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sexta-feira, 6 de maio de 2011

MARIA GABRIELLA SAGHEDDU

Religiosa, Beata
1914-1939

23 de Abril

A Beata Maria Gabriella Sagheddu, Monja Trapista (1914-1939), nasceu em Dorgali, Nuoro, em 17 de março de 1914 e entrou aos vinte anos no Mosteiro Trapista de Grottaferrata, atualmente transferido para Vitorchiano (Viterbo). Ofereceu com simplicidade a sua vida pela Unidade da Igreja e pelos irmãos separados. Seu holocausto foi agradável ao Senhor, que o consumou no dia 23 de abril de 1939, domingo do Bom Pastor.
A vida da Irmã Maria Gabriella não apresenta acontecimentos extraordinários nem milagres estrepitosos. Sua vida foi uma vida simples mas sempre fortemente motivada por fortes ideais: primeiro, o desejo de viver a própria realização pessoal com a sua entrada no Mosteiro Trapista, e depois viver uma doação total de sua alma a Deus. Nessa doação, ofertou a entrega de si mesma a Deus pela unidade dos cristãos. “Sinto que o Senhor me pede”, dizia ela a sua Abadessa. A ela são atribuídas numerosas vocações que continuam a chegar ao Mosteiro. Foi beatificada em 25 de janeiro de 1983. Seus restos mortais descansam na Capela da Unidade, anexa ao Mosteiro de Vitorchiano.
“Rezar pela unidade não está só reservado a quem vive num contexto de divisão entre os cristãos. Naquele diálogo íntimo e pessoal, que cada de um de nós deve estabelecer com o Senhor na oração, a preocupação pela unidade não pode ficar de fora. Pois só assim é que tal preocupação fará parte plenamente da realidade da nossa vida e dos compromissos que assumimos na Igreja.
Para confirmar esta exigência, eu quis propor aos fiéis da Igreja Católica um modelo, que me parece exemplar, o de uma freira trapista, Maria Gabriella da Unidade, que proclamei Beata no dia 25 de janeiro de 1983.
A Irmã Maria Gabriella, chamada pela sua vocação a estar fora do mundo, dedicou a existência à meditação e à oração, centradas no capítulo 17 do Evangelho de S. João, oferecendo-as pela unidade dos cristãos.
Está aqui o fulcro de toda a oração: oferta total e sem reservas da própria vida ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. O exemplo da Irmã Maria Gabriella ensina e faz-nos compreender como não há tempos, situações ou lugares particulares para rezar pela unidade. A oração de Cristo ao Pai é modelo para todos, sempre e em qualquer lugar”.
O Papa João Paulo II, Encíclica ‘Ut unum sint’, 1995, nº 27:
“A vontade de Deus, seja ela qual for, esta é a minha alegria, a minha felicidade, a minha paz”.
“Ofereci-me inteiramente e não volto atrás na palavra dada”.
“Não desejo outra coisa que amar”
Irmã Maria Gabriella Saghueddu, OCSO, Escritos.
No caso de graças obtidas por intercessão da Beata Maria Gabriela, é pedido que se envie notícias aos seguintes endereços:

VICE POSTULAZIONE - MONASTERO DELLE TRAPPISTE
101030 VITORCHIANO (VT) FAX 0039-0761-370952
e-mail: trappa@vitorchiano.org


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

MARIA GABRIELA SAGHEDDU

Religiosa Trapistina, Beata
1914-1939
25 de Janeiro
Maria Sagheddu nasceu em Dorgali, na Sardenha, de uma família de pastores.
As testemunhas de sua infância e adolescência falam-nos de um carácter teimoso, crítico, contestador, rebelde, mas também com forte senso do dever, de fidelidade, de obediência, embora com aparências contraditórias: "obedecia resmungando, mas era submissa", "dizia não, porém ia logo", dizem dela.
O que todos notaram foi a mudança que nela se realizou aos dezoito anos: pouco a pouco, tornou-se dócil e desapareceram os impulsos de ira; assumiu um perfil reflexivo e austero, dócil e reservado; aumentou o seu espírito de oração e de caridade; adquiriu uma nova sensibilidade eclesial e apostólica; entrou para a Acção Católica.
Surgiu nela a radicalidade da "escuta" que se abandona totalmente à vontade Deus. Aos vinte e um anos decidiu consagrar-se a Deus e, seguindo as indicações do seu director espiritual, entrou no Mosteiro de Grottaferrata, uma comunidade pobre de meios económicos e de cultura, governada, então, pela Madre Maria Pia Gullini.
Sua vida caracteriza-se por poucos elementos essenciais: 
o primeiro e mais visível é a gratidão pela misericórdia de Deus que a escolhera para Si. Encontrava prazer em comparar-se ao filho pródigo, e só sabia dizer "obrigada" pela vocação monástica, pela casa, pelas superioras, pelas irmãs, por tudo. "Como é bom o Senhor!", era a sua contínua exclamação. Esta gratidão acompanhou-a também nos momentos supremos da sua doença e agonia;
o segundo elemento é o desejo de corresponder com todas as suas forças à graça: que nela se cumprisse o que o Senhor iniciara; que se fizesse a vontade de Deus, pois nela se encontra a paz.
Durante o noviciado, temia que a mandassem embora, mas depois da profissão religiosa, vencido este temor, assumiu uma atitude de abandono tranquilo, que a levou ao sacrifício total de si mesma: "Agora faz Tu", dizia simplesmente. A sua breve vida claustral (três anos e meio) consumou-se como uma Eucaristia, no empenho quotidiano de negar totalmente a si mesma para seguir a Cristo, obediente ao Pai até à morte.
Gabriela via na missão do sacrifício o sentido da sua vida. "A glória de Deus não consiste em fazer grandes coisas, mas no sacrifício total do próprio eu", escreveu numa carta.
As recordações das irmãs são simples, mas significativas; a sua prontidão em reconhecer-se culpada, em pedir perdão às irmãs, sem justificar-se; a sua humildade simples e sincera; a sua disponibilidade em fazer de boa vontade qualquer trabalho, oferecendo-se para os trabalhos mais cansativos sem que isto fosse percebido. Com a profissão religiosa, cresceu nela a experiência da pequenez: "a minha vida não vale nada... posso oferecê-la tranquilamente."
A sua abadessa, Madre Maria Gullini, tinha uma grande sensibilidade e um grande amor pela causa ecuménica, que soube comunicar também à sua comunidade.
Quando a Madre Pia, solicitada pelo Padre Couturier, apresentou à comunidade o pedido de orações e de oferecimentos pela grande causa da Unidade dos Cristãos, a Irmã Maria Gabriella sentiu-se logo comprometida e chamada a oferecer a sua jovem vida: "Sinto que o Senhor me pede" — confessa à Abadessa. "Sinto-me chamada mesmo quando não o quero pensar."
Foi através de um caminho rápido e direito — entregue totalmente à obediência, consciente de sua fragilidade, e tendo como único desejo "a vontade de Deus e a Sua glória" — que Gabriela alcançou aquela liberdade que a impelia conformar-se com Jesus, que "tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até à consumação". Perante a "laceração" do Corpo de Cristo, sentia a necessidade de oferecer-se até à consumação. A tuberculose manifestou-se no físico da jovem irmã, até então muito sadio, a partir do mesmo dia da sua oferta, levando-a à morte no espaço de quinze meses de sofrimento.
Na tarde do dia 23 de abril de 1939, concluiu a sua longa agonia, totalmente abandonada à vontade de Deus, enquanto os sinos tocavam sem parar, no fim das vésperas do Domingo do Bom Pastor, no qual o evangelho proclamava: "Haverá um só rebanho e um só Pastor".
Sua oferta ainda antes da sua consumação, foi aceita pelos irmãos anglicanos, e encontrou correspondência profunda no coração dos crentes de outras confissões. A afluência de vocações, que surgiram em grande número nos anos sucessivos, é o dom mais concreto de Irmã Maria Gabriela à sua comunidade.
Seu corpo, encontrado intacto quando foi feito o reconhecimento em 1957, repousa agora numa capela adjacente ao Mosteiro de Vitorchiano, para onde se transferiu a comunidade de Grottaferrata.
Foi beatificada por João Paulo II a 25 de janeiro de 1987, quarenta e quatro anos depois da sua morte, na Basílica de São Paulo, no dia da Festa da Conversão do Apóstolo e da conclusão da Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos.