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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

MARIA EUTÍMIA ÜFFING

Religiosa, Beata
1914-1955

Nasceu a 8 de Abril de 1914 em Halverde, Steinfurt (Alemanha) e foi baptizada nesse mesmo dia com o nome de Ema.
Cresceu no ambiente tranquilo de um pequeno povoado e a sua numerosa família era profundamente religiosa, mas uma forma de raquitismo limitou o seu desenvolvimento físico, deixando-lhe uma saúde frágil para o resto da sua vida. Quando tinha 14 anos, sentiu o forte desejo de se consagrar a Deus como religiosa.
Estudava economia doméstica num hospital perto da sua casa e ali conheceu as Religiosas da Misericórdia de Monastério. Depois de ter obtido a autotização da sua mãe, foi admitida nesse instituto em 1934, onde recebeu o nome de Maria Eutímia e, a 15 de Setembro de 1940, emitiu os votos religiosos perpétuos.
Destinada para trabalhar como enfermeira no hospital de São Vicente em Dinslaken, cuidava dos doentes com grande amor, especialmente durante o duro período da segunda guerra mundial, cujos prisioneiros eram por ela curados. Todos ficavam admirados pela caridade e a amabilidade com que tratava cada um dos enfermos. Ela sabia que os prisioneiros de guerra deviam suportar grandes sofrimentos físicos e morais, e por isso demonstrava-lhes simpatia e carinho, preocupando-se que recebessem os sacramentos.
Depois da guerra, foi-lhe confiada a lavandaria do hospital e, três anos mais tarde, da casa-mãe e da clínica de São Rafael em Monastério, cargo este que aceitou com humildade, embora preferisse continuar a desempenhar a sua actividade apostólica nos hospitais. O seu trabalho era intenso e muito duro, mas ela encontrava sempre tempo para passar diante do Tabernáculo, intercendo junto de Deus com as suas orações por todos os que lho pediam.
Uma grave forma de cancro causou-lhe rapidamente a morte, depois de várias semanas de sofrimentos atrozes. Maria Eutímia faleceu no dia 9 de Setembro de 1955 e depressa começou a ser venerada por muitas pessoas, e não só na Alemanha.
*****

quarta-feira, 18 de maio de 2011

RUPERT MAYER

Sacerdote, Beato
(1876-1945)

3 de Maio

«O P. Rupert Mayer foi um varão extraordinário. O que a outros parecia impossível, conseguiu-o ele comamor verdadeiramente engenhoso. O P. Rupert Mayer foi como um profeta: o que para muitos, no seu tempo, era impenetrável e ambíguo, ele depressaviu com toda a claridade. Era o P. Mayer homem dotado de grande amor; amor tenaz rico de recursos. O seu era um valor agressivo; e não pôs de lado o político. A sua sensibilidade para com a injustiça era incorruptível e impediu que ele estivesse calado. Foi vigoroso defensor dos pobres, amigo deles e inimigo declarado de toda a injustiça. Foisobretudo no tempo intermédio entre as duas guerras mundiais que esta testemunha crítica e valorosa da fé apresentou uma figura profética, que sempre constituiu um repto. Foi este o juízo que dele formaram os seus irmãos jesuítas.

A 3 de Maio do presente ano [1987], beatificará o Papa João Paulo II, em Munique, este irmão nosso, pertencente à Província da Alemanha Superior. Deste modo, satisfaz o Santo Padre o desejo de muitos fiéis que, tanto em Munique e na Alemanha, como noutras regiões, se empenharam por que este grande sacerdote e jesuíta alcançasse na Igreja o reconhecimento próprio dos "santos", nos quais, de maneira particular, nos manifestou Deus a sua obrasalvífica neste mundo.

Mas, quem era o P. Rupert Mayer? A sua vida e a sua figura conservam, na actualidade, para nós, jesuítas, uma mensagem singularmente viva. É cópia do que as últimas Congregações Gerais para nós formularam como traços típicos da nossa vocação inaciana.

Nascido a 23 de Janeiro de 1876, em Estugarda, no sudoeste da Alemanha, recebeu em 1899 a ordenação sacerdotal. Tendo sido coadjutor duma paróquia, entrou em 1900 no Noviciado da Companhia em Feldkirch(Áustria). Como então a nossa Ordem estava proibida na Alemanha, teve de fazer os estudos no estrangeiro. Terminados estes, principiou sendo Sócio do Mestre de Noviços e, depois, durante vários anos, foi missio­nário popular na Alemanha, Áustria Suíça. Em 1912 chamaram-no a Munique para tomar o cuidado espiritual dos "imigrados". Foi ajudante da fundação duma Congregação de Religiosas dedicadas ao cuidado das famílias. Ao desencadear-se a guerra mundial de 1914, ficou sendo capelão militar. Por causa duma grave ferida, perdeu, em fins de 1916, a perna esquerda. E em 1917, estava de novo em Munique, dedicado à pastoral. Exerceu o ministério sacerdotal como pregador e confessor na nossa igreja de S. Miguel,ocupando-se incansavelmente dos mais necessitados. Em 1921 foi nomeado Director da Congregação Mariana de homens. Em 1925 introduziu os serviços religiosos na estação do caminho de ferro, para os excursionistas dos domingos. Seguiu sempre com muita atenção as correntes da política na Alemanha, sendo valoroso opositor do Nacional Socialismo, contra o qual defendeu a liberdade da Igreja católica e da fé cristã, assim como os direitos dos perseguidos.

Em 1937 foi encarcerado e condenado pela primeira vez, e foi-o duas vezes mais em 1938 e em 1939, sendo em seguida confinado no campo de concentração de Oranienburgo, perto de Berlim. Por último, desde 1940, foi-lhe dado como local de prisão domiciliária a Abadia beneditina de Ettal, na Baviera Superior, até ao fim da guerra, em Maio de 1945. Voltou então para Munique, onde morreu, enquanto celebrava a Sagrada Eucaristia, no dia de Todos os Santos de 1945.

Este extremo da sua vida sacerdotal e jesuítica estava cimentado na unidade inte­rior. Da profundidade da sua pessoa brotavam-lhe as convicções, que expressava, imperturbável, nas palavras e nas acções. Estava interiormente ancorado em Deus; isto levava-o a discernir os espíritos e tornava-o capaz de sair sem condições em defesa dos direitos de Deus e dos homens. A exclamação de S. Paulo: "Ai de mim se não proclamar o Evangelho" (1 Cor 9, 16) era também realidade para ele. "Não posso calar-me", era lema que inspirava o seu compromisso em favor da verdade espezinhada. As suas últimas palavras foram: "O Senhor... O Senhor". Morreu enquanto pregava, anunciando Aquele em tomo de quem tinha girado toda a sua vida:"Senhor, como quiseres, quando quiseres, o que quiseres e enquanto Tu o quiseres... assim se faça"; esta a sua oração favorita.

entrega em defesa da verdade não se limitou apenas a palavras. Todo o seu falar ia acompanhado por um amor prático do próximo. A vida do P. Rupert Mayer constituiu síntese convincente do anúncio do Evangelho e do compromisso em favor dos pobres dos oprimidos. Viveu de muitas maneiras "o amor preferencial pelos pobres". Nos pobres encontrava ele o Senhor em pessoa. Nisto é para nós modelo. E também o é noutroaspecto: na Congregação Mariana formava ele leigos convictos das suas responsabilida­des, que foram os seus colaboradores, extraordinariamente activos na propaganda da fé, no compromisso em favor dos perseguidos e na ajuda aos necessitados. A actuação do P. Mayer ensina-nos, além disso, exemplarmente, o esforço constante para acomodar nosso apostolado às circunstâncias do momento e a empreender novas iniciativas, de acordo com as exigências duma época em mudança.

Na carta que o Santo Padre me entregou em Paray-le-Monial, encarece vivamente diante de nós a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que tão profundamente está ligada aos Exercícios Espirituais de Santo Inácio. Esta devoção deve unir-nos pessoalmente com Nosso Senhor Jesus Cristo. O P. Rupert Mayer pode abrir-nos os olhos para compreendermos os frutos a brotarem dessa devoção. O seu "conhecimento interno" do Senhortornou-o capaz de chegar a ser aquilo que foi "em favor dos outros".

Desejo para todos nós que a beatificação do nosso irmão nos estimule a indagar­mos de novo o mistério da nossa vocação de jesuítas e ilumine os traços da mesma, vocação que ele viveu exemplarmente no seu tempo, tempo que se estende até ao nosso».

Cf. Pe. José Leite, SJ.

terça-feira, 19 de abril de 2011

EMA DA SAXÓNIA

Leiga e Santa
+ 1040

19 de Abril

Ema da Saxónia morreu em 19 de abril de 1040. No mosteiro de São Ludgero, na Alemanha, inexplicavelmente longe da Saxónia, conserva-se uma relíquia desta santa: uma mão prodigiosamente intacta.
Ela, de origem alemã, nasceu no berço de uma família muito religiosa e cristã. Era irmã de Meginverco, bispo da cidade de Paderborn, que também se tornou santo. Muito nova foi dada em matrimónio para Ludgero, conde da Saxónia, que a deixou viúva um ano depois do enlace. Muito devota, bonita, rica e sem filhos, não desejou se casar novamente. E se manteve constante em seu novo projeto de vida, que foi a total dedicação às obras de caridade.
"A mulher estéril", diz a Bíblia, "será mãe de muitos filhos." Assim foi com Ema. Generosa nas doações e no atendimento ao próximo, mas austera e intransigente consigo mesma, procurou a perfeição no difícil estado de viuvez, uma condição bastante incômoda para uma mulher que ficou só e muito rica.
Ela, entretanto, potenciou sua fecundidade espiritual e administrou seu património em benefício dos pobres e órfãos por meio das instituições assistenciais. Quarenta anos depois, por ocasião de sua morte, ela já não possuía mais nada neste mundo, tendo transferido, por sua caridade, seus bens ao tesouro do paraíso, onde, no dizer de Jesus, "As traças e a ferrugem não consomem, nem os ladrões roubam" (Mt 6,20).
A escolha de Ema não foi uma fuga perante as responsabilidades familiares, mas uma opção em favor de um serviço mais amplo aos necessitados, em nome de Jesus Cristo, que nos deixou o exemplo de dar sua vida pela salvação dos seres humanos. Aliás, o apóstolo Paulo louva a opção das viúvas que se dedicam unicamente ao Senhor e ao serviço comunitário da diocese, de tal modo que, nos primeiros séculos do cristianismo, existia uma espécie de associação de viúvas que trabalhavam distribuindo as esmolas dadas aos pobres pela Igreja.
Ema havia escolhido esta maneira de servir a Deus, a mais difícil e rara. Sua mão se conservou intacta, nove séculos e meio após sua morte, sem dúvida como um sinal certo da sua mais característica virtude: a generosidade.
Esta verdadeira serva de Cristo auxiliou o seu esposo celestial com a oração e a caridade, merecendo a devoção não de um marido, mas de milhões de cristãos. A Igreja a declarou santa e oficializou o seu culto público, que já era celebrado havia mais de nove séculos, no dia de sua morte. O corpo de santa Ema da Saxónia, sem aquela mão de que se falou, repousa na catedral de Bremen, Alemanha.

segunda-feira, 21 de março de 2011

CLEMENTE AUGUSTO VON GALEN

Cardeal, Beato
1878-1946

22 de Março

  • O “Leão de Münster” elevado à honra dos altares

Clemens August conde von Galen (1878-1946) nasceu em 16 de março no Castelo de Dinklage em Oldenburg, Alemanha, como décimo-primeiro de 12 irmãos. Seus pais foram o Conde Ferdinand Heribert e Elisabeth, nascida Condessa von Spee. A família, de antiga cepa católica, deu à Igreja almas de escol como arcebispos, bispos, clérigos e numerosas freiras.(4) E também ardorosos defensores de seus direitos no campo temporal. O Conde Heribert foi destacado deputado católico do Zentrumspartei (Partido do Centro) no Reichstag (Parlamento alemão).
Em seu lar túmido de virtudes cristãs, recebeu o jovem Clemens August uma esmerada educação. Frequentou de 1890 a 1894 a escola jesuítica Stella Matutina em Feldkirch.
Nos dois anos seguintes estudou em Vechta, onde concluiu seu curso colegial. Em 1897, acompanhado de seu irmão Franz, frequentou a Faculdade de Fribourg, na Suíça. Foi ali que resolveu tornar-se sacerdote. Em 1899 ingressou no seminário jesuíta de Innsbruck. Ordenado em 28 de Maio de 1904 na Catedral de Münster, foi nomeado no mês seguinte vigário capitular e capelão de seu tio, bispo-auxiliar de Münster, Mons. Maximilian von Galen. Em 1906 foi transferido para Berlim, onde se tornou capelão da paróquia de São Mathias. Além de seus cuidados pastorais, dava aulas de Religião em ginásio da cidade.
  • Altas virtudes sacerdotais e humanas

No dia 5 de Setembro de 1933, Pio XI(5) elevou-o ao episcopado, designando-lhe a sede ocupada anteriormente por seu tio. No dia de sua sagração episcopal, 28-10-1933, escreveu dele o Cardeal Schulte: “Aussi Clement, qu’Auguste” (Igualmente Clemente e Augusto). O novo bispo de Münster adoptou como lema de seu brasão as palavras “Nec laudibus nec timore” (Não me movo nem por louvores nem por temor), indicando destarte a firmeza de seu caráter. A seu respeito escrevia o “Münstersche Anzeiger” de 12-9-1933: “Assinalam o novo bispo altas virtudes sacerdotais e humanas. Como cura de almas em Berlim, [...] levantou continuamente sua voz contra a crescente secularização da vida, exigindo um retorno aos claros princípios da Igreja Católica”.
Oito meses antes havia o Partido Nacional Socialista (nazista) galgado o poder. Com sua doutrina pagã da raça ariana pura, o nazismo iria entrar necessariamente em choque com a Igreja, a qual começou a perseguir, de início discreta, mais tarde aberta e ferozmente.
  • Bispo heróico, apelidado “Leão de Münster”

Mons. von Galen logo percebeu os erros contidos na obra Mito do Século XX, de Rosenberg, o ideólogo do partido nazista. E combateu-os rijamente em sua Carta Pastoral de 19 de março de 1935, denunciando o “mito do sangue” de Rosenberg como uma nova religião pagã.
Empolgados com a coragem de seu bispo, os católicos deram-lhe a alcunha de “Leão de Münster”. Isso se deve não apenas a suas críticas constantes aos erros nazistas, mas sobretudo por três famosos sermões que proferiu nos dias 13 e 20 de Julho e 3 de Agosto de 1941 na igreja de São Lamberto, de cujas torres se podem ver ainda hoje penduradas as gaiolas nas quais apodreceram os restos mortais dos chefes anabatistas.
  • Desafiando os nazistas, condena a eutanásia

No sermão do dia 13 de Julho, criticou o confisco de mosteiros e conventos, apontando para um “ódio profundo contra o Cristianismo, o qual querem exterminar”. Dia 20 de Julho, empregou a figura da bigorna e do martelo: “Actualmente não somos martelo, mas bigorna. [...] A bigorna não pode e nem precisa rebater. Ela precisa apenas ser firme e dura“. No dia 3 de Agosto, increpou o crime da eutanásia, praticado em pessoas idosas, paralíticas e com doenças incuráveis. A reacção suscitada por este sermão foi imensa. Altos funcionários do partido nazista exigiam que se movesse um processo contra o bispo e o enforcassem numa praça pública de Münster. Goebbels, o ladino ministro da propaganda, percebeu que tal medida alienaria do esforço de guerra os católicos de toda a Alemanha. E recomendou a Hitler que deixasse o “acerto de contas” para depois da “vitória final”. Ele teve de viver com essa espada de Damócles sobre sua cabeça e a aceitou heroicamente, sem recuar.
A “vitória final” não houve. Com a capitulação da Alemanha em Maio de 1945 e o processo de Nuremberg, que julgou os crimes dos principais chefes nacional-socialistas, o nazismo desapareceu ingloriamente do cenário mundial, deixando atrás de si, a exemplo do comunismo, morte, escombros e miséria.
  • O alemão ideal, orgulho da Alemanha

Depois de receber o chapéu cardinalício, Mons. von Galen ficou ainda alguns dias na Itália, visitando soldados alemães em diversos campos de concentração. Em meados de Março esperava-o em Münster uma acolhida triunfal. Deus, porém, tinha outros planos para seu “Leão”. Acometido por uma apendicite aguda, faleceu na tarde do dia 22 de março de 1946.
Torre da igreja de São Lamberto: cestos onde permaneceram restos de anabatistas.
Em seu sermão fúnebre, o Cardeal Frings salientou que, enquanto houvesse uma diocese em Münster, Mons. von Galen seria o seu adorno. E acrescentou: “Enquanto houver uma história do povo alemão, ele será apontado como o alemão ideal, o orgulho da Alemanha”.
* * *
Em 9 de Outubro de 2005 o Cardeal von Galen foi beatificado pelo Papa Bento XVI, que na ocasião enalteceu a luta do novo bem-aventurado contra a eutanásia.
Plínio Correia de Olveira

segunda-feira, 7 de março de 2011

CUNEGONDA - RAINHA

Rainha, Santa
988-1039

3 de Março

Cunegonda viveu na realeza. Nasceu no ano 988, era filha de Sigfredo, conde de Luxemburgo e Asdvige, que transmitiu pessoalmente à ela os profundos ensinamentos cristãos. Desde pequena a menina desejava se tornar religiosa.
Porém casou-se com Henrique, duque da Baviera, que era católico e em 1002 se tornou rei da Alemanha. Em 1014 o casal real recebeu a coroa imperial das mãos do Papa Bento VIII, em Roma. Para o povo, foi um tempo de paz e prosperidade. O casal ficou famoso pela felicidade que proporcionava aos seus súditos, o que chamou a atenção dos inimigos do reino e do imperador. Mas também porque a população e a corte diziam que eles haviam feito um "matrimonio de São José", o que equivale viver em união apenas como bons irmãos. Verdade ou não, o fato é que Henrique percebeu que a esposa não podia ter filhos e decidiu ficar com ela, sem usar o direito do repúdio público para dissolver o casamento, como era legítimo na Alemanha e cuja situação era tolerada por Roma.
Mais tarde, os inimigos da corte espalharam uma forte calúnia contra a imperatriz, dizendo que ela havia traído seu marido. A princípio os dois não se importaram, mas os boatos começaram a rondar o próprio palácio e Cunegonda resolveu acabar com a maledicência. Numa audiência pública, negou a traição e evocou Deus para comprovar que dizia a verdade. Para isso, mandou que colocassem à sua frente grelhas quentes. Rezou, fechou os olhos e pisou descalça sobre elas várias vezes, sem que seus pés se queimassem. Isso bastou para o imperador, a corte e o povo admirar ainda mais a santidade da imperatriz, que vivia trabalhando para atender os pobres e doentes, crianças e idosos abandonados, com suas obras religiosas assistenciais.
Em 1021 o casal imperial fundou um mosteiro beneditino em Kaufungen, em agradecimento à Deus pela cura completa de uma doença grave que Cunegonda havia contraído. Quatro anos depois, quando Henrique faleceu, ela retirou-se para esse mosteiro, abdicando do trono e da fortuna, onde viveu como religiosa por quinze anos.
Até hoje o mosteiro possui em seu acervo os riquíssimos e belos paramentos que Cunegonda costurava. Contudo, ela própria usava somente um hábito muito simples, também feito com as próprias mãos. Com ele trabalhava diariamente e com ele fez questão de ser enterrada, embora suas companheiras tivessem preparado cobertas ricamente bordadas e enfeitadas com jóias preciosas para seu velório.
Antes de morrer, no dia 3 de março de 1039, pediu que a enterrassem como uma simples monja e ao lado da sepultura do esposo, na Catedral de Bamberg, que eles também haviam construído. O local foi palco de numerosos prodígios e graças, por isso seu culto correu entre os fiéis e se propagou por toda a Europa. O Papa Inocêncio III a canonizou em 1200, autorizando sua festa para o dia de sua morte. Santa Cunegonda é padroeira de Luxemburgo, da Lituânia e da Polônia o que faz com que sua devoção se mantenha ainda muito forte e intensa.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

ADELAIDE DE VILICH

Religiosa e Santa
960-1015

5 de Fevereiro

Adelaide nasceu no ano 960 era filha dos célebres condes de Geldern, na Alemanha. Seus pais, muito religiosos, tiveram mais duas filhas e um filho. Uma das suas irmãs entrou para o convento de Santa Maria, em Colónia, e Adelaide foi para o de Santa Úrsula, também na mesma cidade. Ambas foram eleitas abadessas por suas respectivas comunidades religiosas.
Quando o filho, único homem morreu, seus pais construíram uma igreja e um convento em Vilich, do qual Adelaide tornou-se a abadessa. Sua origem nobre e sua conversão atraíram muitas outras jovens para o convento. Ali se vivia a mesma caridade que Adelaide praticara em sua casa. Usou sua parte na fortuna da família para fazer caridade aos pobres e doentes, que recolhia no convento. Quase duas dezenas de mendigos eram ali socorridas todos os dias, nos horários das refeições. Mas não recebiam esmola, eram atendidos como convidados pessoais da abadessa. Quando a fome assolou a cidade de Vilich, seu convento salvou muita gente da morte.
Após o falecimento de sua irmã, Adelaide foi transferida para o convento que ela dirigia, em Colónia, e lá morreu, na tranquilidade da comunidade que tão bem governou, em 5 de fevereiro de 1015. Constatamos nos registros da Igreja e nas narrativas da tradição que a abadessa Adelaide operou vários prodígios e graças em vida, como, por exemplo, quando fez um menino paralítico recuperar a capacidade de andar, com o fervor de suas orações.
O seu nome de origem germânica quando traduzido para o latim se torna Alice. Por isso ela é invocada como Santa Adelaide de Vilich ou Alice de Vilich, cujo culto de muita devoção se mantém constante e intenso entre os fiéis no mundo cristão. Notadamente pelo uso da dupla forma do seu nome ao longo dos séculos, que a torna protectora das pessoas e lugares, fortalecendo ainda mais a tradição do seu exemplo de santidade, ainda em vida.

MARIA HELENA STOLLENWERK

Religiosa, Fundadora, Beata
1852-1900

3 de Fevereiro

Helena nasceu no dia 28 de Novembro de 1852, numa aldeia do Eifel, na Alemanha. A sua infância foi marcada pela morte de seu pai e pelo cuidado com seus irmãos surdos-mudos. As leituras sobre as missões em países não evangelizados tocou Helena profundamente.
Aos 14 anos foi nomeada promotora da Obra Missionária da Santa Infância de sua paróquia. Sentia-se profundamente atraída pelas crianças da China, a quem procurava meios para ajudar. Aos 16 anos descobriu que, através da vida religiosa, poderia alcançar sua meta. Durante anos procurou por uma congregação missionária. Como a Alemanha vivia tempos de perseguição, Helena precisou esperar. Com Santo Arnaldo Janssen, Helena foi co-fundadora, em Steyl, das Missionárias Servas do Espírito Santo (1889) e das Missionárias Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua (1896). Faleceu no dia 3 de Fevereiro de 1900.
CHAMAMENTO E MISSÃO
“Sempre foi uma grande alegria, para mim, poder fazer algo pela Obra da Infância missionária” dizia a Beata Maria Helena. Desde pequenina identificou-se com o ideal missionário. Foi “tocada” no seu íntimo pela Palavra de Deus e por situações de sofrimento humano, a ponto de modificar toda a sua vida. Helena sente-se interpelada pelo sofrimento das crianças pagãs e abandonadas da China.
É significativo que, para a Beata Maria Helena, o ideal missionário esteja em primeiro lugar, e não a vida religiosa. “Naquele tempo eu tinha apenas o desejo de ir aos pobres pagãos. Não pensava em entrar numa congregação religiosa.” A necessidade de entrar numa congregação religiosa para viver o seu carisma só apareceu mais tarde, como um meio para chegar ao seu objectivo: a China.
Ela viveu o amor misericordioso de Deus pelos homens, tal como se revelou na História de Israel: “Eu vi a aflição do meu povo e desci para salvá-los das mãos dos egípcios e conduzi-los para a terra prometida” (Ex. 3,7-8). As situações de sofrimento, pobreza e ameaças à vida, nós experimentamo-las no nosso próprio chamamento. Muitas vezes, no sofrimento dos homens, o apelo de Deus atinge-nos como um golpe. Reconhecemos que, só na resposta a este chamamento, encontraremos a realização da nossa própria vida! Esta certeza é tão firme na vida de Helena que se mantém ainda hoje e se vai perpetuando nas Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo. Quando foi a Steyl (casa mãe das três congregações fundadas por Santo Arnaldo na Holanda) pela primeira vez, disse: “Eu estava tão feliz como nunca estivera antes. Senti que aqui era o meu lugar e que a missão da Sociedade do Verbo Divino coincidia com o que Deus me pedia.” 
É significativo que a vocação missionária de Helena tenha sido alimentada pela Obra da Santa Infância. O desejo de ser enviada às missões estrangeiras vive nela mesmo antes da fundação da nossa Congregação de Missionárias Servas do Espírito Santo. Esse desejo faz parte do carisma que nos foi doado através da nossa co-fundadora.
A vida da Bem-aventurada Maria Helena parece a de uma semente que morre escondida na escuridão da terra e acorda para uma vida nova. Para ela, é a palavra de Deus a Abraão: “Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome e tu serás uma fonte de bênçãos” (Gen. 12,1-2). Também Helena escuta a Palavra de Deus, confia como Abraão e põe-se a caminho. A promessa vive nela. Ela mesma é parte da promessa. Ela é capaz de suportar o penoso trabalho sem se queixar porque tem o objectivo diante dos olhos e é confirmado por Deus no caminho pela experiência da alegria: “Eu vivo, na Casa Missionária, felicíssima e contente.”
MISSIONÁRIA E FUNDADORA
Desde a infância, Maria Helena sente o chamamento para a missão e a sua felicidade consiste na realização desta aspiração. Para Helena, o essencial do seu chamamento é o aspecto missionário: ser enviada à China, para ali doar a vida.
Através da experiência de Deus, feita na primeira visita a Steyl, sente-se encorajada a procurar ali a realização do chamamento missionário. É o próprio Deus que lhe revela, por experiências interiores, guia-a sempre de novo e confirma-a no chamamento missionário. Nela se resume o carisma missionário e o da contemplação. Os directores espirituais também reconhecem nela essa tendência contemplativa. Maria Helena procura aprofundar, cada vez mais, nas irmãs, o amor à vocação religiosa-missionária. Ela escreve às Irmãs: “Não deixemos de agradecer, nem em um só dia, do fundo do coração, pela grande graça de sermos irmãs missionárias. Alegrai-vos, porque Deus nos escolheu.”
Também entende a passagem à clausura como uma entrega para a missão. Agora, em cada momento livre, quer levantar o coração e as mãos a Deus, para que Ele abençoe o trabalho das missionárias. Afirma, várias vezes, que ama a vocação missionária e que somente dá o passo para a clausura, porque reconhece nisso a vontade de Deus. A experiência de Deus em Helena é, intimamente relacionada com a experiência do chamamento missionário.
A Encíclica “Redemptoris Missio” indica como marca essencial da Espiritualidade Missionária a união íntima com Cristo e a participação nas Suas atitudes: “Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus (Fil. 2,5-8). O chamamento percorre o mesmo caminho e tem o ponto final ao pé da cruz” (R.M 67). Estas palavras de João Paulo II são como um espelho na vida de Helena. Dela é exigido renunciar a si mesma e a tudo o que, até então, considera como seu, para se tornar em tudo para todos. Ela escolheu o caminho de seguir Jesus, o Enviado do Pai. 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

VALÉRIO DE TREVAS

Bispo, Santo
Séculos III e IV

29 je Janeiro

Alguns escritos relatam que o bispo de Trevas, chamado Valério, foi discípulo do apóstolo Pedro. Este o teria consagrado bispo e enviado para evangelizar a população da Alemanha. Mas, isto não ocorreu, São Pedro testemunhou a fé pelo menos dois séculos antes.
Mas Valério — foi colaborador de S. Materno, primeiro Bispo da Alsácia, na evangelização da Alemanha — e veio a ser bispo de Trevas, quando morreu S. Eucário, primeiro Bispo de Trevas. Estes três Arautos do Evangelho foram incluídos no Livro dos Santos, como grandes apóstolos da Alemanha.
Nos registros posteriores, revistos pelo Vaticano no final do primeiro milênio, onde foram narrados os motivos da santidade dos religiosos até então, encontramos o seguinte, sobre Valério: "converteu multidões de pagãos e operou milagres singelos e expressivos". Talvez o mais destacado, tenha sido quando Valério, trouxe de volta à vida o companheiro Materno com o simples toque do seu bastão episcopal. Depois, o outro companheiro de missão, que já havia falecido, Eucário, o teria avisado em sonho que no dia 29 de Janeiro ele seria recebido no Reino de Deus. Valério morreu neste dia de um ano ignorado, no início do século IV.
A fama de sua santidade aumentou com a sua morte e os devotos procuravam a sua sepultura para agradecer ou pedir a sua intercessão. O culto se intensificou com a construção de muitas igrejas dedicadas a São Valério, principalmente entre os povos de língua germânica.
Muitas cidades o elegeram como seu padroeiro. As suas relíquias, conservadas numa urna de prata, encontram-se na cripta da basílica de São Matias, na cidade de Trevas, actualmente chamada Trier, na Alemanha. Algumas parcelas destas santas relíquias foram levadas para Lisboa.
A festa litúrgica ocorre no dia de sua morte.

sábado, 22 de janeiro de 2011

NICOLAU GROSS

Leigo, Mártir, Bem-aventurado
1898-1945

23 de Janeiro

Nikolaus Gross, incansável jornalista cristão que batalhou contra o nacional-socialismo da Alemanha nazista, foi elevado aos altares em 7 de outubro pelo Papa João Paulo II, em uma solene cerimónia na praça São Pedro.
Gross, nascido em Niederwenigern, próximo de Essen em 1898, teve uma vida que combinou o trabalho duro das minas e o trabalho intelectual do jornalismo, ferramenta esta última que utilizaria para converter-se em um opositor não violento do regime de Adolf Hitler.
Assim, quando contava com 19 anos e já dentro do trabalho mineiro, ingressou no sindicato cristão. Um ano depois entrou para o partido cristão do Zentrum, tornando-se aos 22 anos secretário dos jovens mineiros. Neste período Gross sente inquietude pelo jornalismo, o que o impulsiona a colaborar no diário do Movimento Católico dos Trabalhadores (KAB), o Westdeutschen Arbeiterzeitung. Rapidamente começa a destacar-se pelo seu talento, até tornar-se anos mais tarde diretor do diário.
Afincado em Colónia, Gross percebe o perigo que para Alemanha significava que o nazismo tomasse o poder, por isso não duvida, respaldado em sua fé, em informar a seus leitores sobre as verdadeiras conseqüências que um regime deste tipo trairia sobre o país.
Em uma das tantas ocasiões afirmaria, "nós trabalhadores católicos rejeitamos com força e com claridade o Nacionalsocialismo, não só por motivos políticos ou económicos, mas decididamente também por nossa postura religiosa e cultural".
Ao tomar Hitler o poder na Alemanha, a comunidade cristã começa a ser perseguida.
Entretanto, isto não foi impedimento para que Gross continuasse seu trabalho, complementado com o apoio mútuo que se prestou com as mais influentes e importantes inteligências católicas contrárias ao nazismo. Entre elas destacou-se o sacerdote jesuíta Alfred Delp e o leigo Emil Letterhaus. Ambos também seriam executados.
Pouco a pouco o diário foi se tornando um obstáculo para o governo, sendo declarado inimigo do Estado e clausurado em 1938. Nikolaus Gross não se deixou abater e continuou com sua tarefa de anunciar a Cristo emitindo edições clandestinas.
Esta constante oposição ao nacionalsocialismo, fez com que fosse encarcerado e executado na forca em 23 de janeiro de 1945. Sua execução foi realizada três semanas depois do fracasso do atentado contra Adolf Hitler, seu corpo foi queimado e suas cinzas espalhadas pelo campo.
Este homem, que se iniciou como obreiro, sindicalista e posteriormente jornalista, teve muito claro o compromisso que como católico devia assumir na defesa da verdade, a justiça, a paz e a solidariedade; inclusive entregando a própria vida.
Além disso, foi testemunho de pai e esposo, mostra disso é a carta que da prisão de Berlim-Plötzensee, enviou a sua esposa e filhos dois dias antes de sua execução. Nela mostrou uma completa serenidade frente a morte e uma fé inabalável em Cristo.

Sua Beatificação

No Domingo 7 de outubro, na Praça São Pedro, o Papa João Paulo II presidiu a cerimónia que elevou aos altares a Nikolaus Gross, jornalista que se opôs com a fé e a razão ao regime Nazista de Hitler.
Foi beatificado junto com outras seis pessoas. Aquele dia o Papa disse: "Com inteligência compreendia que a ideologia nacional-socialista era incompatível com a fé cristã. Com valentia, tomou a pena para escrever a favor da dignidade humana e por esta convicção foi levado ao patíbulo, mas isto abriu-lhe o céu".