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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

MARCELO SPINOLA Y MAESTRE

Bispo, Cardeal, Fundador Beato
1835-1906

Marcelo Spínola y Maestre nasceu a 14 de Janeiro de 1835 na ilha de S. Fernando, diocese de Cádiz (Espanha). Teve como pais o Marquês Dom João Spínola e Dona Antónia Maestre Osorno.
A 29 de Junho de 1856 obteve a licenciatura de Direito na universidade de Sevilha. Estabeleceu então um gabinete em Huelva, para serviço gratuito dos pobres, e exerceu ali como advogado até que passou para Sanlúcar de Barrameda, por causa da mudança de seu pai, comandante da Marinha.
Foi ordenado sacerdote em 21 de Maio de 1864, em Sevilha.
Celebrou a primeira Missa na igreja de S. Filipe Neri da mesma cidade, a 3 de Junho do mesmo ano, festividade do Sagrado Coração de Jesus. Durante os primeiros anos exerceu o seu ministério como capelão da igreja de Nossa Senhora das Mercês, em Sanlúcar de Barrameda.
Foi mais tarde nomeado pároco de S. Louren ço de Sevilha pelo Cardeal Lastra, cargo que exerceu de 17 de Março de 1871 até a 28 de Maio de 1879, data eml que foi nomeado pelo Arcebispo, Mons. Joaquín Lluch, cónego da igreja Catedral de Sevilha.
No Consistório de 10 de Novembro de 1884, o Papa Leão XIII nomeou-o para a diocese de Coria (Cáceres), cargo que assumiu de 7 de Março de 1885 até 5 de Agosto de 1886, sendo imediatamente destinado à diocese de Málaga onde permaneceu de 16 de Setembro de 1886, até 8 de Fevereiro de 1896, sendo eml seguida preconizado para o cargo de Arcebispo de Sevilha, onde exerceu o seu ministério de 11 de Fevereiro de 1896 até 19 de Janeiro de 1906. Entretanto, durante o Consitório de 11 de Dezembro de 1905, o Papa Pio XI tinha-o nomeado cardeal.
A 31 de Dezembro de 1905, sua Magestado, Afonso XIII de Espanha imposera-lhe a bareta cardinalícia.
Anteriormente, em Coria (Cáceres), em 1885 tinha fundado a Congregação das Escravas do Divino Coração, com a serva de Deus, Madre Celia Mendez y Delgado.
No dia 19 de Janeiro de 1906, na cidade de Sevilha, entregou a Deus a sua bela alma.
Sua Santidade, o Beato João Paulo II, durante a sua visita a Sevilha a 5 de Novembro de 1982, orou diante da sua campa, que visitou expressamente.

sábado, 19 de março de 2011

FLORENTINA DE CARTAGENA

Religiosa, Santa
+ (entre 612 e 633)

14 de Março

Mesmo que não se saiba o ano exacto da sua morte, é sabido no entanto que esta Santa espanhola era irmã de três Santos, que como ela nasceram em Cartagena, na província de Andaluzia.
Foi seu irmão S. Leandro, arcebispo de Sevilha e reconhecido, no seu tempo e mesmo depois como o homem mais notável da Espanha.
O bispo S. Fulgêncio que o povo chamava comummente “pai dos pobres” e ainda um dos mais conhecidos Santos da Espanha, Santo Isidoro, sucessor de S. Leandro e que mais tarde a Igreja proclamará “Doutor”, por ter sido um dos maiores defensores da fé católica na Espanha, nesses tempos remotos, onde as perseguições e as invasões eram frequentes e, ocasião de numerosos martírios.
Segundo certos historiadores ou hagiógrafos, esta Santa era igualmente parente — tia, talvez — de Santo Hermenegildo, o valoroso guerreiro que sofreu o martírio em defesa da fé, Santo que a Espanha venera muito particularmente.
A jovem Florentina foi dirigida espiritualmente por seu irmão Leandro, o futuro bispo de Sevilha. Com ele certamente estudou também o latim e provavelmente outras matérias que mais tarde lhe vieram a ser úteis.
“Sendo também Formosíssima e cheia de qualidades, resolveu escapar aos escolhos do mundo tomando o hábito religioso num mosteiro de S. Bento, perto da cidade de Ecija”[1]. Como acontecia muitas vezes naquele tempo, um grande número se outras donzelas seguiram o seu exemplo, o que obrigou o bispo daquela diocese a construir um novo mosteiro para as albergar decentemente. Mas como o número de noviças era cada vez maior — fala-se de mais de mil donzelas —, foi mesmo necessário abrir novos mosteiros em diferentes cidades espanholas; diz-se mesmo que o seu número foi superior a 40 novos mosteiros sob a regra de S. Bento.
Mas, por descuido do Bispo de Ecija, a observância decaiu no mosteiro onde Florentina entrara, o que fez afrouxar as vocações e arrefecer o zelo daquelas que ali viviam para amar e louvar a Deus. Todavia, as preces ardentes de algumas delas tocaram o coração de Deus que permitiu fosse nomeado para a Sé daquela diocese o próprio irmão de Florentina: Fulgêncio. Foi isto suficiente para que o mosteiro — depois de algumas reformas adequadas — voltasse ao fervor inicial.
“Vendo a Santa contínua e deploravelmente perseguida pelos arianos a santa lei de Deus, aumentou as orações, penitências e súplicas, trabalhando do modo que podia em combater os hereges e manter, com exemplos e palavras, puro e ileso o depósito da fé, não só entre as suas religiosas, senão em quantos a consultavam ou ela encontrava. Teve a grande consolação de receber a notícia da conversão do rei Recaredo”[2].
Santa Florentina continua a ser muito venerada em toda a Espanha e muito particularmente em Cartagena e Sevilha, onde seu irmão Isidoro foi Arcebispo durante longos anos.

[1] Pe. José Leite, sj : Santos de cada dia, vol. 1, pag. 251.
[2] Pe. José Leite, sj : Santos de cada dia, vol. 1, pag. 251.

sábado, 22 de janeiro de 2011

ILDEFONSO DE TOLEDO

Arcebispo, Santo
VII
o século
Às portas de Toledo, capital do reino dos Visigodos da Espanha, elevava-se no sétimo século, o mosteiro de Agali, um verdadeiro viveiro de santos e de doutores. Foi aí que se fez monge, apesar das violentas resistências da sua família, Ildefonso que colocamos com a maior felicidade a nossa resenha da flor dos Santos, sobretudo que ele foi muito dedicado Maria, a Rainha dos anjos e os homens.
Ildefonso, o mais ilustre dos discípulos de santo Isidoro de Sevilha, o mais popular dos santos da Espanha, tinha nascido nesta mesma cidade de Toledo, no seio duma família — na qual corria o sangue real —, a 8 de Dezembro de 606, dia que depois foi consagrado à Imaculada Conceição da Virgem Maria e, foi pela intercessão de Maria que Estêvão, seu pai, e Lúcia, a sua mãe obtiveram do céu esta criança abençoada. Recebeu, primeiramente em Sevilha, durante doze anos, as lições de Isidoro, seguidamente tendo voltado ao lar familiar, ele fez-se monge em Agali e aí terminou os seus estudos. A morte dos seus pais deixaram-lhe a livre disposição dos seus bens, que ele consagrou à fundação de um mosteiro de religiosas.
Eugénio II, o arcebispo de Toledo, tendo falecido (657), a voz unânime do clero e do povo colocou Ildefonso sobre a sede metropolitana; e então, fazendo o ofício de bom pastor, iluminou, como um sol místico, todas as igrejas da Espanha pela sua ciência assim como pela sua virtude. “Mas o que lhe valeu o primeiro lugar no amor e na memória do povo espanhol, foi sobretudo a sua ardente devoção para com a Santíssima Virgem cuja virgindade defendeu contra o Helvídios. As visões miraculosas que confirmam o reconhecimento de Maria para pelos esforços do seu zeloso defensor e as relíquias que deixou à igreja de Toledo, inflamaram durante muito tempo a devoção dos Espanhóis para com o seu grande santo Alonzo. Estas maravilhas insignes merecem ser conhecidas.
No dia da festa de santa Leocádia, esta ilustre e famosa mártir saiu do seu túmulo junto do qual Ildefonso orava e descobriu-lhe o sítio onde se encontravam as suas relíquias, durante muito tempo esquecidas, que o santo arcebispo desejava ardentemente reencontrar. Seguidamente tomando-o pela mão disse-lhe perante toda a assistência: “Ildefonso, por ti foi defendida a minha Soberana que reina no alto dos céus”, querendo dizer-lhe que tinha defendido a honra de Maria contra os hereges. Para ter uma prova palpável desta visão, tomou a espada do rei Réceswinthe que o acompanhava e cortou um retalho do véu da Santa, antes que o túmulo se fechasse: esta parcela de véu tornou-se uma relíquia muito venerada, conservada na igreja de Toledo. Santo Ildefonso estabelece ou pelo menos celebrou e propagou com zelo a festa da Expectação do parto da Santíssima Virgem. Ora, antes de Matinas desse dia, Ildefonso levantou-se à habitual para ir cantar os elogios de Maria. Estava acompanhado dos seus clérigos e dum grande número de pessoas. Iam na frente luminosas tochas de cera. Chegados à porta, as pessoas que compunham o cortejo aperceberam na igreja uma clareza que os seus olhos não podiam suportar e fugiram. Ildefonso mandou abrir e avançou para o altar acompanhado pelo diácono e pelo sub-diácono apenas. Prostrou-se e nesse mesmo momento apareceu-lhe Virgem a Maria sentada sobre o trono episcopal, cercada de um bando de Virgens que executavam sobre a terra os cânticos do Paraíso. Maria fez sinal ao seu defensor para que se aproximasse, e fixando sobre ele o seu olhar divino disse-lhe: “Vós sois o meu capelão e o meu fiel notário, recebei esta casula que o meu Filho tirou dos seus tesouros”. Seguidamente cobriu-o Ela mesma e ordenou-lhe de não se servir desta que por ocasião das festas celebradas na sua honra. Esta aparição foi tão certa e real que um concílio de Toledo ordenou que para perpetuar a memória uma festa seria celebrada todos os anos, com serviço e sob rito duplo e que ainda hoje se celebra a 21 de Janeiro sob o título de “Aparição da Santíssima Virgem e do seu Menino a santo Ildefonso”, e, coisa notável, esta mesma festa é solenizada no Egipto pelos Coptas.
Estes favores com que Nosso Senhor e a sua Santa Mãe quiseram honrar o seu servo é um  digno prelúdio à felicidade eterna da qual, no dia 23 de Janeiro do ano 669, ele iria gozar. Tinha então Ildefonso sessenta e três anos de idade e dez como bispo de Toledo.
Santo Ildefonso foi enterrado na igreja de Santa Leocádia e mais tarde, por causa dos mouros, o seu corpo foi transladado para Zamora nas Astúrias onde se celebra ainda esta translação das suas relíquias.
A casa onde santo Ildefonso nasceu foi dada aos Padres Jesuítas, depois de ter pertencido aos condes de Orgas. Estes religiosos mandaram construir uma magnífica igreja no lugar que esta casa ocupava e reavivaram a memória do Santo que os toledanos tinham, a pouco e pouco, esquecido.
FONTE : P. Giry : Les petits Bollandistes : vies des saints. T. I. Source http://gallica.bnf.fr/ Bibliothèque nationale de France. Tradução : Afonso Rocha.