual, que se findou na sua conversão ao catolicismo, o que implicava, na época, a ruptura com a família e a perda de seu sustento.
Mesmo com a certeza de ser perseguido em sua pátria, João abraçou a Igreja Católica, pois, de grande honestidade intelectual, decidiu-se radicalmente por reconhecer que caminhava para a verdade, vontade e convite de Deus. Mais tarde, entrou na Companhia de Jesus, onde chamava a atenção pela sua serenidade e alegria de viver. Chegou ao Sacerdócio, o qual pôde também exercer na Escócia, de modo clandestino devido à perseguição, mas de forma corajosa e santa, até ser preso por professar sua fé ao Cristo, a verdade e amor ao Papa; por isso foi humilhado, condenado e martirizado em 1615.