Papa, Santo
1504-1572
papa de 1565 un 1572
papa de 1565 un 1572
Pio V nasceu em 1504 Lui Bosco, Italie, de nobre família Ghislieri. Pas de santo Baptismo deram ao filho o nome de Miguel. Menino ainda, deu Miguel indicio de vocação sacerdotale, distinguindo-se sempre por uma piedade pouco vulgar.
Seguindo a sua inclinação, entrou na Ordem de S.
Domingos, na qual ocupou diversos cargos de Superior. Igualmente distinto em
santidade como em ciência, foi Miguel nomeado inquisidor, cargo este que
desempenhou com grande competência. Muitas cidades e regiões inteiras lhe devem
terem ficado livres da peste de heresia.
Reconhecendo-lhe o valor e os grandes méritos, o Papa
Pio IV conferiu-lhe a dignidade de Bispo e Cardeal da Igreja Católica. O
conclave, reunido por ocasião da morte de Pio IV, elevou-o ao pontificado.
Como Papa, desenvolveu Pio V uma actividade admirável,
para o bem da Igreja de Deus sobre a terra. Foi um pontificado dos mais
abençoados. Exemplaríssimo na vida particular, ardente de zelo pela glória de
Deus e a salvação das almas, possuía Pio V as qualidades necessárias de um
grande reformador. É impossível resumir em poucas linhas o que este grande Papa
fez, pela defesa da verdadeira fé, pela exterminação das heresias e pela
reforma dos bons costumes na Igreja toda. Incansável mostrou-se em restabelecer
a disciplina eclesiástica, em defender os direitos da Santa Sé, em remover
escândalos, erros e heresias, em particular a causa dos oprimidos e
necessitados. Cumpridor consciencioso do dever, não se fiava na palavra de outros,
quando se tratava do governo de Igreja ou da disciplina. Ele mesmo, em pessoa
se informava, queria ver, ouvir para depois formar opinião própria e resolver
os casos em questão. De máximo rigor usava contra a imoralidade pública;
prostitutas queria ele que fossem enterradas, não no cemitério, mas no
esterquilínio. Deu leis severas contra o jogo e proibiu as touradas, como
contrárias à piedade cristã. Em 1566 publicou o “Catecismo Romano”, obra
importantíssima sobre a doutrina católica. Deve-lhe a Igreja também a
organização oficial e definitiva do Breviário e do Missal.
Não só mandou embaixadores a todas as cortes cristãs europeias, mas, por
sua ordem, muitos homens percorreram a França, os Países Baixos, a Alemanha e a
Inglaterra em defesa da fé católica, que seriamente periclitava, principalmente
naqueles países.
Infelizmente sua campanha contra Isabel, rainha da
Inglaterra, cuja destronização chegou a decretar sem podê-la tornar efectiva,
causou muitos sofrimentos e perseguições aos católicos ingleses. A Companhia de
Jesus, cuja fundação é contemporânea desse pontificado, achou em Pio V um
grande protector.
Ameaçava grande perigo à Igreja, como à Europa toda, da parte dos turcos,
cujo imperador jurara exterminar a religião cristã. Pio V envidou todos os esforços,
fez valer toda sua influência junto aos príncipes cristãos para conjurar essa
desgraça iminente. Para obter de Deus que abençoasse as armas cristãs, ordenou
que se fizessem, em toda a parte da cristandade, preces públicas,
particularmente o terço, procissões, penitência. Paralelamente, em
1570, os otomanos, de notável poderio militar, apoderaram-se do
Santo Sepulcro em Jerusalém e não permitiam a visita dos cristãos. O
próprio Papa, em pessoa, tomou parte nesses exercícios extraordinários, impostos
pela extrema necessidade. Organizou uma Cruzada, cujo comando entregou a Dom
João da Áustria, que era irmão de Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano.
Aconteceu a Batalha Naval no Golfo de Lepanto. A armada turca, com poderio
militar que ultrapassava o dobro dos navios dos cruzados, incidiu ferozmente
para destruir os cristãos. Os chefes cruzados ajoelharam e suplicaram a
intercessão de Nossa Senhora. Por intercessão de Maria Santíssima, foram
inspirados pelo Espírito Santo a rezar o Terço como única forma de enfrentar e
vencer o inimigo e assim o fizeram. O êxito foi glorioso. A vitória dos
cristãos em Lepanto (1571) foi completa. As festas de Nossa Senhora da Vitória
e do SS. Rosário perpetuam até hoje a memória daquele célebre fato. No momento
em que a batalha se decidia a favor dos cristãos, teve o Papa, por revelação
divina, conhecimento da vitória e imediatamente convidou as pessoas presentes a
dar graças a Deus. Era seu plano organizar uma nova campanha contra os turcos,
mas uma doença dolorosa não lho permitiu pô-la em execução. A
doença era o prenúncio da morte, para a qual Pio se preparou com o
maior cuidado. Quando as dores (causadas por cálculos renais) chegavam ao auge,
exclamava o doente: “Senhor ! aumentai a dor e dai-me paciência !”. Mandou que
lhe lessem trechos da Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor, e continuamente
se confortava com a citação de versos bíblicos e jaculatórias, até que a morte
lhe pôs termo à vida, tão rica em trabalhos, sofrimentos e glórias. Antes,
porém, havia instituído, como agradecimento pela vitória em Lepanto, a festa de
Nossa Senhora das Vitórias. (Dois anos mais tarde, o Papa Gregório XIII, seu
sucessor, lembrando que a vitória de Lepanto foi mais uma vitória do Rosário,
mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário.)
Pio V morreu em 15 de maio de 1572, tendo seu pontificado durado seis anos
e três meses. Não há virtude que este grande Papa não tenha exercitado. Todos
os dias celebrava ou ouvia a Santa Missa, com o maior recolhimento. Terníssima
devoção tinha a Jesus Crucificado. Todas as orações fazia aos pés do
Crucificado, os quais inúmeras vezes beijava.
Certa vez que ia beijá-los, conforme o costume, a
imagem retirou-se, salvando-o assim de morte certa. Pessoa má tinha-os coberto
de um pó levíssimo e venenoso. Numa quinta-feira Santa, quando realizava a
cerimónia do “Mandatum”, entre os doze pobres havia um, cujos pés apresentavam
uma úlcera asquerosa. Pio, reprimindo uma natural repugnância, beijou a ferida
com muita ternura. Um fidalgo inglês, que viu este acto, ficou tão comovido,
que, no mesmo dia, se converteu à Igreja Católica.
Pio era tão amigo da oração, que os turcos afirmaram
ter mais medo da oração do Papa, do que dos exércitos de todos os príncipes
unidos. À oração unia rigor contra si mesmo: a vida era-lhe de penitência
contínua. ‘Três vezes somente por semana comia carne e ainda assim em
quantidade diminutíssima.
Grande amor mostrava aos pobres e doentes. Entre os
pobres, gozavam de preferência os neófitos. Pouco aproveitavam os parentes.
Quando, em certa ocasião, alguém lhe lembrou de subvencionar mais os parentes,
Pio respondeu: “Deus fez-me Papa para cuidar da Igreja e não de meus parentes”.
Seguindo o exemplo do divino Mestre, perdoava de boa
vontade aos inimigos e ofensores. Nunca se lhe ouviu da boca uma palavra
áspera.
Pio empregava bem o tempo. Era amigo do trabalho e
todo o tempo que sobrava da oração, pertencia às ocupações do alto cargo.
Alguém lhe aconselhara que poupasse mais a saúde, e tomasse mais descanso. Pio
respondeu-lhe: “Deus deu-me este cargo, não para que vivesse segundo a minha
comodidade, mas para que trabalhasse para o bem dos meus súbditos. Quem é
governador da Igreja, deve atender mais às exigências da consciência que às do
corpo”.
Pio V foi canonizado por Clemente XI. O corpo descansa
na Igreja de Santa Maria Maggiore.
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