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sábado, 16 de abril de 2011

FRUTUOSO DE BRAGA

Bispo, Santo
+ 665

16 de Abril

Quase uns 90 anos depois de S. Martinho de Dume falecer, é São Frutuoso que vem presidir na Sé de Braga, depois de, também como ele, ter estacionado na de Dume. E, como aquele, tambél Frutuoso, procede de além-fronteiras, este último da diocese de Astorga. Tomou posse de Graga em 656.

A vida monástica gozava então de honra e estima, como o refúgio ou terra privilegiada da virtude e cultivo da ciência, primeiramesnte da ciência e cultura sagradas. Por isso São Frutuoso surge como assíduo e incansável cultor do monaquismo e fundador de uns dez mosteiros. Primeiro vários na Hispânia que cedo se tornaram célebres, em várias e distantes províncias, percorridas nesta audaciosa propaganda de fundações monásticas.

Tentou também uma viagem ao Oriente, que não conseguiu realizar, porque o rei visigodo Recesvinto, sabedor das suas fundações na Galiza, o designou para bispo de Dume, para poder assegurar assim, para esta província, os múltiplos bens do seu apostolado. Fundar mosteiros tinha sido pois quase todo o seu apostolado, e este mesmo se lhe podia, para Braga, como o melhor elemento, o mais eficaz promotor duma cristã e autêntica civilização.

Provam-no a natureza e finalidades da sua regra, que começou por ser, mais própria ou primariamente, dos Monges[1], sua formação espiritual e disciplina religiosa: oração e contemplação com o trabalho manual e agrícola. Esta segunda feição acentua-se mais na Regra Comum que entrou na organização das últimas fundações, em região de abundantes pastagens e vantajosa criação de gados.

No mesmo mosteiro, imensa colmeia humana, o trabalho dos diferentes campos e oficinas supria às necessidades gerais; mas cada qual devia industriar-se e servir-se, para dar aos outros o mínimo de trabalho possível. Para isso competia ao abade fornecer a todos sovelas, agulhas e linhas de diferentes castas, para coser, consertar e remendar os vestidos. Foi o Santo o fundador, entre nós, dos mosteiros-refúgios.

Ao lado de tantos bens, ainda que temporais, continuou altamente frutífera a constante actuação pastoral e apostólica de São Frutuoso, até à sua morte — no mosteiro por ele fundado furtivamente, de São Salvador de Montélios — a 16 de Abril de 665.

Levadas as suas relíquias para Compostela em 1102, num gesto ambicioso de coisas sagradas, foram restituídas novamente a Braga, por ocasião das celebrações centenárias de São Frutuoso em 1965-1966.

[1] Regra dos monges – Prologo: Depois do amor a Deus e ao próximo, que é o vínculo de toda a perfeição e o ponto culminante das virtudes, determinou-se também que é preciso observar, em todos os mosteiros, o seguinte da tradição regular. Primeiro, entregar-se à oração noite e dia e observar o ritmo das horas estabelecidas; ninguém, por causa dos trabalhos prolongados, se dispense ou perca o ardor nos exercícios espirituais.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

PEDRO GONZALEZ

Dominicano, Santo

1190-1246

14 de Abril

Pedro Gonzalez nasceu em 1190, na cidade de Astorga, em Espanha, no seio de uma família distinta. O seu tio, Bispo de Palência, encantado pelos talentos do jovem, proveu-o de um canonicato e nomeou-o depois decano do Capítulo da sua catedral.
No dia da sua tomada de posse, Gonzalez, naturalmente vaidoso, tentou atravessar a cidade montando um cavalo bem engalanado. Era ali que a Providência o aguardava: a sua vaidade jubilava com os aplausos da multidão quando o cavalo empinou, atirando para a lama o cavaleiro orgulhoso, no meio das vaias da multidão. Esta humilhação foi um o golpe da graça. Pedro levantou-se todo confuso, e disse em voz alta: “Visto que mundo está rindo de mim, vou zombar dele eu agora dele”. E manteve a sua palavra.
Na solidão, no jejum e na oração, ele domou o seu orgulho e tornou-se um modelo de penitência e de humildade. Decidido a romper completamente com o século, ele renunciou à sua dignidade para se tornar um humilde filho de São Domingos e usar os seus talentos para ganhar almas para o céu.
Pedro passava a maior parte das noites a meditar, orar, estudar, e dedicava o dia para instruir os fiéis. Os libertinos irrompiam em lágrimas durante os seus sermões, prostrar-se a seus pés e confessar as suas desordens: ele foi o instrumento de numerosíssimas conversões.
O rei da Espanha Fernando III tentou chamar Gonzalez para junto de si e levá-lo com ele para todos os lugares, até mesmo para a guerra. O santo homem aproveitou-se da confiança do príncipe para a glória de Deus e ele conseguiu evitar muitos transtornos, vivendo sempre, tanto na corte como nos campos de batalha, com a mesma austeridade e mesma regularidade que no claustro.
Alguns senhores licenciosos resolveram a sua perca e conseguiram ao preço de grande quantia de dinheiro, comprara uma prostituta para seduzi-lo. Gonzalez, compreendendo as intenções da infeliz, acendeu uma fogueira e, coberto pelo seu manto, colocou-se no meio desta
À vista deste prodígio, a miserável caiu de joelhos e converteu-se sinceramente; os senhores, que tinham pago os seus serviços, fizeram o mesmo.
No entanto, apesar de todas as solicitações do rei, Gonzalez deixou a corte, depois de muito ter feito para os grandes, ele aspirava instruir e consolar os pobres das zonas rurais. Ele passou o resto da sua vida a evangelizá-los, com incrível sucesso: as montanhas mais escarpadas, os lugares mais inacessíveis, a grosseria ou a ignorância do povo inflamavam a sua caridade; prodígios acompanhavam as suas palavras e faziam que elas produzissem frutos maravilhosos, especialmente entre os marinheiros espanhóis.
Um dia em que ele pregava, o diabo levantou uma terrível tempestade, e a multidão já fugia à procura de abrigo, quando Gonzalez, com um grande sinal da Cruz, dividiu as nuvens, por isso não caiu uma só gota de água. Ele muitas vezes, por meio de um milagre livrou os marinheiros que imploravam a sua ajuda em situações de perigo.
Pedro Gonzalez conhecendo por revelação o seu fim próximo quis retirar-se para Compostela, para ali morrer nos braços dos seus irmãos religiosos, mas ele ficou seriamente doente em Tuy, onde ele pregava durante a Quaresma, e ali morreu no dia de Páscoa, no ano de 1246, com a idade de cinquenta e seis anos. Os seus restos mortais descansam na catedral daquela cidade.
São Pedro Gonzalez é mais conhecido em Espanha sob o nome de São Telmo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

VERIDIANA DE FLORENÇA

Franciscana, Santa
1182-1242

1 de Fevereiro

No primeiro dia de fevereiro de 1242, de repente, todos os sinos do Castelfiorentino em Florença, Itália, começaram a repicar simultaneamente. Quando os moradores constataram que tocavam sozinhos, sem que ninguém os manuseassem, tudo ficou claro, porque eles anunciavam a morte de Veridiana.
Nasceu em 1182, ali mesmo nos arredores da cidade que amou e onde viveu quase toda sua existência, só que enclausurada numa minúscula cela, de livre e espontânea vontade. Pertencente a uma família nobre e rica, os Attavanti, Veridiana levou uma vida santa, que ficou conhecida muito além das fronteiras de sua terra; e que lhe valeu inclusive a visita em pessoa, de seu contemporâneo Francisco de Assis, que a abençoou e admitiu na Ordem Terceira, em 1221.
A fortuna da família, embora em certa decadência, Veridiana sempre utilizou em favor dos pobres. Um dos prodígios atribuídos à ela, mostra bem o tamanho de sua caridade. Consta que certa vez um dos seus tios, muito rico, deixou à seus cuidados grande parte de seus bens, que eram as colheitas de suas terras.
A cidade atravessava uma época terrível de carestia e fome, seu tio nem pensou em auxiliar os necessitados, era um mercador e como tal aproveitando-se da miséria reinante. Durante algum tempo procurou vender grande parte desses víveres, o que conseguiu por um preço elevado, obtendo grande lucro. Mas, ao levar o comprador para retirar o material vendido, levou um susto, suas despensas estavam completamente vazias. Veridiana tinha distribuído tudo aos pobres.
O tio comerciante ficou furioso, pediu um prazo de 24 horas ao comprador e ordenou a Veridiana que solucionasse o problema, já que fora a causadora dele. No dia seguinte, na hora marcada, as despensas estavam novamente cheias, e o negócio pode se concretizar.
Veridiana após uma peregrinação ao túmulo de Tiago em Compostela, Espanha, diga-se um centro de peregrinação tão requisitado quanto Roma o é pelos túmulos de São Pedro e São Paulo, ao retornar se decidiu pela vida religiosa e reclusa. Para que não se afastasse da cidade, seus amigos e parentes construíram então uma pequena e desconfortável cela, próxima ao Oratório de Santo António, onde ela viveu 34 anos de penitência e solidão. A cela possuía uma única e mínima janela, por onde ela assistia à missa e recebia suas raras visitas e refeições, também minúsculas, suficientes apenas para que não morresse de fome.
O culto de Santa Veridiana foi aprovado pelo papa Clemente VII no ano de 1533. Ela também se tornou protetora do presídio feminino de Florença e, sua devoção ainda é muito popular na região da Toscana, na Itália.