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terça-feira, 22 de março de 2011

METODIO DOMINGOS TRCKA

Sacerdote redentorista, Beato
(1886-1959)

23 de Março

Metódio Domingos Trcka nasceu a 6 de Julho de 1886 em Frýdlant nad Ostrava (actual República Checa). O mais novo dos sete filhos de Františka (Francesca) e Tomas Sterbova Tomás Trcka, foi baptizado no dia seguinte.
Concluída a escola primária em Frýdlant, cursou primeiramente o ensino médio e depois no internato dos Redentoristas em Místek Cervenka.
Orientando-se para a vida religiosa, em 1902 entrou para a Congregação do Santíssimo Redentor, pronunciando os votos religiosos em 25 de Agosto de 1904, após um ano de noviciado. Ele estudou teologia e foi ordenado sacerdote em Praga a 17 de Julho, de 1910, pelo Arcebispo Leo Skrbenský.
Passou os primeiros anos de sacerdócio na pastoral das missões populares, residindo em Praga, no santuário mariano de Svatá Hora e Plzen. Durante a Primeira Guerra Mundial, não poupou forças no trato particular de refugiados croatas, eslovenos e russos, aos quais não somente administrou os sacramentos e ensinou o catecismo, mas também procurando fornecer-lhes auxílio nas necessidades.
Durante os seus anos no seminário tinha manifestado o desejo de trabalhar entre os cristãos de rito oriental, O que pode realizar em 1919, quando, pelo Superior Provincial dos Redentoristas de Praga, foi enviado para Lviv, para realizar o apostolado entre os fiéis greco-católicos. Na comunidade redentorista, especialmente com a ajuda do irmão Beato p. Nikola Čarneckyj, aprendeu a língua e os costumes da tradição local. Foi durante este período, que ele tomou o nome de Método.
Em Dezembro de 1921 ele foi enviado para Stropkov no leste da Eslováquia, onde, com os irmãos fundaram a primeira comunidade redentorista latim e de rito bizantino. Tornou-se superior da comunidade, em 1924, desempenhou uma fervorosa actividade missionária nas três eparquias de Prešov, Uzhgorod e Križevci, proclamando a Palavra de Deus e fundou a Irmandade de “Mãe do Perpétuo Socorro e do Santo Rosário”.
Em 1931, os Redentoristas greco-católicos transferiram-se para a nova casa em Michalovce. P. Metódio foi superior até Julho de 1932, quando, cansado do trabalho e da construção da casa religiosa, voltou para Stropkov, onde, para além do tratamento médico, se ocupou da pastoral na cidade e paróquias vizinhas. Voltou para Michalovce, em 1934, e em Março do ano seguinte, foi nomeado pela Congregação para as Igrejas Orientais, visitador apostólico das freiras basilianas em Presov e Uzhgorod.
Reeleito superior em Julho de 1936, desempenhou esse papel até Abril de 1942. Sob sua liderança, a comunidade redentorista tornou-se o ponto de referência da vida espiritual em Zemplin. Ele terminou a construção da igreja, trabalhou para na fundação de um convento de freiras, tentou fundar uma nova casa redentorista para ser utilizada para exercícios espirituais, trabalhou na fundação de uma casa em Khust, na eparquia de Uzhgorod. Ele criou tudo isto sem esquecer as obras de apostolado. No entanto, apesar de já não fazer pregações, ele sempre teve uma grande atenção para com os mais pobres. Por isso mesmo, teve a ideia da fundação de uma associação de mulheres de serviço que se ocupassem das mais abandonadas no ponto de vista espiritual.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os Redentoristas sofreram numerosas dificuldades da parte do Estado eslovaco, que os suspeitava de intolerância e de propaganda contra o Estado. O Padre Metódio, o principal suspeito enquanto que superior, para o bem da comunidade achou por bem renunciar e ir para a Ucrânia, com três outros irmãos, mas não recebeu a autorização do Estado.
Com o final da Segunda Guerra Mundial, melhoraram as relações com o Estado, de modo que os Redentoristas, em 21 de Dezembro de 1945, erigiram canonicamente a Vice-Província de Michalovce e em 23 de Março do ano seguinte, o Padre Metódio foi nomeado primeiro vice-provincial.
Sob a sua liderança aos Redentoristas voltaram para Stropkov, onde construíram a igreja de S. Cirilo e Metódio, fundaram a casa de Sabinov, pregaram fecunda missões populares e deram vida a inúmeras publicações.
Com o advento do regime comunista, porém, em um curto espaço de tempo, tudo foi encerrado. Em 1949, a Vice-Província foi abolida, e durante a noite de 13 de Abril de 1950, todos os homens foram levados para campos de concentração. O Padre Metódio, que na época estava em Sabinov, Podolínec foi transferido para Podolínec e daqui várias vezes levado ao famoso “Mlyn de Leopoldov”. Os depoimentos de outros presos afirmam que para proteger os irmãos ele assumiu toda a culpa e responsabilidade, suportando as torturas calmamente.
Durante o processo, a 12 de Abril de 1952, foi acusado de colaboração com o bispo Gojdič, porque divulgava as cartas pastorais e dava informações aos seus superiores de Praga e, através deles a Roma. Este procedimento foi considerado como alta traição e espionagem contra o Estado. Com esses argumentos e com uma falsa história de tentar escapar para o exterior, o Padre Metódio foi condenado a 12 anos de prisão. Viveu os últimos anos nas prisões de Ilava e Mirove Leopoldov.
Apesar da doença, devido à idade e às duras condições de vida, o seu espírito permaneceu forte, esperando sempre em Deus e no cumprimento da sua vontade. Quando tinha a possibilidade, ele não só rezava, mas também celebrava a sagrada liturgia. Diversas vezes pediu a amnistia para ele mesmo e sua família, mas sempre recebeu uma resposta negativa, porque foi considerado perigoso e fanático porque ele se mantinha firme nas suas convicções religiosas.
Em Abril de 1958, ele foi transferido para a prisão de Leopoldov, considerada uma das prisões mais duras. Durante a época natalícia, enquanto cantava uma canção religiosa a qual foi ouvida pelo guarda, foi transferido e encerrado na “célula de correcção”, onde, por causa das dificuldades e do lugar duro e insalubre, ficou doente com pneumonia. Um companheiro de prisão, que era médico, pediu aos responsáveis da prisão que o Padre Metódio fosse levado para o hospital, mas só conseguiu apenas que fosse transferido para uma cela de isolamento, coisa que não trouxe qualquer melhoria à saúde deste que já estava bastante comprometida. Voltou, após um tempo para a sua cela, e ali morreu às 9 horas do dia 23 de Março de 1959, perdoando àqueles que o tinham preso.
Enterrado no cemitério da prisão em 1969, com a restauração da Igreja greco-católica, os Redentoristas conseguiram transferir o seu corpo para Michalovce, onde agora descansa na igreja redentorista do “Espírito Santo”.
Afonso Rocha (tradução)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

PEDRO DONDERS

Sacerdote redentorista, Bem-aventurado
1809-1887
14 de Janeiro

Beato Pierre Donders, missionário

Pedro Donders nasceu em 27 de outubro de 1809, no sul da Holanda . Seus pais, Arnoldo e Petronila, tiveram dois filhos que sobrevieram a mortalidade infantil da época. Pedro, era o mais velho e muito doente; Martino, era o caçula e deficiente.
Pedro tinha seis anos de idade, quando sua mãe morreu e diante dessa circunstância precisou deixar os estudos para ajudar seu pai, já muito idoso, na renda familiar. Depois por causa de sua saúde frágil não foi aceito no serviço militar, mas sua vocação era o sacerdócio. Também devido a sua condição física, escassa capacidade intelectual e pobreza material, não permitiam que seguisse o seu chamado. Entretanto Pedro insistia com seu pároco que o ajudava , até que conseguiu que o recebessem no seminário, mais como empregado do que como noviço.
Pedro se interessava pelas missões e depois de ser rejeitado pelos Jesuítas, Redentoristas e Franciscanos, acabou ingressando no Seminário diocesano. No ano de 1839 o Seminário foi visitado pelo Prefeito Apostólico do Suriname, Guiana Holandesa, buscando ajuda para seu território de missão que estava numa situação muito crítica. Dos seminaristas, apenas Pedro Donders se ofereceu. Em 5 de junho de 1841 foi ordenado sacerdote. Um ano mais tarde chegou em Paramaribo, uma região selvagem quatro vezes maior que a Holanda. Era seu campo de missão.
Os primeiros catorze anos foram dedicados à formação dos catequistas, das crianças e às visitas pastorais entre os escravos das fazendas holandesas. Era enorme a distância religiosa e moral, tanto entre os brancos como entre os negros. A rotina de padre Pedro iniciava nas primeiras horas da madrugada quando rezava a Santa Missa e se entregava às orações, depois saia para visitar as famílias.
Em 1856 recebeu o encargo da pastoral dos enfermos, dedicando-se especialmente aos leprosos de Batávia, local oficial para os leprosos, onde existiam mais de quatrocentos enfermos de ambos os sexos e com todos os tipos de lepra. Nesta tarefa, nenhum capelão resistia mais de um ano. Ele ficou quase trinta, sempre à inteira disposição dos miseráveis. Não se contentava somente com palavras piedosas. Fazia de tudo. Principalmente aos pacientes terminais. Suspendia os corpos para dar-lhes de beber e lavava com zelo aquilo que nenhum ser humano gostaria de ver: um corpo humano quase decomposto, mas, vivo!
Em 1865 chegaram os Missionários Redentoristas no Suriname, com a missão de continuar os trabalhos de evangelização. Os quatro holandeses sacerdotes diocesanos poderiam optar em voltar para a Holanda. Dois sacerdotes regressaram. Padre Pedro decidiu ficar e pediu seu ingresso na Congregação do Santíssimo Redentor, professando os votos em 1867.
No final do ano 1886, pela última vez, padre Pedro visitou todos os seus enfermos. Atendeu as confissões de todos e lhes deu a Santa Comunhão. Um ano depois no dia 14 de janeiro de 1887, morreu de uma grave enfermidade renal. Santamente terminou sua vida e apostolado de oração e trabalho contínuo e de muitos sofrimentos.
O Papa João Paulo II proclamou Beato Pedro Donders em 1982, designando o dia de sua morte para as honras litúrgicas.