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quinta-feira, 21 de abril de 2011

SOTERO, PAPA

Papa, Mártir

+ 296

22 de Abril

S. Sotero foi o 12º papa entre 166 e 174.
De origem grega, Sotero nasceu em Nápoles. Conhece-se muito pouco deste papa, a não ser que seu pontificado foi marcado por seu zelo pela doutrina e pelas obras sociais.
Tradicionalmente é lembrado pelos católicos por ter enviado esmolas para muitas igrejas em todas as cidades onde os cristãos eram perseguidos.
O pontificado de Sotero coincide com o governo romano de Marco Aurélio, o “imperador filósofo”, sob o qual foram cruelmente perseguidos os cristãos. Datam dessa época os martírios de Felicidade e Perpétua, de Justino, de Policarpo de Esmirna — todos estes canonizados pela Igreja — e de milhares de fiéis.
De uma carta de Dionísio, bispo de Corinto: “precisamos e apreciamos hoje a grande caridade do papa Sotero para com os perseguidos, seus cuidados paternais em época tão difícil”.
Durante o seu pontificado, opôs-se com rigor aos hereges montanistas, cuja expansão representava um perigo iminente para a verdadeira fé. Atacando um abuso que, por influência herética, se ia introduzindo nas comunidades, proibiu que as mulheres tocassem nos vasos e ornamentos sagrados e que oferecessem incenso durante as cerimónias.
No corrente do mês de Dezembro do ano que precedeu o seu martírio, ele tinha ordenado, segundo o costume dos seus antecessores, dezoito sacerdotes, nove diáconos e onze bispos.
As suas cartas às demais Igrejas eram guardadas e lidas com veneração.
O Papa Sotero foi sepultado no cemitério que mais tarde veio a chamar-se de São Calixto.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

APOLÓNIA DE ALEXANDRIA

Virgem, Martir, Santa
Século III

9 de Fevereiro

Os seis anos de 243 a 249, durante os quais o rumo do Império Romano ficou sob a direcção de Felipe o Árabe, foram considerados: um intervalo de trégua do regime do anticristianismo. No último ano, porém, houve um episódio que comprovou que a aversão aos cristãos, pelo menos na província africana, não havia desaparecido.
O ocorrido era narrado por Dionísio, o bispo de Alexandria no Egipto, numa carta que enviou ao bispo Fabio da diocese de Antioquia, em 249. Na carta ele escreveu que: «No dia 9 de fevereiro, um charlatão alexandrino, “maligno adivinho e falso profeta”, que insuflava a população pagã, sempre pronta a se agitar, provocou uma terrível revolta. As casas dos cristãos foram invadidas. Os pagãos saquearam os vizinhos católicos ou aqueles que estivessem mais próximos, levando as jóias e objectos preciosos. Os móveis e as roupas foram levados para uma praça, onde ergueram uma grande fogueira. Os cristãos, mesmo os velhos e as crianças, foram arrastados pelas ruas, espancados, escorraçados e, condenados à morte, caso não renegassem a fé em voz alta. A cidade parecia que tinha sido tomada por uma multidão de demónios enfurecidos».
«Os pagãos prenderam também a bondosa virgem Apolónia, que tinha idade avançada. Foi espancada violentamente no rosto porque se recusava a repetir as blasfêmias contra a Igreja, por isto teve os dentes arrancados. Além disso, foi arrastada até a grande fogueira, que ardia no centro da cidade. No meio da multidão enlouquecida, disseram que seria queimada viva se não repetisse, em voz alta, uma declaração pagã renunciando a fé em Cristo. Neste instante, ela pediu para ser solta por um momento, sendo atendida ela saltou rapidamente na fogueira, sendo consumida pelo fogo.»
O martírio da virgem Apolónia, que terminou aparentemente em suicídio, causou, exactamente por isto, um grande questionamento dentro da Igreja, que passou a avaliar se era correcto e lícito, se entregar voluntariamente à morte para não renegar a fé. Esta dúvida encontrou eco também no livro “A cidade de Deus” de Santo Agostinho, que também não apresentou uma posição definida.
Contudo, o gesto da mártir Apolónia, a sua vida reclusa dedicada à caridade cristã, provocou grande emoção e devoção na província africana inteira, onde ela consumou o seu sacrifício. Passou a ser venerada, porque foi justamente o seu apostolado desenvolvido entre os pobres da comunidade que a colocou na mira do ódio e da perseguição dos pagãos, e o seu culto se difundiu pelas dioceses no Oriente e no Ocidente.
Em várias cidades européias surgiram igrejas dedicadas a ela. Em Roma foi erguida uma igreja, hoje desaparecida, próxima de Santa Maria em Trasteve, Itália.
Sobre a sua vida não se teve outro registro, senão que seus devotos a elegeram, no decorrer dos tempos, como protectora contra as doenças da boca e das dores dos dentes. Mas restou o seu exemplo de generosa e incondicional oferta a Cristo. A Igreja canonizou-a e oficializou o seu culto conforme a data citada na carta do bispo Dionísio.