quinta-feira, 24 de março de 2011

DIMAS, O BOM LADRÃO

O bom ladrão, Santo
século I

25 de Março

O Evangelho fala pouco deste Santo. Nem mesmo o nome, os evangelistas fixaram. O que sabemos foi trazido pela tradição que são os nomes: Dimas, o Bom Ladrão e Simas, o mau ladrão. Sem dúvida alguma, se trata de um santo original, único, privilegiado, que mereceu a honra de ser canonizado em vida por Jesus Cristo, na hora solene de nossa Redenção.
Os outros santos só foram solenemente reconhecidos, no outro milénio, a partir do ano 999. A Igreja comemorava os mártires e confessores, mas sem uma declaração oficial e formal. Enquanto que, a de São Dimas quem proclamou foi o próprio Fundador da Igreja. Dimas foi o operário da última hora, o que nos fez ver o mistério da graça derradeira. O mau ladrão resistiu, explodiu em blasfémias. Rejeitou a graça, visivelmente dada pelo Redentor.
O Bom Ladrão, depois de vacilar (Mt 27,44 -Mc 15,32), confessou a própria culpa, reclamou da injustiça contra Aquele que só fez o bem, reconheceu-O como Rei e lhe pediu que se lembrasse dele, quando estivesse no seu Reino. Segundo a tradição, Dimas não era judeu, mas sim egípcio de nascimento. Dimas e Simas praticavam o banditismo nos desertos de passagem para o Egipto. Lá a Sagrada Família, que fugia da perseguição do rei Herodes, foi assaltada por dois ladrões e um deles a protegeu. Era Dimas. Naquela época, entre os bandidos havia o costume de nunca roubar, nem matar, crianças, velhos e mulheres. Assim, Dimas deu abrigo ao Menino Jesus protegendo a Virgem Maria e São José. Dimas foi um bandido muito perigoso da Palestina. E isso, realmente pode ser afirmado pelo suplício da cruz que mereceu. Essa condenação horrível era reservada somente aos grandes criminosos e aos escravos.
O Martirológio Romano diz apenas no dia 25 de Março: “Em Jerusalém comemoração do Bom Ladrão que na cruz professou a fé de Jesus Cristo”. E no mundo todo São Dimas passou a ser festejado neste dia. O Bom Ladrão ou São Dimas foi o primeiro que entrou no céu: “inda hoje estarás comigo no Paraíso”. (Lc 23,43). Ele passou a ser popularmente considerado o “Padroeiro dos pecadores arrependidos da hora derradeira, dos agonizantes, da boa morte”. Morreu sacramentado pela absolvição do próprio Cristo, e por Ele conduzido ao Paraíso.

quarta-feira, 23 de março de 2011

MARIA KARLOWSKA

Religiosa, Fundadora, Beata
1865-1935

24 de Março

Maria Karlowska é uma religiosa polaca nascida em 1865 no seio de uma família muito religiosa e numerosa — ela era a décima primeira do casal — nos territórios ocupados pela Prússia (Pomerânea)
Ficou órfã de seus pais quando tinha 17 anos, viajando pouco depois para Berlim no intuito de ali aprender o ofício de costureira. Naquela idade ela ainda não pensava tornar-se religiosa: ela precisa de trabalhar para ajudar seus irmãos e irmãs. Voltando para a terra natal, ali exerceu uma acção caridosa tornando-se uma verdadeira samaritana no meio das mulheres tocadas pela grande miséria social e moral.
Em Novembro de 1892, Maria encontrou pela primeira vez uma prostituta; este encontro foi decisivo para a sua vocação, porque a partir de então toda a sua energia será concentrada nestas mulheres que Maria quer ajudar para que saiam do “buraco” onde voluntariamente ou involuntariamente se tinham precipitado, e de cortar os laços que as retinham naquela vida.
O seu zelo no desempenho deste “ministério” difícil chamou ao seu redor outras mulheres com quem fundou a Congregação das Irmãs Servas do Bom Pastor e da Divina Providência. Para as irmãs e para ela mesma, ela já tinha estabelecido o seguinte objectivo: “Nós devemos anunciar o Coração de Jesus, quer dizer, viver dele, nele e por ele, de maneira a nos tornarmos como ele e nós devemos fazer de maneira que em nossas vidas, ele se torne mais visível do que nós mesmas”. Com o tempo e a perseverança de todas as irmãs, este apostolado começou a dar bons resultados, e muitas dessas mulheres que a prostituição tinha colocado na berma da estrada, começaram a levantar a cabeça e a singrar resolutamente pelo caminho certo, algumas até se tornam mães exemplares e outras tantas apóstolas junto daquelas que ainda estavam relutantes em voltar para trás.
A devoção de Maria ao Sagrado Coração do Salvador despertou nela uma dedicação aos homens e um amor que nunca diz "Chega". Foi tudo em todos, e através do amor e do movimento do Espírito Santo, ela restaurou a luz de Cristo em muitos corações e os ajudou a recuperar a sua dignidade perdida.
Com cerca de setenta anos, ela entregou a sua alma a Deus em 1935, deixando para a posteridade uma obra reconhecida, foi duma grande ajuda para a Igreja na Polónia e países vizinhos.
Ela foi beatificada a 6 de Junho de 1997 em Zakopane (Polónia) por seu compatriota o bom servo de Deus Papa João Paulo II.

DIOGO JOSÉ DE CADIZ

Presbítero, Beato
1743-1801

24 de Março

Beato Diogo José de Cádiz, cujo nome civil era José Francisco João Maria, nasceu em Cádiz, na Espanha, no dia 30 de março de 1743. Seus pais, José Lopez Carmaño e Maria de Ocaña y Garcia, eram de família nobre. Ficou órfão de mãe aos 5 anos de idade e sofreu muito com a madrasta. Ainda criança dizia: “Quando eu for grande, serei capuchinho, anunciarei o Evangelho, pegarei numa cruz e forçarei o mundo a chorar. Quero ser capuchinho, missionário e santo”. Exteriormente tinha todas as qualidades: bela aparência, belo rosto, nobreza de alma e trato afável. Apenas a sua inteligência era meio curta, o que conseguiu superar através de fervorosa oração e esforço pessoal. Os capuchinhos o receberam no noviciado. Depois, como estudante, manifestará inclinação para literatura, o que o levará ao domínio da língua materna. Mas será na teologia, num estudo apaixonante, que o seu pensamento ganhará altos vôos e a sua vida profundidade. Diogo José de Cádiz foi ordenado sacerdote a 24 de maio de 1766. Por seis anos se deu ao estudo da bíblia e dos livros devotos e lutou contra o iluminismo francês da época. Ele, sem dúvida, foi o maior, mais fecundo e o mais popular pregador dos capuchinhos da Espanha. Não temia confrontos com ninguém. Era veemente e inquieto como um São Vicente Ferrer; procurado e louvado como um novo Santo António. Enfim, era eloquentíssimo e santo.
Em 1768 pregou em Ubrique com sucesso. Em 1773 levou a paz para o povo de Estebona. Percorreu toda Andaluzia pregando, durante um decênio, missões, quaresmas, novenas, em Granada em 1779, Guadix, Baza e Jerer. E em 1780 no Porto de Santa Maria, em Taén e em outros lugares. Em 1775 se encontra com o Pe. Francisco Jadier González, religioso mínimo de São Francisco de Paula, que durante nove anos será o seu diretor espiritual, conselheiro, regulador dos seus empreendimentos apostólicos e indicador da sua missão na história espiritual do seu século. Em 1776, com 33 anos, prega uma missão em Sevilha, interrompida por uma grave doença. Curado, volta a Sevilha e prega em muitas igrejas da cidade. São famosos, nesta época, os seus sermões contra o iluminismo ateu, na Universidade de Granada, em 1779, em Madri e Alcalá de Henares, em 1783, e os sermões fúnebres em honra de seu diretor espiritual em 1784 e de um carmelita célebre em 1786. Diogo de Cádiz pensava também nos pobres quando, em 1778, falava à Comuna de Écija: “Me esbanjei na bela casa de espetáculos, quando aqui faltam um hospital para os doentes, uma casa para as órfãs e alojamentos suficientes para os soldados”. Noutra ocasião decidiu formar uma Congregação para dar assistência aos encarcerados que, por falta de ajuda, morriam de fome. Confiava todas as suas pregações à proteção da Divina Pastora: colocava o seu estandarte na Igreja, criando um ambiente de muita devoção a Nossa Senhora. Quando pregava sobre o perdão dos pecados, revestia-se dos paramentos, colocava sobre o altar o Santíssimo Sacramento e depois levava-o para o púlpito durante o sermão. Programa de vida de Diogo José de Cádiz: amar, pregar, sofrer. Cansado, dirige-se para o convento de Ronda onde, com 58 anos, morre no dia 24 de março de 1801, de manhã.
Só 1 de abril de 1894 é que o Papa Leão XIII o proclamará Beato. Diogo de Cádiz foi grande apóstolo das missões populares. Mais do que arte oratória, a sua pregação nascia da sua maneira singular de transmitir a Palavra de Deus assimilada antes no coração em oração e participada com clareza, simplicidade e fervor.

CATARINA DA SUÉCIA

Princesa, Santa
1330-1381

24 de Março

Filha de Santa Brígida

Catarina era a quarta dos oito filhos de Santa Brígida e de Ulphon, Príncipe da Nerícia, na Suécia, e nasceu por volta do ano 1330. Tendo por mãe uma santa, e por pai um homem piedoso e temente a Deus, Catarina mostrou desde cedo inclinação para a virtude.
Ainda pequena foi entregue a uma virtuosa abadessa para ser instruída na ciência e na virtude. O demónio tinha tanto ódio da menina, que uma noite, quando sua tutora estava na igreja para cantar as Matinas, tomando a forma de um touro o inimigo da salvação jogou com os chifres a menina fora da cama, querendo matá-la. Acudindo a abadessa aos gritos de Catarina, encontrou-a prostrada por terra. O demónio então apareceu à abadessa e disse-lhe: "Com que gosto eu teria acabado com ela, se Deus me tivesse dado licença".
Deus, que preparava Catarina para uma grande santidade, não queria que ela se entretivesse com os jogos infantis próprios à sua idade. Certo dia, quando ela tinha sete anos, distraiu-se muito com outras meninas, brincando com bonecas. À noite, em sonhos, demónios apareceram-lhe em forma de bonecas, e açoitaram-na tão duramente, que ela desistiu desde então de qualquer recreação própria à idade.

Com o esposo, fazem voto de virgindade

Chegando aos 13 anos, seu pai quis que contraísse matrimónio, apesar de ela não se sentir em nada inclinada a ele. Suplicou muito a Deus e à sua Mãe Santíssima que a protegessem nessa circunstância. Realizadas as bodas, convenceu seu esposo Etgardo de Kurner, jovem também piedoso, a viverem em continência perfeita. O que foi aceito por ele, de modo que viveram como irmãos sob o mesmo teto.
Mais que isso. Influenciado por ela, o esposo entregou-se também a obras de piedade, e viviam no palácio como num mosteiro. Conseguiu também convencer uma cunhada da futilidade das coisas do mundo, e a secundá-la nas boas obras.
Sua mãe, santa Brígida, fizera com o marido uma peregrinação a Santiago de Compostela, na Espanha, durante a qual ele se sentiu mal e faleceu pouco depois, ainda em solo espanhol. Viúva, Santa Brígida mudou-se para Roma a fim de ficar mais perto dos lugares de devoção e socorrer os peregrinos suecos que para lá se dirigiam. Com permissão do marido, Catarina foi juntar-se a ela. Pouco depois, recebeu a notícia do falecimento de Etgardo.

Lutas para manter-se virgem

Ainda jovem, bela e rica, surgiram vários pretendentes para esposá-la. Como ela recusou todas as propostas, um dos pretendentes quis sequestrá-la para fazê-la casar-se à força. Um dia em que Catarina foi com algumas senhoras piedosas à igreja de São Sebastião, o tal homem cercou seu caminho, pretendendo levá-la. Mas subitamente surgiu um cervo no caminho, que distraiu a atenção do sequestrador, e Catarina pôde fugir.
Mas o miserável não se deu por vencido. Outra vez, quando Catarina ia com sua mãe à igreja de São Lourenço, fora dos muros da cidade, tentou novamente sequestrá-la. Mas no mesmo instante ficou cego. Reconhecendo o justo castigo recebido, pediu a ambas as santas que o perdoassem e que rezassem por ele a Deus para que recuperasse a vista. O que efectivamente se deu.
Outro perigo ocorreu durante uma peregrinação das duas santas a Assis, para visitar a famosa igreja da Porciúncula. Parando numa hotelaria, um grupo de bandidos combinou assaltar as duas senhoras. No mesmo instante ouviu-se uma grande comoção na parte de fora: eram policiais que estavam à procura dos malfeitores. Estes fugiram como puderam. Mas no dia seguinte cercaram-nas na estrada, e quando iam tocá-las, todos ficaram cegos. Desta vez, como os bandidos não mostraram sinais de arrependimento, não foram curados pelas santas, que seguiram seu caminho.

Tentação de voltar a seu país

Entretanto o demónio, não podendo fazer nada contra Catarina directamente, começou a dar-lhe aborrecimento por aquela vida que levava em Roma. Apesar do conselho de sua mãe e de seu confessor, desejava voltar para a Suécia. Vivia triste, emagrecera e perdera a alegria. Por sugestão da mãe, resolveram ambas recorrer a Nossa Senhora para saber realmente se Catarina deveria voltar ou não à Suécia. Em certa noite, a Mãe de Deus apareceu-lhe em sonhos, com ar severo, repreendendo-a por esquecer-se de seu dever, levada pelo desejo de rever seu país, onde a aguardavam inúmeros perigos para sua alma. Apenas acordada, Catarina correu a lançar-se aos pés de sua mãe, prometendo não a abandonar jamais.
Assim em peregrinações, visitas aos pobres e boas obras, Catarina viveu durante 25 anos com sua mãe, a qual procurava imitar.
Certo dia estava ela rezando na igreja de São Pedro, quando apareceu-lhe uma mulher vestida de branco com um manto negro, recomendando-lhe que rezasse por sua cunhada, esposa de seu irmão Carlos, que acabava de falecer. A defunta havia deixado para Catarina a coroa de ouro que usava, a qual um portador vinha trazendo a Roma. Santa Catarina vendeu-a, podendo com o dinheiro socorrer as obras de misericórdia de sua mãe.
Em 1372 Catarina e seu irmão Birger foram com a mãe em peregrinação à Terra Santa. Mas, logo chegando a Jerusalém, Santa Brígida adoeceu. Retornando a Roma, entregou a Deus seu espírito.
Dois anos depois, para atender a um pedido da mãe, Catarina voltou à Suécia levando seus restos mortais, para serem sepultados no Mosteiro de Wadstena, por ela fundado. Nele entrou Catarina, sendo logo reconhecida como priora.
Catarina crescia cada vez mais nas virtudes, principalmente na humildade e desapego do mundo. Instruía as monjas do mosteiro sobre a regra deixada por Santa Brígida.

Novamente em Roma - Milagres estupendos

Entretanto, os inúmeros milagres obtidos por intercessão de Brígida levaram os Prelados e os Príncipes da Suécia a pedir ao Papa a sua canonização. E, como embaixadora, ninguém melhor que a própria filha da santa. Essa era uma obra na qual Catarina deitava muito empenho.
Assim, embarcou para Roma e começou uma série de actividades junto a cardeais e membros da Cúria Romana. Mas infelizmente, com a morte de Gregório XI e o cisma que ocorreu com a ascensão de Urbano VI, pouco ela pôde fazer.
Por seu intermédio, realizou Deus Nosso Senhor vários milagres. Um deles foi com uma nobre dama de má vida, que não queria confessar-se para morrer. Catarina rezou por ela. Subiu então do rio Tibre uma fumaça negra e espessa, que penetrou na casa daquela mulher, de modo tal que um morador não podia ver o outro. Ia acompanhado de um ruído tão pavoroso, que, aterrorizada, a dama mandou chamar Catarina, prometendo fazer tudo o que ela determinasse. Confessou-se então piedosamente.
Em certa ocasião, o Tibre saiu de seu leito, inundando parte da cidade. Pediram a Catarina que rezasse para que as águas recuassem. Mas, por humildade, a Santa não quis atender à solicitação, sendo levada à força até a borda das águas que, ao contacto de seus pés, retornaram ao leito.
Estando em Nápoles, uma viúva da sociedade local pediu a Catarina que rezasse por sua filha, sempre molestada à noite pelo demónio. A Santa aconselhou a jovem a que se confessasse muito bem de seus pecados, porque, às vezes, pelo fato de calar algum pecado por vergonha, Deus permitia que o demónio tivesse maior poder sobre a pessoa. Indicou-lhe também orações, actos de piedade e de misericórdia, que atrairiam as bênçãos de Deus, e prometeu orar por ela. Pondo isso em prática, oito dias depois a jovem ficou inteiramente livre daqueles ataques do demónio.

Volta triunfal à Suécia e morte

Depois de uma permanência de cinco anos na Cidade Eterna, trabalhando sem êxito para a canonização de sua mãe, Catarina voltou para seu país. Tal era seu prestígio que, por onde passava, os principais representantes das cidades iam acolhê-la com provas de admiração. Bom tempo em que se prestigiava a virtude!
Ainda nessa viagem de volta, a santa operou mais um milagre à vista de todos. Tendo caído do carro um dos que a acompanhavam, foi esmagado por uma das rodas, que quebrou-lhe os ossos. Catarina rezou por ele e, ao simples toque de sua mão, curou-o imediatamente.
Ao chegar ao seu mosteiro, na Suécia, viu um operário cair de um edifício e estatelar-se no solo. As orações de Catarina e o contacto de sua mão fizeram com que o operário se restabelecesse imediatamente.
Apenas chegada à Suécia, a saúde de Catarina começou a declinar. Ela havia contraído o hábito, desde menina, de confessar-se todos os dias e de receber frequentemente a Sagrada Comunhão. Quando foi obrigada a guardar o leito em virtude de sua última doença, não ousava receber a comunhão por causa da fraqueza de seu estômago, que lhe provocava contínuos vómitos. Por isso pedia que levassem o Santíssimo Sacramento à sua cela, para adorá-Lo e humilhar-se em sua presença.
Enfim, entregou ela sua puríssima alma ao Criador no dia 24 de Março de 1381, mal passados os cinquenta anos de idade. Tendo ocorrido muitos milagres por sua intercessão, foi ela canonizada em 1474.
Plínio Maria Solimeo

Fontes de referência:

- Les Petits Bollandistes , Vies des Saints, d'après le Père Giry, Paris, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, 1882, tomo III, pp. 600 e ss.
- Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luís Vives, S. A., Saragoça, vol. II, 1947, pp. 241 e ss.
- J.P. Kirsch, The Catholic Encyclopedia, Volume III, Copyright © 1908 by Robert Appleton Company
Online Edition Copyright © 2003 by Kevin Knight.

terça-feira, 22 de março de 2011

RAFQA PIETRA CHOBOQ AR-RAYÈS

Religiosa, Santa
(1832-1914)

23 de Março

No dia 20 de Junho de 1832, na cidade de Himlaya, Líbano, nasceu a menina Boutroussyeh, que em português significa: Pedrinha. Quando se tornou religiosa adoptou o nome de Rafka, ou Rebeca que era o nome de sua mãe, falecida quando ela tinha sete anos.
Rebeca era filha única e seu pai empobreceu muito após a morte da esposa. Aos onze anos ela foi servir uma família libanesa na, na Síria. Após quatro anos voltou para casa, pois seu pai havia se casado novamente. Pedrinha ficou muito confusa e angustiada com o seu possível matrimónio. Uma tarde foi a igreja rezar para que Nossa Senhora a ajudasse na decisão do caminho a seguir. A noite sonhou e ouviu uma voz que lhe dizia para entregar sua vida a Cristo. Decidiu ser religiosa. Saiu de casa contrariando a família e se apresentou à congregação das Irmãs Filhas de Maria em Bifkaya.
A congregação a acolheu como postulante, era o ano de 1853. Rebeca, três anos depois, completava o noviciado pronunciando os votos e se formando professora. Foi enviada como missionária e professora nos povoados pobres para catequizar e alfabetizar crianças e adultos carentes. Ela foi uma missionária dócil, caridosa, penitente, evangelizando pelo exemplo e pela palavra.
Em 1871, a congregação da Filhas de Maria que era diocesana, passava por uma crise e seria fechada. Rebeca, ouvindo novamente a voz que a guiava, foi ser noviça no convento de São Simão na cidade de Aitou, onde fez sua profissão de fé e dos votos em 1872, tomando o nome de Rafka.
Assim, iniciou uma outra fase de sua vida ao serviço de Deus. Rafka começou a sentir dores terríveis na cabeça e nos olhos. Após os exames médicos foi submetida a várias cirurgias. Durante a última o médico errou e ela ficou sem chance de cura. Rafka aceitou toda aquela lenta agonia tendo a certeza que deste modo participava da Paixão de Jesus Cristo e no sofrimento da Virgem Maria.
Foram vinte e seis anos de sofrimento na cidade de Aitou. Depois, com outras cinco religiosas Rafka foi transferida para o novo convento dedicado a São José, em Grabta. Neste período ficou completamente cega e paralítica. Mesmo assim se manteve feliz porque podia usar as mãos, fazendo meias e malhas de lã.
Rafka ainda vivia e a população falava dela como santa. Depois da sua morte em 23 de Março de 1914 a sua fama se difundiu por todo o Líbano, Europa, e nas Américas. Os prodígios e milagres foram se acumulando e seu processo de canonização foi concluído em 2001, quando o papa João Paulo II a proclamou santa.
O seu corpo repousa na igreja do mosteiro de São José em Grabta, Líbano. Santa Rafka, ou Rebeca continua sendo reverenciada no dia 23 de Março pelos seus devotos em todo o mundo.

JOSÉ ORIOL

grande taumaturgo de Barcelona, Santo
1650-1702

23 de Março

Os elementos lhe obedeciam e, à sua voz, as doenças mais renitentes desapareciam. Possuía também o dom da profecia e lia os corações.
Foi num pobre lar de Barcelona, na Espanha, que José Oriol nasceu em novembro de 1650. Aos 18 meses perdeu o pai, e sua mãe voltou a casar-se com um honrado e piedoso sapateiro, que adotou o pequeno órfão como seu próprio filho.
Os capelães de Santa Maria del Mar cuidaram da educação do menino, que, além de acolitar as Missas, era encarregado também da manutenção dos altares. O pequeno José desincumbia-se desses encargos com tanta piedade e espírito sobrenatural, que seus benfeitores reconheceram nele a vocação sacerdotal. Incumbiram-se de encaminhá-lo à Universidade de Barcelona para os estudos prévios à ordenação sacerdotal.
Entrementes, sua mãe, pela segunda vez viúva, caíra na miséria e não podia arcar com nenhuma despesa do filho. Foi sua ama e madrinha quem, embora também muito pobre, ofereceu-lhe um pequeno quarto para morar, sacrificando-se para ajudar a prosseguir seus estudos aquele adolescente, a quem amava como a um filho.
Aluno exemplar, José fez tão rápidos progressos nos estudos como já fizera na virtude.

Milagre prova inocência de José

Um acontecimento veio mostrar como a Providência protegia o jovem universitário. Tendo seu padrinho, por motivos fúteis, suspeitado de sua boa conduta, José, que disso tomou conhecimento por uma ajuda sobrenatural, quis provar sua inocência. Depois de negar o deslize de que era acusado, tomando a Deus como testemunha, pôs a mão sobre o fogo e a deixou até que o padrinho, arrependido de seu juízo temerário, pediu-lhe perdão. A mão nada sofrera.
Aos 23 anos, José recebeu o título de doutor e foi ordenado sacerdote.

Austeridade do “Doutor pão e água”

Para socorrer a pobreza de sua mãe, José entrou como preceptor em uma nobre e rica família. Sua vida exemplar e penitente logo lhe granjeou a estima de todos. Sua austeridade era tal que ele jejuava todos os dias a pão e água. Evidentemente, isso logo transpirou pelas ruas de Barcelona, e o povo lhe deu o epíteto de Doutor pão e água. Dominou de tal maneira o sono, que dormia apenas duas horas por noite, e assim mesmo sentado numa cadeira. Suas disciplinas eram tão rudes, que se ouviam em quase toda a casa os golpes que se aplicava.
Em 1686, perdeu sua virtuosa mãe. Vendo-se livre da obrigação de alimentá-la, partiu em peregrinação para Roma, sempre a pé e pedindo o alimento como esmola. Na Cidade Eterna visitou com devoção as relíquias por vários meses, e obteve do papa, bem-aventurado Inocêncio XI, um benefício eclesiástico na igreja de Nossa Senhora do Pinho, em Barcelona. Este permitir-lhe-ia viver sem preocupação pelo futuro, ao mesmo tempo que lhe proporcionava meios para satisfazer sua grande caridade em relação aos pobres.
Os beneficiados dessa igreja viviam em comunidade. Ao Padre José coube logo o encargo de enfermeiro. Fez sua morada num estreito desvão, no qual colocou apenas um Crucifixo, uma mesa, uma cadeira, alguns livros, e um baú para sua roupa. Tudo o que ele recebia na igreja ia diretamente para os pobres, que logo descobriram o dia e o esperavam em fila diante do templo. Para satisfazer sua grande caridade, a Providência muitas vezes multiplicava o dinheiro em suas mãos.

Socorrido pela Providência na perseguição

Com um dom especial para dirigir almas, um número crescente de pessoas de todas as condições sociais colocou-se sob sua direção. E muitos queriam emular com o mestre no rigor de suas penitências.
Como sempre acontece com aqueles que desejam levar uma vida de perfeição, acenderam-se contra ele as invejas e perseguições dos maus. A exemplo de Nosso Senhor, foi ele odiado porque fazia o bem. Por isso, desencadeou-se uma surda campanha contra o santo confessor, e os rumores chegaram ao conhecimento do Bispo da cidade. Afirmavam que o Padre José era imoderado em suas penitências e imprudente na sugestão de mortificações. O Prelado, sem muita análise e de modo temerário, foi logo suspendendo-lhe a faculdade de ouvir confissões e dirigir almas.
“Não será por muito tempo” – afirmou profeticamente o Padre José ao saber da medida tomada pelo Bispo. E, com efeito, seja por castigo divino ou outra causa, a morte levou em breve o Prelado. E seu substituto – talvez por ter-se melhor informado, talvez por medo do que acontecera com seu antecessor, ou mesmo por virtude – praticou o ato de justiça de devolver a José as licenças retiradas.
Vendo muitos meninos expostos aos maiores perigos nas ruas da cidade, José passou a ir ao encalço deles, levando-os para a igreja e ensinando-lhes o catecismo. Os soldados também foram objeto de sua caridade, e os atraía pela doçura e afeição.

Zelo missionário e desejo do martírio

Entretanto, o zelo do Padre José era demasiado grande para se circunscrever aos limites de Nossa Senhora do Pinho. Logo começou a pensar nas missões e na conversão dos infiéis. Desejava derramar seu sangue pela fé em terras ignotas.
Assim, um dia, sem dizer nada a ninguém, partiu a caminho de Roma para colocar-se à disposição da Congregação da Propaganda Fidei, encarregada das missões. Mas, ao chegar a Marselha (na França), foi acometido de violenta moléstia que pôs em risco sua vida. Apareceu-lhe então a Virgem Santíssima, que lhe restituiu a saúde e disse-lhe que Deus estava contente com seu sacrifício. Mas queria que ele voltasse a Barcelona, que era seu campo de missão, e se dedicasse a cuidar dos doentes. Nessa ocasião contava ele 47 anos.

Enorme reputação do grande taumaturgo

Na viagem de volta, em determinado momento o mar tornou-se tão furioso, que todos no navio julgaram chegada sua última hora. O Padre José foi ao tombadilho e estendeu as mãos sobre as águas revoltas, as quais se amainaram, permitindo então uma rápida e feliz viagem.
O reaparecimento do santo sacerdote secular na igreja Nossa Senhora do Pinho provocou manifestações de alegria de todos, especialmente dos pobres, seus beneficiados. Começa então o período dos grandes milagres do Santo, tão numerosos que, segundo um de seus biógrafos, para narrá-los todos seria necessário um livro.
A fama dos milagres que operou nos enfermos logo ultrapassou os limites de Barcelona e da Catalunha, difundindo-se por toda a Espanha. De inúmeras regiões traziam-lhe doentes para que lhes impusesse as mãos e os curasse. O Santo sempre recomendava aos enfermos que rezassem diariamente três Padre-nossos, três Ave-Marias e três Glórias. Como lia os corações, se percebia que o doente estava em estado de pecado, convidava-o secretamente a reconciliar-se com Deus e a voltar outro dia. Seu amor às almas e seu horror ao pecado eram maiores que seu desejo de aliviar as dificuldades materiais.
Sua notoriedade tomou tal vulto, que seu confessor o proibiu de curar na igreja, devido ao grande tumulto que faziam os enfermos antes e depois de curados. Mas Deus tinha seus caminhos, e pouco depois o mesmo confessor caiu e quebrou uma perna. Foi procurar seu penitente na igreja, pedindo-lhe sua cura que, obtida, provocou também a suspensão da ordem dada.

“Bendita a mãe que um dia te amamentou”

Um fato encantador sucedeu com o Santo, certo dia em que saiu da cidade para visitar enfermos. Tendo que atravessar o rio Bésos, estava  caminhando milagrosamente sobre a superfície da água quando ouviu tocar o Angelus. Não teve dúvidas: ajoelhou-se sobre o lençol líquido e rezou devotamente essa oração.
O Santo empregava mil meios para esconder seus milagres e atribuí-los ora à fé dos doentes, ora à misericórdia de Deus. Mas, um dia, certa mulher, no auge da admiração, exclamou: “Bendita a mãe que um dia te amamentou”. Ora, os invejosos da graça fraterna estão por toda parte. Uma pessoa que ouviu tal exclamação escandalizou-se e repreendeu a mulher. Mal havia acabado de repreendê-la, quando sentiu seus braços paralisados. E teve que ir implorar humildemente ao Santo que lhe restituísse os movimentos.

Previsão de perseguições à Igreja

Ao dom de milagres, São José Oriol unia o da profecia. Assim, anunciou com precisão as terríveis perseguições que a Igreja sofreria no final do século XVIII. Predisse também a data de sua morte.
Sabendo que seus dias estavam contados, e querendo morrer pobre como vivera, foi à casa de um amigo, a quem pediu que lhe preparasse um leito, luxo de que se privara havia 25 anos. Pouco depois, sentiu-se repentinamente doente. Era o dia 8 de março de 1702.
A notícia correu célere por toda Barcelona, provocando grande consternação. Alguns vinham saber notícias suas, outros ofereciam-lhe meios para um tratamento curativo, outros procuravam-no somente para vê-lo. O Santo esforçava-se por consolar os que via chorar, prometendo-lhes que não lhes faltaria depois da morte.
A 22 de março, recebeu com júbilo e devoção os últimos Sacramentos, preparando-se para a última viagem. No dia seguinte, pediu aos meninos da capelania da igreja Nossa Senhora do Pinho que lhe cantassem o Stabat Mater. São José Oriol seguiu o cântico com grande devoção, interrompendo-o com exclamações de amor a Deus e a Nossa Senhora. Em determinado momento, olhou fixamente seu Crucifixo e entregou a alma a Deus. Era o dia 23 de março de 1702. Contava ele apenas 52 anos de idade.
São José Oriol foi beatificado pelo Papa Pio VII, em 15 de maio de 1806, e canonizado por São Pio X, em 20 de maio de 1909, festa da Ascensão.
Plinio Maria Solimeo

Fontes consultadas:

– Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d’après le Père Giry, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, vol. III, pp. 614 e ss.
– Edelvives, El Santo de cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Zaragoza, 1947, pp. 230 e ss.
– Saint Joseph Oriol, in http://www.catholicsonline.org/.

METODIO DOMINGOS TRCKA

Sacerdote redentorista, Beato
(1886-1959)

23 de Março

Metódio Domingos Trcka nasceu a 6 de Julho de 1886 em Frýdlant nad Ostrava (actual República Checa). O mais novo dos sete filhos de Františka (Francesca) e Tomas Sterbova Tomás Trcka, foi baptizado no dia seguinte.
Concluída a escola primária em Frýdlant, cursou primeiramente o ensino médio e depois no internato dos Redentoristas em Místek Cervenka.
Orientando-se para a vida religiosa, em 1902 entrou para a Congregação do Santíssimo Redentor, pronunciando os votos religiosos em 25 de Agosto de 1904, após um ano de noviciado. Ele estudou teologia e foi ordenado sacerdote em Praga a 17 de Julho, de 1910, pelo Arcebispo Leo Skrbenský.
Passou os primeiros anos de sacerdócio na pastoral das missões populares, residindo em Praga, no santuário mariano de Svatá Hora e Plzen. Durante a Primeira Guerra Mundial, não poupou forças no trato particular de refugiados croatas, eslovenos e russos, aos quais não somente administrou os sacramentos e ensinou o catecismo, mas também procurando fornecer-lhes auxílio nas necessidades.
Durante os seus anos no seminário tinha manifestado o desejo de trabalhar entre os cristãos de rito oriental, O que pode realizar em 1919, quando, pelo Superior Provincial dos Redentoristas de Praga, foi enviado para Lviv, para realizar o apostolado entre os fiéis greco-católicos. Na comunidade redentorista, especialmente com a ajuda do irmão Beato p. Nikola Čarneckyj, aprendeu a língua e os costumes da tradição local. Foi durante este período, que ele tomou o nome de Método.
Em Dezembro de 1921 ele foi enviado para Stropkov no leste da Eslováquia, onde, com os irmãos fundaram a primeira comunidade redentorista latim e de rito bizantino. Tornou-se superior da comunidade, em 1924, desempenhou uma fervorosa actividade missionária nas três eparquias de Prešov, Uzhgorod e Križevci, proclamando a Palavra de Deus e fundou a Irmandade de “Mãe do Perpétuo Socorro e do Santo Rosário”.
Em 1931, os Redentoristas greco-católicos transferiram-se para a nova casa em Michalovce. P. Metódio foi superior até Julho de 1932, quando, cansado do trabalho e da construção da casa religiosa, voltou para Stropkov, onde, para além do tratamento médico, se ocupou da pastoral na cidade e paróquias vizinhas. Voltou para Michalovce, em 1934, e em Março do ano seguinte, foi nomeado pela Congregação para as Igrejas Orientais, visitador apostólico das freiras basilianas em Presov e Uzhgorod.
Reeleito superior em Julho de 1936, desempenhou esse papel até Abril de 1942. Sob sua liderança, a comunidade redentorista tornou-se o ponto de referência da vida espiritual em Zemplin. Ele terminou a construção da igreja, trabalhou para na fundação de um convento de freiras, tentou fundar uma nova casa redentorista para ser utilizada para exercícios espirituais, trabalhou na fundação de uma casa em Khust, na eparquia de Uzhgorod. Ele criou tudo isto sem esquecer as obras de apostolado. No entanto, apesar de já não fazer pregações, ele sempre teve uma grande atenção para com os mais pobres. Por isso mesmo, teve a ideia da fundação de uma associação de mulheres de serviço que se ocupassem das mais abandonadas no ponto de vista espiritual.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os Redentoristas sofreram numerosas dificuldades da parte do Estado eslovaco, que os suspeitava de intolerância e de propaganda contra o Estado. O Padre Metódio, o principal suspeito enquanto que superior, para o bem da comunidade achou por bem renunciar e ir para a Ucrânia, com três outros irmãos, mas não recebeu a autorização do Estado.
Com o final da Segunda Guerra Mundial, melhoraram as relações com o Estado, de modo que os Redentoristas, em 21 de Dezembro de 1945, erigiram canonicamente a Vice-Província de Michalovce e em 23 de Março do ano seguinte, o Padre Metódio foi nomeado primeiro vice-provincial.
Sob a sua liderança aos Redentoristas voltaram para Stropkov, onde construíram a igreja de S. Cirilo e Metódio, fundaram a casa de Sabinov, pregaram fecunda missões populares e deram vida a inúmeras publicações.
Com o advento do regime comunista, porém, em um curto espaço de tempo, tudo foi encerrado. Em 1949, a Vice-Província foi abolida, e durante a noite de 13 de Abril de 1950, todos os homens foram levados para campos de concentração. O Padre Metódio, que na época estava em Sabinov, Podolínec foi transferido para Podolínec e daqui várias vezes levado ao famoso “Mlyn de Leopoldov”. Os depoimentos de outros presos afirmam que para proteger os irmãos ele assumiu toda a culpa e responsabilidade, suportando as torturas calmamente.
Durante o processo, a 12 de Abril de 1952, foi acusado de colaboração com o bispo Gojdič, porque divulgava as cartas pastorais e dava informações aos seus superiores de Praga e, através deles a Roma. Este procedimento foi considerado como alta traição e espionagem contra o Estado. Com esses argumentos e com uma falsa história de tentar escapar para o exterior, o Padre Metódio foi condenado a 12 anos de prisão. Viveu os últimos anos nas prisões de Ilava e Mirove Leopoldov.
Apesar da doença, devido à idade e às duras condições de vida, o seu espírito permaneceu forte, esperando sempre em Deus e no cumprimento da sua vontade. Quando tinha a possibilidade, ele não só rezava, mas também celebrava a sagrada liturgia. Diversas vezes pediu a amnistia para ele mesmo e sua família, mas sempre recebeu uma resposta negativa, porque foi considerado perigoso e fanático porque ele se mantinha firme nas suas convicções religiosas.
Em Abril de 1958, ele foi transferido para a prisão de Leopoldov, considerada uma das prisões mais duras. Durante a época natalícia, enquanto cantava uma canção religiosa a qual foi ouvida pelo guarda, foi transferido e encerrado na “célula de correcção”, onde, por causa das dificuldades e do lugar duro e insalubre, ficou doente com pneumonia. Um companheiro de prisão, que era médico, pediu aos responsáveis da prisão que o Padre Metódio fosse levado para o hospital, mas só conseguiu apenas que fosse transferido para uma cela de isolamento, coisa que não trouxe qualquer melhoria à saúde deste que já estava bastante comprometida. Voltou, após um tempo para a sua cela, e ali morreu às 9 horas do dia 23 de Março de 1959, perdoando àqueles que o tinham preso.
Enterrado no cemitério da prisão em 1969, com a restauração da Igreja greco-católica, os Redentoristas conseguiram transferir o seu corpo para Michalovce, onde agora descansa na igreja redentorista do “Espírito Santo”.
Afonso Rocha (tradução)