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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

ISAC JOGUES

Missionário jesuíta, Mártir, Santo – 1607-1646


Isac Jogues, nascido a 10 de Janeiro de 1607, martirizado a 18 de Outubro de 1646, filho de Lourenço Jogues e de Francisca de Saint-Mesmin, era um missionário jesuíta que viajou e trabalhou com os amerindianos de América do Norte. Ele deu ao lago George o seu primeiro nome europeu, chamando-o “Lago do Santíssimo Sacramento”. Il faz parte dos mártires canadianos, que são festejados a 19 de Outubro.
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Nasceu em Orléans (França) no seio de uma grande família de negociantes desta cidade. Isac entrou para a Companhia de Jesus em 1624. Em 1635, depois de ter sido ordenado sacerdote, foi enviado para a Nova França para evangelizar as primeiras nações. Ele chegou ali ao mesmo tempo que o governador Montmagny. Com o Padre Brébeuf, foi até aos grandes lagos, onde passou a viver continuamente em perigo e isto durante seis anos. Com o Padre Garnier, Petuns e Raymbault, explorou aquela região até Sault Sainte-Marie.
Foi capturado pelos Iroquois en 1642, os quais se encontravam então em guerra com a França. Depois de ter sido torturado e reduzido à escravidão, foi levado para uma aldeia perto de Albany. Mercadores calvinistas holandeses ajudam-no a fugir. Depois do seu retorno ao país natal, onde foi acolhido pela mãe de Luís XIV, o Papa Urbano VIII autorizou-o a celebrar a Missa, mesmo se as suas mãos estavam completamente mutiladas. Depois pediu para voltar para o Canada, para o que foi autorizado, vindo a embarcar em 1644.
Em 1646, vivendo no meio dos Iraquis em Ossernenon, no Estado de Nova Iorque, onde devia negociar a paz, tanto ele como os seus companheiras receberam uma veemente repreensão porque a colheita tinha sido deficitária. Por isso foi condenado à morte, porque os Iroquois sempre o tinham considerado como um feiticeiro. Ao entrar numa cabana, recebeu um golpe de tomahawk e foi depois decapitado: a sua cabeça foi escalpada e dependurada depois numa paliçada e o seu corpo deitado ao rio Mohawk.
Isac (Isaac em francês) foi canonizado em 29 de Junho de 1930 pelo Papa Pio XI assim como os seus sete companheiros mártires canadianos. Numerosas paróquias nos Estados Unidos e no Canada tem-no como padroeiro e outras, como Asbestos e Saint-Hubert no Quebeque, honram-no festivamente todos os anos.

domingo, 4 de setembro de 2011

DINA BELANGER

Religiosa, Beata
1897-1929

O seu nome de família é Dina Bélanger. Nasceu em Quebeque, no Canadá, a 30 de Abril de 1897, de pais cristianíssimos, que a levaram a batizar no mesmo dia e lhe impuseram os nomes de Maria, Margarida, Dina, Adelaide. As mais das vezes, era chamada Dina. Recebeu uma educação austera, longe de todas as frivolidades mundanas. A piedosíssima mãe ensinou-a a rezar desde o colo materno. Por isso não é de estranhar que aos 13 anos fosse admitida na Associação das Filhas de Maria e se consagrasse a Nossa Senhora, segundo a doutrina de S. Luís Grignion de Monfort. Fez os estudos nos colégios da Congregação de Nossa Senhora.
Aos nove anos, começou a aprender a tocar harpa e fez tais progressos que aos onze recebeu o diploma, embora continuasse depois (1916-1918) a estudar música com as religiosas de Jesus e Maria, cuja fundadora foi a Beata Claudina Thévenet (1774-1837). Em 1918 voltou para casa e lá ficou até que, a 11 de Agosto de 1921, ingressou no noviciado destas religiosas, em Sillery. Nos três anos de permanência no seio da família, deu bastantes concertos musicais em reuniões e ajuntamentos, sem contudo se descuidar dos deveres para com Deus e aperfeiçoamento da própria alma.
A sua vida pode, pois, dividir-se em duas partes: 24 anos no mundo e 8 no convento. Mas tanto uma como outra dominadas pelo desejo de agradar ao Senhor em tudo e sempre. De fato, aos 14 anos fez voto de virgindade e quando começou a primeira guerra mundial ofereceu-se como vítima de expiação.
No convento, os seus ardentíssimos desejos eram de ser mártir, vítima e apóstola. A 23 de Outubro de 1924, com licença do diretor espiritual e da Superiora, fez voto de agir com perfeição em pensamentos, desejos, palavras e ações por toda a vida.
Ao descobrir que estava diante de uma alma de predileção, a Superiora pediu-lhe para escrever a sua autobiografia. Desta forma, após a sua morte, que ocorreu no dia 4 de Setembro de 1929, as prodigiosas graças que recebera de Deus e as heróicas virtudes da humilde religiosa tomaram-se amplamente conhecidas. Passou a ser invocada, e já no dia 4 de Setembro de 1939 se dava um grande milagre que, depois de rigorosissímas investigações, foi aprovado pelos professores consultados pela Santa Sé, de forma que o Santo Padre autorizou a publicação do respectivo decreto no dia 10 de Julho de 1990. Isto levou à beatificação da Serva de Deus no dia 20 de Março de 1993.
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AAS 81(1989)1262-66; 82(1990) 1636-38; L'OSS. ROM. 28.3.1993

sábado, 7 de maio de 2011

MARIA DA ENCARNAÇÃO GUYART

Viúva, Religiosa, Fundadora, Santa
1599-1672

30 de Abril

Foi chamada «Mãe da Igreja Católica do Canadá».

Aos 17 anos casa-se com Claude Martin; aos 18 anos é mãe; aos 20 anos, é já viúva. Maria recusa um segundo casamento que lhe propõem os pais e, aos 32 anos, entra no mosteiro das Ursulinas de Tours. Deus levou-a a compreender a fealdade do pecado e a necessidade da redenção. Tendo profunda devoção ao Coração de Jesus e meditando assiduamente o mistério da Encarnação, ela leva à maturidade a sua vocação missionária: «O meu corpo estava no nosso mosteiro, escreverá ela na sua autobiografia, mas o meu espírito não podia estar encerrado. O Espírito de Jesus levava-me à Índia, ao Japão, à América, ao Oriente, ao Ocidente, às paragens do Canadá e dos Hurões, e a toda a terra habitável onde houvesse almas racionais que eu via pertencerem a Jesus Cristo». Em 1639, está ela no Canadá. É a primeira Irmã francesa missionária. O seu apostolado catequético em favor dos indígenas é infatigável: compõe um catecismo na língua dos Hurões, outro na dos Iroqueses e um terceiro na dos Algonquins.
Alma profundamente contemplativa, comprometida todavia na acção apostólica, faz o voto de «procurar a maior glória de Deus em tudo o que seja de maior santificação», e em Maio de 1653 oferece-se interiormente em holocausto a Deus pelo bem do Canadá.
Mestra de vida espiritual, a ponto de Bossuet a definir como a «Teresa do Novo Mundo»,promotora de obras evangelizadoras, Maria da Encarnação une em si, de maneira admirável, a contemplação e a acção. Nela a mulher cristã realizou-se plenamente e com raro equilíbrio, nos seus diversos estados de vida: esposa, mãe, viúva, directora de empresa, religiosa, mística, missionária, isto sempre na fidelidade a Cristo, sempre em união estreita com Deus.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

MARGARIDA BOURGEOYS

Religiosa, Fundaora, Santa
1620-1700

Santa Margarida Bourgeoys, Fundadora
12 de Janeiro
Margarida Bourgeoys nasceu na cidade francesa de Troyes, na região da Champanhe, numa sexta-feira Santa, 17 de Abril de 1620. Foi baptizada no mesmo dia, na igreja de São João, vizinha da casa paterna. Era a sexta dos doze filhos de Abraão Bourgeoys e de Guilhermina Garnier e cresceu no seio de uma família profundamente cristã, pertencendo à burguesia da dita cidade.
Aos dezanove anos perdeu a mãe. No ano seguinte, aquando de uma procissão em honra de Nossa Senhora do Rosário, sentiu-se atraída de maneira particular ao ver a imagem da Virgem. Esta “visão” transforma-a e faz nascer nela o desejo de se retirar do mundo para se consagrar ao serviço de Deus. E daí em diante, ela vai procurar perscrutar qual poderá ser verdadeiramente a sua vocação, para nela deixar que se cumpra a vontade de Deus.
A sua primeira preocupação foi de se inscrever como externa na Congregação “das jovens piedosas e caridosas destinadas ao ensino das crianças dos bairros pobres da cidade de Troyes”. Foi ali que ela teve conhecimento, em 1642, da fundação de Vila Maria, próxima da cidade de Montréal, no Canadá (então província francesa). Animada pelo zelo às coisas de Deus, apercebeu-se que esta era uma ocasião de pôr em prática o que lhe ditava o seu generoso coração: consagrar-se inteiramente ao ensino das crianças mais pobres e por isso mais necessitadas. Este decisão precisou-se ainda mais claramente quando em 1652 se encontrou com “Monsieur” de Maisonneuve, fundador e governador daquele posto avançado da Nova França e que justamente procurava uma leiga a quem pudesse confiar a instrução das crianças, francesas e indianas, daquela longínqua região francesa.
Como para confirmar a vocação, a Virgem Maria apareceu a Margarida e disse-lhe, maternamente: “Vai, Eu nunca te abandonarei!”
Assim tranquilizada, Marguerida deixou Troyes em Fevereiro de 1653, na mais completa miséria. Chegou a Montreal em 16 de Novembro seguinte. Prontamente, começou a trabalhar e se tornou a alma da colónia que a pouco e pouco retomou vida. É considerada, com razão, como co-fundadora de Montreal, tal como Jeanne Mance, enfermeira, e Maisonneuve o “mestre de obra”.
Para estimular a piedade dos colonos, ela mandou levantar uma Cruz em Mont-Royal posta abaixo pelos índios inimigos. Mas nem isto foi motivo para diminuir a sua coragem e logo se lançou na construção de um capela dedicada a Nossa Senhora do Bom Socorro. Convencida da importância das famílias na construção do novo país, ele apercebeu-se do papel fundamental das mulheres e faz todos os esforços para atrair e formar.
Em 1658, num estábulo cedido pelo Governador, ela abriu a primeira escola em Montreal. Em seguida, fundou uma Congregação externa inspirada na de Troyes, mas adaptada às novas exigências, para satisfazer as necessidades das mulheres e meninas cuja ignorância religiosa e secular poderia comprometer a boa educação dos filhos e o futuro da colónia. De 1659, ela hospeda meninas recrutadas pelos sacerdotes das paróquias de França ou dotadas pelo Rei para se virem casar em Montreal, comportando-se em relação a elas como uma verdadeira mãe. Assim nasceu um sistema escolar e se teceu uma rede de obras sociais que, pouco a pouco, se estenderam por todo o país, que valerá a Margarida o título de “Mãe da Colónia” e de co-fundadora da Igreja do Canadá.
Três vezes ela veio a França para pedir ajuda ajuda. Desde 1658 o grupo das professoras que acompanharam na sua vida de oração, de pobreza heróica e de incansável dedicação ao serviço do próximo, reveste-se das aparências de um autêntico Instituto religioso. Ele inspira-se da “vida viajante” de Maria e quer-se, por conseguinte não monástica, novidade que originou críticas, não só à Congregação, mas também à sua fundadora. Mas a Congregação de Nossa Senhora progrediu e acabou mesmo por receber o alvará de Luís XIV em 1671, e em seguida a aprovação canónica por carta pastoral do Bispo de Québec em 1676 e finalmente, a aprovação das suas constituições religiosas em 1698.

A etapa da fundação tendo sido ultrapassada, a irmã Bourgoys podia agora partir para a Casa do Pai.
Ela morreu em 12 de Janeiro de 1700 em odor de santidade em Montreal, depois de ter oferecido sua vida para a cura de uma irmã mais nova.

Margarida Bourgeoys foi beatificada por Pio XII em 12 de novembro de 1950.
No dia 31 de Outubro de 1982, o Papa João Paulo II canonizou-a, oferecendo assim à nação canadiana a “sua” primeira Santa.
Afonso Rocha