sexta-feira, 2 de setembro de 2011

DOROTEA DE CESAREiA

Virgem, Mártir, Santa
† 304

A Igreja festeja hoje o dia de uma das mais gloriosas esposas de Jesus Cristo: A vida e ainda mais a morte desta Santa é uma prova da verdade que vemos estampada na história da Igreja: que Deus se serve de preferência da fraqueza, para confundir os fortes. É a mulher cristã que, destinada a esmagar a cabeça de Satanás, dá provas de um heroísmo que dificilmente encontramos entre os homens. Daí o ódio que Satanás vota à mulher cristã, ódio este fundado no medo e na convicção da impotência dos seus esforços.
Doroteia, filha de um senador romano, nasceu em Cesareia, na Capadócia. De educação distintíssima, Doroteia aliava à riqueza dotes invejáveis, naturais e sobrenaturais. Tinha o governador Fabrício recebido ordens imperiais para exterminar a religião cristã. Uma das primeiras vítimas foi Doroteia. Embora pouco aparecesse em público, era uma verdadeira apóstola de Cristo pela actividade que desenvolvia entre os cristãos, animando-os à constância na luta contra os perseguidores. Citada perante o governador, este sem delongas exigiu que sacrificasse aos deuses. Pronta lhe veio a resposta: “Sendo cristã, só servirei a Deus, rei do céu e da terra, para os deuses não tenho senão desprezo”.
Na discussão que seguiu estas palavras, Fabrício, cativo da formosura de Doroteia fingiu querer sujeitá-la à tortura, para torná-la mais condescendente. Doroteia, porém, disse aos algozes: “Que esperais? Fazei o que é vosso dever. Sofrer pelo amado do meu coração é delícia !” Vendo que não conseguia  o intento, Fabrício entregou a Mártir a duas irmãs, Cresta e Calixta, que, há pouco haviam negado a fé. O resultado foi que as duas apóstolas, movidas pela argumentação e pela oração da Santa, se arrependeram da falta e apresentaram-se a Fabrício, declarando fidelidade a Cristo até à morte. Amarradas uma a outra, foram ambas queimadas vivas e metidas em enxofre fervente. Doroteia, longe de lastimar a sorte das companheiras, felicitou-as pela palma do martírio que ganharam. Ela mesma foi estendida sobre o instrumento da tortura, barbaramente açoitada e de mil modos atormentada. Como sinal de desprezo pelas dores, Doroteia louvava a Deus em altas vozes e demonstrava grande satisfação. Perguntada por Fabrício porque tanto se alegrava, respondeu-lhe: “Hoje é o dia mais belo da minha vida; pois arrebatei duas irmãs das garras do demónio e ganhei-as para Cristo; regozijo-me por isto com os Anjos e Santos. Meu coração arde de desejo de estar com meu Esposo divino. Ah !  Fabrício és tão inepto como teus deuses !”   Fabrício, diante desta ofensa, condenou a santa Mártir à morte pela espada. A donzela, ouvindo a sentença, exclamou jubilosa: “Graças a meu Deus, que me chama às núpcias eternas !” Era inverno e fazia muito frio. A natureza apresentava um aspecto triste e as árvores ostentavam os galhos desfolhados e secos. Em caminho para o lugar do suplício, Doroteia disse às amigas que a acompanhavam: “Como é triste a terra e sem vida: feliz de mim, que vou para uma terra onde sopram ares mais suaves, onde é mais claro o brilho do sol, onde verdejam os campos, brotam fontes cristalinas, onde, no jardim de meu Esposo, vicejam as flores, desabrocham os lírios em toda formosura, abrem-se as rosas em todo o fulgor e amadurecem os frutos do paraíso”.
Apanhou estas palavras Teófilo, jovem advogado, espírito folgazão, que não deixava passar ocasião, sem dizer uma sensaboria sobre a “superstição” dos cristãos. Disse à Doroteia: “Escuta, esposa de Cristo, manda-me algumas daquelas rosas e maçãs dos jardins e pomares de teu Esposo, de quem estás a falar tanto”.
Doroteia respondeu-lhe, embora lacónica, mas resolutamente: “O que desejas, hoje mesmo o terás; não duvides, que to mandarei”.  Chegada ao lugar do suplício, Doroteia ajoelhou-se e recomendou a alma ao divino Esposo. Enquanto estava rezando, apareceu-lhe um Anjo, em figura de um jovem formoso, que lhe ofereceu três maçãs belíssimas e outras tantas rosas de um aroma delicioso. Vendo o presente, Doroteia disse ao Anjo: “Peço-te o favor de levares isto a Teófilo e dizer-lhe que são as frutas e flores, que Doroteia lhe prometeu mandar do jardim do divino Esposo”. Dito isto, entregou-se ao algoz que, com um único golpe, pôs termo à existência terrestre da Santa.
Teófilo recebeu o presente de Doroteia na hora em que, rodeado de amigos, contava a grotesca pilhéria. Qual foi a admiração e espanto, ao ter nas mãos o penhor da promessa da santa Mártir: maçãs maduras e rosas em tempo de inverno ! De mofador, tornou-se admirador do cristianismo e esclarecido por uma luz divina, exclamou: “Não existe realmente outro Deus a não ser o dos cristãos. De hoje em diante só a ele adorarei”. De fato, converteu-se.
Tendo Fabrício notícia desta conversão, mandou chamar Teófilo à sua presença, para em pessoa ter confirmação do ocorrido. Teófilo, de fato, declarou ser sua decisão absoluta seguir o exemplo de Doroteia e abandonar o culto dos deuses, ainda que lhe custasse a vida. Custou-lhe a vida, pois Fabrício o condenou à morte pela espada. A pena foi executada imediatamente e um martírio de pouca duração levou Teófilo à bem-aventurança eterna. Pouco antes da execução, Fabrício lhe disse: “Poupa, desgraçado, a tua vida !”  ao que Teófilo respondeu: “E tu, mais desgraçado que eu, tem pena de tua alma. Pouco importa o corpo, contanto que salve a minha alma e entre no gozo de meu Deus”.
As relíquias de Doroteia e Teófilo acham-se em Roma, na Igreja consagrada à memória dos dois mártires.
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GREGORIO MAGNO

Papa, Doutor da Igreja, Santo
Baluarte da Idade Média nascente
Doutor da Igreja, um dos maiores Papas da História, dirigiu a Barca de Pedro com rara habilidade e deu rumo à conturbada época em que viveu.
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“Gregório é certamente uma das mais notáveis figuras da história eclesiástica. Exerceu em vários aspectos uma significativa influência na doutrina, organização e disciplina da Igreja Católica. A ele devemos olhar, para a explicação da situação religiosa da Idade Média; com efeito, não se levando em conta seu trabalho, a evolução da forma da Cristandade medieval seria quase inexplicável. Tanto quanto o moderno sistema católico é um legítimo desenvolvimento do catolicismo medieval, não sem razão Gregório deve também ser chamado seu pai. Quase todos os princípios directivos do subsequente Catolicismo são encontrados, pelo menos em gérmen, em Gregório Magno”[1].
Ele “merece o glorioso título de Magno por todas as razões que podem elevar um homem acima de seus semelhantes: porque foi magno em nobreza e por todas as qualidades que vêm do nascimento e dos ancestrais; magno nos privilégios da graça com que o Céu o cumulou; magno nas maravilhas que Deus operou por seu intermédio; e magno pelas dignidades de Cardeal, de Legado, de Papa, para as quais a divina Providência e seus méritos o elevaram”[2].

Esmerada e virtuosa educação

Gregório nasceu em Roma no ano 540. Seu pai, Gordiano, era senador. Muito rico, após o nascimento do filho consagrou-se inteiramente a Deus no serviço dos pobres. Sua mãe, Sílvia, não era menos ilustre nem menos virtuosa, e passou os últimos anos de sua vida em contemplação num pequeno oratório para onde se retirou. Além de sua mãe, duas de suas tias, Tarsila e Emília, foram também elevadas à honra dos altares. Assim, seu primeiro biógrafo, João, o Diácono, fala de sua educação como sendo a de um santo entre santas[3].
Dotado de excepcional inteligência e brilhante memória, Gregório aprendeu com facilidade as letras divinas e humanas. É bem provável que tenha também estudado Direito. São Gregório de Tours, que nos deixou algumas impressões sobre ele, diz que em gramática, retórica e dialética ele era tão hábil que, segundo voz corrente, não tinha igual em toda Roma. Diz também que ele se entregou a Deus desde sua juventude.
Enquanto seu pai foi vivo, Gregório tomou parte na vida do Estado e chegou a ser prefeito de Roma. Com a morte daquele, resolveu retirar-se do mundo e consagrar-se a Deus. Isso deu-se provavelmente em 574. Com sua grande fortuna, fundou seis mosteiros na Sicília, além de um em Roma, em seu palácio, com o nome de Santo André. Nele tomou o hábito religioso. Sua caridade para com os pobres era tão grande, que foi premiada com vários milagres.
Em 577 o papa Bento I o nomeou cardeal-diácono ou regional. Os que estavam revestidos dessa dignidade, sete ao todo, presidiam às sete regiões principais de Roma para atender às suas necessidades.
Mais tarde o Papa Pelágio II enviou-o a Constantinopla, como legado e embaixador junto ao imperador Tibério. Sua missão principal consistia em mover o imperador a pôr ordem na Itália.
Depois de seis anos de vida diplomática nessa cidade, Gregório foi chamado a Roma, provavelmente em 585, sendo então eleito abade de Santo André. O mosteiro ficou famoso com seu enérgico abade, podendo-se ler muita coisa edificante dele em seus Diálogos. Dedicava-se muito à formação de seus monges, e explicou-lhes vários livros das Sagradas Escrituras, como o Pentateuco, o Livro dos Reis, os Profetas, o Livro dos Provérbios e o Cântico dos Cânticos.

Intervenção divina elimina a peste

No ano de 590, terríveis inundações seguidas de peste assolaram a Cidade Eterna, privando a Igreja de seu chefe, o Papa Pelágio. O clero, o povo e o Senado de Roma escolheram unanimemente para o Pontificado o diácono Gregório. Ele não queria aceitar, mas por fim acedeu, desde que a indicação fosse ratificada pelo imperador. Ao mesmo tempo escreveu a este, que era muito amigo seu, implorando que não ratificasse a escolha. Mas seu irmão, então prefeito de Roma, interceptou a carta e enviou ao imperador outra, enaltecendo as qualidades de Gregório e pedindo a confirmação no cargo.
Enquanto não vinha a resposta, Gregório assumiu interinamente o posto, devido ao estado de calamidade em que Roma se encontrava. Para fazer cessar o flagelo da peste, convocou procissões rogatórias gerais, durante três dias, com a presença de todos, inclusive a dos abades dos mosteiros da Cidade Eterna com seus religiosos, e das abadessas com suas religiosas. Gregório portou nessa procissão um antigo quadro da Virgem, cuja autoria é atribuída a São Lucas. Segundo a tradição, por onde passava o quadro, o ar corrompido cedia lugar ao são. Quando ele chegou nas proximidades do mausoléu de Adriano, de acordo com a mesma tradição, ouviram-se coros angélicos que cantavam: “Rainha dos Céus, alegrai-vos, aleluia; porque Aquele que merecestes portar, aleluia; ressuscitou como disse, aleluia”. O povo ajoelhou-se, cheio de devoção e alegria, e Gregório cantou: “Rogai por nós a Deus, aleluia”. No mesmo instante ele viu um anjo que embainhava a espada, para significar que o flagelo cessara. A partir de então o mausoléu de Adriano passou a ser conhecido como Santo Ângelo.
Quando chegou a resposta do imperador confirmando Gregório no cargo, este quis fugir, mas à força foi ordenado sacerdote e coroado Sumo Pontífice.

Capitão, rei, pontífice, pai do povo

Triste situação se apresentava ao novo Papa. A Igreja estava em deplorável estado, necessitando de mão firme que a reformasse. Na África, imperava a heresia donatista; na Espanha, a ariana; na Inglaterra, a idolatria; e na Gália, a simonia, os crimes de Fredegunda e os erros de Brunilda, rainha da Austrásia, na Gália. Na Itália, os lombardos, que eram arianos e rivais do poder imperial, faziam devastações. No Oriente, havia a arrogância dos patriarcas de Constantinopla e a má vontade dos imperadores bizantinos que, não podendo defender nem governar a Itália, ficavam enciumados por ver que os Papas cumpriam esse papel. Enfim, em todas as fronteiras do Império Romano, ondas de bárbaros ameaçavam acabar com o que restava de pé nesse mundo em transição.
O novo Papa “lutava contra a peste, contra os tremores de terra, contra os bárbaros heréticos e contra os bárbaros idólatras, contra o paganismo morto e infecto mas insepulto, contra seu próprio corpo, consumido pelas enfermidades; e se pôde dizer que a alma de Gregório era a única inteiramente sã que existia em toda a humanidade”[4]. Assim, com uma habilidade e energia raras ele se multiplicava, tornando-se capitão, rei, pontífice, pai dos romanos. Arregimentou tropas e pagou seu soldo, forneceu aos bárbaros as contribuições que exigiam para não invadir Roma; alimentou e consolou o povo. Obteve do rei dos lombardos uma trégua para Roma e seu território. Com a ajuda de Teodolinda, rainha dos lombardos, que era cristã e amiga fiel do Papa, conseguiu a conversão de toda a nação lombarda do arianismo para a fé católica. Livrou depois o território pontifício de todos os tiranetes que tinham surgido em meio à anarquia, dando início ao poder temporal dos Papas.
Em 592 o imperador bizantino, por um edito, proibiu seus soldados de abraçar a vida monástica. Imediatamente São Gregório escreveu-lhe mostrando que, com isso, ele feria as leis de Deus e o direito de consciência dos soldados. E lembrou ao imperador Maurício as contas terríveis que ele teria que prestar a Deus por essa decisão, no dia de seu juízo particular.
O grande Papa comunicou a seu embaixador em Constantinopla: “Sei tolerar por muito tempo, mas, uma vez que resolva resistir, lanço-me com alegria em todos os perigos. Antes morrer que ver a Igreja do Apóstolo São Pedro degenerar em minhas mãos”.
Por sua humildade, Gregório foi o primeiro Papa que se chamou “servo dos servos de Deus”. Em sua boca, essa declaração não era mera figura de retórica.

Consolida a liturgia, codifica o canto sagrado

Gregório foi profícuo em seus escritos, tendo todos eles alcançado grande repercussão. Daí o título que merecidamente recebeu de Doutor da Igreja. Em seu Livro da Regra Pastoral, por exemplo, uma de suas obras que mais influíram na Idade Média, fornece ao clero uma norma de vida. Já em suas Homilias, dirige-se ao povo com uma simplicidade comovedora. Sua palavra é tão eminentemente comunicativa, tão viva, tão apropriada, que a multidão a escuta religiosamente, às vezes com lágrimas, outras com aplausos.
De valor mais transcendental foram sua consolidação litúrgica e a codificação do canto eclesiástico (até hoje o canto-chão leva o seu nome, gregoriano). A ele se deve, por exemplo, o costume de cantar o Kyrie eleison na Missa, a introdução do Pai Nosso antes da fração da hóstia, e dos aleluias nos ofícios divinos, mesmo fora do tempo pascal. Teve muito empenho em realizar as cerimônias de culto com muita pompa exterior, para instrução e edificação do povo[5]. Do ponto de vista da liturgia, foi um digno predecessor do Papa São Pio V.
São Gregório Magno teve grande empenho na conversão dos ingleses, de modo a merecer o título de Apóstolo da Inglaterra.
O Pontífice, mesmo antes de ser eleito Papa, havia passado por diversas crises de saúde ― gota e intestinos ― que duraram meses inteiros.
Já no fim de sua vida, escreveu: “Há quase dois anos estou na cama, com grandes dores de gota, de modo que apenas nos dias de festa posso me levantar para celebrar. E logo, com a força da dor, me volto a deitar. [...] Assim, morrendo cada dia, nunca acabo de morrer, e não é maravilha que eu, sendo tão grande pecador, Deus me mantenha tanto tempo neste cárcere”. O grande Papa faleceu no dia 12 de março de 604, aos 60 anos de idade.
Plinio Maria Solimeo

[1] F. H. Dudden, Gregory the Great, 1, p. v, in The Catholic Encyclopedia, Volume VI, Copyright © 1909 by Robert Appleton Company, Online Edition Copyright © 2003 by Kevin Knight.
[2] Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo III, p. 360.
[3] G. ROGER HUDLESTON, Saint Gregory the Great, The Catholic Encyclopedia.
[4] Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, tomo I, p. 488.
[5] Cfr. Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luís Vives, S.A., Saragoça, 1947, tomo II, p. 126.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

MARCELO SPINOLA Y MAESTRE

Bispo, Cardeal, Fundador Beato
1835-1906

Marcelo Spínola y Maestre nasceu a 14 de Janeiro de 1835 na ilha de S. Fernando, diocese de Cádiz (Espanha). Teve como pais o Marquês Dom João Spínola e Dona Antónia Maestre Osorno.
A 29 de Junho de 1856 obteve a licenciatura de Direito na universidade de Sevilha. Estabeleceu então um gabinete em Huelva, para serviço gratuito dos pobres, e exerceu ali como advogado até que passou para Sanlúcar de Barrameda, por causa da mudança de seu pai, comandante da Marinha.
Foi ordenado sacerdote em 21 de Maio de 1864, em Sevilha.
Celebrou a primeira Missa na igreja de S. Filipe Neri da mesma cidade, a 3 de Junho do mesmo ano, festividade do Sagrado Coração de Jesus. Durante os primeiros anos exerceu o seu ministério como capelão da igreja de Nossa Senhora das Mercês, em Sanlúcar de Barrameda.
Foi mais tarde nomeado pároco de S. Louren ço de Sevilha pelo Cardeal Lastra, cargo que exerceu de 17 de Março de 1871 até a 28 de Maio de 1879, data eml que foi nomeado pelo Arcebispo, Mons. Joaquín Lluch, cónego da igreja Catedral de Sevilha.
No Consistório de 10 de Novembro de 1884, o Papa Leão XIII nomeou-o para a diocese de Coria (Cáceres), cargo que assumiu de 7 de Março de 1885 até 5 de Agosto de 1886, sendo imediatamente destinado à diocese de Málaga onde permaneceu de 16 de Setembro de 1886, até 8 de Fevereiro de 1896, sendo eml seguida preconizado para o cargo de Arcebispo de Sevilha, onde exerceu o seu ministério de 11 de Fevereiro de 1896 até 19 de Janeiro de 1906. Entretanto, durante o Consitório de 11 de Dezembro de 1905, o Papa Pio XI tinha-o nomeado cardeal.
A 31 de Dezembro de 1905, sua Magestado, Afonso XIII de Espanha imposera-lhe a bareta cardinalícia.
Anteriormente, em Coria (Cáceres), em 1885 tinha fundado a Congregação das Escravas do Divino Coração, com a serva de Deus, Madre Celia Mendez y Delgado.
No dia 19 de Janeiro de 1906, na cidade de Sevilha, entregou a Deus a sua bela alma.
Sua Santidade, o Beato João Paulo II, durante a sua visita a Sevilha a 5 de Novembro de 1982, orou diante da sua campa, que visitou expressamente.

PEDRO RENATO ROGUE

Sacerdote, Mártir da Eucaristia, Beato
1758-1796

Pedro Renato Rogue nasceu em Vannes (França) a 11 de Junho de 1758, rua da Moeda. Foi baptizado no mesmo dia, na catedral da mesma cidade.
Seu pai morreu durante uma viagem e não chegou a conhecer seu filho. A viúva instalou-se então na Praça des Lices, naquela cidade francesa.
Aos 17 anos, Pedro terminou os seus brilhantes estudos no Colégio de Santo Ivo.
Em 1776, entrou no Grande Seminário. Para acederem mais rapidamente à catedral, tinha sido aberta uma porta que tomou o nome de Porta de S. João. Este seminário tinha sido confiado pelo bispo aos Lazaristas (Congregação da Missão) em 1702. Esta Comunidade religiosa tinha a seu encargo a paróquia de Nossa Senhora du Mené.
Pedro Rogue foi ordenado sacerdote a 21 de Setembro de 1782 na igreja de Nossa Senhor du Mené por Mons. Sebastião Miguel Amelot e de seguida nomeado director espiritual dos Retiros para Mulheres.
A 25 de Outubro de 1786 entrou para a Congregação da Missão (discípulos de S. Vicente de Paulo) e, no ano seguinte nomeado professor de teologia no Seminário de Vannes.

Em 1789 rebenta a Revolução Francesa...

Os sacerdotes exitam perante os juramentos sucessivos que lhes exigidos. Pedro Rogue, em bom teólogue, sustenta a luta.
A 16 de Dezembro de 1790, sob conselho de Pedro Renato Rogue, Mons. Amelot convocou os seus diocesanos em Santa Ana de Auray (lugar de grande peregrinação), para lhes pedir de obedecer antes ao Papa do que ao Estado. Por isso mesmo os sacerdotes de Vannes recusam-se a aceitar o juramento à Constituição Civil do Clero.
A 14 de Fevereiro de 1791, o superior do Seminário foi forçado a deixar Vannes. Pedro Renato assumiu a responsabilidade deste.
Em 28 de Fevereiro, o bispo foi preso et encerrado na prisão. A 27 de Março do mesmo ano, Mons. Lemasle (bispo constitucional) foi nomeado bispo da província do Morbião.
Os bvens da Igreja tendo sido confiscados e vendidos a leilão, o seminário foi fechado e vendido, como bem dos Estado, por isso mesmo, Pedro Rogue deixou de ser professor de teologia.

A clandestinidade

A 30 de Abril de 1791, a paróquia de nossa Senhora du Mené foi suprimida. Oito meses mais tarde, a 2 de Janeiro de 1792, Pedro Renato refugiou-se em casa de sua mãe. Daqui em diante ele entrará mais ou menos na clandestinidade. Muda muitas vezes de domicílio, de maneira a poder exercer discretamente o seu ministério sacerdotal.

Prisão

A 24 de Dezembro de 1795, cerca das 21 horas, Pedro foi preso no momento em que levava o Santo Viático a um doente que morava perto da catedral. Imediatamente foi encerrado na Prisão da Porta. Durante a sua encarceração, foi sempre exemplarmente corajoso, incutindo coragem aios seus companheiros de infortúnio.
Dois meses mais tarde, a 2 de Março de 1796, foi condenado à morte como “sacerdote refractário”, na presença de sua mãe nja igreja de Nossa Senhora du Mené, transformada agora em tribunal revolucionário.

O seu martírio

Pedro Renato acolheu a sentença com serenidade. A noite que precedeu a sua execução foi para ele uma noite de oração.
No dia 3 de Março foi guilhotinado na Praça da Câmara, diante da capelo de Santo Ivo, ao mesmo tempo que o seu amigo Alano Robin.
As roupas embedidas do seu sangue tornaram-se desde logo relíquiias e a sua campa um lugar de peregrinação e de graças.
No dia 10 de Maio de 1934, Pedro Renato Rogue foi beatificado como “mártir da Eucaristia”. Desde então o seu corpo repousa na catedral de Vannes.
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Afonso Rocha

INGRIDE ELOFSDOTTER

Viúva, Religiosa, Fundadora, Beata
+ 1282


Ingride, da nobre família Elofsdotter, nasceu na primeira metade do século XIIIe . Ela recebeu uma educação principesca, altamente cristã. Alma de ideais sinceros, viveu desde os primeiros anos de sua vida num fervor de piedade que nunca mais se apagou. As virtudes mais heróicas pareciam nela totalmente naturais, e quando muito jovem ainda foi forçada pelos pais a casar-se com um homem rico, todo este esplendor não a seduzio de maneira nenhuma e continuou a viver no mundo sem ser do mundo.
Tendo viuvado rapidamente, ela empreendeu, com outras donzelas, suas fieis amigas, uma peregrinação à Terra Santa, onde o seu coração se tornou ainda mais ardente de amor para com Jesus, nosso Salvador. Da Palestina embarcaram depois para Roma e dali empreenderam a viagem – a pé — até São Tiago de Compostela.
Quando voltou para sua pátria, um único deseja a dominava: levar para sempre uma vida de oração e de penitência. Mas o demónio, com uma raiva verdadeiramente infernal, desencadeou contra ela um trauma terrível, procurando manchar a reputação da jovem junto dos seus concidadãos, chegando mesmo a atentar contra a sua vida. Mas tudo isto de nada serviu, porque a santa peregrina, foi acolhida com muita veneração e carinho, a quando do seu retorno.
Ajudada por generosos benfeitores, ela pôde edificar um mosteiro sob a regra de São Domingos e levar assim a cabo o seu mais ardente desejo: fazer os seus votos e passar a vida na contemplação dos santos Mistérios, com um  certo número de outras mulheres que aspiravam à mesma vocação.
Isto aconteceu no dia 15 de Agosto de 1281 na presença do rei Magno Ladulas, com a ajuda e o apoio do dominicano Pedro de Dacia e com a autorização do Bispo de Linkoping e do Provincial.
Ingrid morreu no dia 2 de Setembro de 1282, sendo então Priora do Mosteiro que fundara.
A fama da sua santidade e a realização de prodígios maravilhosos, contribuiram para que rapidamente o seu culto se estendesse aos povos vizinhos.
Em 1414, o Bispo de Bournemouth, Canuto Bosson, pediu à Santa Sé a autorização para abrir o processo de canonização, o qual se elisou e foi mesmo parado em 1448, voltando a ser retomado no século seguinte.
Não conseguindo obter uma canonização formal, a Igreja local procedeu, no entanto, 29 de julho de 1507, à translação solene das relíquias, com a aprovação do Papa Alexandre VI, na presença do rei e duma enorme multidão e todos os Bispos da Suécia e, naturalmente todos os dominicanos na região. 

JOANA SODERINI

Religiosa, Beata
1301-1340

Veio ela ao mundo no ano 1301, numa das primeiras famílias de Florença. Nem bem sua razão começou a desabrochar, e já o seu maior prazer consistia em ouvir a narrativa dos mistérios da fé cristã, e em conversar sobre eles. Uma terna piedade lhe abrasava o coração.
A Santa Virgem merecia-lhe particular devoção; honrou-a desde os mais ternos anos; todos os dias entoava-lhe louvores e dirigia-lhe fervorosas preces. Tendo Joana chegado ao conhecimento, de maneira sobrenatural, de que a sua governanta, chamada Felícia Tónia, morreria dentro de pouco tempo, preveniu a moça, e esta, submetendo-se resignadamente à vontade de Deus, se ocupou em procurar uma pessoa prudente capaz de substituí-la junto à aluna. Nessa intenção indicou a ilustre Santa Juliana Falconieri. Muito repugnava aos pais de Joana a ideia de fazê-la ingressar num estabelecimento religioso, pois era a única filha do casal, e já cogitavam dá-la em casamento a um jovem florentino de classe igualmente elevada. Porém, quando a menina lhes contou que já escolhera Jesus Cristo para esposo, não ousaram opor-se ao desejo por ela manifestado. Apenas com doze anos de idade, a jovem serva de Deus colocou-se sob a disciplina de Santa Juliana e prazerosamente envergou o hábito religioso.
Sob a direcção de tão hábil mestre, não tardou em realizar grandes progressos nos caminhos da perfeição. Não satisfeita por haver renunciado ao mundo e a todas as vantagens temporais que nele poderia encontrar, desejou ligar-se a Deus por laços indissolúveis e pronunciou, diante do altar de Nossa Senhora da Anunciação, seu voto de castidade perpétua. Porém, persuadida de que essa virtude evangélica só através da mortificação e da prece perdura na alma, castigou o corpo durante a vida inteira com o jejum, as vigílias, o cilício, a disciplina, e várias outras austeridades. Possuía tão grande humildade que encontrava prazer em executar as tarefas mais grosseiras da casa e em prestar às suas irmãs os serviços mais abjectos. Sua doçura, sua bondade, a alegria simples e natural que acompanhava seus actos de caridade mereceram-lhe e conquistaram-lhe a afeição de todas suas companheiras.
O demónio, invejoso de tão alta pureza e virtude, envidou os maiores esforços para triunfar da serva de Deus: esta porém, cheia de confiança no auxílio do céu, resistiu tenazmente às mais difíceis e penosas tentações, suportou com paciência as mais mortificantes provações, e afinal saiu vitoriosa da luta que sustentara contra o inimigo. Para premiar a sua virtude, sem dúvida, o Senhor favoreceu-o com o dom da profecia. Joana fez várias predições, cuja veracidade foi comprovada pelos acontecimentos.
Tendo chegado o tempo em que a sua bem-aventurada directora, Santa Juliana Falconieri deixaria a terra para reunir-se ao celeste esposo, Joana prodigalizou-lhe os mais assíduos e os caridosos cuidados; recebeu, em 1340, o seu último suspiro e foi a primeira a ver a imagem do Salvador miraculosamente impressa, como um sinete, no peito daquela ilustre virgem. Comunicou o prodígio às irmãs, que não se fartaram de admirá-lo. De tal modo a impressionou aquele favor celestial que redobrou de fervor e empenhou-se, durante os vinte e seis anos que ainda viveu, em imitar todas as virtudes de que a Santa Juliana lhe dera tão belos exemplos. Enfim, rica de merecimento e gasta pelas mais rigorosas penitências, entregou pacificamente a alma ao Criador, no dia primeiro de Setembro de 1827. Seu corpo foi transportado para a Igreja da Anunciação, de Florença, assistida pelos servitas e bem depressa se tornou objecto de veneração pública. Em virtude da insistente solicitação do conde Lourenço Soderinim, patrício romano, e que pertencia à mesma família da santa religiosa o Papa Leão XII aprovou, no dia primeiro de Setembro de 1827, o culto imemorial da bem-aventurada Joana.
*****
(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XV, p. 363 à 365)

TERESA MARGARIDA REDI

TERESA MARGARIDA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
(Ana Maria Redi) -
Santa
1747-1770


Nasceu em Arezzo, na Toscana, da nobre família Redi, em 1747. Entrou para o Mosteiro das Carmelitas Descalças de Florença, no dia 1° de Setembro de 1764. Teve uma particular experiência contemplativa, fundada na palavra do Apostolo São João: “Deus é Amor”.
Viveu no amor e na imolação de si mesma e atingiu, rapidamente, a perfeição, no serviço constante e heróico de suas Irmãs. Morreu em Florença, em 1770. eus pais Inácio Fernando Maria Redi e Maria Camila Bal-Lati. Tiveram 13 filhos, Ana Maria foi a segunda. Teve três irmãs religiosas e dois irmãos sacerdotes.
Ana Maria Redi Nasceu na Itália, na cidade de Arezzo, de nobre família, no dia 15 de julho de 1747. Foi uma alma contemplativa desde menina. Freqüentemente enchia-se de entusiasmo e questionava: “diga-me, quem é esse Deus?” Atraída pela palavra de São João: “Deus é Amor” (1Jo 4,16). Ingressou no Carmelo de Florença no dia 11 de março de 1765, quando recebeu o nome de Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus.
Durante toda a sua vida viveu o lema: “Escondida com Cristo em Deus”. Mais que “Mestra” foi um contínuo e magnífico testemunho de vida espiritual. Foi Apóstola do Sagrado Coração e de Nossa Senhora do Carmo, a quem amou entranhadamente. Outro lema que lhe era muito caro, com fiel herdeira do espírito do Carmelo era “padecer e calar”.
Conforme um de seus biógrafos, ela pertence a mais pura estirpe espiritual Sanjoanista. A chama obscura do amor infuso que abrasa, consume, ilumina e dirige toda a vida, fazendo-a tocar o centro da vida trinitária, de onde se abre o mais ardente apostolado contemplativa. Também foi uma grande mística que para tanto usou dois meios: uma vida de dura acese e intensa caridade fraterna.
Assimilou com perfeição os ensinamentos de Santa Margarida Maria Alacoque sobre o Sagrado Coração de Jesus e viveu-os de modo bem pessoal, até chegar à intimidade com a Santíssima Trindade. Soube cobrir com as cinzas da santa humildade seus dons naturais: nobreza, cultura e inteligência. Conservou no mais profundo silêncio as graças que recebia de Deus, dissimulando continuamente todo ato de virtude.
Faleceu aos 23 anos, no dia 7 de março de 1770. Expirou com a cabeça inclinada e abraçada ao seu crucifixo. O Papa Pio XI a beatificou no dia 9 de junho de 1929 e a canonizou no dia 12 de março de 1934. Sua festa é celebrada no dia 1° de setembro.A seu respeito, disse o Papa Pio XII: “Santa Margarida, ardente do amor divino, mais se assemelhou a um anjo que uma criatura humana, podendo assim ajudar muitas almas a alcançar a virtude”.
Ana Maria, da ilustre família dos Rédi, nasceu em Arezzo, Itália, a 15 de Julho de 1747. Foi educada no convento de Santa Apolina de Florença, entrou aos dezoito anos no das carmelitas descalças de Santa Teresa na mesma cidade, e recebeu o nome de Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus. Nele fez os votos e os observou com admirável fidelidade. A ata de beatificação chama-lhe “Jovem flor do Carmelo, a imitar a brancura das açucenas”. Morreu em odor de santidade, a 7 de Abril de 1770, não tendo ainda completado vinte e três anos.
A causa foi introduzida em 1807: mas sofreu bastantes delongas, não tendo sido reconhecida a heroicidade das virtudes antes de 1839. Finalmente, depois do exame de dois milagres, o papa Pio XI beatificou-a solenemente a 8 de Junho de 1929.