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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

VERÓNICA DE JERUSALEM

Leiga, Santa
século I

4 de Fevereiro
No Evangelho de São Lucas (Lc. 23, 27), podemos ler esta pequena frase, quando o evangelista nos conta a subida de Jesus para o Calvário: “Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam”.
Não existe qualquer outra indicação que nos permita identificar esta Santa Verónica que a tradição nos apresenta como uma dessas “mulheres do grupo que seguiam Jesus” e que compadecida pela visão terrível do Rosto macerado do Filho de Deus, se dirige a Ele e, corajosamente lhe oferece um tecido para que limpe o rosto.
Como recompensa do seu acto caridoso, a Santa Face de Jesus ficará marcada naquele tecido branco, que a tradução chamará “vera ícona” (verdadeira imagem) e daí mesmo o nome daquela mulher do povo, que, segundo outras fontes, veiculadas também pela tradição, se chamava na realidade Serápia.
Nesta passagem da Paixão de Jesus se inspira a devoção à Santa Face de Jesus que nos meados do século XIX foi propagada em França pelo chamado “Santo Homem de Tours” (o Sr Papin Dupont), ele mesmo se inspirando numa mensagem privada recebida pela Carmelita de Tours, Irmã Maria de São Pedro.
Este devoção tornou-se muito importante e conhecida, não só em França onde teve origem, mas também noutros países, particularmente francófonos, onde confrarias foram instituídas, algumas das quais beneficiando de indulgências e da protecção particular da Santa Sé.
Toda a família de Santa Terezinho do Menino Jesus — e mesmo esta —, estava afiliada à Confraria de Tours. Como prova desta devoção, basta lembrar que o nome religioso da Santa e jovem Doutora da Igreja, era Teresa do Menino Jesus e da Santa Face.
O culto a Santa Verónica é antiquíssimo, mas desenvolveu-se especialmente na idade média, chegando até nós por intermédio dos escritos que sobre ela apareceram, assim como graças aos pintores célebres que dela se inspiraram para compor obras-primas da pintura universal.
Sobre Santa Verónica, nada sabemos, salvo o que nos trouxe a tradição, mas esta incerteza sobre os factos concretos não nos deve impedir de recorrer a ela nas nossas angústias, porque, mesmo que ela se chame Serápia e não Verónica, são uma e mesma pessoa que num momento crucial da Paixão de Jesus soube ter coragem para enfrentar a fúria dos judeus e procurar a Jesus um pouco de reconforto.
Poderia aplicar-se aqui o § 67 do Catecismo da Igreja Católica, que diz o seguinte:
«No decurso dos séculos tem havido revelações ditas “privadas”, algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. Todavia, não pertencem ao depósito da fé. O seu papel não é “aperfeiçoar” ou “completar” a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja».

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ARCÁDIO DE CESAREIA

Leigo, Mártir, Santo
Século III

12 de Janeiro
S. Arcádio de Cesareia, leigo
Na metade do século III, os cristãos sofriam com a derradeira e a mais perversas das suas perseguições. Tinham as casas arrombadas, os bens confiscados e as famílias humilhadas com as pessoas sendo levadas ao tribunal e condenadas à morte, por causa de sua Fé.
Na cidade africana de Cesárea da Mauritânia, os cristãos que desejavam fugir da execução eram obrigados a assistir os cultos aos deuses pagãos. Eles deviam conduzir pelas ruas os animais destinados ao sacrifício, acender o incenso e participar das festas movidas a orgias e outras extravagâncias públicas.
Arcádio, resolveu escapar daquela insanidade e manter as suas orações e contemplações espirituais, refugiando-se num lugar ermo. Entretanto, como era um cidadão muito conhecido, logo sua ausência foi notada e as autoridades saíram em seu encalço. Para obrigá-lo a se entregar, prenderam um seu parente próximo, que nada revelou sobre onde ele estava escondido. Mas Arcádio, ao saber do ocorrido, foi ao tribunal e entregou-se, exigindo que soltassem o inocente.
Todas as ameaças possíveis foram lançadas contra ele, para que abandonasse sua fé, mas de nada adiantaram. Irado, o juiz não só o condenou à morte, como determinou que a pena fosse aplicada de forma "lenta e muito cruel".
A tortura durou horas e em todos os momentos Arcádio reafirmava seus conceitos, incitando os outros cristãos a fazerem o mesmo. Uma a uma suas articulações foram sendo cortadas e, mesmo assim ele ainda fez um último discurso testemunhando seu incondicional amor à Jesus Cristo, para depois morrer.
Segundo a tradição, conta-se que os pagãos se admiraram tanto com sua coragem, que muitos se converteram e mesmo os que não o fizeram, também passaram a respeitar sua memória, celebrada no dia 12 de janeiro.
Santo Arcádio consta somente no Martirológio Romano, o seu nome não aparece em nenhum do Oriente. Isto porque, o precioso documento do culto deste santo foi levado para Verona, pelo primeiro bispo desta diocese, chamado Zenon, de origem africana e nascido na cidade do mártir. Parece que ele trouxe consigo a Ata onde foi narrado o martírio de Arcádio e o difundiu entre os cristãos através dos seus sermões, logo no início de seu apostolado no território italiano.