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sexta-feira, 6 de maio de 2011

PEDRO DE RATES

Primeiro Bispo de Braga, Santo
data incerta

26 de Abril

Segundo uma tradição lendária, S. Pedro de Rates tornou-se o primeiro bispo de Braga, logo no ano 45, como se pode ver na lista de todos os arcebispos de Braga que existe na Sé.
Conta um lenda que o santo salvou de doença mortal uma jovem princesa pagã. Como retribuição ela converteu-se ao cristianismo e fez voto de castidade. Tais factos enfureceram o pai levando-o a ordenar a morte de S. Pedro. Este refugiou-se na capela de Rates onde foi encontrado e decapitado pelos soldados que seguidamente destruíram o templo.
Séculos mais tarde, da serra de Rates, S. Félix observava todas as noites uma luz na escuridão. Guiado pela curiosidade desceu a vertente e encontrou no meio dos escombros a razão de ser desse clarão: o corpo de S. Pedro.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

ROSENDO DE DUME

Bispo de Braga
907-977

1º de Março

Esta grande figura da Igreja ibérica, Rosendo de Celanova, nasceu em Santo Tirso, perto do Porto a 26 de novembro de 907, no seio de uma família então prestigiosa. Veja-se:
São Rosendo era tetraneto de Ramiro I de Oviedo (+ 850); bisneto do Conde Gaton de Bierzo, o repovoador de Astorga (854), neto do Conde Hermenegildo Gutierrez, conquistador de Coimbra (878) e primo irmão do Rei Ramiro II de Leão (+ 951).
Com uma tal “linhagem”, não admira que tenha sido nomeado bispo de Medonhedo tendo apenas 18 anos. Todavia, esta juventude não o impediu de ser, na sequência dos tempos um grande e famoso servidor da Igreja.
Lembremos que foi ele o fundador da grande abadia de Celanova e que terminou a sua vida como bispo na então já muito famosa catedral de Santiago de Compostela (968-977). Bom é saber igualmente que a esta prestigiosa família galega pertenceram nada mais do que 10 reis e 7 bispos, assim como uma boa parte das mais importantes figuras do reino ― entre os anos 850 e 1000.
Este grande santo ibérico, é considerado português, pelos portugueses, por causa do seu nascimento ― mesmo se nesse tempo nem o Condado de Portugal existia ― e por ter sido um dos bispos de Dume, na região de Braga, a mais antiga diocese de Portugal.
Os espanhóis e, particularmente os galegos, consideram-no espanhol por ter sido o fundador da abadia de Celanova na Galiza e por fim, bispo da grande diocese de Santiago de Compostela, cuja catedral era já muito visitada, como o provam antigos documentos.
Segundo nos diz um autor espanhol, S. Rosendo é o único bispo da época alto-medieval do qual se possuí uma verdadeira biografia, obra de um monge do mosteiro de Celanova que viveu na segunda metade do século XII, chamado Ordoño, o qual utilizou na sua obra documentos e dados recolhidos durante décadas pelo famoso claustro celanovense.
Sabe-se assim que quando menino, Rosendo, “dando já mostras de um carácter singular” foi posto sob a direcção espiritual de seu tio-avô o bispo Sabarico (906-924), provavelmente quando este foi bispo de Medonhedo, diocese à qual estava ligada a diocese de Dume.
Foi também aqui que o jovem Rosendo recebeu a instrução literária, seguindo-se depois, como é óbvio, a instrução eclesiástica, administrada por monges letrados e de alta probidade espiritual.
A quando da morte de seu tio-avô, ocorrida em 924, Rosendo, tendo já passado pelos diversos graus eclesiásticos, foi nomeado bispo de Medonhedo, em 925, quando apenas tinha, como já dito, 18 anos, reinando então em Leão o efémero Fruela II (924-925).
Os primeiros meses do seu pontificado ― continua o autor espanhol ― coincidiram com o agitado conflito que se travou, a quando da morte de Fruela II, entre os filhos deste rei e seus primos, filhos de Ordoño II, para a possessão do reino. Finalmente, estes últimos impuseram-se e subiu ao trono, em 926, Sancho Ordoñez, como rei da Galiza. Este, tendo morrido sem filhos, o reino voltou a reunificar-se e a reinar Afonso IV de Leão que por sua vez abdicou, no verão de 931, entre as mãos de seu irmão mais novo, Ramiro II (931-951), que residia no interior da actual fronteira portuguesa ― entre Viseu e Coimbra ― precisa o mesmo autor.
Pondo de parte estas notas histórico-políticas, voltemos ao nosso Santo, quando ele já conta cerca de 43 anos de idade e 24 de pontificado na diocese de Medonhedo.
Nesta ocasião e na sequência de uma grande assembleia que se reuniu em Leão em 950, foi escolhido para a diocese de Medonhedo um outro bispo e Rosendo retirou-se para Celanova, no mosteiro que mandara construir, como vimos. Todavia, o novo bispo da diocese que Rosendo deixara, parece não ter as capacidades necessárias e o Santo tem de voltar a ocupar-se da diocese, assim como da de Dume, sem esquecer todos os apelos que lhe eram feitos a quando das grandes assembleias para a nomeação de novos prelados para as dioceses do reino, o que aconteceu ao menos em 956, 958 et 959.
Desde que isso foi possível, Rosendo voltou para a solidão de Celanova e aí se entregou à oração e à meditação. Mas esta quietude não durou muito tempo, visto que em 968 foi chamado à cátedra de Santiago de Compostela onde permaneceu até à morte.
Em 17 de janeiro de 977, encontrando-se provavelmente doente ― e esta doença parecendo-lhe grave ― Rosendo redigiu o seu testamento onde não só mostra a sua lealdade para com a dinastia reinante, mas também se preocupa com o futuro do seu querido mosteiro de Celanova, onde acabará por morrer 32 dias depois no primeiro de março de 977.
Afirma ainda o autor espanhol que « a trajectória do “galaico” S. Rosendo, bispo de Medonhedo-Dume (925-950 e 955-958) e por isso titular da “sede apostólica” de Iria-Santiago (968-977), deve situar-se num claro contexto histórico “neogoticista”, herdeiro, directo de um passado que nunca tinha sido prescrito, de maneira que a sua figura se conecta directamente com os seus antecessores, os bispos que pontificaram em Britónia (perto de Medonhedo) durante os séculos VI a VIII, como a figura excepcional de S. Martinho de Dume (o apóstolo da Galiza) e a seguir bispo de Braga (+580) e com aquela de S. Frutuoso, também incansável fundador de mosteiros e igualmente bispo de Dume e depois de Braga (656) ».
O mesmo autor acrescenta ainda: « S. Rosendo estudou com toda a segurança, como se fazia no seu século, a fecunda obra de Santo Isidoro de Sevilha (601-636), assim como aquela dos primazes de Toledo, S. Julião e Santo Ildefonso. »
Referente a este grande Santo, conserva-se, em S. Miguel do Couto, perto do Porto, a pia baptismal onde recebeu as águas que tornam o homem filho de Deus.
Em Celanova subsiste ainda uma pequena capela, « autêntica jóia da arte pré-românica espanhola do século X ».
Pouco importa que S. Rosendo seja português ou espanhol ― os Santos são dados como exemplos a todos os povos da terra ― o que mais importa é, não só seguir o seu exemplo de profunda espiritualidade e entrega a Deus, mas também de o invocar nas nossas necessidades, mostrando-lhe assim o nosso amor e carinho.
Afonso Rocha

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

MARTINHO DE COIMBRA

Sacerdote, Mártir, Santo
+ 1147

31 de Janeiro

Martinho nasceu em Arouca, nos fins do século XI, de pais pouco afortunados, mas cheios de probidade e piedade. Seu pai chama-se Arrius Manuelis e sua mãe Argia. Os primeiros cuidados que estes santos pais tiveram para com filho, foi de o educarem cristãmente e de lhe inculcarem os princípios evangélicos no mais profundo do seu juvenil coração, o que resultou, visto que a criança se mostrou receptiva e que os seus progressos eram contínuos, o que não significa que fosse como todos as crianças da sua idade. Assim, procurando a sua própria felicidade espiritual, os pais de Martinho, souberam alicerçar a do filho.
Os primeiros preceptores nas verdades da religião reconheceram nele disposições para as ciências, assim como outras qualidades que pareciam contrariar a sua vocação para o estado eclesiástico. Todas estas conclusões foram explicadas aos pais de Martinho assim como o desejo que estes conselheiros acalentavam de o guardarem e de lhe oferecerem um ensino adequado às suas possibilidades naturais: estudos de ordem superior.
Movidos pelo amor a Deus, os pais de Martinho sentiram-se felizes de oferecerem a Deus o fruto do seu amor e aceitaram que ele fosse estudar, o que logo a seguir aconteceu: começou a estudar filosofia e teologia. Martinho foi tão estudioso e sério que pouco tempo depois era apresentado aos seus condiscípulos, como um modelo de abnegação e de seriedade.
Esta nova “notoriedade” não ficou no silencia das alcovas, bem pelo contrário, como vamos ver:
Um dia Maurício, Arcebispo de Braga, viajando para Arouca, apresentaram-lhe o jovem Martinho como sendo um digno discípulo sobre o qual a Igreja poderia contar e sobre o qual se fundavam grandes esperanças. Os modos serenos e humildes do jovem estudante cativaram tanto o Arcebispo, que logo o enviou para Braga e, mais tarde oferecendo-lhe mesmo o título de Cónego, antes mesmo de receber a ordenação sacerdotal, o que era frequente naquela época longínqua; ordenação que recebeu pouco tempo depois.
Da mesma maneira que até ali servira de exemplo aos seus companheiros, da mesma maneira, no seu novo estado de vida, continuou a ser um exemplo de devoção e de exactidão na execução do tudo quanto lhe era pedido e na sua acção sacerdotal quotidiana.
Martinho esforçava-se para não mostrar o brilho das suas virtudes, de se mostrar como todos, mas não conseguiu impedir que estas brilhassem como mil estrelas e fizessem dele uma pessoa respeitada e admirada e sobretudo amada por todos aqueles que o conheciam.
O Arcebispo de Braga pensou oferecer-lhe um cargo que contribuísse a pôr em relevo o seu zelo e as suas qualidades espirituais, mas Martinho não desejava nem honras nem louvores: só o amor de Deus o animavam e trabalhar humildemente na vinha do Senhor era a sua única preocupação; preferiu que o Prelado lhe desse uma paróquia simples e humilde, mesmo desconhecida, o que acabou por acontecer: foi nomeado pároco de Soure, na diocese de Coimbra que nesse tempo dependia da arquidiocese de Braga[1].
Mal tomou conta da paróquia de Soure, logo mandou reconstruir a igreja que os infiéis tinham destruído, e dispensou todos os seus cuidados para chamar o seu rebanho a uma nova vida, pela força de sua doutrina, a sabedoria de suas exortações e a força de seus sermões. Foi a doçura que caracterizou principalmente o exercício das suas funções, e por ela ganhou o Senhor os mais endurecidos pecadores. Esta bela virtude, na qual Jesus Cristo nos procedeu pelo seu divino exemplo, fazia sobressair em Martinho como um novo luminar, a sua constante e indefectível humildade, a sua caridade contínua para com todos, sem excepção. Ele tinha horror pecado, mas não odiava o pecador, porque ele sabia que o Espírito Santo intercede sempre e opera com suspiros que nenhum idioma pode expressar. Evitava no em tanto a companhia dos homens viciosos todas as vezes que ele pensasse que a sua própria alma estivesse em perigo. Nos momentos de laser que ele preferia ocupar o seu tempo em trabalhos manuais do que abandonar-se por pouco que fosse à inacção.
O seu zelo não se limitava unicamente aos cristãos, ele procurava ardentemente chamar os infiéis ao rebanho de Jesus Cristo. Os Mouros ainda muito números nesse tempo em Espanha ofereciam-lhe um vasto terreno de trabalho pastoral, mas a sua fugosa actividade evangélica teve como resultado desencadear a ira dos maometanos e, quando estes invadiram Portugal em 1146 procuraram Martinho, prenderam-no e enviaram-no para a prisão de Scalabus — a actual Santarém — e daí para uma cadeia em Córdova, na Espanha, onde ele morreu no dia 31 de Janeiro de 1147, oito anos depois da independência da Lusitânia, que então tomou o nome de Portugal.
A maneira como morreu, tende a pensar que foi considerado pela Igreja, assim como pela maior parte dos historiadores, que foi mártir da fé.
Afonso Rocha

[1] O Santo não foi ordenado pelo Arcebispo de Braga, mas por Gonçalo, Bispo de Coimbra. É bom saber que nessa época longínqua, a dignidade de pároco era mais elevado e mais importante do que a de Cónego.