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domingo, 17 de abril de 2011

SABINA PETRILLI

Religiosa, Fundadora, Beata
1851-1923


18 de Abril

Nasceu em Sena em 29 de Agosto de 1851, segunda filha de Celso e Matilde Venturini. Aos 15 anos inscreveu-se na Congregação das Filhas de Maria e é rapidamente eleita presidente. Dentro de um ano fez o seu primeiro voto de virgindade. Em 1869 é recebida pelo Papa Pio IX que a exorta a seguir a norma de Santa Catarina de Sena. Em 15 de Agosto de 1873 na capelinha da casa com outras cinco companheiras ela faz o voto de castidade, obediência e pobreza na presença do confessor e com a aprovação do Mons. Enrico Bindi que concede a primeira licença para iniciar uma obra em beneficio dos pobres.
A nova família religiosa recebe o nome de Congregação das Irmãs dos Pobres de Santa Catarina de Sena. Em 1881 Madre Sabina inicia a fundação do Convento em Viterbo e em 1903 a primeira missão em Belém, no Brasil. A Constituição da Congregação, já enviada ao pontífice, é aprovada em 17 de Junho de 1906.
Sucessivamente Madre Sabina toma o voto de “não negar voluntariamente ao Senhor”, o voto de “perfeita obediência” e ao Director Espiritual o voto de “não lamentar-se deliberadamente de nenhum sofrimento externo e interno”e o voto de “completo abandono ao vontade do Senhor”.
Savina Petrilli faleceu em 18 de Abril de 1923 as 17,20 horas.
Com 25 casas na Itália, a Congregação opera no Brasil, Argentina, Estados Unidos, Filipinas e Paraguai. O carisma transmitido pela Madre Sabina e a sua vontade de viver radicalmente para o sacerdócio de Cristo na adoração total e na total dependência da vontade do Senhor, faz como centro de sua via a Eucaristia, continuar a missão de Cristo, o serviço da evangelização, promover a fraternidade e ajudar o próximo, em  especial aos pobres. Pela visão de  Madre Sabina, a pobreza é um Sacramento de Cristo e pode ser considerado com mistério da fé tal qual a Eucaristia.
Assim a Congregação está sempre a serviço da pobreza e de todos que sofrem e são oprimidos.
O Papa João Paulo II proclamou-a Beata na Praça de São Pedro em 24 de Abril de 1988.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

ZENO DE VERONA

Bispo, Santo
+ 371

12 de Abril

Zeno nasceu na Mauritânia, mas cedo veio viver para o norte da Itália, mais precisamente em Verona, cidade da qual foi nomeado bispo, provavelmente em 362, durante o reinado de Juliano.

Bom e santo bispo, combateu ferozmente a heresia ariana que se tinha espalhado pela cidade e conseguiu até mesmo reduzi-la nas regiões vizinhas onde o paganismo estava muito mais enraizado.

Ele opôs-se corajosamente ao arianismo — mesmo durante o reinado de Juliano, o Apóstata — e defendeu a eterna geração do Verbo, em íntima união com o Espírito Santo o Filho e o Pai.
O seu sucesso deve-se em parte à sua notável capacidade como orador.

Zeno atraía multidões com os seus sermões, 93 dos quais ainda existem, e constituem a mais antiga colecção de homilias em Latim.

De facto as multidões eram tão massivas que Zeno foi obrigado a construir uma catedral maior. Cada Páscoa muitos corações eram convertidos e baptizados na nova fé. Ele pregava frequentemente para um grupo de freiras que viviam num Convento em Milão e (muito antes de Santo Ambrósio) ele já encorajava as virgens que viviam em casa a se consagrarem.

Enquanto Zeno tinha a reputação de um pastor muito trabalhador que com o maior zelo construía igrejas, ele é lembrado primeiramente com um escritor eclesiástico especialmente em tópicos como a virgindade de Maria no nascimento do Senhor. Seus sermões são de especial interesse para a informação, e fornecem ao ensinamento do Cristianismo, organização, culto, adoração e a vida no século IV. Ele salientava a importância dos sacramentos para vida cristã.

Para ele o Baptismo era o “Sacramento que de verdade chama os homens mortos para a vida”.

Os seus sermões — ou tratados, recopiados após a sua morte — atestam do seu zelo pela sã doutrina e do seu carinho para com o rebanho que lhe fora confiado. Merece especial relevo o sermão dedicado às três virtudes teologais e é certamente uma das primeiras obras a pôr em relevo essas três virtudes cristãs, que são inseparáveis.

Embora seus sermões nunca mencionaram a Eucaristia ele indirectamente enfatizava a sua importância ao falar “do precioso pão e o vinho que vem da mesa do Pai ” e advertia ao seu rebanho que “nunca deviam tomar o Sacrifico sem estar preparado porque oferecer o sacrifico sem preparo era sacrilégio e tomando-o assim era mortal”. São Zeno oferece um conselho prático para a vida cristã. Ele nota que a fé na verdade revelada por Deus era necessária, mas importante para a eterna salvação era a caridade.

Segundo certos autores ele “vivia à maneira dos Apóstolos” e alimentava-se do fruto do seu trabalho, indo mesmo à pesca no rio Ádige, para de lá tirar o peixe necessário ao seu sustento, razão pela qual nas suas imagens sempre se encontra um peixe.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

EUSÉBIA PALOMINO YENES

Religiosa, Beata
1899-1935

10 de Fevereiuro

Eusébia Palomino Yenes nasce no crepúsculo do século XIX ― no dia 15 de dezembro de 1899 ― em Cantalpino, pequena cidade da província de Salamanca (Espanha) numa família rica de fé quanto escassa de meios. Papai Agustín, que todos recordam em seu aspecto humilde, homem de grande bondade e doçura, trabalhador braçal não fixo a serviço de grandes proprietários rurais dos arredores, e mamãe Juana Yenes cuida da casa com os quatro filhos.
Quando o campo repousa no inverno e falta trabalho, o pão escasseia. Então, papai Palomino vê-se obrigado a pedir ajuda à caridade dos outros pobres nas cidadezinhas da região. Às vezes, acompanha-o a pequena Eusébia, de sete anos apenas, ignara do custo de certas humilhações: ela goza daquelas caminhadas pelos atalhos campestres, e saltita alegremente junto do papai que a faz admirar as belezas da criação e da luminosidade da paisagem de Castela tira argumentos catequéticos que a encantam. Depois, tendo chegado a um casario, sorri às boas pessoas que os acolhem e pedem “um pão por amor de Deus”.
O primeiro encontro com Jesus na Eucaristia aos oito anos de idade dá à menina uma surpreendente percepção do significado de pertença, de oferecer-se totalmente como dom ao Senhor.
Muito cedo deve deixar a escola para ajudar a família e, depois de ter dado provas de precoce maturidade em cuidar ― ainda criança ela mesma ― das crianças de algumas famílias do lugar enquanto os pais estão no trabalho, aos doze anos vai para Salamanca com a irmã mais velha e se coloca a serviço de uma família como babá-faz-de-tudo.
Aos domingos à tarde, freqüentando o oratório festivo das Filhas de Maria Auxiliadora conhecem as irmãs, que decidem pedir a cooperação delas na ajuda à comunidade. Eusébia aceita mais do que de boa vontade e se coloca logo a serviço: ajuda na cozinha, carrega a lenha, pensa na limpeza da casa, estende a roupa no grande pátio, acompanha o grupo das estudantes da escola estatal e faz outros serviços na cidade.
Sua posição é, sem dúvida, a de uma empregada, uma criada sempre disponível, com serenidade e garbo, a qualquer exigência da comunidade ou das jovens hóspedes. Algumas dessas estudantes, quase da sua idade, intuem em seu sorriso mesmo trabalhando, a força de um espírito vigorosamente ancorado numa esfera superior; os breves encontros – muitas vezes buscados entrando abusivamente na cozinha – transformam-se muitas vezes em ocasiões de catequese eficaz. Falando com aquela humilde empregada as jovens percebem o seu ardor eucarístico que se exprime em solicitude generosa pelo bem espiritual de cada uma; procuram-na para dela escutarem palavras que percebem derivadas de “uma vida santa, extraordinária”. Dir-se-ia dela – observam – uma pessoa muito instruída em matéria religiosa e teológica. Mas, mais ainda do que suas palavras, e a sua vida que fala.
O desejo secreto de Eusébia, de consagrar-se inteiramente ao Senhor acende e substancia agora mais do que nunca todas as suas oração, todas as suas acções. Diz ela: “Se faço com diligência os meus deveres, agradarei à Virgem Maria e conseguirei um dia ser sua filha no Instituto”. Não ousa pedi-lo, devido à sua pobreza e falta de instrução; acha-se indigna dessa graça: é uma congregação tão grande – pensa.
A Superiora visitadora à qual se confiou, acolhe-a com afecto materno e bondade e lhe garante: “Não te preocupes com nada”. E, de bom gosto, em nome da Madre Geral, decide admiti-la.
Inicia o noviciado em preparação à profissão no dia 5 de agosto. Horas de estudo e de oração alternadas à de trabalho marcam as jornadas de Eusébia, que está no auge da alegria. Dois anos depois – 1924 – faz os votos religiosos que a vinculam ao amor do seu Senhor.
É enviada à casa de Valverde del Camino, pequena cidade que conta, na época, com 9.000 habitantes, no extremo sudoeste da Espanha, região mineira da Andalusia perto dos limites com Portugal. As jovens da escola e do oratório, no primeiro encontro, não ocultam uma certa desilusão: a recém-chegada é uma figura muito insignificante, pequena e pálida, não bela, com mãos grossas e, além do mais, não tem um nome bonito.
Na manhã seguinte, a pequena irmã está em seu posto de trabalho: um trabalho multiforme que a ocupa na cozinha, na portaria, na rouparia, no cuidado da pequena horta e na assistência às meninas do oratório festivo. Alegra-se por “estar na casa do Senhor todos os dias da vida”. É esta a situação “real” de que sente honrado o seu espírito, que habita as esferas mais altas do amor.
As pequenas são logo cativadas por narrações de fatos missionários, ou vida de santos, ou episódios de devoção mariana, ou factos de Dom Bosco, que recorda graças a uma feliz memória e sabe tornar atraentes e incisivos com a força do seu sentimento convicto, da sua fé simples.
Aos poucos, unem-se às crianças também as adolescentes mais molecas, as jovens mais críticas e sofisticadas, que percebem junto daquela freirinha um fascínio inexplicável, uma irradiação de santidade que as transfere para uma realidade desconhecida. E já se fala explicitamente de santidade, também fora do oratório. No pátio chegam, e se detêm com interesse, também os pais das oratorianas, outros adultos, depois os jovens seminaristas em busca de conselhos. Em seguida serão também os sacerdotes a recorrerem àquela humilde freira, desprovida de doutrina teológica, mas com o coração transbordante da sabedoria de Deus.
Tudo em Ir. Eusébia reflecte o amor de Deus e o desejo intenso de fazê-lo amar: suas jornadas operosas são transparência contínua disso e o confirmam os temas predilectos de suas conversas: em primeiro lugar, o amor de Jesus por todos os homens, salvos pela sua Paixão. As santas Chagas de Jesus são o livro que Ir. Eusébia lê todos os dias, e de onde tira pontos didácticos através de uma simples “coroinha” que aconselha a todos, também com frequentes acenos. Em suas cartas, faz-se apóstola da devoção ao Amor misericordioso segundo as revelações de Jesus à religiosa lituana – hoje Santa – Faustina Kowalska, divulgadas na Espanha pelo dominicano Padre Juan Arintero.
O outro “pólo” da piedade vivida e da catequese de Ir. Eusébia é constituído pela “verdadeira devoção mariana” ensinada por São Luís M. Grignon de Montfort. Será essa a alma e a arma do apostolado de Ir. Eusébia em todo o arco da sua breve existência: destinatários são os meninos, meninas, jovens, mães de família, seminaristas, sacerdotes. “Talvez não tenha havido em toda a Espanha – diz-se nos Processos – um único Pároco que não tenha recebido uma carta de Ir. Eusébia a respeito da escravidão mariana”.
Quando, nos inícios dos anos 30, a Espanha vai entrando nas convulsões da revolução pela raiva dos sem-Deus votados ao extermínio da religião, Ir. Eusébia não hesita em levar às extremas consequências o princípio de “disponibilidade”, literalmente pronta a despojar-se de tudo. Oferece-se ao Senhor como vítima pela salvação da Espanha, pela liberdade da religião.
A vítima é aceita por Deus. Em agosto de 1932, um mal-estar improviso e os primeiros sintomas. Depois, a asma, que em momento diversos a tinha perturbado, começa agora a atormentá-la até chegar aos níveis de intolerabilidade, agravada de modo insidioso por variados mal-estares.
Nesse tempo, visões de sangue afligem Ir. Eusébia mais ainda do que os males físicos inexplicáveis. Em 4 de outubro de 1934, enquanto algumas irmãs rezam com ela no pequeno quarto do seu sacrifício, ela se interrompe e empalidece: “Rezai muito pela Catalunha”. É o momento inicial daquela sublevação operária nas Astúrias e da catalã em Barcelona (4-15 de outubro de 1934) que serão chamadas de “antecipação reveladora”. Visão de sangue também para a sua querida directora, Ir. Carmen Moreno Benítez, que será fuzilada com uma outra Irmã em 6 de setembro de 1936: após o reconhecimento do martírio, ela foi declarada beata.
Entretanto as doenças de Ir. Eusébia se agravam. O médico que a cura, admite não saber definir a doença que, agregada à asma, encarquilha os membros tornando-a como um novelo. Quem a visita sente a força moral e a luz de santidade que irradia daqueles pobres membros doloridos, deixando absolutamente intacta a lucidez do pensamento, a delicadeza dos sentimentos e a gentileza no trato. Às Irmãs que a assistem promete: “Voltarei para dar as minhas voltinhas”.
No coração da noite de 9 para 10 de fevereiro de 1935 Ir. Eusébia parece adormentar-se serenamente. O dia inteiro seus frágeis despojos, enfeitados com muitíssimas flores, são visitados por toda a população de Valverde. Entre todos retorna a mesma expressão: “Morreu uma santa”.
O governo municipal, politicamente “vermelho”, decreta por unanimidade a oferta gratuita de um lóculo “in perpetuo” para essa concidadã, em consideração pelos “relevantes merecimentos de virtude” e pela dedicação desinteressada à educação das crianças mais pobres. No Boletim paroquial de março de 1935, o artigo comemorativo traz o título Entierro de una santa. Escreve-o o Pároco, que conclui: “A sua sepultura será gloriosa”.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

FRANCISCO SPINELLI

Sacerdote, Fundador, Beato
1853-1913

6 de Fevereiro

Francisco nasceu em Milão, aos 14 de abril de 1853, cujos pais, trabalhadores humildes, eram muito cristãos. Ele cresceu forte, vivaz e ficava muito alegre ao brincar de teatro de fantoches com as outras crianças. Nas horas livres acompanhava a mãe nas visitas os pobres e doentes, sentindo-se feliz por amar e ajudar o próximo, conforme o ensinamento de Jesus. Assim foi que surgiu sua vocação.
Apesar de seu pai desejar que estudasse medicina pode seguir o chamado de Cristo e se tornou um "médico" de almas. Apoiado pela família, Francisco foi estudar na cidade de Bergamo, onde concluiu os estudos e recebeu a ordenação sacerdotal, em 1875. Neste ano do Jubileu, ele seguiu em peregrinação para Roma e, durante as cerimônias na igreja de Santa Maria Maior, teve a inspiração para criar uma família de religiosas que adorassem Jesus Sacramentado. Padre Francisco compreendeu o projeto de sua vida esperando o momento certo para colocá-lo em execução.
Retornando desta viagem, foi designado para lecionar na creche da paróquia de Bergamo, onde seu tio, padre Pedro, era o pároco. Desta maneira, desenvolveu o seu apostolado entre os pobres, lecionando também no Seminário e orientando algumas comunidades religiosas femininas. Em 1882, encontrou uma jovem, Catarina Comensoli, que desejava se tornar religiosa numa congregação que tivesse por objetivo a Adoração Eucarística.
Padre Francisco pode assim realizar seu sonho. Em dezembro de 1882, as primeiras noviças ingressam numa casa, que depois se tornou o primeiro convento, em Bergamo. Desta maneira fundou, inicialmente, o Instituto das Irmãs da Adoração. Sete anos depois eram nove as casas, onde as religiosas acolhiam pobres, doentes e deficientes mentais.
Tudo corria bem até quando, por vários equívocos, ele foi constrangido a deixar a diocese de Bergamo, em 1889, e se transferiu para a de Cremona, na aldeia de Rivolta d'Ada, onde suas filhas tinham aberto uma casa, tendo de deixar a direção do Instituto, também. Por isto, a fundação se dividiu: irmã Comensoli criou a congregação das Irmãs Sacramentinas, e padre Francisco, a das Irmãs Adoradoras do Santíssimo Sacramento.
Obtendo a aprovação da Santa Sé, as Adoradoras adquirem vida própria, com o propósito de adorar dia e noite Jesus na Eucaristia e de servir os irmãos pobres e doentes mentais, nos quais se "reflete o vulto de Cristo". Jesus foi a fonte e o modelo da vida sacerdotal do padre Francisco, do qual extraia força e vigor para servir os semelhantes.
Em Rivolta, ele supriu a comunidade, que tinha necessidade de tudo, como: escolas, creches, assistência aos enfermos e aos velhos abandonados. Seus preferidos eram os deficientes mentais, que ele alegrava pessoalmente, encenando espetáculos de fantoche.
Envolto numa imensa fama de santidade, morreu no dia 6 de fevereiro de 1913, sendo sepultado na Casa Mãe das Adoradoras, em Cremona, Itália. O papa João Paulo II, declarou Francisco Spinelli, Beato, em 1992, indicando sua festa para o mesmo dia da sua morte.