quarta-feira, 7 de setembro de 2011

EUGÉNIA PICCO

Religiosa, Beata
1867-1919

Nasceu em Crescenzago, Milão (Itália) a 8 de Novembro de 1867. Seu pai era um excelente músico do teatro "La Scala" de Milão.
Foi criada quase exclusivamente pelos avós e só encontrava os seus pais durante breves intervalos.
Certa vez, a sua mãe voltou de uma viagem sozinha, anunciando a morte do marido, de quem nunca mais voltará a ouvir falar.
Obrigada a viver com a mãe e o seu amante, cresceu num ambiente pouco religioso e moralmente malsão, convivendo com as aspirações mundanas da mãe, que a queria transformar numa famosa cantora.
Todos os dias rezava na Basílica de Santo Ambrósio para pedir ajuda a Deus, quase sem O conhecer. Numa tarde de Maio de 1886, sentiu na sua alma a vocação para a santidade e, a partir desse momento, caminhou sempre rumo à perfeição.
Quando tinha vinte anos fugiu de casa para entrar na Congregação das Pequenas Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, onde foi recebida com compreensão e carinho pelo seu fundador, Pe. Agostinho Chieppi. Começou o noviciado em 1888 e, seis anos mais tarde, emitiu a profissão religiosa perpétua. Simples e humilde, fiel e generosa, entregou-se sem reservas:  às alunas do colégio, a quem ensinava música, canto e francês; às noviças, de quem foi mãe e mestra; às suas irmãs, como secretária-geral e conselheira. Em Junho de 1911 foi eleita Superiora-Geral, cargo que ocupou até à morte.
Mulher corajosa, sábia e equânime, durante o seu governo desenvolveu uma actividade prudente que contribuiu para a consolidação definitiva do seu instituto. Foi mãe para todos, especialmente para os pobres e marginalizados, a quem servia com generosidade incansável, encontrando o apoio vital para a sua vida interior e a sua actividade apostólica na Eucaristia, seu grande amor, centro de piedade, alimento e alívio para os dias densos de oração e de cansaço.
De saúde frágil, consumada por uma tuberculose óssea, em 1919 sofreu a amputação da perna direita e, a 7 de Setembro de 1921, morreu aceitando todos os padecimentos com paciência e amor.

VICENTE DE ALBUFEIRA

Vicente de Santo António
Presbítero Mártir, Beato
1590-1629

Nasceu em 1590. em Albufeira, no Algarve. Seus pais, António Simões e Catarina Pereira, educaram-no na piedade e nos bons costumes e mandaram-no estudar para Lisboa, onde foi ordenado sacerdote com 27 anos.
Só quatro anos mais tarde, já no México, para onde tinha partido como missionário, ingressou na Ordem de Santo Agostinho. Feita a profissão, sentiu o desejo de ser missionário em terras japonesas, o que ocorreu em 1923.
Aí mudou de nome e de aspecto: tornou-se caixeiro ambulante, pregando nas casas que lhe abriam as portas, consolando os perseguidos, convertendo os gentios. Apesar do seu disfarce, foi preso seis anos mais tarde e condenado à morte. Resistiu admiravelmente a todos os tormentos e acabou queimado pelas chamas de uma fogueira. São admiráveis as cartas que escreveu aos seus amigos e discípulos já durante os tempos de martírio, exortando-os à fidelidade ao Senhor Jesus.
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Cf. "Santos de cada dia", do Pe. José Leite, sj

REGINA DE ALESIA

Virgem, Mártir, Santa
século III

Regina ou Reine, seu nome no idioma natal, viveu no século III, em Alise, antiga Gália, França. O seu nascimento foi marcado por uma tragédia familiar, especialmente para ela, porque sua mãe morreu durante o parto. Por essa razão, a criança precisou de uma ama de leite, no caso uma cristã. Foi ela que a inspirou nos caminhos da verdadeira fé e da virtude. Quando adolescente a própria Regina pediu para ser batizada no Cristianismo, embora o ambiente em sua casa fosse pagão.
A cada dia se tornava mais piedosa e tinha a convicção de que queria ser esposa de Cristo. Nunca aceitava o cortejo dos rapazes que queriam desposá-la, tanto por sua beleza física como por suas virtudes e atitudes, que sempre eram exemplares. Ela simplesmente se afastava de todos, preferindo passar a maior parte do seu tempo reclusa em seu quarto em oração e penitência.
Entretanto, o real martírio de Regina começou muito cedo e, em sua própria casa. O seu pai, um servidor do Império Romano chamado Olíbrio, passou a insistir para que ela aprendesse a reverenciar os deuses. Até que um dia recebeu a denuncia de que sua filha Regina era uma cristã. No início não acreditou. Mas decidiu que iria averiguar bem o assunto.
Quando Olíbrio percebeu que era verdade. Denunciou a própria filha, Regina, ao imperador Décio, que desejou seduzí-la com promessas vantajosas, caso renegasse Cristo. Ao perceber que nada conseguiria com a bela jovem, muito menos demove-la de sua fé, ele friamente a mandou para o suplício. Regina sofreu todos os tipos de torturas e, depois foi decapitada.
O culto à Santa Regina, se difundiu por todo o mundo cristão e assim suas relíquias foram varias vezes transladadas para várias igrejas. Até que, no local onde foi encontrada a sua sepultura, foi construída uma capela que atraiu grande número de fiéis que pediam por sua intercessão na cura e proteção. Logo em seguida surgiu a construção de um mosteiro e, ao longo do tempo, grande número de casas. Foi assim que nasceu a charmosa vila Sainte-Reine, ou melhor: Santa Rainha, na França. Esta festa secular ocorre tradicionalmente em todo o mundo cristão no dia 7 de setembro.
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ELEUTÉRIO DE ROMA

Abade, Santo
Século VI

Santo Eleutério (nome de origem grega que significa "livre"), nos é conhecido pelos Diálogos de S. Gregório Magno. Eleutério viveu no Séc. VII, religioso, era abade do mosteiro de S. Marcos Evangelista junto aos muros de Espoleto, lugar onde viveu também S. Gregório Magno que, antes de tornar-se Papa, tinha a Santo Eleutério na condição de "Pai venerável".
Viveu em Roma muito tempo. Lá morreu também. Os seus discípulos contavam que ele, com a oração, tinha ressuscitado um morto. Era homem de enorme simplicidade e compunção. S. Gregório conta-nos o epísódio em que Santo Eleutério orou, juntamente com os outros irmãos do mosteiro, por uma criança que era atormentada pelo demônio. A criança foi liberta. Também o próprio S. Gregório narra em seus escritos as graças que alcançou para si, a partir da oração de intercessão de Santo Eleutério: "Mas eu pude experimentar pessoalmente a força da oração deste homem(...) Ouvindo a sua benção, o meu estômago recebeu tal força que esqueceu totalmente a alimentação e a doença. Fiquei pasmado: como tinha estado! Como estava agora!"

ZACARIAS, PROFETA

Profeta e Santo
- 520

No começo do livro do profeta Zacarias, está escrito: «No oitavo mês do segundo ano do reinado de Dario, a palavra do Senhor foi dirigida ao profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ado» (Za. 1,1). E, como se uma vez não chegasse, o autor do Livre repete a mesma informação um pouco mais adiante (Za. 1,7).
É que a vida do profeta Zacarias é cercada de visões, profecias e prodígios. Até mesmo o seu nome que significa “o Senhor lembrou” imprime ao texto uma dimensão particular, nas Escrituras Sagradas, no livro com seu nome, no qual são narradas as passagens de sua vida religiosa. Ele é constantemente citado no Novo Testamento.
Viveu o seu ministério profético por volta de 520 antes de Cristo, quando estava sendo erguido o Templo de Jerusalém. Tendo recebido o chamado de Deus, foi convidado a espalhar a Sua palavra, para que se fizesse penitência tendo em vista a vinda de Jesus, ou do próprio Deus encarnado, em um novo tempo onde reinariam a paz e a alegria, como aqui se pode ler: «Solta gritos de alegria, regozija-te, filha de Sião. Eis que venho residir no meio de ti» (Za. 2,14).
Todavia, então como agora, os surdos tornaram-se ainda mais surdos e os cegos mais cegos, o que levou o Senhor a anunciar a sua justiça, porque « Ele os chamou em vão, e não foi atendido (...) por isso não os ouvi quando clamaram a mim. Dispersei-os por todas as naçõ es que lhes eram desconhecidas; depois que partiram, a terra ficou abandonada e ninguém mais transitou por ela. Transformaram num deserto uma terra de delícias» (Za. 7,13-14).
Mas a misericórdia divina é maior do que a falta, do que a maldade de Israel, por isso mesmo o profeta canta, em Nome do Senhor: «Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta» (Za. 9,9).
E ainda: «Voltai, pois, para a vossa terra, vós que viveis de esperança. Desde agora vos anuncio que vos indenizarei em dobro» (Za. 9,12).
A sua característica é o messianismo. Zacarias, pertencia à tribo de Levi e já idoso, voltou para a Palestina. Em sua velhice continuaria sua obra, que denunciava o fim dos tempos, acreditando na vinda do Salvador à terra. Morreu em idade avançada e o seu túmulo encontra-se ao lado do túmulo de Ageu.

TERESA DE CALCUTÁ

Religiosa, Beata
1910-1997
Sua Vida: um acto de amor

A vida de Ganxhe Bojaxhiu começou no seio de uma família católica albanesa. Foi dentro da família, e sobretudo graças à intensa religiosidade de sua mãe, Drana, que nela despertou-se  aos seus apenas 12 anos, a vocação à vida religiosa.
Ganxhe nasceu em 26 de agosto de 1910 em Skopje, capital da Macedônia, que então era uma pequena cidade de vinte mil habitantes sob o domínio turco, mas havia permanecido durante muito tempo a Albânia. Seu pai, Nikoll Bojaxhiu, sentia uma grande paixão pela recuperação da Macedônia albanesa à pátria mãe e a isso dedicou grande parte de sua vida.
Em 1912, quando Ganxhe tinha apenas dois anos, Skopje libertou-se do domínio turco e conseguiu sua independência como capital da República albanesa da Macedônia, mas poucos anos depois caiu sob o poder sucessivo de Sérvia, Grécia e Bulgária. Nas eternas e sangrentas guerras balcânicas.
Teve dois irmãos mais velhos Age e Lázaro com quem sempre se deu muito bem. Como relata Lázaro que morreu em 1981, “à nossa família não faltava nada porque meu pai tinha um negócio de materiais de construção, em sociedade com um italiano, e possuía duas casas com jardim”.
Nos Balcãs os conflitos étnicos continuavam. A paixão política do pai desembocou,  ao parecer,  em sua própria morte. Em 1919, Nikoll Bojaxhiu viajou a Belgrado para participar de uma reunião dos nacionalistas albaneses. Ao regressar a casa, de noite, disse a sua mulher Drana que se sentia mal. Na madrugada o levaram a um hospital com uma hemorragia interna e faleceu no dia seguinte, enquanto o operavam.
Ganxhe tinha então nove anos e a família suspeitou sempre que o pai da futura Madre Teresa tivesse sido envenenado. A desgraça terminou com a prosperidade familiar. O sócio italiano liquidou a sociedade e a mãe de Teresa teve de assumis os gastos de sua família.
Enquanto a mãe de Ganxhe enfrentava com dignidade o intenso trabalho para sobreviver, sua religiosidade se intensificou. Com efeito, Drana assistia com seus filhos ao santuário mariano da Virgem de Letnice. Aí notou que a mais pequena – Teresa – gostava de ficar sozinha durante os ofícios religiosos. Como viviam ao lado da paróquia do Sagrado Coração, participavam diariamente da atividade da Igreja. Também se deu conta de que Ganxhe preferia permanecer durante horas, em silêncio.
O pároco era o padre Frnajo Jambrekovic, que descobriu que Ganxhe gostava muito de ler as histórias dos missionários, um gênero literário-religioso então cultivado. Além disso, era assídua leitora das crônicas que os entusiasmados jesuítas  de Skopje enviavam para contar sobre seu trabalho missionário na Índia.
"Não tinha completado ainda 12 anos, quando senti o desejo de ser missionária", contou mais tarde a Madre Teresa.
Com efeito,  ainda criança, Ganxhe entrou para a Congregação Mariana das Filhas de Maria, que tinha uma filial em sua paróquia. Os mais pobres acudiam à Igreja e também à casa de Drana onde curiosamente “nossa mãe nunca os mandava de volta com as mãos vazias”, contou Lázaro. Ganxhe sentia que sua vocação crescia junto com a atividade de assistência.
"Aos pés da Virgem de Letnice, escutei um dia o chamado Divino que me convencia de servir a Deus", disse muitos anos depois a Madre Teresa que confessou descobrir a intensidade do chamado graças "a uma grande alegria interior".
Quando completou 18 anos, o chamado à vocação religiosa se fez irresistível para Ganxhe e em 25 de dezembro de 1938 partiu para  sempre de Skopje rumo a Rathfarnham, na Irlanda, onde se encontrava a casa geral do Instituto da Beata Virgem Maria.
Ganxhe queria ser missionária na Índia e o jesuíta lhe havia informado que no Estado de Bengala as freiras dessa congregação faziam um excelente trabalho. Depois de uma longa viagem a futura religiosa chegou à casa das Damas Irlandesas ou Irmãs de Nossa Senhora de Loreto. A acolhida foi afetuosa e a estada em Rathfarnham foi somente momentânea, já que embarcou rumo a Bengala. Após 37 dias em alto mar chegou em 6 de janeiro de 1929. Durante a primeira semana esteve em Calcutá e daí viajou 51 dias até Dajeerling, ao seminário da Ordem. Começou a estudar e quando chegou a hora de professar, em 24 de maio de 1931, escolheu o nome de Teresa.
"Querida mamãe, gostaria muito de estar contigo, Age e Lázaro, mas devo dizer que tua pequena Ganxhe é feliz...Esta é uma vida nova. Sou professora e gosto do trabalho. Todos aqui nos amamos muito", escreveu a sua mãe Drana, a quem nunca mais voltou a ver desde que se mudou de Skopje, em 1928.
Também com estas palavras, a jovem albanesa descrevia concretamente a segunda etapa de sua vida, entre os 18 e 38 anos de idade, onde já com o nome de Teresa, era religiosa das Damas Irlandesas na Índia e professora de história e geografia, destinada em aparência a uma vida tranquila.
Depois de seu desembarque em 1929 em Calcutá, a noviça adolescente tomou outros 51 dias de viagem para subir a Darjeeling, onde estava o convento da ordem fundada pela missionária Mary Ward.
A “pequena postulante estava” se empenhou no noviciado, estudou para ensinar, que era a especificidade missionária das Damas Irlandesas, e professou os hábitos em maio de 1931, aos 21 anos. “De acordo com as constituições da Congregação de Loreto, devia mudar de nome. “Escolhi chamar-me Teresa”, contou anos depois devido à figura  inspiradora de Santa Teresa D’Ávila. “Mas não foi pela grande Teresa que escolhi o nome – disse – mas sim pela pequena: Santa Teresa de Lesieux”.
Na Índia colonial britânica, onde fervilhava as aspirações pela independência e Mahatma Gandhi pregava a não violência, a irmã Teresa foi destinada às cátedras de história e geografia no colégio Santa Maria, único secundário para meninas católicas  de Calcutá. A escola estava reservada às famílias de classe média e alta.
Durante seis anos confirmou três vezes seus votos de profissão, até que em 24 de maio de 1937, na festa de Maria Auxiliadora e na Casa de Loreto onde residia,  Teresa Bojaxhiu professou de forma perpétua a sua vocação de religiosa.
Logo, seu labor se multiplicou e começou a ensinar também no colégio Entally, de sua congregação, onde iam as meninas pobres. Como era em frente ao Santa Maria, a irmã ia e vinha, trabalhando dia e noite.
Seu trabalho era ótimo e as superioras da Congregação a nomearam diretora escolástica do colégio Santa Maria. Entretanto já se vislumbrava seu chamado concreto quando a religiosa começou a dedicar-se às “Filhas de Santa Ana”. Este era um ramo das freiras de Loreto integrada por irmãs indianas de Bengala, que cumpriam com a regra jesuítica imposta pela fundadora Mary Ward.
As Filhas de Santa Ana viviam à maneira das bengalis e sem dúvida inspiraram muito a Teresa em seu projeto posterior de dar vida às Missionárias da Caridade. Vestiam o sari indiano tecido em algodão pobre. Comiam sentadas sobre a terra, como nas aldeias de onde vinham, comiam com as mãos de acordo com o estilo camponês. Rezavam e meditavam na capela sentadas ou ajoelhadas sobre esteiras.
Teresa foi encarregada de dirigir a formação espiritual das Filhas de Santa Ana que hoje formam uma congregação autônoma. Absorveu em grande parte o estilo das freiras bengalis e o transmitiu a suas freiras anos mais tarde, quando criou as Missionárias da Caridade. O momento crucial para a sua vida que a convertia em Madre Teresa de Calcutá, deu-se de improviso. Ela mesma nos conta: “Ocorreu em 10 de setembro de 1946, durante a viagem de trem que me levava ao convento de Darjeeling para fazer os exercícios espirituais. Enquanto rezava em silêncio a nosso Senhor, adverti um chamado dentro do chamado. A mensagem era muito clara: devia deixar o convento de Loreto (em Calcutá) e entregar-me ao serviço dos pobres, vivendo entre eles”.
Aquela visão, que Teresa considerou de inspiração sobrenatural, foi uma iluminação interior que apresentou de imediato uma enorme complicação: como realizá-la. Faltavam ainda dois anos, mas se iniciava já para a irmã Teresa a passagem final para sua vida nova, definitiva, vida: a de Madre Teresa de Calcutá.
Recebeu a permissão da Santa Sede e começou a levar os moribundos das ruas para um lar onde eles pudessem morrer em paz e dignidade. Também abriu um orfanato. Gradualmente, outras mulheres se uniram a ela de modo que, em 1950 recebeu a aprovação oficial para fundar uma congregação de religiosas, as Missionárias da Caridade, que se dedicariam a servir aos mais pobres entre os pobres.
A religiosa encontrou imediatamente uma multidão de seguidores e quando em 7 de outubro de 1950 o Papa Pio XII reconheceu a congregação, a instituição da Madre Teresa contava com centenas de membros em todo o mundo.
As Irmãs da Caridade são quase 4.000 espalhadas em 424 casas estabelecidas em 95 países de todo o mundo. Dispostas a defender a vida, a congregação se mobilizou em mais de uma ocasião em defesa dos direitos dos pobres, contra o aborto e a eutanásia.
Todas as nações lhe abriram suas portas incluindo China, Cuba e a Ex-União Soviética. Uma vez, referindo-se às atividade de sua congregação na América Latina, a Madre Teresa contava que “minhas freiras, dada a escassez de sacerdotes, pregam, dirigem a oração, dão a comunhão. A única coisa que não fazem é dizer a missa. Inclusive  confessam se bem que não podem dar a absolvição”,  precisou a missionária.
A Madre Teresa, uniu sua vida a Calcutá e à Índia e em 1949 solicitou e obteve a nacionalidade deste país. O Papa João Paulo II confiou às religiosas de Madre Teresa a casa “Dom de Maria” aberta no Vaticano, ao lado do Palácio do Santo Ofício, para assistir aos mais pobres e aos moribundos da Itália.
Não somente o atual Papa expressou uma especial admiração à valente missionária, mas os anteriores Pontífices também manifestaram seu máximo respeito. Paulo VI concedeu-lhe nos anos 60 um passaporte diplomático Vaticano por causa de uma mediação humanitária que a Madre Teresa  realizou no Paquistão.
A Madre Teresa recebeu em 1972 o prêmio da Fundação Kennedy e em 1978 o então presidente da República da Itália,  Sandro Pertini, entregou-lhe o prêmio Baszan. O Prêmio Nobel da Paz chegou em 1979.
A Madre Teresa o aceitou com a mesma humildade com a que sempre recebeu as múltiplas homenagens que lhe foram concedidas e destinou a seus pobres os quase 12. 000 dólares do galardão.
Em 1974, Paulo VI a visitou pessoalmente na Índia e, doze anos mais tarde recebeu a João Paulo II que incluiu no programa da viagem uma visita à “Nirmal Hidray”, a “Casa do coração puro” fundada pela religiosa, mais conhecida em Calcutá como “a casa do moribundo”.
A Madre Teresa de Calcutá faleceu na Sexta-feira 5 de setembro de vítima de uma parada cardíaca. Milhares de pessoas de todo o mundo se congregaram formando várias filas na Igreja de Santo Tomás para despedir-se da Madre Teresa.
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LOURENÇO JUSTINIANO

Bispo, Santo
1380-1456

Filho da nobre família Justiniano, Lourenço nasceu em Veneza, no dia 1 de julho de1380. Desde cedo já manifestava seu repúdio ao orgulho, à ganância e corrupção que havia em sua terra natal. Na adolescência teve uma visão da Sabedoria Eterna e decidiu se dedicar à vida religiosa.
Sua única ambição era amar e servir a Deus. Procurando o aprimoramento espiritual, tornou-se um mendigo em sua cidade, chegando a esmolar na porta da casa de seus próprios pais. A vanguardista Veneza do século XV era um efervescente laboratório de reforma católica, destinado a produzir frutos preciosos. Um deles foi Lourenço Justiniano.
Aos dezenove anos de idade ele era considerado um modelo de virtude, austeridade e humildade. Em 1404, já diácono se uniu a outros sacerdotes e ingressou no Mosteiro de São Jorge em Alga, para viver em comunidade com eles, depois reconhecidos como “Companhia dos cônegos seculares”, pioneiros do esforço reformador. Tornou-se sacerdote em 1407 e dois anos depois foi eleito superior da comunidade de São Jorge em Alga.
Não era um bom orador, em contrapartida tornava sua pregação eficiente com sua dedicação ao mistério do confessionário, seu exemplo de humilde mendicante e seu trabalho de escritor incansavelmente. Sua obra inclui livros para doutores e leigos, incluindo tratados teológicos e simples manuais de catequese. Os seus escritos trazem a matriz da idéia da “Sabedoria Eterna” eixo da sua mística, tanto para a perfeição interior como para a retidão da vida episcopal.
A contragosto em 1433, foi consagrado Bispo de Castelo, uma pequena diocese. Em 1451 o Papa Nicolau V extinguiu esta diocese e consagrou Lourenço Justiniano o primeiro Patriarca de Veneza. Nestas administrações deixou sua marca singular impressa com suas virtudes, sendo considerado um homem sábio, piedoso e caridoso, principalmente com os mais pecadores. Nestes cargos ergueu mais de quinze conventos e muitas igrejas, aumentando assim seu já enorme rebanho. Tornou-se um exemplo de pastor, amado por todos os fiéis, que obedeciam a sua pregação e exemplo no seguimento de Cristo.
Rodeado por seus amigos do clero em seu leito de morte, no dia 8 de janeiro de 1456. Lourenço Justiniano deixou como mensagem aos cristãos: "Observai os mandamentos da lei de Deus". Depois de sua morte, muitos milagres foram atribuídos à intercessão de São Lourenço Justiniano, por isso, foi canonizado no ano de 1690 pelo Papa Alexandre VIII. Sua festa foi indicada para ser celebrada no dia 05 de setembro.
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