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domingo, 27 de março de 2011

JOÃO DAMASCENO

Doutor da Igreja, Santo
675-749

27 de Março

João Damasceno é considerado o último dos Santos padres orientais da Igreja, antes que o Oriente se separasse definitivamente de Roma, no ano 1054. Uma das grandes figuras do cristianismo, não só da época em que viveu, mas de todos os tempos, especialmente pela obra teológica que nos legou.
Seu nome de batismo era João Mansur. Nasceu no seio de uma família árabe cristã no ano 675, em Damasco, na Síria. Veio daí seu apelido "Damasceno" ou "de Damasco". Nessa época a cidade já estava dominada pelos árabes muçulmanos que acabavam de conquistar também a Palestina. No início da ocupação ainda se permitia alguma liberdade de culto e organização dos cristãos, dessa forma, o convívio entre as duas religiões era até possível. A família dos Mansur ocupava alto posto no governo da cidade, sob a administração do Califa muçulmano, espécie de prefeito árabe.
Dessa maneira, na juventude João, culto e brilhante se tornou amigo do Califa, que depois o nomeou seu conselheiro, com o título de Gran Visir de Damasco. Mas como era ao mesmo tempo um cristão reto e intransigente com a verdadeira doutrina, logo preferiu se retirar na Palestina. Foi ordenado sacerdote e ingressou na comunidade religiosa de São Sabas e, desde então, viveu na penitência, na solidão, no estudo das Sagradas Escrituras, dedicado à atividade literária e a pregação.
Saia do convento apenas para pregar na Igreja do Santo Sepulcro para defender o rigor da doutrina. Suas homilias depois eram escritas e distribuídas para as mais diversas dioceses, o que o fizeram respeitado no meio do clero e do povo. Ao lado de Gregório II, Bispo de Jerusalém e de Germano, Patriarca de Damasco, defendeu a posição da Igreja contra a iconoclastia decretada pelo Imperador Leão III. O valor que passou para Igreja foi através da santidade de vida, da humildade e da caridade, que fazia com que o povo já o venerasse como santo ainda em vida. Além disso, por sua obra escrita, sintetizando os cinco primeiros séculos de tentativas e esforços de sedimentação do cristianismo.
Suas obras mais importantes são "A fonte da ciência", "A fé ortodoxa", "Sacra paralela" e "Orações sobre as imagens sagradas", onde defende o culto das imagens nas igrejas, contra o conceito dos iconoclastas. Por causa desse livro João Damasceno foi muito perseguido e até preso pelos hereges. Inclusive o Califa foi induzido a acreditar que João Damasceno conspirava junto com os cristãos, contra ele. Mandou prende-lo a aplicar-lhe a lei muçulmana: sua mão direita foi decepada, para que não escrevesse mais.
Mas pela fé e devoção que dedicava à Virgem Maria tanto rezou que a Mãe recolocou a mão no lugar e ele ficou curado. E foram inúmeras orações, hinos, poesias e homilias que dedicou especialmente à Nossa Senhora. Através de sua obra teológica foi ele quem deu início à teologia mariana. Morreu no ano 749, segundo a tradição no mosteiro de São Sabas. Tão importante foi sua contribuição para a Igreja que o Papa Leão XIII o proclamou Doutor da Igreja e os críticos e teólogos o declararam: "São Tomás do Oriente". Sua celebração, no novo calendário litúrgico da Igreja ocorre no dia 4 de dezembro.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

VALÉRIO DE RAVENA

Bispo, Santo
+810

Recordamos hoje dois santos bispos com o mesmo nome, Valério. O primeiro, morreu cinco séculos antes, na sua sede episcopal em Treviri, na Alemanha, e pode ser lido na outra página. O segundo, faleceu no dia 15 de março de 810 e foi o bispo de Ravena, em Roma, na Itália.
Este Valério, bispo de Ravena, que faleceu em março, passou a ser comemorado no dia 29 de janeiro, por ser confundido com o primeiro que faleceu neste dia, o qual já tinha um culto cristalizado entre os peregrinos e devotos. O erro partiu de um copista do Vaticano, em 1286, que acreditou se tratasse de um santo só. Excluiu a festa de março e manteve no calendário da Igreja a data da comemoração mais antiga, e assim ficou.
Valério de Ravena, também sofreu fortes perseguições políticas dentro do próprio clero. Mas o pior foi que para agradar o imperador Carlos Magno, que não simpatizava com ele, o bispo foi vítima de uma sórdida intriga política. No dia 8 de abril de 808, dia de Palmas, dois nobres condes paladinos chegaram cedo na cúria, conversaram com Valério que os acolheu e deu hospedagem. Participaram de todas as celebrações pertinentes à data e depois de almoçarem com o bispo, partiram agradecidos.
Depois, em troca de favores da corte, estes nobres mandaram uma carta ao papa Leão III, informando que durante a refeição, daquele dia, o bispo Valério, havia proferido palavras tão impróprias, que não poderiam ser repetidas nem por escrito. Mais tarde quando surgiram outras divergências políticas, o papa Leão III escreveu numa carta à Carlos Magno, que ele mesmo contestava a santidade do bispo e lhe contou sobre os dois condes.
Outras fontes históricas da Santa Sé, entretanto, comprovaram que o arcebispo de Ravena era um pastor zeloso e batalhador pela causa do bem da doutrina cristã, especialmente na luta contra a heresia ariana. Valério administrou a diocese de Ravena entre 788 e 810. O arcebispo Simeão trasladou suas relíquias para a catedral, em 1222, concedendo uma indulgência especial à basílica de santo Apolinário, por "reverências ao bem-aventurado Valério".