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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ESCOLÁSTICA DA UMBRIA

Religiosa, Fundadora, Santa
+ 543

10 de Fevereiro

Escolástica, irmã de São Bento, grande fundador das Ordens monásticas no Ocidente, nasceu em Spoleto, na Itália, e teve, como o irmão, uma educação esmerada de pais piedosos e tementes a Deus. Modelo de donzela cristã, Escolástica era piedosa, virtuosa, cultivadora da oração, temente a Deus e inimiga do espírito do mundo e das vaidades.
Igual ao irmão, nutria o desejo de dedicar a vida exclusivamente ao serviço de Deus. Bento tinha fundado o mosteiro no Monte Cassino, e em sua companhia já viviam muitos religiosos, que observavam a regra por ele elaborada. Ao irmão se dirigiu Escolástica, com o pedido de indicar-lhe o caminho a tomar, para realizar seu plano. São Bento mandou construir uma pequena cela perto do mosteiro e deu-lhe uma norma de vida, nos traços principais igual a dos monges. À eremita associaram-se, pouco a pouco, muitas pessoas de seu sexo e a construção de um grande convento impôs-se como necessária. É esta a história da fundação da Ordem das Beneditinas, que teve uma aceitação simpática em todo o mundo, chegando a contar 14.000 mosteiros. Escolástica foi a primeira Superiora Geral. Nesta qualidade não só trabalhou para sua santificação, mas zelou também pela fiel observação da regra em todos os mosteiros.
Nos conventos das monjas beneditinas era observada rigorosamente a clausura, sendo proibida a entrada de homens. Só uma vez por ano Escolástica recebia a visita do irmão. O lugar onde realizava esse encontro , era uma casa, nas proximidades do Monte Cassino.
Em uma dessas visitas, quando tinham já tomado a refeição da tarde, e São Bento se aprontava para voltar ao mosteiro, Escolástica lhe disse: "Peço-te, meu irmão, que te detenhas esta noite aqui, para que possamos conversar sobre as coisas celestes. São Bento, não querendo passar a noite fora do mosteiro, não a quis atender. Escolástica pôs as mãos sobre a mesa, inclinou a cabeça sobre elas e nesta posição pediu a Deus que lhe proporcionasse o consolo de conversar sobre coisas religiosas com o irmão até o dia seguinte.
Eis que inesperadamente se anuviou o céu, desabou forte tempestade e a chuva caiu com tanta quantidade, que São Bento e os companheiros se viram obrigados a ficar. Embora o Santo reconhecesse a intervenção de Deus no efeito da oração da irmã, disse-lhe em tom de repreensão: "Deus te perdoe, minha irmã, o que fizeste". Escolástica, porém, respondeu: "Eu te pedi e não quiseste atender-me; dirigi-me a Deus e fui ouvida". Tendo ambos passado a noite em piedosos colóquios, no dia seguinte separaram-se para sempre. Três dias depois Escolástica trocou esta pátria provisória pela eterna, entregando a alma a Deus.  São Bento, viu a alma da irmã, qual uma pomba, subir ao céu.
O corpo de Escolástica foi transportado para o mosteiro de São Bento e sepultado no túmulo que o santo abade tinha mandado preparar para si. Escolástica morreu em 543, na idade de 60 anos. No século sétimo, suas relíquias, com as de seu santo irmão, foram levados para Mans, na França. Uma donzela que tinha morrido naquela ocasião voltou à vida, quando se lhe impuseram as relíquias da santa.
Terminemos os traços biográficos de Santa Escolástica com referência a uma prática  por ela usada, quando se achava em grandes tribulações: era fixar o olhar no Crucifixo. Este olhar trazia-lhe consolo e coragem para vencer todas as dificuldades. "Um único olhar sobre a imagem do Crucificado ― confessou a mesma ― tira-me toda a aflição e suaviza-me o sofrimento".

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

PLÁCIDO DE ROMA

Monge, Santo
514-541

15 de Janeiro
A vida de Plácido está ligada à do seu primo Mauro, também chamado Amaro, por várias circunstâncias. Primeiro, porque ambos aos sete anos de idade foram entregues, pelos pais ao amigo Bento de Núrcia, celebrado pela Igreja como o "pai dos monges ocidentais", para serem oferecidos à Cristo. Depois, porque Amaro o salvou da morte, na infância. Nesta ocasião, Bento, teve uma visão onde Plácido se afogava dentro de um lago, por isto mandou o pequeno Amaro correr para impedir o acidente. De fato, ele o salvou prodigiosamente, andando sobre as águas e o retirando com vida. Porém, após se tornarem sacerdotes, suas vidas se separam, e de maneira distinta cada um testemunhou sua fé em Cristo. Vejamos a trajectória de Plácido.
Plácido nasceu no ano de 514, em Roma. Os pais, nobres e ricos, eram Tertulo e Faustina, e os irmãos se chamavam Eutíquio, Flávia e Vitório. Plácido foi entregue a são Bento, que o tomou como discípulo e lhe dispensou um afecto paterno. O menino cresceu bondoso e assimilou os ensinamentos do Evangelho e o espírito ecuménico da mensagem beneditina. Tornou-se sacerdote e foi enviado para a cidade italiana de Messina, na Sicília, para construir um mosteiro, do qual foi eleito o abade. Plácido o construiu fora dos muros da cidade. Ao lado do mosteiro ele também construiu uma igreja, dedicada a são João Baptista.
Plácido, certa vez, recebeu a visita de seus irmãos, os três saudosos, decidiram ir para Messina, onde ficaram por um longo período, hospedados no mosteiro. Até que em setembro de 541, os árabes sarracenos, invadiram o mosteiro, destruindo tudo e matando os monges que encontravam pela frente. Depois, se voltaram contra os quatro irmãos, que seriam poupados se renegassem o seu Deus. Plácido falou por todos: "jamais trairemos a fé em Cristo e por isto estamos prontos para morrer". Foram arrastados até a praia vizinha e brutalmente mortos, tendo as cabeças decepadas. Os corpos foram recolhidos pelos monges sobreviventes e sepultados na igreja semi destruída.
Este mosteiro e a igreja foram destruídos e reconstruídos várias vezes por conta destes bárbaros. Só em 1099, a paz voltou a reinar na Sicília, com a sua expulsão definitiva . O então imperador Rugero, católico, mandou reconstruir tudo. No final da construção do grande edifício, o mosteiro foi elevado à condição de Priorado Geral. Mas o fato sensacional, ocorreu em 1588, quando o superior do mosteiro, vendo que o interior da igreja não tinha ventilação nem luz, mandou abrir três grandes portas. Para isto, tiveram que deslocar o altar maior, e foi aí que encontraram as relíquias dos quatro irmãos. A festa foi grande porque ao retirarem o corpo de são Plácido surgiu de improviso uma fonte de água puríssima, que os devotos atribuíram como milagrosa.
A igreja e o mosteiro foram totalmente destruídos, em 1918, quando ocorreu o maior terremoto de Messina. Mas as relíquias de são Plácido já estavam guardadas pelos beneditinos na Cripta da Capela do mosteiro de Monte Cassino, onde também estão as de seu primo.
A Igreja, em 1962, determinou que os dois primos sejam festejados no mesmo dia 15 de janeiro. Entretanto, o culto a são Plácido é muito intenso e os devotos o celebram também em 5 de outubro, data que lhe era dedicada anteriormente.